O Estado a que chegámos


Pedro Correia,

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Depois de amanhã, na zona de Belém, é inaugurada uma exposição que está a ser muito propagandeada com cartazes distribuídos pela capital. Uma exposição do Museu Van Gogh, de Amesterdão, que conta com patrocínios oficiais – incluindo do Governo português e da Câmara Municipal de Lisboa.

Lamentavelmente, os cartazes da exposição estão redigidos praticamente na íntegra em inglês. Que nem é idioma oficial na Holanda, país de origem da exposição, nem de Portugal, país que a acolhe em lugar nobre e com o espavento que talvez mereça.

Nem uma frase em português, no título ou na legenda. Nem um arremedo de versão bilingue, que seria compreensível. Só faltou o endereço vir também impresso na língua natal de Boris Johnson e Donald Trump para a rendição ao idioma anglo-amaricano ser completa.

Que isto aconteça com tão elevados patrocínios diz muito do Estado a que chegámos na defesa, promoção e valorização do nosso idioma.

50 comentários em “O Estado a que chegámos”

  1. Não conheço a exposição, mas avento a seguinte explicação: na própria Holanda, a exposição terá sido elaborada e apresentada em inglês, por se destinar, em grande parte, a ser visitada por turistas. Também em Portugal, a exposição será apresentada em inglês, pela mesma razão.

    É normal, atualmente, turistas deslocarem-se a um país somente para nele visitarem uma grande exposição (ou outro evento artístico, como uma peça de teatro ou um bailado). Por esse motivo, deve ser normal grandes exposições serem elaboradas em inglês.

    (Ainda para mais num país tão amigo do inglês como o é a Holanda.)

    1. Certo!
      Vamos agora esperar pela divulgação do fado em New York toda elaborada em português.
      Com algum vernáculo pelo meio para a compreensão se tornar mais acessível.

  2. Há muito que somos uma mera colóna anglossaxónica.
    E de segunda classe…

    João de Brito

  3. Dizer que Boris Johnson e Donald Trump falam a mesma língua é uma grande canelada no Boris.
    O inglês expressa-se oralmente e por escrito em inglês coloquial; o americano,enfim, “tuita” e profere uns monossílabos.
    Quanto ao cartaz parece redigido em americano trumpento. Atenção não quero entrar em polémica com o eng. Lavoura se ele defende que o cartaz de uma exposição em Portugal deve ser redigido na língua de Trump não sou eu que o vou contrariar.

    1. O problema não é o cartaz. O problema é a própria exposição. A exposição incluirá (calculo eu) filmes falados em inglês, explicações escritas em inglês, etc. Em suma, só vale a pena ir-se lá se se souber inglês. Caso contrário, não se aprenderá grande coisa.

      1. Caro Lavoura,
        Wrong.
        Dei-me ao trabalho (não gosto de calcular, gosto de certezas) de visitar o sítio indicado no cartaz http://www.meetvincent.pt.
        Será uma vasta experiência sensorial e coiso e tal, o conhecimento da língua inglesa é dispensável.
        De qualquer modo o postal de Pedro Correia era sobre o cartaz não era sobre a exposição.

  4. Mais ainda: o estado a que chegámos no que toca ao desprezo pela própria sociedade portuguesa. Se é de cultura que falamos, o convite nunca é para nós – sabemos lá o que isso é, afinal?

    Mais uma excelente e pertinente observação, Pedro. Começa já a ser tão habitual que reparo (eu incluída!) que por vezes já nem questionamos o idioma do que estamos a ler. A tomar mais atenção e a ser mais crítica no futuro, sem dúvida.

    1. É como diz, caríssima. Com todas as letras e sem partes gagas.
      Se todos andarmos um pouco mais atentos, a nossa língua deixará de ser tratada ao murro e a pontapé pelas chamadas “entidades oficiais” que têm por dever e obrigação zelar pelo património cultural português – desde logo pelo património linguístico.
      O primeiro passo é protestarmos sempre que virmos, com chancela oficial, o nome de Lisboa ser pervertido para “Lisbon” e o nome do Porto ser travestido de “Oporto”.
      Fica a sugestão.

  5. O Pedro parece estressado.
    Recomendo ir descansar uns dias no All-garve ou fazer um cruzeiro relaxante no Oporto.

  6. O estado em que nos puseram: seria mais acertado dizer.
    Não contribuí para a caminhada e puseram-me lá na mesma.
    Como dizia o outro, para o filho renitente:
    – Meu filho; quer tu queiras ou não hás-de ser bombeiro voluntário.

  7. Podemos rasgar dicionários portugueses e AO. Há que comprar dicionário de oxford. Moderno e vernáculo. Sem olvidar, lexicógrafo samuel johnson. às vezes, o passado não é um país estrangeiro

    1. Cada vez deparo com mais parolos incapazes de escrever – e até de dizer – três frases seguidas em português correcto. Vários deles usam gravata e fato de bom corte. Uns quantos são políticos.
      Infelizmente quase deixou de haver censura social para estes mecos. Pelo contrário. Os basbaques olham para eles como exemplos a seguir.

  8. Um herói português, terá dito a certa altura:

    “Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos”

    Parece que também pediu a quem o quisesse seguir, que fossem a Lisboa acabar com o tal estado a que chegámos.

    Moral da história – who cares?

  9. https://youtu.be/754C0vbcbEU
    “e por falar em português
    o “flash-back” é amanhã
    o “sponsor” do artista
    no “casting” da cortesã
    na de Rimbaud “en passant”
    na de Cervantes era dantes
    na de Camões p’ra depois
    valha o William
    se não nunca
    falaríamos nunca mais
    jamais
    no “ranking” de culturas
    império
    “shooting-room”
    em língua pura
    e em vez das quatro
    um

    e melhor seria
    um outro “boom”
    via “e-mail”
    e em vez do “bug”
    bedum”

      1. O “Cantor Maldito” naquela “Ópera Mágica” de 2003 preveu em tudo o estado a que chegaríamos.
        SSalgueiro

    1. Mas também há outros músicos que encontram méritos no uso do Inglês, quando existam problemas de expressão:

      “Devia ser como no cinema,
      A língua inglesa fica sempre bem
      E nunca atraiçoa ninguém”

      E que grande musica!

  10. Deparei-me hoje com isto:

    https://images.squarespace-cdn.com/content/v1/5d68f2e979a4670001fe9ff5/1572544354052-67Y5L30WLT3U6HVGFAOP/ke17ZwdGBToddI8pDm48kLkXF2pIyv_F2eUT9F60jBl7gQa3H78H3Y0txjaiv_0fDoOvxcdMmMKkDsyUqMSsMWxHk725yiiHCCLfrh8O1z4YTzHvnKhyp6Da-NYroOW3ZGjoBKy3azqku80C789l0pE4cef1KNtWo36k-CFnr6wOF2g5O-PFkVuvW_ba6dQUZZpzEt6WQHHQe4EHY-NJIA/ccbombarda_street.png

  11. Os neerlandeses estão fazer uma grande campanha internacional a informar que o seu país chama-se Nederland, ou Países Baixos, e não Holanda, ou Holand, por se tratar apenas de uma ‘província’ do país.
    MEET VINCENT VAN GOGH está escrita em neerlandês.

  12. Como é patrocinado pelo quase falido Montepio, está visto que o dinheiro não chegou para pagar a tradução.

    1. LOL

      Essa xafarica são 2 ou 3 bpn nada de mais comparados com a CGD ou o Novo Banco fora os outros mortos-vivos que só querem injecções (com o aval de PCP, BE e Verdes) mas de preferência não letais, a modos que não querem ser eutanasiados.

      WW

        1. Não sei se o SNS estará á altura desse grande desejo, acabar com o sofrimento dos Portugueses (pelo menos a esmagadora maioria).

          WW

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