O velho dorme no banco ao pé de mim. Fosse roto, sujo e desgrenhado, cobrava à noite não dormida a bebedeira que lhe amainou a ferida. Mas um homem bem vestido e penteado no banco do jardim deitado parece que falece.
O velho desapareceu mas eu não vi. Talvez sonhando que o levavam num caixão dali, se aborrecesse com a morte. Talvez escolhesse a sorte. Regra e pão e outra regra e sempre o pão, para os patos do jardim.
foto JCDuarte


Estava eu a terminar o meu comentário, quando num sopro este desapareceu, provavelmente para o buraco negro da atmosfera…Enfim…
Dizia eu que admiro o cuidado e a sensibilidade como os textos da Gui são acompanhados com fotos que quase sempre nos ” transportam ” para lá do texto e de encontro a uma realidade ilusória sim, mas não menos ” verdadeira “. O velho que não está roto, sujo ou desgrenhado, surge assim á nossa frente deitado no banco de jardim envolto numa luz cheia de reflexos que a noite conjuga num clima de mistério, na verdade a foto de JC Duarte tornou-se aqui num elemento precioso, porque é ela que nos dá a ” passagem “para o texto da Gui, sempre simples mas de uma beleza magistral. Onde andará o ” velho ” da Gui e onde andarão os ” nossos ” velhos que cada vez mais preenchem os bancos de jardim ?
Um beijo Gui e que o 2013 não seja apenas um ano portador da desgraça e lhe traga a si, algo que lhe dê felicidade.
cr, a vida é espantosa, dobra-se a esquina e paf! toma lá. não, não pode ser… é, é. tu mesmo. sim, a gente quer-te. em 24 horas, cr, caiu-me ao colo um trabalho bonito demais para ser verdade, por tantas razões. a mim?! pergunto ainda abananada… é uma história bonita. de esperança 🙂
o seu comentário foi-se… normalmente até aparece, em bis. mas não lhe demoveu a vontade de me deixar, como sempre, as palavras da sua luminosa apreciação. obrigada, cr.
acho que foi o Facebook que acabou por nos habituar a ilustrar as prosas. as pessoas fincam-se melhor quando há imagem. e nestas patacuadas mais poéticas dá-lhes força. é como deitar um lencinho ao pescoço para compôr uma toilette simplória 🙂
Grandioso ano, cr.
beijo grato