Verdadeiramente lamentável, o que aqui se conta. Desde logo é lamentável que o serviço público de televisão se dedique a alcoviteirices de qualquer género – o que dirá disto o exigente e rigoroso provedor Paquete de Oliveira? Depois pelo precedente que cria: se a RTP se sente à-vontade para discorrer com tamanha falta de gosto sobre a suposta vida afectiva do Presidente francês e da sua mulher porque não há-de fazer peças do mesmo género sobre o primeiro-ministro português ou algum dirigente de um partido da oposição? Finalmente, e talvez o pior de tudo, é isto ser caucionado pelo próprio director de informação da estação, na qualidade de pivô do Telejornal. O que diriam alguns blogues tão cheios de pruridos deontológicos se em vez de coraçõezinhos cor-de-rosa a pairar sobre o Eliseu aparecesse no canal público uma seta de Cupido apontada ao Palácio de São Bento?


Tens toda a razão e tem razão o Francisco de Almeida Leite. É bom registar estas coisas.
Concordo inteiramente com o que escreveu o Francisco. Comigo nada disto também nunca passa sem um protesto.
Vamos de mal a pior.
Entre o pior, inclui-se o duplo critério, Ana. Tenho a certeza de que se algo semelhante sucedesse na RTP sobre a vida afectiva de José Socrates haveria uma gritaria enorme (inteiramente justificada) em certa blogosfera, que sobre isto decidiu passar um manto de silêncio. Talvez até achado alguma graça.
Era um Deus nos acuda, directores demitidos, saneados; tinha impressão que nunca escreveria esta última palavra na net.
Não tenha a mínima dúvida: logo rolariam cabeças, haveria escândalo e gritaria. Como é sobre o Sarkozy e a Carla Bruni, aparentemente quase toda a gente acha bem.
Não os levam a sério, pelos vistos.
Por cá, e por muito menos, até um jornal foi processado, se não estou em erro.
Embora seja um caso diferente e muito mais sério, também me sinto agoniada com o caso do professor de música que se suicidou. Queria escrever alguma coisa sobre o assunto mas nada me acode.