![incendio2010[1].jpg incendio2010[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20593877_DcM43.jpeg)
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A tragédia de Pedrógão Grande, que enlutou o País e foi notícia em todo o mundo, ocorreu há exactamente dois meses. Desde então nada melhorou: Portugal tem continuado a arder imparavelmente, perante contínuas demonstrações de impotência das autoridades nacionais e municipais.
Desde o início do ano, já arderam mais de 165 mil hectares de terreno florestal e agrícola em consequência dos 10.146 incêndios oficialmente registados entre Janeiro e Agosto. Uma área equivalente à do concelho de Lisboa multiplicada por 16 e muito superior, em menos de oito meses, aos 115 mil hectares consumidos pelas chamas em 2016. Vivemos uma autêntica catástrofe ambiental. A Quercus alerta: “Incêndios estão a ter impacto na qualidade do ar e da água.”
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Algumas notícias das últimas 48 horas: 80% a 90% do concelho de Mação ardeu; Fogo no Fundão é o mais preocupante; Incêndio em Vila de Rei está “novamente descontrolado”; Colégio de São Fiel consumido pelo fogo em Louriçal do Campo; Fogo na Serra da Estrela destrói importante zona ambiental; Fogos preocupam em Santarém, Castelo Branco, Vila Real e Coimbra.
No sábado passado, um triste e lamentável recorde foi batido: o do maior registo de fogos ocorridos em Portugal num período de 24 horas – um total de 268 “ocorrências”, segundo o eufemismo agora em voga.
Felizmente não há a lamentar mais mortos, além das 65 vítimas de Pedrógão. Mas só numa semana, entre 8 e 14 de Agosto, registaram-se 74 feridos. Entretanto os bombeiros queixam-se da falta de apoio para alimentar os voluntários que combatem as chamas. Um cenário digno do terceiro mundo no País da Web Summit, das start-ups e da invasão turística.
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Enquanto vemos grande parte do território nacional ainda mais desertificado pela acção dos fogos que destruíram dezenas de vidas humanas e têm devastado flora e fauna a um ritmo alucinante, os responsáveis políticos continuam a revelar uma confrangedora inaptidão para enfrentar esta calamidade. Isto ficou bem patente numa das mais recentes aparições públicas da ministra da Administração Interna, apontando “falhas de disponibilidade e de desempenho” a entidades sob a sua tutela directa – desde logo a secretaria-geral do seu próprio ministério.
Chegamos ao ponto de presumir que as consequências poderiam ter sido ainda mais trágicas, segundo o cenário de gritantes incompetências tornado público pela ministra: “descoordenação no posto de comando da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC)”; contínuas falhas de comunicações do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), que custa 40 milhões de euros anuais aos contribuintes; “falta de articulação entre a secretaria-geral da Administração Interna, PSP, ANPC e GNR no que diz respeito à detecção dos problemas”.
Tratando-se de entidades sob a sua tutela, é caso para perguntar por que motivo Constança de Sousa tarda tanto a retirar consequências políticas desta cascata de fracassos, renunciando às funções que tão mal tem desempenhado.
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Passados dois meses de virtual paralisia política, continuamos sem um pacto nacional, interpartidário, para o combate a este flagelo – que devia contar com o alto patrocínio do Presidente da República.
O Parlamento aprovou um mero paliativo alcunhado de “reforma” e foi de férias, deixando o País a arder e o ministro da Agricultura, sem a menor noção do ridículo, a vangloriar-se de coisa nenhuma, comparando-se ao Rei D. Dinis com um despudor que envergonha decerto até alguns dos seus colegas do Executivo. Lá para Outubro, após umas retemperadoras férias e a campanha autárquica, se lhes apetecer, os senhores deputados voltarão a pensar no assunto.
Tarde e a más horas, alguém se lembrará enfim de reactivar as acções de vigilância florestal, estendendo ao conjunto do território nacional as experiências já concretizadas com êxito, em tempo útil, na Serra de Sintra e no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
A palavra-chave é mesmo esta: vigilância. Qualquer estratégia nacional de combate a este flagelo implica a reposição da carreira de guardas florestais que durante décadas acautelaram com sucesso a progressão de fogos nas matas.
Tendo 90% destes incêndios “origem humana”, como garante um ex-comandante operacional nacional de operações de socorro da proteção civil, e detectando-se “mão criminosa” em boa parte destes incêndios, segundo assegura o secretário de Estado da Administração Interna, a primeira etapa terá de passar sempre pela reactivação dos postos e das brigadas de vigilância florestal. É esta, sem surpresa, a posição do presidente da Liga dos Bombeiros, lembrando que nestes dois meses houve mil fogos que começaram de noite.
O resto é demagogia política que já não ilude ninguém.

Agora temos outro berbicacho na Madeira. Hão-de dizer que os avisos que a Junta fez desde 2014 relacionavam-se com os “galhos” da árvore e não com risco de derrocada. Hão -de, não impossibilidade de uma trovoada seca, culpar uma qualquer doença muda que em silêncio fez das suas, apesar de para os ” ignorantes ” não especialistas a queda não ter sido uma grande surpresa.
E a culpa volta a ser do ente que não mente porque não fala.
Experimente trocar Madeira por Porto. Talvez terminem os berbicachos.
Qualquer estratégia nacional de combate a este flagelo passará sempre pela reactivação da carreira de guardas florestais que durante décadas acautelaram com sucesso a progressão de fogos
A carreira de guardas florestais foi extinta em 2006. Houve grandes fogos florestais em Portugal desde 1975. Ou seja, durante três longas décadas a existência de guardas florestais não acautelou a progressão de fogos.
Só desde 1976?! Eu até diria mais, encaremos os fogos como desastres naturais, como uma fatalidade cá do burgo,e deixemos à natureza a responsabilidade de os extinguir. Além do mais sendo naturais, seriam com toda a naturalidade bem aceites….”olha-me, outro!! Não te preocupes, home, tamos no tempo deles…como ás perdizes ea apanha da amêndoa”
Tendo 90% dos fogos “origem humana”
Boa parte dessa origem não é intencional. Dois exemplos:
1) Na aldeia de onde o meu pai era natural houve um incêndio há menos de um mês (felizmente debelado à nasceça por um helicóptero que ia de passagem no local). Foi causado por uns indivíduos que estavam a utilizar uma rebarbadora para cortar metal no meio de um jardim; as fagulhas do corte ataram um fogo atrás dos trabalhadores, sem que estes dessem conta.
2) No ano passado 400 carros arderam num parque de estacionamento do festival Andanças em Castelo de Vide. Com grande probabilidade, esse fogo terá sido causado pelo catalisador muito quente de um carro em contacto com ervas secas no chão do parque de estacionamento. Um fogo catastrófico terá tido uma causa corriqueira.
E como toda a gente sabe não querer saber e não querer pensar é perfeitamente desculpável
Quanto a probabilidades casuais até os incêndios que deflagram de madrugada podem derivar daquela partida típica dos adolescentes que consiste em pôr um isqueiro junto ao ânus aquando dum flato. E aquilo se pega, o flato chamuscado….um perigo!!!ui ui…..até queima
Os incêndios que começam noite cerrada e no início da madrugada devem-se aos pirilampos. Penso eu de que.
as experiências já concretizadas com êxito, em tempo útil, na Serra de Sintra e no Parque Nacional da Pereda-Gerês
Tretas. A experiência em Sintra começou em janeiro deste ano (veja-se a data da notícia lincada), a do PNPG começou em abril (idem, aspas). É cedíssimo para avaliar a eficácia dessas experiências. Os fogos têm períodos de recorrência do ordem da dúzia de anos, pelo que, somente daqui a dez anos ou mais é que se poderá avaliar da eficácia destas experiências.
A título de comparação, o concelho de Mação há doze anos que tinha uma experiência de prevenção do fogo que já foi muito louvada. Este ano esse concelho ardeu na sua totalidade…
Da treta é o seu comentário. Como reconhece, durante doze anos não houve fogos em Mação – o que só por si é um elogio ao dispositivo ali instalado. Se houve falhas, face aos fogos criminosos, só reforça a necessidade de melhorar esse dispositivo, não de anulá-lo.
Quanto a Sintra, há vários anos que o Regimento de Artilharia Antiaérea nº.1 ajuda a cuidar da Serra e a zelar por ela. nto-de-artilharia-atuam-na-prevencao-de-i ncendios
http://www.cm-sintra.pt/sintra-e-regime
É um modelo que tem funcionado numa zona que anteriormente foi várias vezes fustigada pelo fogo.
O sistema de prevenção e vigilância de incêndios no Parque Natural da Peneda-Gerês foi instalado há pelo menos quatro anos e tem dado boas provas: ocal/noticia/sistema-de-deteccao-de-ince ndios-no-geres-emitiu-mais-de-1300-falso s-alarmes-1672159
https://www.publico.pt/2014/10/07/l
O Pedro Correia parece apostado em enganar deliberadamente os leitores.
Em Sintra estamos a falar de uma colaboração dos militares a limpar os matos apenas em torno das minas de água que há na Serra. Minas que, presumo eu, são localizadas e pontuais. Não se trata de qualquer sistema de prevenção ou de vigilância na totalidade da Serra. A limpeza de matos em torno de uns poucos pontos da Serra dificilmente pode ser responsabilizada pela ausência de incêndios na Serra inteira.
No Gerês estamos a falar de um sistema automático de deteção de incêndios a partir do fumo. Esse sistema não se destina a evitar a ocorrência de incêndios, apenas permite detetá-los mais cedo e de forma automática. Esse sistema não poe ser responsabilizado por qualquer diminuição do número de incêndios no Gerês que eventualmente ocorra.
Em ambos os casos, repito, a queda no número de incêndios será provavelmente apenas pontual. Os incêndios voltarão quando a vegetação estiver suficientemente crescida – passados doze anos do último incêndio. Tal como aconteceu em Mação, que ardeu em 2005 e agora, passados doze anos, volta a arder.
Apontei-lhe dois exemplos emblemáticos onde a vigilância funciona e previne incêndios. A prova é dada pelos factos, que falam por si: não houve ali incêndios neste trágico ano de 2017, contrastando com o que tem acontecido em tantos outros locais.
Você, sobrepondo a sua tese aos factos, ilude a realidade. Com sucessivas cambalhotas dialécticas. Primeiro jurava ser “cedíssimo para avaliar a eficácia dessas experiências”, agora afinal já garante ser possível fazer balanços, concluindo que nada disso previne seja o que for.
Paleio típico de um troll de caixas de comentários – o que parece ser a sua profissão.
Seria bem mais útil se pegasse numa mangueira ou num par de baldes e fosse ajudar a apagar fogos. Sabe fazer isso ou só consegue ser troll?
A MAI que nos coube por sorte ( ou azar, quem sabe…) está em directo a dizer que é prematuro falar em mão criminosa… bem já tivemos 2 situações em que a causa “confirmada” foi uma árvore omniosa. Em assim sendo, isto tudo não passa de um mau argumento dum filme Série B, estilo John Carpenter, em que as árvores malditas se multiplicam e crescem espontânea e misteriosamente por toda a mancha Verde ( agora negra) Continental e insular.
Se não fosse trágico, seria ridículo. Até a terra treme a gargalhar… humor negro das queimadas…
Não ouvi essa declaração da MAI ainda em funções. Mas parece contradizer o seu próprio secretário de Estado, o que aliás não surpreende. gal/governo-diz-que-h%C3%A1-m%C3%A3o-cri minosa-nos-inc%C3%AAndios-em-portugal/ar-A Aqb7dG
Recordo o que o secretário de Estado afirmou sobre a matéria:
http://www.msn.com/pt-pt/noticias/portu
Trago aqui umas palavras do Henrique Santos com que concordo em absoluto:
“A alternativa não é entre arder ou não arder, mas entre arder onde queremos, quando queremos e como queremos ou arder assim como ardeu: nas piores condições.”
Prevenção, vigilância, ordenamento são indispensáveis. Mas, como se está a ver, se se conjugam as circunstâncias potenciadoras, acaba por arder tudo: ordenada ou não, vigiada ou não, em municípios com planos modelo ou não. A excepção tem sido, creio, as manchas florestais a cargo da Portucel; mas esta malta está a outro nível.
Afinal, precisamos de incendiários. Em vez de os perseguirmos, devíamos estar a empregá-los.
Os incendiários comprovados e reiterados devem ser mantidos sob custódia policial – nem que seja com pulseira electrónica – durante a chamada “época dos fogos”. Para que não tenham oportunidade de desencadear mais fogos.
É vergonhoso, mas a mão criminosa e o clima são sempre os grandes responsáveis, quando basta pensar dois segundos para perceber que se não existirem condições propícias como combustível abundante nas matas os incêndios não progridem à velocidade da luz, assim como se percebe que os incêndios escalam porque há falta de coordenação entre as diversas autoridades.
Podem-se restaurar os empregos dos guardas-florestais que podem inclusive ser importantes noutras situações como a caça ilegal e a proteção das espécies, mas o é urgente a reestruturação da floresta portuguesa e um plano para a tornar sustentável, para além de estarmos a perder recursos importantíssimos estamos a prejudicar o ambiente.
Um plano viável de reordenamento da floresta passará sempre pela reabilitação da agricultura e da pastorícia.
Como disse alguém, e eu concordo, fica muito mais barato ao Estado custear rebanhos durante o ano inteiro do que todo o aparato de combate aos fogos florestais, Verão após Verão.
No meio de tanta desgraça:
Nao se vê um único deputado (a) a pegar na mangueira… nem o Galamba e a Mortágua tão histéricos que foram a criticarem o “aproveitamento politico” de PPC .
Suas Excelências estão a banhos. Não correm o risco de queimaduras, excepto as do sol em excesso na praia.
Eu começava por deportar o Chamuças para a terra dele.
A palavra-chave é mesmo esta: vigilância.
Está mais que demonstrado pela experiência que, mesmo com muitíssima vigilância, mesmo com intervenção rapidíssima, há sempre um número de fogos que escapam ao controle e se tornam calamitosos.
Portanto, a palavra-chave (se é que a há) não é certamente “vigilância”, tal como não é “combate”.
Será, quando muito, “prevenção”.
Está mais que provado que os incêndios ocorrem com muito mais probabilidade onde a vigilância é nula.
Os incendiários são os primeiros a saber isso.
Parece que agora declarou calamidade pública preventiva. Já estão a antever o próximo fracasso. A vantagem é que já não nos espantaremos.
Até agora o governo, na desastrosa estratégia de combate aos fogos, tem feito lembrar o 7.º de Cavalaria norte-americano no combate aos índios no velho Oeste do século XIX: chegava sempre atrasado.
Mas o que esperar da governação e oposição de Portugal desde que no verão começou a existir época de incêndios como se fosse uma época de saldos? Infelizmente nada. São pessoas, que comprovadamente são incompetentes, falsos, corruptos, sacanas, oportunistas,…e ainda surdos, pois recusam-se todos os anos a escutar os especialistas. Mas od verdadeiros especialistas. Não aqueles que lhes utam as mãos alimentando com milhões o orçamento do combate aos incêndios.
A última desta gente é decretar o estado de calamidade pública! Está tudo resolvido! Esta operação de imagem vai assentar que nem uma luva.
Como é que possível haverem pessoas que confiam nos políticos!
E a sua alternativa é…
A do leitor Paulo não sei mas a minha é esta :
” Somos um país pequeno, com problemas sérios, e não podemos aderir a frentes débeis, só com o fim de proclamar que – brincamos às democracias “
Tentei vislumbrar um nexo causal entre o que escrevi e o seu comentário, mas não consegui.
Como eu suspeitava e agora começo a perceber com melhores contornos, parece que um tal Domingos Xavier, prof. de Coimbra e provavelmente da mesma etnia e vizinhança política do PM a quem pediram para fazer os estudos, vem há vários anos defendendo a táctica de evitar pôr bombeiros na linha de fogo (isto é, NÃO APAGAR FOGOS) e que as suas recomendações parecem estar a ser seguidas pela Protecção Civil bem à letra. Só é estranho que um especialista esteja a dirigir o inquérito aos fogos desde ano, precisamente quando a PC é saneada e a pandilha do avental tomou conta do pagode.
Há dois inquéritos em curso. O que mais interessa é o que está a ser elaborado pela comissão designada pela Assembleia da República.