
Há coisas interessantes. Sei, por exemplo, que ouvi falar, pela primeira vez, na cidade alemã de Magdeburgo, a 24 de Abril de 1974. Além de ter sido a véspera da Revolução, foi o dia em que o Sporting perdeu, por um triz, a meia-final da Taça das Taças, na antiga RDA, causando grande consternação em minha casa. O jogo foi precisamente contra o Magdeburg FC, clube que desapareceu da alta competição futebolística, jogando actualmente na 3ª divisão alemã. Aliás, todos os clubes da RDA desapareceram da 1ª Bundesliga. O RB Leipzig está lá, mas foi refundado em 2009 pela Red Bull.

Em 1974, eu tinha quase nove anos, vivia em Vila Nova de Gaia e nem me passava pela cabeça que viesse a residir na Alemanha. E, quase quarenta anos depois dessa noite fatídica, estava de visita à já ocidentalizada Magdeburgo, nas margens do rio Elba, o mesmo rio que passa por Hamburgo e vai desaguar em Cuxhaven, no Mar do Norte.

A cidade foi completamente destruída na 2.ª Guerra Mundial. Durante os tempos da RDA, a sua reconstrução baseou-se na arquitectura estalinista. Depois da reunificação, alguns desses prédios foram substituídos, outros foram renovados e ainda outros tornaram-se eles próprios objectos de interesse histórico.

Como muitas cidades do Leste da Alemanha, Magdeburgo sofre de desertificação, apesar dos esforços da autarquia em atrair gente, nomeadamente, jovens, com a sua Universidade Técnica. Para demonstrar a baixa densidade populacional, vou compará-la com o Porto, pois ambas têm sensivelmente o mesmo número de habitantes: 236.000 para a cidade alemã, 232.000 para a portuguesa. Acontece que Magdeburgo possui uma área de 201 km2, cerca de cinco vezes maior que a do Porto, com os seus 41,42 km2.

Esta abundância de espaço tem as suas vantagens, pois encontramos passeios largos, excelentes ciclovias e o metro de superfície muito bem integrado na paisagem, além de uma ponte sobre o Elba exclusivamente para ciclistas e peões.

É uma pena que o Leste não consiga segurar gente, pois Magdeburgo é uma cidade muito agradável: verde, limpa e bem planeada.

Passei por Magdeburgo em 1991. Numa noite de inverno. O cheiro a enxofre, do carvão que as pessoas queimavam em casa para se aquecerem, era notável.
Outros tempos.
Gostei muito desta reportagem ilustrada, Cristina. Espantoso verificar como as diferenças entre a antiga Alemanha comunista (dita “democrática”) e a outra, que viveu desde 1949 em democracia liberal, são tão acentuadas. Ao ponto de continuar a registar-se um êxodo interno, de Leste para Oeste.
O sistema totalitário da Alemanha soviética foi derrubado há tanto tempo mas continua de algum modo presente no quotidiano sociológico dessa parcela oriental do país.
Em Portugal, todo o interior, de Trás os Montes a Almancil deve ter vivido sob um regime comunista.
Cuidado com as simplificaões.
Sim, a reunificação ainda não é completa, nem tudo se superou.
Por acaso fui lá há muitos anos. Salva-se a catedral, linda. De resto é um buraco. É marchar dali a sete pés.
Na escola não lhe falaram nas campânulas de Magdeburgo?
Há muitos anos devia ser um buraco, sim.
A catedral, claro. Para a semana.
A catedral é das mais belas da Alemanha e da Europa.
Da cidade só posso falar do caminho até à catedral, a razão da visita. Deserto, pobre, e com uma loja Versace na praça, do tempo em que Gianni Versace era vivo, quer dizer, com preços horrorosos.
A única criatura que vi foi um africano. Sabendo o que já nesses tempos ia naquela terra com o racismo, tive pena do desgraçado; onde ele tinha ido parar.
Nem todos os clubes da RDA desapareceram da 1ª Bundesliga. O Union Berlin (5.º classificado da Bundesliga 20/21) é de Köpenick. Wir aus dem Osten geh’n immer nach vorn!
Tem toda a razão, é/era de Berlim Leste, sim.
em 65 tinha 34 anos, fui reinspeccionado e fiz a recruta em Santarém na EPC. depois estive no hospital da Estrela antes de regressar ao trabalho.
da cidade conheço o nome
« Los hemisferios de Magdeburgo son un par de grandes hemisferios de cobre que se ajustan con un anillo de acoplamiento formando una esfera y que se utilizan para demostrar el poder de la presión atmosférica. »
O meu irmão também fez a recruta na EPC de Santarém, mas nos anos 80. Não tem a ver com o post, mas já que falou nisso…
A primeira vez que ouvi falar em Magdeburgo foi num livro juvenil de ciência, a propósito da experiÊncia física dos hemisférios de Magdburgo. Recentemente, ao procurar sobre a cidade, num assomo de curiosidade, descobri que não muitos anos antes da experiência Magdeburgo sofreu um massacre terrível na Guerra dos Trinta Anos, às mãos dos mercenários do Sacro Império. Um dos muitos que as terras germânicas sofreram nesse conflito que dizimou boa parte da sua população.
O JPT lembra, e bem, que o Union Berlin é o única representante da antiga RDA na actual Bundesliga (o rival Hertha não conta porque ficava em Berlim oeste). Acrescento que era um clube de adeptos pouco simpatizantes do regime da RDA e que por isso quase não ganhou troféus. Agora, ironicamente, está a passar pelo seu período desportivo mais fulgurante.
A Guerra dos Trinta Anos foi terrível. Em Magdeburgo, só sobreviveram as pessoas que se refugiaram na Catedral, que felizmente não foi atacada. E também ficou quase intacta na Segunda Guerra, apesar de 90% da cidade ter sido destruída.
Setúbal tem um largo, onde vivi até aos meus 28 anos, de nome Largo da Cidade de Magdeburgo.
Não me lembro bem da história .as teve qualquer coisa a ver com a ajuda desta cidade alemã a Setúbal.