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Leio isto “...ou do Sr. Presidente da República, que decidiu estrear o seu segundo mandato num programa de humor, em plena catástrofe.”. E intuo o que significa. Vou pesquisar e confirmo: no meio de tudo o que está a acontecer, Sousa, reeleito presidente, deu a primeira entrevista no programa de comédia de Araújo Pereira. Como se nada fosse. Isto é completamente inenarrável. É não ter um pingo de noção.
E há uma enorme mole de gente que vota nisto. E aplaude. Imensos milhares que até se devem ter sentado no sofá, sintonizados e a sorrir. É o cume da inconsciência. A de Sousa. A dos seus assessores. E, muito pior do que tudo, da massa eleitora/espectadora.

A verdadeira «maioria» já nem liga. É a completa decrepitude e ocaso do Abrilismo (47 anos).
Dos 10.792102 inscritos, nem sequer foram às urnas 6.599751 (61,15%).
A legitimidade do «Vencedor» (2.534720) foi, portanto, de 23,4%.
Esta realidade fere profundamente a própria legitimidade da Democracia.
Algo irá mudar, brevemente. Já se ouve esse murmúrio ledo.
Esperemos que não ocorra o mesmo que no Passado. E o ser-humano saiba dar um salto em complexidade e fraternidade.
“fere profundamente a própria legitimidade da Democracia.”
Tenho uma opinião diferente. Penso que não votar é uma opção legítima que pode significar várias coisas. Uma é que não se gosta da democracia e os cidadãos devem ter a liberdade de não gostar do que os outros gostam. Mas há mais. Penso que pode não se votar por o resultado nos ser indiferente e, portanto, qualquer que seja o eleito não vermos grande problema. Provavelmente muitos dos que se abstêm é por esta razão, não creio que seja por andarem a conspirar (com actos, não só com opinião) contra o sistema que temos. É um direito que tem de ser reconhecido: posso interessar-me mais por futebol do que por política, por exemplo.
Não gosto de ver a abstenção muito alta (é o meu gosto) mas não encaro isso de modo tão dramático como muitos.
“Legitimidade”, no sentido da credibilidade de «quem» representa «quem».
No sentido de, a «quem» se delega a nossa Liberdade (e a nossa utopia) colectiva e individual por uma Sociedade e um Mundo melhor?
Quando um Regime (seja ele qual for) só tem isto para oferecer a essa Representatividade, e é nela que a Democracia se baseia, então, o que necessitamos de fazer?
Lugares livres no Parlamento para os que não votam, nulos e brancos.
No boletim de voto em qualquer eleição deveria estar sempre esta opção: “Nenhum dos Candidatos/Partidos”
Deve ser opção de uma sociedade definir a intensidade e âmbito de politização que esta tem. Nem sempre é preciso (muita) política, aliás o enorme investimento que se faz na política -para começar o tempo que se gasta – tem impacto na riqueza criada. Estamos sempre a discutir a divisão não a criação ou a multiplicação.
Concordo. Era mais justo, nos próprios termos em que um regime representativo e democrático se define a si próprio. Tinha ainda a vantagem de responsabilizar mais aqueles que pretendem a mudança, e não vão votar.
mas em que é que melhorava a governação a existência de lugares não ocupados no parlamento? teríamos melhores leis? teríamos melhores políticos? passaríamos a ter uma melhor economia? saúde? educação? segurança social? justiça?
se tiver disponibilidade, explique lá.
rui
“Uma (razão) é que não se gosta da democracia”. E a pergunta impõe-se: então do que é que se gosta?
A questão importante é essa: aparecer muita gente que não gosta da democracia.
Democracia tornou-se sinónimo de liberalização da fraude. Não seria despropositado tentar a moralcracia.
“Democracia tornou-se sinónimo de liberalização da fraude.” Como?
O que é moralcracia? Não quererá dizer teocracia? Baseada na Bíblia em vez de ser no Alcorão. Com um Tribunal Religioso a substituir o Tribunal Constitucional.
Constituído por todos os Cardeais portugueses mais uns tantos Bispos cooptados. Que tal a ideia?
Peço desculpa, J, de só agora ter podido responder-lhe. Estive a dar uma queca celestial. Compreenderá que quando se está em produção transcendental alguma coisita tem de ser adiada. ianistas-feministas, isto é, a teocracia implantada pelo PS/BE/PAN/Livre, que determina quem pode viver e morrer e ainda como se deve viver e morrer, caíram em falência total. Estes deísmos neo-fascistas e no que demais vai relatado revelaram a sua completa obsolência não só em Portugal como também no mundo inteiro, quer do ponto de vista democrático, quer do ponto de vista do capitalismo farisaico que também se expressa nas manipulações legais para subverter e até mesmo ajudar na especulação imobiliária que até aproveita a que se juntem uns blocos em propriedade horizontal para que tudo se faça por grosso: o roubo e o aproveitamento. Mas também… Portanto, em matéria de sacerdotes e sacerdotisas e de sua actuação compreenderá que esta teocracia dos deísmos que você sugere inquina transversalmente as sociedades e arruína o sentido moral da partilha, protecção, redistribuição, acolhimento e inclusão.
Não, você ainda não entendeu que a teocracia não resulta. Repare bem que os deísmos neofasistas-abortistas-lgbtistas-eutanas
Em conclusão, a moral de Deus, a do Deus único e Verdadeiro, leva por nome Justiça e não justicialismo perverso e subvertido.
E esta Justiça, ao contrário dos justicialismos dos deístas e deidades, é Aquela que liberta e não condena. Assim, a mesma é dirigida aos prisioneiros, para que se libertem, aos cegos, para que vejam, aos mudos, para que falem, aos paralíticos, para que andem e progridam, aos surdos, para que escutem, às putas, para que não mais se prostituam; e aos humildes, para que sejam exaltados.
Concomitantemente aos que gostam de mandar um piropo às santas e maravilhosas mulheres (eu disse mulheres, não se confundam com feministas), para que nestes rancorosos bulliyngs posam obter dessas santas as adequadas e vingativas respostas: um gajo oferece um assobio e elas respondem com 2; e por aí adiante.
Como vê é a moralcracia que se deve implementar.
Vento julgo ser bastante relevante que se discuta a vida sexual nos blogs, o que ainda é um verdadeiro tatu – e não no tão actual e já estafado sentido de “identidade sexual” mas sim no domínio da praxis. Saúdo assim a introdução que faz ao tema, ainda para mais sem requebros pícaros que só o apoucariam, e ainda para mais associando-o à temática política, como bem deve ser.
“tatu” não, que nada me liga ao fetichismo. Quis dizer tabu
O tabu, jpt, nada mais é que a arte do disfarce. Por isto, o substantivo reside no rasgar do véu dos templos para demonstrar que o amor à lei não conduz a sítio algum. Isto é o farisaísmo na sua máxima expressão, que só conduz a rupturas e polarizações.
“que se discuta a vida sexual nos blogs, ” Pois eu gosto é de verborreia.
‘Algo irá mudar, brevemente.’
Só nos faltava, mesmo, mesmo, um Sotor Karamba, só possível neste regime.
Adriano Moreira costuma contar aquela história, em que Salazar o mandou chamar, para lhe perguntar: “Como o Senhor adivinhou que íamos perder a votação na ONU, e ia ser aprovada a condenação a Portugal?”.
Adriano Moreira respondeu: “Não foi adivinhar, Sr. Presidente, foi matemática. Bastava contar os votos dos países, que a pouco e pouco se iam tornando independentes, e fazer as contas, até que nos calhasse a vez”.
Americanices. O Obama e demais políticos são elogiados como se “expõem” nos Daily Shows, Colberts e Kimmel.
Follow the trend, como dizem os influencers.
sim, de certa forma Sousa é mesmo apenas um influencer
O RAP, enquanto bobo do regime e sobretudo como surrogate do clube do regime, lembra-me sempre a função do “porteiro” (na verdade é o equivalente do coro na tragédia grega) na peça de Macbeth: estabelece a fronteira entre o nós e eles. O problema é que a fronteira é estabelecida com o código do regime, o código que criou o cenário e o drama — e, para lá das piadas, a verdade tem de ser de esquerda, caso contrário abre-se a porta da humilhação.
Talvez que o problema seja mesmo a da mediocridade do cómico feito entrevistador: vi, porque me chamaram a atenção para isso, três patéticas entrevistas em que o homem quis afrontar/complicar os seus entrevistados, usando preguiçosos dislates. E foi completamente avassalado, ficando sem reacção, titubeando gaguejos: Cotrim Figueiredo e Matos Fernandes reduziram-no à fragilidade mimada que lhe é essência, o tal “bobo de regime”. E com Ana Gomes foi ainda pior, o homem acabou a pedir-lhe desculpa. E as pessoas gostam desta mediocridade.
O clube do regime foi aquele dos anos 40 do século passado. É só ir consultar os nomes das pessoas que faziam parte dos orgãos desse clube, até tinham no Café “Avis” (Restauradores) ponto de encontro com legionários à mistura. Era o clube dos finórios o resto era de gentalha operária e carroceiros. Afinal não muito diferentes dos clubes ingleses, espanhóis, italianos ou franceses: clubes das elites e das classes obreiras. Veja-se o City e o United, de Manchester, e o Real e o Atlético, de Madrid.
and your point is?
Não sei em que mundo é que vive (sinceramente também não me interessa muito).
Os telejornais são mais sérios que o programa de RAP?
Jorge Marquez mundo há só um. Mas, sim, há vários “mundos” – “bolhas”, como agora se diz. E é aqui óbvio que eu vivo numa “bolha” na qual o uso do português é bem mais esclarecido do que o vigente na sua “bolha”: sim, os telejornais podem até ser menos “sérios” do que o programa de Araújo Pereira. Mas não são “comédia”, “cómicos”. Mas deixe-se estar aí.
” Isto é completamente inenarrável.”
Também discordo desta opinião. Em todas as circunstâncias é positivo manter o sentido de humor.
sim. mas as instituições deveriam funcionar de modo diferente.
Palhaços …..os verdadeiros que me desculpem….
A.Vieira
O autor tem de corrigir a 2ª. ligação porque esta não está disponível.
O assunto também são as vacinas. As vacinas não vão resolver absolutamente nada. E continuem a mentalizar-se que temos ainda este e o próximo ano (todo) para que o bichinho amoroso paras os xuxas continue a virar camaleão e a expandir-se. Queira Deus e os verdadeiros pesquisadores e observadores que continuem a surgir novas possibilidades em medicamentos e não em vacinas para poder auxiliar os que padecerem de efeitos adversos da acção do animal.
A vacina que eventualmente tenham destinado a mim podem metê-la em fura-filas.
Em conclusão, mantenham os cuidados com a higiene das mãos em particular, e em especial da cabecinha, usem máscara em sítios fechados e com aglomerados, mantenham o teletrabalho e a tele-escola, aumentam o número de pessoas para trabalhar por turnos, reduzindo as horas de trabalho do pessoal em cada turno, abram os guichets dos restaurantes para servirem cafés e sumos (com excepção para bebidas alcoólicas, excepto as que servirem para complementar o serviço de refeições take away, e com limite na venda), apoiem os vossos vizinhos fragilizados, porque o estado está uma verdadeira merda; e continuem a visitar os vossos parentes nem que seja ao portão ou à janela, se necessário entrar para auxiliar ou trazê-los para junto dos que tiverem possibilidade e condições para isso. Continuem também a visitá-los em lares até para poderem fiscalizar o serviço que lhes oferecem e se respeitam as condições de segurança. Aos que puderem, não permitam que vossos idosos em lares ou nas ditas residências sejam somente acompanhados em cuidados sanitários aí: optem por regulares e abrangentes cuidados nas diversas especialidades de saúde externos para melhor controlarem seu estado e mantê-los mais saudáveis. Não há lei que impeça um idoso ou qualquer pessoa em residências de receber cuidados externos de saúde e até mesmo, aos que podem, de passear-se acompanhados pelas redondezas das residências para melhor oxigenarem e manter mobilidade.
O presidente é por natureza um humorista, pois julga ele que isto de aconselhar os outros a estarem atentos aos sinais e mudanças dos tempos não se aplica a ele.
Dito isto, abaixo os humoristas, os e as feministas e os neofascistas do PS/BE/PAN/Livre e os ditos anti-racistas que só servem para explorar o povo com milhões em campanhas de um não-sei-quê.
Viva Trump e a senadora Greene.
Quanto à vacina que precisamos: espero que surja uma que acabe com este regabofe de ineptos. Mas temos de aguardar por um presidente e por um país independente para conseguir tal proeza.
A 2ª ligação está disponível, talvez tivesse algum problema momentâneo quando V. tentou aceder
Já tive acesso. Verifiquei a qualidade das audiências.
Recordo aqui palavras ditas pelo candidato Vitorino Silva em entrevista recente à RTP: “Marcelo apalhaçou um bocadinho a função de Presidente da República”. Onde está, portanto, a surpresa de a sua primeira entrevista pós-reeleição ter sido a um humorista (ainda para mais o humorista-mor do regime)?
E, no último debate, com todos os candidatos, na RTP, Vitorino Silva disse ainda outra coisa: “Se não tivesse 50%, recusava a ser presidente”.
ERRATA: “Se houvesse 50% de abstenção, recusava ser presidente”
Caramba João Sousa, sim, Sousa abandalhou a imagem de PR – e fê-lo porque não tem qualquer projecto político para além de si próprio. Mas ter sido reeleito no meio de uma crise sanitária destas, com o país a ferro e vírus, no topo mundial dos mais fustigados pelo Covid-19, processo no qual ele tem responsabilidades – políticas – e mesmo assim (re)estreeia-se numa comédia. Nem neste momento tem a decência e a gravitas para ascender um pouco acima do que é? E nõs não nos surpreendemos com esta indignidade?
Você entende por inenarrável a entrevista do presidente a um cómico do regime, e consegue imaginar uma enorme mole de gente a sorrir inconscientemente.
Não será que já estamos no país das maravilhas e estivemos a assistir à entrevista do chapeleiro louco à rainha de copas, ou vice versa? É que o coelho já anda aí a aparecer.
estamos num país nada surreal. Mas apenas estuporado.
O Carlos Sousa, ao dizer isso, nem imagina as saudades da estação do metro do Cais do Sodré, e das gigantescas imagens do «coelho» da Alice, por ali a correr nas paredes, a gritar “estou atrasado!”…
“E há uma enorme mole de gente que vota nisto”.
Disse tudo
E recorda-nos o Grande Ausente, “Biblicamente estúpidos”.
JSP