O esforço de ajustamento e o ajuste directo


Rui Rocha,

Leio nos comentários a este post da Leonor que uns estão convencidos de que Sócrates deixou o país sem dinheiro para tinteiros e impressoras e que outros acreditam que, com Passos Coelho, as próprias impressoras foram já leiloadas. Uns e outros estão redondamente enganados. De acordo com o site Despesa Pública, o Agrupamento Vertical de Canelas acaba de gastar 6.625.15€ para alugar (sim, alugar) uma fotocopiadora multifunções, para apoio ao funcionamento dos Cursos Profissionais em funcionamento no corrente ano letivo, na escola-sede do Agrupamento. Se tivermos em conta que o prazo de execução previsto é de 212 dias, temos um custo de aluguer de mais de 30€ por dia. Incluindo Sábados, Domingos e feriados. Mas a coisa não fica por aqui. Pelo aluguer (sim, aluguer) de 5 (sim, cinco)  portáteis para apoio aos formandos do Curso Profissional de Turismo, em funcionamento no corrente ano letivo (isto é, 212 dias), na escola-sede, o Agrupamento gastou 5.280,03€. E para  alugar (sim, alugar) outros 10 (sim, dez) pelo mesmo período desembolsou 10.599,99. E mais 7.392,00€ por outros 7. E mais 8.448,02€ pelo aluguer de outros 8, sempre pelos mesmos 212 dias. Ou seja, o Agrupamento Vertical de Canelas gastou mais de 1.000€ pelo aluger  de cada portátil por um período de pouco mais de 6 meses. Sempre por ajuste directo. Se tivermos em conta que a compra de um computador com excelente desempenho custa (vá, sejamos mãos largas) os mesmos 1.000€, já se vê que se trata de um excelente negócio. Em conclusão: sim, temos dinheiro para tinteiros e impressoras. E até para computadores.

10 comentários em “O esforço de ajustamento e o ajuste directo”

  1. Quanto mais credito mais dinheiro, mais “ricos” somos..
    É só olhar para o percurso da divida para ver que estamos cada vez mais “ricos”, no site do igcp
    http://www.igcp.pt/fotos/editor2/2012/Boletim_Mensal/12_BM.pdf

    Vamos em 197 mil milhões.
    174 mil milhões era o valor há 11 meses atrás.

    Por isso a dívida aumenta mais de 20 mil milhões e o défice diz-se fica pelos 5 mil milhões? Alguma coisa não joga…

  2. Imagino que sejam obrigados a alugar porque o Gaspar não autoriza mais compras nenhumas para as autarquias, diz que é uma coisa racional.

    Quanto a não haver dinheiro é mais um embuste deste governo, só o que pagamos em impostos chega e sobra para todas as despesas correntes do estado, a única coisa a que já não chega é para pagar os juros e respectiva dívida (dívida aliás que penso que apenas a Coreia do Norte não tenha, têm aquela mania de viverem isolados do resto do mundo).
    Como deixámos de nos financiar nos mercados, mas ao mesmo tempo pedimos o apoio da troika, o dinheiro nunca deixou de entrar, logo…os toners estiveram sempre a salvo.

  3. ó minha nossa! e não se podem exterminar estes tipos? isto é de tirar a qualquer pessoa o pacifismo que nela existe… nem há palavras que insultem suficientemente o estado das coisas… a

  4. Trabalho numa empresa privada que de há uns anos para cá assumiu a política de não ter (comprar) frota automóvel. Todos os carros da empresa (e são mais de uma vintena) vêm agora em regime de “renting”. Pelo que apurei o “renting” faz pagar pelo carro sensivelmente o seu valor durante o período de aluguer. O preço inclui seguro contra todos e manutenção, o que poderá ser uma vantagem mas duvido que compense.
    Ou seja, durante 3 ou 4 anos paga-se o equivalente ao valor do carro (valores de tabela, nem falamos de preços promocionais que as marcas fazem), e no fim não se fica com o carro…

    Não sei o que levou a administração da minha empresa a adoptar essa política. A única explicação seria um qualquer regime fiscal que favorecesse o renting em detrimento da compra, ou então uma maior facilidade de dispor dos veículos em caso de cessação dos contratos de trabalho dos utilizadores… assumindo que o contrato de renting possa ser abreviado. Para mim, não deixa de ser um mistério.

  5. Com o surgimento do fenómeno socrático tivemos a oportunidade de reflectir e compreender que há tipos que necessitam ser protegidos deles próprios (protegendo-se, assim, a colectividade), e em particular quando também víamos próceres do mundo da banca e da finança a gravitar em torno de “corajosos” (assim o chamava a Merkel) para “ajudarem” Portugal (tá visto e comprovada a grande ajuda). Mas nós sabemos que este fenómeno é pandémico no meio político. Vai daí, actualmente, por motivos mais ou menos semelhantes, associando-se também a estes problemas nas hormonas do crescimento, temos de accionar os mecanismos de alerta para que se proteja a nação desta gravosa infantilidade.
    A única divergência de Passos & Cia. em relação ao regime socrático era o facto das medidas pelo anterior implementadas não serem por estes executadas. Passos & Cia. sobem à tribuna não pelos seus méritos mas pela raiva que os portugueses sentiam relativamente a Sócrates. O mais interessante que se verifica em torno disto é o facto de existir uma espécie de coligação para a qual os portugueses não se pronunciaram. Espero que no futuro, a haver intenções de mais coligações, os políticos em exposição tenham a nobreza de anunciar, antes da votação, as intenções de a efectuar.
    Quanto a matéria económica em causa, assim como a outras noutras áreas, cada vez me convenço mais que este governo para mostrar as “virtudes” da economia privada tem necessidade de gerar despesismo e má gestão para levar a água ao seu moinho; dizendo:

    Vêem como nós, os que queremos tudo na mão dos privados, não sabemos gerir o estado!!

  6. Comprar? Mas em seis meses os computadores ficavam desactualizados… E depois há o custo do serviço de assistência, que aqui já deve estar incluído. E o seguro contra roubo ou queda. E, afinal, é ou não preciso estimular a economia?

    (Alguém me devia contratar para fazer spin. Por, digamos, €50.000,00 até levo o meu próprio computador.)

  7. O pior é que estas coisas são do conhecimento público e nada acontece. Nem quando o TC denuncia e condena acontece seja o que for em 99.999% dos casos.

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