
Liguei o modo mecânico .
Deito-me tarde, durmo mal, acordo cedo depois de duas ou três horas transbordantes de sonhos em demasia, sempre muita gente, muita confusão, sempre casas, muito mar e fósforos.
O modo mecânico não é novidade. É uma habilidade que uso para passar o meu tempo de morcego sem danos pessoais ou colaterais. Só ligo ao que é importante, o resto fica em arquivo de memória para analisar quando estou sozinha e posso verificar objectivamente e atribuir a relevância que merece.
Os fósforos são aquisição onírica recente. Não sou nada destas coisas de signos (apesar de ser Leão e de gostar dos predicados que atribuem aos leoninos) nem sequer de interpretações de sonhos. Atribuí o aparecimento dos fósforos nas minhas fases de REM aos fogos que sempre lavram tristemente ano após ano, um pouco por todo o país, cuja intensidade só é equiparada à da inundação massiva de notícias sobre as frentes activas, playground de qualquer pirómano lascivo, e o que os infelizes populares e bombeiros passam para os controlar até à extinção total e sem os apoios milionários que, como quase tudo em que se investe para o bem do País e das populações, funcionam pouco, funcionam mal ou não funcionam de todo.
Mesmo assim, não resisti à curiosidade mística de procurar saber o que significa sonhar com fósforos. Tudo bom. Amigos, vitórias, sei lá. Prender-se-á com a conquista do fogo? É possível.
Tudo fantástico até o fósforo nos queimar (no sonho, pois claro); aí são só desgraças, aflições e angústias.
Terá a ver com o louco que anda a brincar com o fogo? É muito possível até.
É coisa que me traz frequentemente em sobressalto. Não quero acreditar que pessoas esclarecidas não saibam que o Game of Thrones é apenas ficção e que não se lançam dragões, muito menos dragões nucleares, contra pessoas, só porque sim, porque quem quer, pode e manda.
Isto é coisa de meninos mimados com birrinhas, o problema é não saber se tem a caixa maior, com mais fósforos e se a acende primeiro.

Significado do sonho:
– Tradicional – Se o fogo é brilhante, a sorte está perto. Se o fogo estiver a apagar esqueça.
– Freud – Anseia por novos sentimentos mas sem desejo sexual.
– Jung – Está a modificar-se a visão que o sujeito tem do mundo.
– Eu – Passa demasiado tempo na cozinha precisa de apanhar ar.
Agora não tem desculpa, quem é amigo, quem é?
Prefiro a minha explicação, Carlos. Este ano ainda não fui comer uma boa sardinhada! Mas obrigada pelas várias interpretações, dá para ser à escolha do freguês.
Prometeu, o ladrão do fogo
“Foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência, responsável por roubar o fogo de Héstia e dá-lo aos mortais. Zeus, que temia que os mortais ficassem tão poderosos quanto os próprios deuses o teria então punido por este crime, deixando-o amarrado a uma rocha por toda a eternidade enquanto uma grande águia comia todo dia seu fígado — que se regenerava no dia seguinte.”
Julgo ser a primeira estátua de Prometeu existente em Portugal, que está, ou estava, no Jardim Constantino. em Arroios-Lisboa, da autoria do escultor Francisco dos Santos.
A minha mãe dizia, e não era a única, ‘não brinques com os fósforos que depois fazes chichi na cama’, e parece que assim era, mesmo que a brincadeira fosse sem ninguém ver.
“Terá a ver com o louco que anda a brincar com o fogo? ”
Por várias terras há sempre um maluquinho, que muitas vezes é o culpado de atear fogo aos pinheiros. E, também, há outros que gostam de brincar com o fogo, que queima mais que uns pinheiros e têm o maluquinho para culpar de fogo posto.
Segundo reza a lenda, Prometheus criou os homens com barro e água, e após Athena lhes insuflar o espírito, ensinou-lhes tudo para que crescessem, se multiplicassem e dominassem a terra. Acendeu uns galhos no sol, e deu-lhes o fogo. Foi aqui que Zeus se armou em Deus supremo e bateu o pé e instruiu Hefesto que enviasse Crato e Bia( o poder e a violência) acorrentá-lo ao Monte Cáucaso para o resto da eternidade, deixando a tal águia para lhe devorar o fígado que diariamente se regenerava.
Depois ordenou que se esculpisse uma estátua de uma linda mulher, a quem deu uma caixa selada cheia de malefícios conjurados pelos e ordenou que viesse à terra e a abrisse. Chamou à estátua Pandora.
Está tudo ligado está a ver? O fogo, o poder , a violência e os males do mundo. Basta apenas haver um maluco que conduza a carruagem da maldade e se lance na senda da destruição.
e o que os infelizes populares e bombeiros passam para os controlar até à extinção total e sem os apoios milionários”
O fogo é um fenómeno natural, como as tempestades e os sismos. É contraproducente pensar que se acabaria com eles dando apoios milionários aos bombeiros para os extinguir. É quase como pensar que se pode parar a corrente de um rio.
A forma de gerir os fogos é gerir a paisagem. E o grande problema dos fogos em Portugal está relacionado com a falta de valor económico da grande maioria das propriedades rurais. Tenho aprendido muito sobre fogos com o Henrique Pereira dos Santos (corta-fitas). Muitas vezes a verdade está muito longe do senso comum.
O fogo é natural quando não é posto. Cerca de 65% dos fogos em Portugal tiveram mão humana, tenha sido por incendiarismo, queimas ou queimadas. Concordo que a forma de gerir o fogo é gerir responsavelmente a paisagem, porque os apoios milionários a que me refiro são por exemplo o suporte aéreo de extinção, cuja maioria dos aviões são fretados em Espanha e cobram principescamente pela ajuda, Susana.