Chego ainda a tempo de deixar aqui a minha singela homenagem a cinco colunistas do Diário de Notícias, que tornaram evidente a sua opção de continuar a escrever nos termos da ortografia clássica, contrariando as novas directrizes da casa, que abraçou o ‘acordo ortográfico’ — bem patente em palavras como ‘ator’, ‘adota’, ‘reativados’, ‘projeto’ e ‘arquitetura’, já estampadas em títulos da edição de hoje.
Duvido que esta orientação permita ao centenário matutino, cujos leitores são em geral de uma idade muito avançada, recuperar as vendas e audiências de que anda carecido. Mas gostaria de elogiar a elegante nota de rodapé mandada publicar pela direcção do jornal pelo menos em cinco espaços de opinião também na edição de hoje. “Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico”, reza esta nota, no final dos textos de João César das Neves, Joaquim Jorge, Joel Neto, José Adelino Maltez e Mário Avelar.
Precisamente os cinco que merecem a minha homenagem. Cheia de “consoantes mudas”, para destoar dos ventos dominantes.

Ah tigres! Pudéssemos nós todos ter direito a uma nota de rodapé no que à escrita ‘ex officio’ respeita…
Para mim continua a haver diferença entre ‘espectador’ e ‘espetador’, Laura. Felizmente sinto-me muito bem acompanhado.
Um espeto no AO, era o que era 🙂
“…Santa María, estrella do día,
Móstranos vía
Pera Deus et nos guía,
Da onsadía que lles fazía
Fazer folía mais,
Que non devería.
Ca veer faze los errados
Que perder foran per pecados
Entender de que mui colpados
Son mais perdidos son perdoados.
…”
Alfonso X el sábio
Fernando: essa escrita tão antiquada do sábio Rei Afonso precisa de ser actualizada, perdão “atualizada”. Vou já chamar o professor Malaca, El Casteleiro.
“os cinco que merecem a minha homenagem”… “joão césar das neves”.
ahahahahahahahah, obrigado pela gargalhada.
Este post também devia ter uma nota de rodapé: “este texto contém uma pontinha de ironia”.
Gosto de saber que alguém começou o ano com tão boa disposição. Dá gosto ver.
Adopto as palavras do teu óptimo texto para elogiar, também, os que hão-de ser a excepção à regra 🙂
Se só nesta edição foram cinco, vários outros haverá nos dias mais próximos. Darei nota disso aqui. Gosto de pessoas que remam contra a corrente.
Vai ser uma das muitas coisas com que terei dificuldades várias em digerrir neste novo ano.
Falando do Diário de Notícias, para já, houve um jornalista da casa que me deixou chateado que tivesse aderido ao disparate – Ferreira Fernandes.
Nem sempre concordando – felizmente! – gosto muito de ler a crónica que publica na última página do jornal. Mas, com toda a sinceridade, não esperava que tivesse, no dia 31 de Dezembro escrito isto na sua coluna:
“Este é o último ano em que vou ser optimista aqui. Para o ano adiro ao acordo ortográfico e passarei a otimista.”
Um bom ano, se possível.
Bom ano, Sammy.
Já reparou que não há pateta que não corra a aderir ao acordo pornográfico, perdão, ortográfico?
Já.
Clássica?… Uma ortografia mais jovem do que desgraçada República Portuguesa?…
Aqui, as minhas correções do dia: “diretrizes”, “direção”.
Como vão as acções na Bolsa, Brasileiro?
Acho que as tuas consoantes falaram bem alto, Pedro. Junto-me à homenagem.
Gostei desse apoio peremptório (ou será “perentório”? Ugh…)
Junto-me à homenagem e aproveito para esclarecer que continuarei a escrever à moda antiga:adoptivos, baptizados, factos e fatos, óptica, etc, etc.
Ufa!
Óptimo, Helena. Com p.