
Não há jogadas seguras em política. Uma eleição nunca está garantida, pois depende de factores imprevisíveis, como na teoria do caos em que a borboleta que bate as asas em Pequim provoca um temporal em Nova Iorque.
Theresa May, perante as dificuldades políticas do Labour de Jeremy Corbyn, julgou que poderia calmamente convocar eleições, e ter uma maioria que lhe garantisse um mandato forte para as negociações de um “hard Brexit“. Mas a verdade é que não se pode vender a pele do urso antes de o ter morto, e Corbyn revelou-se um osso muito duro de roer na campanha, apostando em cumprir o slogan que imediatamente surgiu: “Let’s make June the end of May“. Por outro lado, Theresa May mostrou uma absoluta incompetência política, ameaçando os ingleses com mais impostos, como o “imposto sobre a demência”, a fazer lembrar o poll tax que precisamente deitou abaixo Thatcher. Desde Mondale que se sabe que em eleições não se anunciam novos impostos e ponto final.
E agora? Dificilmente May continuará a liderar o governo, e mesmo que os conservadores continuem no poder, o Brexit pode tornar-se tão soft que ninguém dê por ele. E nem é de excluir a hipótese de Corbyn conseguir imitar António Costa e montar uma geringonça no Reino Unido, para fazer também as reversões prometidas, como a renacionalização dos transportes. Aconteça o que acontecer, o Reino Unido está metido num grande sarilho. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Parece-me também que os ataques bombistas não provocaram um crescimento eleitoral dos radicais britânicos, ao contrário do que se passa/passou em França.
E May ganhou as eleições! Corbyn, um estagiário perfilado para vir aprender com Costa.
ameaçando os ingleses com […] o “imposto sobre a demência” […] Desde Mondale que se sabe que em eleições não se anunciam novos impostos
Não se trata de importo nenhum. Trata-se de fazer com que as pessoas que requerem cuidados continuados na velhice (por exemplo, por terem Alzheimer) paguem, após a sua morte, por esses cuidados, através de uma decução à herança. Isto corresponde a uma diminuição de impostos para a população em geral, dado que a população em geral deixa de ter que pagar os cuidados àqueles (poucos) que deles necessitam e que têm posses para os pagar. Em minha opinião, trata-se de uma medida justíssima.
Curioso como um homem de ciclovias, carrinhos de mão, e de compostagens, um irmão socialista, e peregrinador a Medinas, defenda, num argumentário neoliberal, semelhante imposto.
Pelo seu raciocínio acabar-se-ia com o Sistema Nacional de Saúde e qualquer tipo de Contrato/Solidariedade Social. Veja bem, porque não alargar esse imposto a outras patologias, por exemplo as oncológicas?
E depois sempre essa historia do cobrar…existem determinadas matérias que não deveriam ser abrangidas pelo economês, como por exemplo doença, miséria e morte. Há outros sítios onde se podem ir buscar os recursos, que não à bolsa de doentes.
Já disse que não se trata de imposto nenhum. Trata-se de uma aplicação do princípio do utilizador-pagador: quem utiliza um serviço, paga-o, quem não o utiliza, não o paga.
Repare que, tanto quanto eu entendo, não se trata de um cuidado de saúde e sim de um cuidado continuado. Um doente com Alzheimer precisa quem trate dele. Se um familiar tratar dele, então o doente não precisa do serviço estatal e não o paga. Somente se não houver familiar que se prontifique a cuidar dele é que o serviço estatal intervem. E somente neste último caso é que esse serviço estatal é pago – pelos familiares do doente, que recebem uma herança menor.
A mim parece-me bastante justo.
Para o bem e para o mal, há uma coisa que me agrada nos britânicos: o seu pragmatismo. 7/jun/09/theresa-may-reaches-deal-with-d up-to-form-government-after-shock-electi on-result-northern-ireland
https://www.theguardian.com/politics/201
https://www.theguardian.com/politics/liv e/2017/jun/09/election-2017-theresa-may-s peaks-outside-downing-street-after-shock-r esult-hunh-parliament-live
Como referi em tempos, o Brexit jamais será exit.
Excelente análise, embora nesta altura (sexta de manhã) a possibilidade de uma geringonça já esteja afastada. May vai tentar fazer um governo com os unionistas irlandeses, embora no partido conservador muitos dirigentes já estejam a afiar as facas. Quanto tempo é que dura esta tentativa? Talvez pouco tempo. Em relação ao Brexit, tudo depende da posição dos europeus: se eles quiserem endurecer os termos do acordo, vão conseguir virar a opinião pública a favor de um hard brexit. O país está dividido, mas isso não significa que não se possa unir ou que aceite termos inaceitáveis.
Concordo. Corbin e os trabalhistas, cada vez mais perto do poder, nunca facilitarão uma “re-entrega” de qualquer poder político a uma, esta, caótica UE, falida e nada democrática.
Muito menos a esta nova tentativa germanica de criar o novo Reich.
Alemanhã que aliás só receia, respeita, mais uma vez, a velha Albion e o seu novo, insubmetível, aliado, o poderoso Sr. Trump.
Mais um exemplo de uma conservadora que nada conserva e só não é ainda mais Estatista-Socialista porque não pode.
Só teve o que mereceu.
Quanto a Corbyn mostra como boa parte do eleitorado do Reino Unido é favorável ao terrorismo e uso da violência do Estado contra os seus concidadãos.
Os Líbanos Europeus estão a começar a formar-se. Agradeçam ao jornalismo marxista e à educação “publica”.
nem é de excluir a hipótese de Corbyn conseguir imitar António Costa e montar uma geringonça no Reino Unido
Em Inglaterra, felizmente, o Parlamento não é uma central política e para-judicial como se aceita bovinamente por cá. Têm outras câmaras e têm a Rainha que é mais valiosa do que qualquer Constituição patrulhada com arrogância por jacobinos e socialistas assomadiços.
V, aqui para a gente, aquilo dos Lordes, com clérigos à mistura, mais a Rainha, serve para quê?