Imigrantes da CPLP


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Num mundo feito de países cada um destes deve ser soberano no estipular dos fluxos imigratórios que decide acolher/induzir- e nisso há duas adendas: a soberania é, por definição, relativa, pois subordinada à contratualização internacional; a transposição das obrigações a ter com refugiados para essa noção muito em voga de “refugiados económicos”, é uma demagogia própria de serventuários dos sequiosos amantes de mão-de-obra desapossada, estupradores do lumpen.

 

Há alguns dias, na sequência da morte de imigrantes devido ao incêndio do “compound” que os albergava em plena Lisboa velha, Carlos Moedas (do qual tenho uma boa impressão) e Luís Montenegro (que me parece um evidente erro de “casting”) apelaram ao ordenamento da imigração. Logo de Belém ao Rato choveram os dichotes, ecoados pela ralé reaccionária. Mas é mesmo necessário regular a imigração, e mais fácil o é agora porque é relativamente reduzida. E isso para muito melhor acolher os imigrantes: nem se trata de os “integrar” ou “assimilar” – termos que o folclore contestatário da já velha “esquerda” multiculturalista muito contesta para efeitos da sua guerrilha onírica-, mas de os inserir, nisso estendendo-lhes ao máximo o acesso real aos direitos que uma muito decente legislação já lhes atribui.

 

Assim sendo, esta notícia da atribuição imediata (e com facilidade de procedimentos burocráticos) de residência anual – com a concomitante segurança que disso advém – aos provenientes dos outros países da CPLP é um grande momento. Rejubilo não só por razões ideológicas mas também pela longa convivência com os problemas tidos no acesso a Portugal, principalmente por cidadãos moçambicanos, cá dirigidos por razões pessoais, turísticas, familiares, estudantis, laborais e imigratórias. Delongas, dificuldades, desconfianças até desesperantes. E injustificadas na era que vivemos.

 

Enfim, estamos tão viciados no “bota-abaixo”, nacional e internacional, que nos arriscamos à distracção diante do (muito) bom que também surge. E isto é mesmo muito bom. Viva!

 

(Já agora, porque vem um bocadinho a propósito. Os nossos governos têm sido, e justificadamente, muito contestados. Pelas trôpegas políticas. Mas também pela mediocridade de muitos dos seus membros, gente que não se compreende como o PS desencanta – e nisso como esquecer, como exemplos paradigmáticos, a actual ministra da Agricultura, o antepenúltimo da Defesa ou o penúltimo da Administração Interna? Também por isso convirá realçar que – “até ver”, pelo menos – este ministro Carneiro – que surge anunciando este processo ainda que obviamente não seja o autor da medida, de âmbito bem mais vasto do que a sua tutela – tem sido uma boa surpresa, entre o discreto e o eficiente. “Ele” há-os…)

26 comentários em “Imigrantes da CPLP”

  1. Pode rejubilar por motivos ideológicos e pessoais. Mas regularizar pessoas à pressa atribuindo-lhes regalias para as quais não trabalharam prejudica gravemente as que o fizeram.

    O governo prepara-se para atribuir a 500.000 pessoas sem qualificações de espécie nenhuma (e que nem os sinais de trânsito gostam de respeitar) as mesmas regalias que atribui aos contribuintes de uma república onde só 3 milhões de pessoas é que produzem realmente — o que vai catapultar a pobreza na sociedade para níveis que tenho a impressão de que nem em 1980 existiam. E potenciar o crescimento desregulado dos subúrbios. Não tardará muito para voltarem as barracas por trás do aeroporto e a criminalidade disparar para o nível das favelas brasileiras. Porque as opções “ideológicas” normalmente resultam nisso.

    Querem miscigenar o mundo inteiro? Tudo bem. A Europa já acabou de qualquer forma, portanto quanto mais depressa a sua pobre intelligentsia se confrontar com os resultados directos das suas acções, melhor. Mas de qualquer forma não é assim que se faz, com políticas que nem sequer estão nos programas eleitorais nem nos programas de governo. Se é para ser com batota então eu prefiro advogar a destruição de tudo. Não vale a pena ser democrático quando os princípios básicos da democracia não são respeitados.

      1. Não falei de gentalha — falei de pessoas. E também não sou racista (eu detesto toda a gente e todas as ideias colectivas exactamente da mesma maneira), portanto dispenso essas psicologias invertidas. Enunciei um problema simples de gestão, coisa que o nem PS nem as decisões ideológicas aparentemente consideram.

    1. Ora nem mais. Nada contra em proporcionar uma melhor vida a quem quer que seja, mas já agora, arrumem primeiro a casa onde existem reformas de 300€ e pessoas que nunca passaram a fronteira a viver na rua.
      Se há para dar, os que referi são prioritários.

  2. é mesmo necessário regular a imigração

    Isso é mais fácil de dizer do que de fazer.

    O facto é que atualmente Portugal não controla as suas fronteiras. Qualquer pessoa que já esteja num país do Espaço Schengen pode entrar em Portugal. E não é fácil, nem barato, deportar pessoas.

    Deve haver por aí muita gente em situação de ilegalidade: sem Segurança Social, sem NIF. A começar pelos naturais dos PALOPs referidos neste post.

    1. Shengen é um controlo de fronteiras, internacional. Tem razão no que se diz sobre o trânsito interno a esse espaço. Mas isso implica que quem entre no território nacional tenha direitos de residência.

      1. Sem dúvida que sim. Mas deve haver muita gente que entra no Espaço Schengen com um visto de turista, depois vem para Portugal e fica a residir cá mesmo sem ter visto para tal, nem autorização de residência nem nada. Fica ilegal.
        E depois deportar essa pessoa para o seu país de origem é, como eu disse, tecnicamente difícil, e caro.
        É por isso que eu digo, regular a imigração é fácil de dizer, mas difícil de fazer. Tão difícil, que ninguém consegue.

  3. Desde a Islândia e Noruega, fora da UE, passando por todos os outros países, existem imigrantes de África, Ásia, América do Sul e Central e até da América do Norte a trabalhar.
    Dizem ser o maior negócio das máfias do comércio humano, que tem antigas ramificações com o comércio de escravos, imigração para as Américas séc.xix e para a Europa nos anos 1950s. Esta imigração criou incómoda aos residentes com os bidonvilles mas foram-se adaptando/integrando nos respectivos países. A comunidade indiana já tem um primeiro ministro da Grã Bretanha.

  4. Merkel falou, e foi o fluxo que se viu através da Hungria e Polónia. Obama falou, e viu-se filas a atravessar o México. Costa falou, e o resultado que se espera não é brilhante.

    1. Ó Oscar que chatice, e aquela dos empresários não arranjar ninguém para trabalhar ?
      É treta ou é verdade haver grande falta de mão d’obra em Portugal?

      1. Falta de mdo (mão de obra) é treta. O que existe é pessoas interessadas em ter escravos e aí, sim, a emigração faz sentido por que vem para cá gente trabalhar em condições tão más que depois destroem o mercado de trabalho e o mercado de arrendamento porque num buraco de 2000 euros por mês cabe sempre mais um e aparece sempre alguém para fazer tarefas abaixo do limiar da dignidade. Portugal não precisa de emigrantes, nunca precisou. Precisa é de salarios dignos. Por que é que os nepaleses não recebem o salário minimo?

        1. errata = queria dizer imigrantes e não emigrantes, obviamente.

          Dos emigrantes, infelizmente, parece que não nos conseguimos livrar. Pensem por que razão isso acontece, em vez de postarem postas de pescada que são iguais às postas de pescada já postadas inúmeras vezes e que não descobrem nunca porquê. Será que os bloggers e os jornalistas e os políticos são estúpidos por natureza?

      2. Já vi várias vezes por aqui que o “eu” é esperto.
        O que é que tem exatamente a ver a sua conversa da treta com falta de mão-de-obra ESPECIALIZADA?
        Mas contamos todos consigo para resolver essa “pequena” diferença.

        1. Os empresários da construção civil e do turismo no Algarve dizem não haver mão d’obra especializada carpinteiros-pintores-canalizadores ou até serventes para as suas obras, e empregados de mesa-barmans para a hotelaria, p.ex.
          É um facto ou é treta?

          1. Os empresários da construção civil e do turismo no Algarve dizem não haver mão d’obra especializada carpinteiros-pintores-canalizadores ou até serventes para as suas obras, e empregados de mesa-barmans para a hotelaria, p.ex. É um facto ou é treta?

            Deve ser um facto. Cá em Portugal ninguém sabe misturar cimento nem servir uma puta duma bica. É preciso ir buscar um monhé lá à terra dele porque cá ninguém sabe tirar uma puta duma bica, caralho.

            Você e os estúpidos do PS ainda não perceberam. Não é o saber fazer. É o estar disposto a fazer.

          2. O V. tem ir dizer isso a quem?
            Ou então tem de se armar em Pina Manique e prender quem não quer misturar cimento.
            Quem são as pessoas/profissões inscritas nos Centro de Emprego? Não serão homens das obras ou homens e mulheres dos cafés que esses arranjam trabalho com facilidade.

          3. Está visto que você (ue) nunca esteve inscrito num centro de emprego e ignora que as pessoas são postas num código, num número que corresponde a uma área proffisonal, e são chamadas para ofertas correspondentes a esse código, mas que na maioria das vezes esse codigo não corresponde à formação ou à experiência de trabalho das pesopsoas que nele foram encaixotadas à força. E que a sua possibilidade de começar uma outra carreira profissional através do CE é zero.

  5. Os traficantes de seres humanas agradecem.Este é o negócio mais lucrativo do mundo. Ao contrário do trafico de droga este não precisa de semear, cuidar, colher, processar, empacotar, transportar e fazer chegar à europa de avião ou barco e recolher e fazer chegar ao consumidor local. Neste caso é só receber o dinheiro pela travessia coloca- los em botes no mediterrâneo e já está. As marinhas e as Ong até ajudam no processo.

    1. até o jpt agradece só porque são pretinhos e escorraçados do mundo. Mas os escorraçados de cá, os que já tinham vindo, que se fodam.

      (nunca lembrado que vêm para cá reproduzir o mundo falhado das terras deles, e repetir os chavões dos chefes oportunistas lá das terras deles, que tiveram oportunidade para fazer qualquer coisa mas resolveram chular o ocidente porque o ocidente tem instagram e telemóveis. Pró caralho com toda essa gente estúpida que acha que isto vale a ponta dum caracol. Não vale. Já passámos o Rubicão)

  6. O ministro Carneiro é fraco, não tem capacidade para tomar decisões.
    Costa foi à Índia fomentar a imigração e por isso O Martin Muniz em Lisboa está apinhado de Indianos a divagar sem ocupação. Mais, por lá só cheira a urina e montes de defecações debaixo das plantas.
    O cidadão português não entra e permanece na CPLP com tolerância.

  7. Mesmo no tempo do boom de imigração para a América com milhões de entradas, havia controle e regulação.
    Imigração às 3 pancadas=problemas.
    Mas esses democratas vivem num mundo à parte.

  8. Peço desculpa ao autor e leitores pelos palavrões e linguagem que utilizei lá atrás. Estava irritado e ligeiramente alcoolizado. Sou um gajo porreiro e gosto de toda a gente, mas irritam-me algumas justificações e a falta de clareza e de honestidade intelectual nas coisas. Basicamente, irrita-me tudo o que emana da esfera socialista porque, precisamente, aquilo é uma escola de aldrabões.

    Um abraço.

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