Cada coisa
Cada coisa tem o seu fulgor,
a sua música.
Na laranja madura canta o sol,
na neve o melro azul.
Não só as coisas,
os próprios animais
brilham de uma luz acariciada;
quando o inverno
se aproxima dos seus olhos
a transparência das estrelas
torna-se fonte da sua respiração.
Só isso faz
com que durem ainda.
Assim o coração.
in “Sal da língua”, 1995

– Veneza
Que música serias
Se não fosses água.
in ‘Escrita da Terra’.
– A Difícil Pergunta
Como se recusa o amor?, perguntavas,
O sorriso brincando ao sol com as romãs.
in ‘Os Sulcos da Sede”.
Dois pequenos (só no tamanho) poemas do Eugénio, lembrando o dia 19 de Janeiro.
🙂 Antonieta