Depois de Angela Merkel se ter atrevido a opinar publicamente sobre os investimentos que uma região autónoma de Portugal deve fazer, agora surge o alemão Martin Schulz, Presidente do Parlamento Europeu, a criticar Portugal por receber investimentos de Angola, considerando que assim o país caminha para o declínio. Confesso que cada vez tenho menos paciência para aturar esta arrogância teutónica. Que se saiba, quando elegemos governantes cabe-lhes a eles decidir a política económica do país, pela qual respondem perante o seu povo e não perante governantes estrangeiros. Não admira que a Grécia já prefira o desastre a continuar a ceder às exigências do duo Merkozy. Parece evidente o colapso do euro e da própria União Europeia. Mas grande parte da responsabilidade cabe às instituições da União que se apagaram completamente em benefício de dois Estados-Membros que até conseguiram impor aos outros um tratado intergovernamental, à margem dos tratados da União. Durão Barroso tem sérias culpas no que se está a passar. A Comissão Europeia a que preside deveria ser a guardiã dos tratados e parece disposta a assistir impávida e serena à sua destruição.


O Durão Barroso, advoga o Luis Menezes… pois sim… um tipo que se baldou à responsabilidade que assumiu ao ser eleito para governar um país, ía agora dar o pescoço ao cêpo, defendendo tratados que iriam colidir com os interesses dos banqueiros que têm em carteira os títulos das dívidas dos países.
Isséquera… bem podem os países “entalados” esperar sentados, por uma posição de defesa vinda da parte daquele… presidente. Até porque o lugarzinho rende um guito bom, que não pode de forma alguma, ser colocado em risco, devido à tomada de posições, politicamente in—correctas.
A Comissão Europeia existe para defender os tratados. Se eles não são defendidos não está lá a fazer nada.
E, não podem separar a Comissão Europeia, da União Europeia e dos princípios que fundamentaram a sua criação.
Logo, caro Luis Menezes, neste momento, não existe já qualquer tipo de união na Europa. Aquilo que existe são dívidas de países, aos interesses privados que dominam os governos, os quais, se encontram obrigados ditatorialmente a proteger-lhes o capital.
A questão já ultrapassa os acordos e as vontades individuais de os respeitar, ou… honrar, como afirma o nosso primeiro. A questão, é que já não existe outra hipotese que a de alimentar a gula dos credores dos países, de todos os países que fazem parte de uma União que não existe.
Alemães paguem e não falem é essa a sua filosofia?
Não me lembro que algum português indique onde é que os alemães devem investir os maravilhosos excedentes orçamentais que conseguem graças ao euro.
São os Alemães que ainda não deixaram Portugal falir ou ser obrigado a fazer cortes de 30% do dia para a noite.
Não é o contrário. Não é Portugal que empresta à Alemanha.
Já tivemos que fazer cortes de 25% nos salários graças à ajuda dos alemães. A diferença que refere é apenas de 5%. E pelo menos não tínhamos que os ouvir.
“Em número absolutos é verdade que é a Alemanha quem paga mais. É uma questão de tamanho da economia a da população. A Alemanha representa 30% a economia da eurozona e com 80 milhões de habitantes é o país com maior população. Por isso o depósito em dinheiro no mecanismo de estabilidade do euro (21.700 milhões) e as suas garantias (168.300 milhões) são as maiores.”
Já no que respeita à contribuição segundo a percentagem do PIB e a população, a Alemanha surge em sexto lugar atrás de Malta, Portugal, Eslovénia, Itália e Espanha. Isto demonstra que o maior esforço proporcional de contribuição para o FEEF não é o da Alemanha como nos querem fazer crer e aos próprios alemães.
http://www.lavanguardia.com/internaciona l/20110528/54162230237/quien-es-el-pagad or-de-europa.html
É a arrogância de quem tem dinheiro de sobra perante os pobrezinhos; é a história impregnada nos genes; será também fruto do caldo de mediocridade em que se movem.
Tristes tempos estes, é o que é.
O alemão não deixa de ter razão, ainda que não tenha nada a ver com isso. Cada um escolhe a ruína que bem entender.
As verdades custam sempre a ouvir. Mas infelizmente o sr. tem razão e como sempre os nossos políticos comportam-se como teenagers que não ouvem os conselhos dos pais e dão com os cornos na parede. Dão uma de dama ofendida e assim escondem dos Portugueses a realidade que é esta:
Atrair capital estrangeiro para construir uma Auto-Europa em Portugal é bom e deseja-se. Atrair capital estrangeiro, para vender EDP’s, REN’s, PT’s, Galp’s etc, com as políticas actuais é caminhar para a decadência. Ou seja se o dinheiro das vendas fosse aplicado para gerar riqueza, por exemplo em reformas importantes ou por exemplo a construção do caminho de ferro de mercadorias, ainda podia ser positivo. Agora vender para simplesmente adiar o problema do défice (este ano fica a 6%) quando não houver nada para vender passa para 12%, então o caminho é a decadência.
Isto porque, convém não esquecer, que os capitais estrangeiros levam os dividendos para fora do país, ou seja conta como importação na balança comercial. Ontem vi uma notícia no sapo que não vi discutida aqui no blog: o governo admitiu que o estado vai perder os dividendos da EDP relativos a 2011. Por 1mês o estado vai perder uns milhões, e os chineses a esfregarem as mãos, compraram uma empresa em dezembro e já vão receber os dividendos de um ano inteiro. Se eu fosse o investidor também tinha oferecido o cargo ao Catroga, aliás dava para uns quantos Catrogas!!. É isto que o povo não vê…
O alemão tem toda a razão, só não vê quem não quer.
Exactamente. Mas a “boca” do alemão é, muito provavelmente, uma represália pelo facto de o Governo não ter aceitado a proposta alemã para a EDP (que em boa verdade teria feito mais sentido)…
“Parece evidente o colapso do euro e da própria União Europeia.“
Se por cada bojarda de político ou por cada crise se entrasse em colapso Portugal já tinha fechado a porta há muito tempo. Tenham juízo, não sejam pieguinhas.
Se eu tivesse a certeza de que foi isso que ele disse, pronunciava-me. Como não tenho, limito-me a citar o Ferreira Fernandes sobre o assunto, para o caso de a imprensa portuguesa não ter distorcido nadinha do que o homem disse:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.a spx?content_id=2295871&seccao=Ferreira%20Fernandes&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco