Já li o livro e vi o filme (35)


Pedro Correia,

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A MANCHA HUMANA (2000)

Autor: Philip Roth

Realizador: Robert Benton (2003)

Provavelmente o melhor romance de Roth muito valorizado por uma irrepreensível adaptação ao cinema. Com Anthony Hopkins num dos papéis da sua vida.

0 comentários em “Já li o livro e vi o filme (35)”

  1. Roth foi o último escritor famoso que ao começar a estrear-me nele nem consegui acabar de ler o livro: “O complexo de Portnoy”, sei que já me aconselharam outras obras dele, penso que inclusive esta “mancha”, mas ainda estou enojado com ele.

    1. Percebo-o bem, Carlos.

      É importante iniciarmo-nos na leitura da esmagadora maioria dos autores pela obra certa – aquela que mais nos toca, aquela que nos levará a ler tudo o resto.
      Também eu comecei mal com Roth, confesso. Com um livro intitulado ‘Traições’, que já teve outra tradução e outro título entre nós: ‘Engano’.
      Foi uma leitura penosa, nessa década de 90. Não pelo estilo, mas pelo tema. E abandonei o livro a meio, por desinteresse total.

      Não voltei à obra.
      E só regressei a Roth vários anos depois, com ‘A Conspiração Contra a América’. Desse sim, gostei. E deste romance de que falo no postal gostei mais ainda.

      Aproveito para juntar (e recomendar) dois textos blogosféricos sobre ‘Traições’ – um do André Moura e Cunha, outro do Henrique Fialho:
      http://amc-nuncamais.blogspot.pt/2013/02/traicoes-e-engano.html
      http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2013/02/engano.html

  2. Tenho o dvd desde 2004 e devo tê-lo visto umas duas ou três vezes.
    Tenho o livro desde 2008 mas nunca o li. Já peguei nele algumas vezes mas a mancha gráfica é tão densa que desisto sempre.
    A verdade é que os meus olhos já não são o que eram, e como tenho sempre tantos livros para ler alguns vão ficando para trás.
    Mas gostei do filme, o Anthony Hopkins e a Nicole Kidman são excepcionais.
    🙂 Antonieta

    1. Neste caso, Antonieta, o filme levou-me ao livro. Também costuma suceder ao contrário, mas julgo que são mais os casos em que vejo primeiro e só leio depois. (Hei-de fazer essa contabilidade.)

  3. Gosto muito do Roth (excepto quando é judeu ou javardo em demasia) e estupidamente nunca calhou pegar na Mancha Humana.
    Já li várias obras dele, entre elas o Animal Moribundo que deu origem a um filme (Elegia) de que gostei tanto ou mais do que do livro (o que é raro).

    Apesar de alguns episódios indecorosos pelo meio, o meu preferido é a Humilhação. Talvez pela ligação que tenho ao teatro ou talvez por dar muito valor a histórias “redondas”, bem fechadas.
    Nisso, Somerset Maugham é imbatível e o Paul Auster, para meu desgosto porque gosto muito do que escreve, raras vezes consegue.

  4. Diário de uma ilusão. Não gostei de ler, nem me lembro de ter acabado. Pode ser coisa minha, mas não falou comigo.
    Não voltei ao autor, mas vi o filme é gostei bastante. Mesmo em filmes menores Anthony Hopkins é um “leão que mostra sempre a sua raça”. 🙂

    1. É verdade, Dulce. Ainda agora estava a reparar que, por capricho da escrita e da “paginação” do blogue, a foto do Anthony Hopkins ficou logo acima da foto do Sampaio da Nóvoa. Há qualquer coisa que os distingue um de outro, de forma irremediável.

  5. Tenho uma opinião diferente em relação ao filme. Pastelão, sem dar espaço real a Hopkins e numa interacção sempre a soar a forçada com Kidman. Nunca lhe voltei depois de o ver em cinema. Benton tentou construir com silêncios a força interior do romance, mas para isso é preciso mais talento que ele tem.

    Benton não mudou muito no seu estilo de realização desde o seu primeiro filme. Nos anos 70 e 80 funcionava nesse registo dramalhão (Kramer vs Kramer) mas a partir dos anos 90 cheira a bafio e depende demasiado do brilhantismo dos actores. No Mancha Humana, não lhes deu muito espaço. E Hopkins é para mim um magnífico actor, mas precisa de ser bem dirigido, caso contrário entre em registo de cabonitismo ou em piloto automático. Neste filme pareceu-me estar no segundo.

    1. Eu gostei desses silêncios, João. Gosto de filmes com silêncios. Gosto de filmes que permitam aos actores espaço para respirar, espaço para mostrarem o que valem – e no caso de Hopkins isso vale muito.
      Eu, pelo contrário, gosto dos filmes dele precisamente desde ‘Kramer Contra Kramer’. São filmes com gente dentro, como gosto de dizer. São filmes percorridos por uma tensão mais pressentida do que exibida. Filmes que exigem, justificam e merecem bons actores. Os melhores, direi até.

      1. Lá teremos de discordar Pedro :). Nada de mal nisso, obviamente.

        Não discordo com as tua afirmações sobre os silêncios e sobre filmes “com gente dentro”, bem pelo contrário. Apenas me parece que Benton não os faz muito bem. Mas, obviamente, há piores. Muito piores.

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