Estamos a ser testemunhas de um dos momentos mais tristes da História: o do fim do estado de bem-estar, do estado social, do estado-providência que levantou a Europa das cinzas da guerra. Este período prolongou-se por 60 anos e teve os seus heróis: Alcide de Gasperi, Konrad Adenauer, Clement Attlee, Robert Schumann, Paul-Henri Spaak, Jean Monnet (europeus), Harry Truman e George Marshall (norte-americanos). Foi um período ímpar de crescimento económico e paz social, com largos anos de pleno emprego e um cortejo de conquistas em vários planos – da queda drástica da mortalidade infantil à virtual erradicação do analfabetismo. Foi uma revolução sem bombas nem mortos – uma revolução silenciosa que levou o progresso a centenas de milhões de pessoas no continente europeu e, por natural contágio, a outras partes do mundo.
Um longo caminho se percorreu dos heróis de então aos vilões actuais, coveiros do estado social que garantiam proteger. De uns e outros falará a História – a que se deixa seduzir pelos factos, não pela propaganda.
Fotos: Gasperi e Adenauer



Gasperi, Adenaur e todos esses homens que nos deram a notável segunda metade do século XX e quatro gerações sucessivamente avançadas, não iriam acreditar como um punhado de coveiros sem carisma e sem passado, mas içados à liderança num passe de mágica, deitariam tudo por terra no tempo de uma só geração.
Das cinzas da guerra, e com o inegável apoio do Plano Marshall, democratas-cristãos e sociais-democratas levantaram a Europa, conciliando desenvolvimento económico com protecção social. As últimas duas gerações de dirigentes (com destaque para a actual, a dos browns, cowens, caramanlis, sócrates e zapateros) desbarataram tudo isso.
“…que garantiam proteger” e que evocam essa protecção para consumarem o assassinato.
Nem mais, Luís.
Tudo isto está certo, mas há que ter em conta que as condições em que esse Estado Social foi criado não são as atuais. Além de outras diferenças, havia duas cruciais:
(1) Abundância e baratez de petróleo. Isso permitiu a ampla substituição de trabalho humano (e animal) por fontes de energia fóssil. A qualidade de vida aumentou drasticamente em consequência.
(2) Exploração sistemática do mundo sub-desenvolvido. Os cules trabalhavam para nós e forneciam-nos riqueza, em vez de competirem contra nós como atualmente.
A conclusão do comentário que você aqui trouxe é que o estado social é inviável, senão mesmo impossível. Nada a dizer sobre a possível competência dos governantes (que o edificaram) ou incompetência (daqueles que o destruiram)?
O Pedro esqueceu-se de ler a primeira frase do meu comentário, “Tudo isso está certo”. Ou seja, o meu comentário não pretende infirmar o seu louvor a alguns políticos do passado, apenas dizer que as políticas deles não mais são possíveis no presente.
Às duas razões que eu aduzi no meu comentário inicial eu acrescentaria agora mais uma:
(3) As décadas do pós-guerra foram caraterizadas, na Europa e nos EUA, por um baby boom que tornou as sociedades bastante jovens. Atualmente vivemos com sociedades envelhecidas, nas quais o esforço para manter um Estado Social é muito maior.
Este seu ponto 3 devia ser o ponto 1. Por ser o mais inequívoco.
Já passou algum tempo, mas provavelmente você gostaria de ler a história deste homem e lutador extraordinário Trigve Bratteli ) antigo Primeiro-ministro norueguês e um dos construtores de um dos melhores welfare state do mundo. Trata-se de uma série de conferências extraordinárias que deu, no limite das forças, aos seus companheiros num campo de concentração alemão onde era prisioneiro. Para mim trata-se de um dos melhores exemplos do que custou a construir o que refere, e bem, no post , e pode ler-se aqui: http :/ ancorasenefelibatas.wordpress.com /2010/11/08 conferencia-de-piolhosos /
Cumprimentos