Homenagem com “consoantes mudas”


Pedro Correia,

Chego ainda a tempo de deixar aqui a minha singela homenagem a cinco colunistas do Diário de Notícias, que tornaram evidente a sua opção de continuar a escrever nos termos da ortografia clássica, contrariando as novas directrizes da casa, que abraçou o ‘acordo ortográfico’ — bem patente em palavras como ‘ator’, ‘adota’, ‘reativados’, ‘projeto’ e ‘arquitetura’, já estampadas em títulos da edição de hoje.

Duvido que esta orientação permita ao centenário matutino, cujos leitores são em geral de uma idade muito avançada, recuperar as vendas e audiências de que anda carecido. Mas gostaria de elogiar a elegante nota de rodapé mandada publicar pela direcção do jornal pelo menos em cinco espaços de opinião também na edição de hoje. “Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico”, reza esta nota, no final dos textos de João César das Neves, Joaquim Jorge, Joel Neto, José Adelino Maltez e Mário Avelar.

Precisamente os cinco que merecem a minha homenagem. Cheia de “consoantes mudas”, para destoar dos ventos dominantes.

19 comentários em “Homenagem com “consoantes mudas””

        1. “…Santa María, estrella do día,
          Móstranos vía
          Pera Deus et nos guía,
          Da onsadía que lles fazía
          Fazer folía mais,
          Que non devería.

          Ca veer faze los errados
          Que perder foran per pecados
          Entender de que mui colpados
          Son mais perdidos son perdoados.
          …”

          Alfonso X el sábio

          1. Fernando: essa escrita tão antiquada do sábio Rei Afonso precisa de ser actualizada, perdão “atualizada”. Vou já chamar o professor Malaca, El Casteleiro.

  1. “os cinco que merecem a minha homenagem”… “joão césar das neves”.
    ahahahahahahahah, obrigado pela gargalhada.

    Este post também devia ter uma nota de rodapé: “este texto contém uma pontinha de ironia”.

  2. Vai ser uma das muitas coisas com que terei dificuldades várias em digerrir neste novo ano.
    Falando do Diário de Notícias, para já, houve um jornalista da casa que me deixou chateado que tivesse aderido ao disparate – Ferreira Fernandes.
    Nem sempre concordando – felizmente! – gosto muito de ler a crónica que publica na última página do jornal. Mas, com toda a sinceridade, não esperava que tivesse, no dia 31 de Dezembro escrito isto na sua coluna:

    “Este é o último ano em que vou ser optimista aqui. Para o ano adiro ao acordo ortográfico e passarei a otimista.”

    Um bom ano, se possível.

  3. Já reparou que não há pateta que não corra a aderir ao acordo pornográfico, perdão, ortográfico?

  4. Clássica?… Uma ortografia mais jovem do que desgraçada República Portuguesa?…

    Aqui, as minhas correções do dia: “diretrizes”, “direção”.

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