![O_DESPREZO_1482241255391056SK1482241255B[1].jpg O_DESPREZO_1482241255391056SK1482241255B[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20553262_nRvyb.jpeg)

O DESPREZO (1954)
Autor: Alberto Moravia
Realizador: Jean-Luc Godard (1963)
Brigitte Bardot filmada por Godard naquele que é talvez o mais deslumbrante filme da fugaz carreira dela. Rodada na ilha de Capri, com Michel Piccoli, Jack Palance e Fritz Lang no elenco, a película supera o romance homónimo de Moravia, em grande parte pelos cenários deslumbrantes e pela sua fotografia inesquecível.

E a música, caramba? A música!
Excelente música, sim. Do Georges Delerue, salvo erro.
Um casal que descobre o desprezo quando pela casa de banho se descobrem como homem e mulher. São tantas as promessas dos primeiros embarque.
Realmente um filme notável, a vários títulos.
A presença de Fritz Lang. A pérola na homenagem cinéfila de Godard. E de certeza um dos segredos desta obra-prima: o bébé diante do dinaussauro a tratar de mostrar que se fez mestre.
A casa Malaparte. Uma joia de arquitectura, que não poderia ter sido pensada por um arquitecto. A fusão com o locus, a sala, a escadaria de igreja…
A nudez de Bardot. Forçada a Godard, sublimada em beleza, pura escultura. Mestria até na vingança: o jogo com o livro de Godey, o desabafo de Piccoli (C’est merveilleux, le cinéma…) e o diálogo inicial, idiota mas também mágico (Tu les trouves jolies…?).
E a suprema ironia: emblema da Nouvelle Vague – argumentos originais, orçamentos pequenos, actores desconhecidos…