Pessoas que há uma semana defendiam a tese da responsabilidade colectiva do povo português pela dívida pública defendem agora que os accionistas do BES não podem ser responsabilizados pela dívida contraída pelo seu banco. Estes autores acharam no passado que os portugueses são colectivamente culpados pelos gastos excessivos e o modelo errado e, se isso implicava austeridade por vinte anos, pois então que assim acontecesse. Por milagre, estas regras já não se aplicam aos accionistas de um banco que, dizem, foram ‘enganados’.
A excepção é estranhíssima. Estes autores querem uma solução que não passe por austeridade durante vinte anos. A solução europeia não serve, por fazer uma ‘expropriação’, afirmam, embora não expliquem como é que se expropria massa falida.
Há também a tese de que é injusto ser a banca a pagar. Esta tese não resiste a vinte segundos de análise: o BES estava à beira do colapso e este teria forte impacto no valor dos restantes bancos; se houvesse corrida aos depósitos e o sistema não actuasse, haveria pânico e colapso geral. Os bancos que pagam o fundo de resgate estão a defender os seus interesses. A Europa empresta o dinheiro, pois também é do seu interesse, e os accionistas perderão quase tudo, muitos deles injustamente, mas isso também se aplica a cada português que pagou o ajustamento. Não há almoços gratuitos.

Nem mais.
é só destruir o que é Português! Venham os estrangeiros…
Assim, em abstracto, acho que se esqueceu de nomear os autores que podem dizer que isto é um complot marciano.
Sobre a banca toda pagar é originalmente grotesco, sem dúvida.
Cada vez que um médico for condenado, deve então criar-se um imposto a todos, para a reabilitação do acusado. Ganham todos com a reabilitação da profissão.
– Sem palavras!
“… os accionistas perderão quase tudo, muitos deles injustamente, mas isso também se aplica a cada português que pagou o ajustamento”.
verdade, e tal qual cada português pode cobrar politicamente a quem os levou ao pagamento do ajustamento, cada accionista injustiçado deverá fazer cobrar politica e judicialmente a quem os levou a essas perdas: a malandragem da alta finança, os políticos que enganaram os accionistas dizendo que tudo estava bem e se recomendava e o governador do banco de portugal agraciado com a ordem do infante de espada à cinta.