«Tenho hoje as maiores reservas sobre este acordo ortográfico. Do meu ponto de vista, significa um empobrecimento da língua portuguesa.»
Francisco Assis, há pouco, na Prova dos 9 (TVI 24)
«Tenho hoje as maiores reservas sobre este acordo ortográfico. Do meu ponto de vista, significa um empobrecimento da língua portuguesa.»
Francisco Assis, há pouco, na Prova dos 9 (TVI 24)
Eu, tal como uma vez ilustrei lá no meu canto, quando vejo um texto desprovido das consoantes que nos fazem abrir ou fechar as vogais ou das que nos fazem dar como que um arrastar na sonoridade das consoantes, só me lembro de uma boca desdentada. E a visão de uma boca desdentada não é agradável, dá pena.
A imagem é muito sugestiva.
Quanto ao Assis, finalmente – e numa altura importante porquanto os «acordistas» dentro dos partidos tentavam partidarizar a questão. rimonio_em_risco
Mais importante, palavras sensatas e bem escritas (que bem escritas!) e até comoventes do Jornal de Angola:
«http://jornaldeangola.sapo.ao/19/42/pat
Realço isto, embora tudo seja importante:
«Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.»
Como é que pode haver um «acordo unificador» do idioma escrito deixando de fora Angola e Moçambique? Esta é uma pergunta crucial. Que urge ser respondida.
Assis, no entanto, quando andava na trela de Sócrates, não deixou de o votar na Assembleia. É o que temos.
Mais vale tarde que nunca. E ‘trela’ parece-me um termo desajustado.