Isto com a troika nacional está imparável


Sérgio de Almeida Correia,

Ao ler este editorial do New York Times, depois de tudo o que tem saído por estes dias nas páginas da imprensa estrangeira, que tanto jeito deu a Passos Coelho e Paulo Portas quando se tratou de “enterrar” Sócrates e Teixeira dos Santos por causa da má reputação internacional do país, a tal ponto que foram escritos comunicados em inglês pelo PSD para explicar a situação então vivida, é uma dor de alma ver o estado putrefacto a que conduziram um regime já de si muito desacreditado.

Ainda nos havemos de lembrar por muitos e bons anos da troika dos três cês: Cavaco, Coelho e Costa. Razão tinha o Honório Mau, quer dizer, Novo, enquanto um certo camarada dormia na forma à espera de ser primeiro-ministro.

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5 comentários em “Isto com a troika nacional está imparável”

  1. A única coisa que estas citações todas provam (para lá do excesso de tempo livre do autor, até porque é evidente que umas se citam às outras, algumas via google translator) é que a imprensa económica vale o mesmo que a desportiva: quando se ganha é tudo bestial, quando se perde está tudo errado. Depois do BPN estoirar, todos os jornalistas económicos sabiam, há anos, que aquilo estava tudo podre. Já faltou mais até se sugerir que todos sabiam, há anos, que o BES estava todo podre. Não duvido que um americano qualquer, daqueles que nem sabe encontrar Portugal no mapa (ou um inglês euro-céptico que acha que navegamos em salmonelas) ainda vai afirmá-lo e, aposto, ser citado! E, dias depois, lá teremos o Croquete da SIC e do Batatinha da TVI que ainda há um mês se babavam à mera menção do Dr. Salgado a clamar que toda a Lisboa soprava que aquele banco era só caruncho. Ó triste pátria…

  2. Caro Sérgio:
    (A discursata saiu-me longa mas peço-lhe que a leia, por favor)
    Os do PCP às vezes são como os palpites no Euromilhões: acertam.
    O pior é quando nos confrontamos com décadas de governo do PCP, como na minha autarquia, com maioria absoluta desde 1976 (hoje representando apenas 17,98% do corpo eleitoral, que por milagre da Lei de Hondt se transforma em 47,6% após as eleições: portanto, maioria absoluta política).
    Aí a porca torce o rabo, é compadrio, esbanjamento de dinheiro, n.º de funcionários / 1000 habitantes acima da média nacional, número máximo de chefias, necessidades básicas por satisfazer, impostos e taxas dos mais altos do país, dívida enorme, etc., etc.
    Sobre as chefias municipais, a nova Lei obrigou à sua redução: conheço uma câmara de maioria absoluta do PSD desde 1976 (eu nem pertenço a esta agremiação de distribuição de tachos nem a nenhuma outra), que é bastante comparável à minha na extensão do território e no n.º de população, em que, para cumprir essa Lei teria de aumentar o n.º de chefias: a minha câmara foi obrigada a reduzi-las em 76%. Era um regabofe: e depois vendem muito bem a ideia de honestidade e de eficácia na gestão autárquica.
    Sabe qual dos 22 distritos, incluindo as ilhas, tem a taxa média de IMI (de todas as câmaras do distrito) mais alta? E desde 2003, quando foi criado este imposto? O de Setúbal, onde o PCP sempre dominou esmagadoramente. E sabe qual é dos distritos do Continente (significativos pelo número de câmaras e onde as características entre os 18 distritos são mais comparáveis, nas ilhas há especificidades próprias) em que o IMI (o imposto que mais nos pesa no bolso, ainda por cima incide num bem essencial, a habitação) tem a taxa média mais baixa? Tanto mais que este imposto pode constituir de 25% a 50% das receitas municipais? É o de Castelo Branco, esmagadoramente dominado desde sempre pelo PS. O que contraria a ideia comum do esbanjamento do PS, normalmente verdadeira a nível nacional mas nem sempre a nível local.
    Mesmo assim o endividamento das câmaras do distrito de Setúbal varia entre 64 e 130%, excepto Alcácer do Sal, com 9%. É obra!
    Portanto, o PCP que seja coerente, que não se financie através da dízima que os militantes a quem dá empregos nas câmaras lhe pagam. Por isso eles são tão institucionais e conservadores, querem sempre ocupar o máximo de cargos e tachos possíveis e nunca querem ouvir falar de reformas, simplificações administrativas, redução de serviços, pois pelos interstícios sobra-lhes sempre um tachito nalguma secretária de um canto mal iluminado de um inútil ou secundário arquivo municipal.
    O Honório Novo (ou Velho, ou Cassete) até tem razão no que denuncia: o problema é que o Acordo Ortográfico não aboliu a palavra coerência.

    1. Caro M. S.,

      Não duvido que tenha razão no que diz, mas o que é inegável é que as perguntas feitas a Carlos Costa tinham todo o sentido.
      Quando um fulano tem razão é preciso reconhecê-lo. É-me indiferente que ele seja de esquerda ou de direita.

  3. Então o avisador não foi Cavaco?
    Quem também avisou foi Luís de Camões.
    “Se curar não se procura
    Ua cousa destas tais
    Vem depois a crescer mais.
    Quando já não se acha cura,
    Toda a cura é por demais.”

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