Meio século depois, Cuba volta a celebrar a Sexta-Feira Santa como feriado nacional. As autoridades comunistas corresponderam assim a um pedido expresso do Papa Bento XVI na sua recente deslocação ao país. Foi preciso outro chefe da Igreja Católica visitar Havana – João Paulo II, em 1998 – para os trabalhadores cubanos poderem assinalar o Natal como dia festivo após quase três décadas de proibição: Fidel Castro havia cancelado em 1969 o feriado natalício com o argumento de que “interferia nos trabalhos da colheita do açúcar”. Se não fosse “socialista”, certamente não faltaria quem o acusasse de tenebrosas tendências neoliberais…
Em Portugal, a CGTP defende a manutenção dos feriados religiosos dizendo – e com razão – que devem merecer tanto respeito como o 1º de Maio ou o 25 de Abril. Algo que os sindicalistas portugueses terão certamente transmitido aos seus camaradas cubanos quando lá se deslocaram, vai fazer em breve um ano, para assistirem à comemoração do Dia do Trabalhador. Ou quando lá estiveram, no ano anterior. Acredito que o ex-secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, tenha defendido algo semelhante durante a sua visita a Havana em Julho de 2009.
A fé move montanhas. Até num país governado desde 1959 por um partido que só em 1991, durante o seu quarto congresso, começou a tolerar militantes com assumida crença religiosa. “Paris vaut bien une messe”, proclamou Henrique IV em 1593 ao converter-se ao catolicismo. Porque não há-de o general Raúl Castro pensar o mesmo nesta quadra pascal?

A fé move montanhas e é extraordinariamente resistente. Nenhuma das ditaduras que proibiram o culto religioso alguma vez conseguiram extingui-lo na esfera da intimidade. E não esmorece, pelo contrário: ganha mais força ainda e explode sempre que tem uma oportunidade. Talvez a religião seja o ópio dos povos oprimidos, como achava Marx, mas é também a forma de se manterem vivos. Os exemplos são infindáveis.
Boa Páscoa, Pedro.
Ainda agora testemunhámos isso em Cuba, Ana. Mais que nunca.
Beijinho. Boa Páscoa.
A fé como o medo, seu “compagnon de route”
O que agora sucede em Cuba faz-me lembrar uma frase do David Brooks que anotei em tempos por ser tão certeira: «Um dos grandes acontecimentos do século XX foi a recusa de Deus em morrer.»
É a História a escrever-se, Pedro. Para o bem e para o mal. Neste caso é para o bem 🙂
Morte e ressurreição. O eterno retorno. Tem tudo a ver, Teresa. Boa Páscoa.
Outras consequências mais desagradáveis e muito menos mediáticas da visita papal a Cuba: 104 152
http://www.desdecuba.com/generaciony/?p=6
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Acredito que este é o verdadeiro serviço dos blogues – noticiar o que os “media” comerciais não querem ou não podem divulgar. Gostaria de poder fazê-lo mais, mas falta-me a di$ponibilidade.
Santa Páscoa.
Pode fazer pouco mas faz bem, Zé de Portugal. Agradeço-lhe as hiperligações que aqui nos trouxe. De qualquer modo, Generación Y marca presença permanente na barra lateral do DELITO.
Um abraço, com votos de Páscoa feliz.