Hoje é dia de


Maria Dulce Fernandes,

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Comemora-se a 12 de Maio O Dia Internacional do Enfermeiro

“Este dia visa homenagear todos os enfermeiros do mundo e relembrar a sua importância na prestação de cuidados de saúde. É o dia do calendário em que todos os enfermeiros do mundo estão de parabéns, sendo que eles celebram a vida e a enfermagem todos os dias do calendário.

O Dia Internacional do Enfermeiro foi criado pelo Conselho Internacional de Enfermeiros, que todos os anos elege um tema para a celebração. A data foi escolhida por assinalar o aniversário do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.”

Curioso que se comemore o Dia Internacional do Enfermeiro e não O Dia Internacional do Enfermeiro e da Enfermeira, porque até há cerca de pouco mais de meio século, em enfermagem encontrávamos apenas profissionais do sexo feminino.

Também nunca compreendi o porquê das enfermeiras terem má fama em diversos aspectos, sendo o principal deles a dureza e pouca humanidade com que tratavam os pacientes. Não tenho motivos para me queixar. Dos dois únicos internamentos a que fui submetida, tinha mais em que pensar do que na bondade das enfermeiras. Tinha de fazer nascer uma criança . Não se usavam epidurais ou outras anestesias e o acto de amor que é o nascimento é revestido de grande violência para ambos os intervenientes. 

A minha cunhada é enfermeira, óptima pessoa e excelente profissional. A cunhada da minha filha, idem. A D. Clara, enfermeira chefe no HDE, foi fundamental na recuperação do meu irmão e da minha filha em horas duras e dramáticas. Só conheço uma enfermeira detestável: a manipuladora Ratched em “Voando sobre um ninho de Cucos “.

Durante a pandemia, estes profissionais de saúde mostraram quem na realidade curou, devota e incansavelmente, este país. Verificamos com alguma tristeza que os louvores e os agradecimentos foram efémeros e insuficientes, enquanto as dificuldades seguiram redobradas.

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O primeiro enfermeiro homem que conheci foi o Sr. Celestino. Engraçado dandy, sempre com um palhinha e uma chalaça, sempre pronto a ajudar. Salvou-me vezes sem conta, tantas quantas os meus pais saíram á noite e me deixaram encarregue dos rapazes, que fizeram das maiores patifarias, desde cabeças partidas a bolas de plasticina pelo nariz acima. Completamente em pânico, agarrava-os por um braço e íamos à correr a casa do Tininho, que cosia, desentupia, desinfectava os safados de modo a que quando os pais regressavam os encontravam quais anjinhos na terra dos sonhos, enquanto eu, a filha crescida e responsável, lia placidamente um livro com um sorriso de Mona Lisa e o coração aos trambolhões. 

Diz o Talmude que quem salva uma vida, salva o mundo inteiro. O Talmude é sábio.

10 comentários em “Hoje é dia de”

  1. a minha consideração limita-se aos sectores:
    Saude, Forças Armadas e de segurança, Bombeiros, professores não universitários.
    estes, políticos, marginais no mesmo saco

  2. Que lindo texto, Dulce!

    Sim, as primeiras enfermeiras foram mulheres. Aliás, em alemão, enfermeira é “Krankenschwester”, traduzido à letra: “irmã dos doentes”. Penso que haverá uma ligação a freiras/irmãs, que tratavam os doentes na época medieval. Já a palavra enfermeiro teve de ser adaptada (por eles surgirem mais tarde) e é “Krankenpfleger” (“cuidador de doentes”). E, por serem palavras diferentes, obriga à utilização das duas, no plural

    Também tenho enfermeiras e enfermeiros na família, duas tias (já reformadas), um primo direito e uma prima em segundo grau

    Enfim, a língua portuguesa obriga as enfermeiras (pioneiras e mais numerosas) a serem enfermeiros, no seu plural abrangente (para gáudio de muitos comentadores aqui do Delito). Já sei, regras são regras. Mas todos sabemos que muitas são injustas. Temos de continuar a ter paciência!

    1. Etimologicamente creio que é assim mesmo, porque os doentes na época medieval eram nos conventos. Mesmo já na idade moderna, Florence Nightingale era “irmã” porque ” Em Paris, conheceu e aprendeu o trabalho das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paula, no Hotel-Dieu, onde acompanhou o tipo de trabalho assistencial e administrativo, suas regras e forma de cuidar dos doentes, fazendo anotações, gráficos e listas de atividades desenvolvidas. Após formar-se por uma instituição protestante de Kaiserweth, na Alemanha, onde aprendeu os primeiros passos da disciplina na enfermagem, com regras e horários rígidos, transferiu-se para Londres, onde passou a trabalhar como superintendente de um hospital de caridade”
      Obrigada e um beijinho!

      1. Julgo que ainda as havia nos anos 1960’s, as irmãs da caridade , freiras, faziam de enfermeiras nos hospitais, pelo menos nos da Misericórdia. Depois arranjaram o “negócio” das casas de repouso, infantários e afins, e lá se foi a caridade.
        E as enfermeiras paraquedistas, as heroicas enfermeiras paraquedistas que também estiveram na guerra da Guiné. Algumas Oficiais e outras Sargentos da Força Aérea tinham o curso de enfermagem e o breve de salto de paraquedas.
        Era velas chegar, em pleno combate, de helicóptero de calça camuflado, tshirt branca e boina verde para socorrer soldados atingidos. Então meu mariquinhas, isso não é nada, diziam elas, antes deles, às vezes, lhes morrer nos braços.

  3. Feliz dia , enfermeiros !! hoje em dia é o meu profissional de saúde de eleição .adoro enfermeiros. muitos , dado verem toda a espécie de doentes e doenças , sabem bem mais que os médicos. “especialistas”.

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