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GAIVOTAS EM TERRA (1959)
Autor: David Mourão-Ferreira
Realizador: Jorge Brum do Canto (1964)
Extraído do primeiro livro de ficção de um escritor mais conhecido como poeta, o filme chama-se Fado Corrido (quase homónimo do último conto desse volume, intitulado “Agora o Fado Corrido”) e é inferior ao texto que o inspira. Apesar da presença luminosa de Amália à cabeça do elenco e de um momento sublime, quando canta Gaivota pela primeira vez.

Vi ambos. Gostei. Em DMF, prefiro a prosa. E gosto de ouvir poesia, dita por ele, em cds.
Tem bom gosto.
Já li o livro não vi o filme.
E pelas opiniões aqui expressas por quem leu e viu, não me parece ter perdido grande coisa.
Não perdeu, garanto.
Imagino que o desconsolo advenha mormente do facto de as novelas no livro serem comunicantes e se enriquecerem mutuamente; pelo que isolar uma pode ressentir-se como redutor.
Todavia, há que anuir: impossível a um livro mostrar Amália; ou Carlos Paredes; ou Alain Oulman.
O próprio David Mourão-Ferreira ponderou, mais tarde, refazer as novelas transformando-as num romance. Sobre a Lisboa dos anos 30, 40 e 50 – tão bem retratada nestes quatro textos, cada qual mais que um simples conto.
Fez bem em manter tudo como estava, alterando apenas pormenores de estilo: limou reticências, pontos de exclamação, pronomes pessoais, advérbios e conjunções. Em certos casos, aliás, deveria ter ido mais longe, o que não invalida a riqueza das novelas, no plano ficcional e documental, eternizando nestas páginas uma certa topografia afectiva e sentimental de uma Lisboa que já não há. Boa literatura é isto.