Não existirá um único português saudável?
A doença fascina-nos. Falar sobre doenças é uma mania nacional. E sobretudo a doença é a porta de saída para o que não se quer ver, ouvir e dizer. Os colegas são insuportáveis? Mete-se baixa. A família não funciona? Diagnostica-se uma depressão. A vida corre mal? Sofre-se de um síndroma raro.
Tudo somado, não existe um português saudável. Coloquei no google portugueses+doença+sofrem e para início de conversa obtive isto:
UM QUARTO DOS PORTUGUESES SOFRE DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CRÓNICAS
20 mil portugueses sofrem da doença de Parkinson
Metade dos portugueses tem uma doença crónica
Um em cada quatro portugueses sofre doença responsável por AVC
Mais de um milhão de portugueses sofre de doença pulmonar obstrutiva crónica
8 mil portugueses sofrem Doença Celíaca
Uma em cada quatro pessoas desenvolve ao longo da vida fibrilhação auricular
Há 60 mil portugueses que sofrem de Alzheimer
Doenças reumáticas atingem 5,9% dos trabalhadores portugueses
7 em cada 10 portugueses sofrem de dores nas costas
Cinco mil portugueses sofrem de doenças neuromusculares


Tantas vezes tenho pensado nisto… E ainda esta manhã voltei a pensar ao ouvir o alarido que a TSF decidiu fazer, vá-se lá saber porquê, sobre a famigerada gripe A, que há ano ocupava o espaço e o tempo agora ocupados pelo orçamento de estado, preenchendo todas as manchetes.
Todo esse alarmismo era escusado, como hoje bem se vê.
Mas o que eu queria mesmo dizer é isto: gostei muito desta visita, Helena.
Ora aqui está um problema que há muito me atormenta. A todo esse rol do Google acrescentaria as notícias das televisões nos dias mundiais de cada doença, todos os dias ou perto disso: invariavelmente cada uma dessas doenças afecta x% dos portugueses!
E é aí que fico também eu a bater mal. Porque, ou já somos quase tantos como os chineses, ou ninguém sabe fazer contas ou somos uns tipos que fazem da depressão desporto nacional. Não sei qual será mais deprimente, mas confesso que me perturba muita pensar que possamos ser tantos como os chineses. É que então é que o mundo não teria mais conserto!
Li algures alguém, que assumia ser hipocondríaco apenas há um par de anos, a dizer que não sabia como tinha sido possível sobreviver quando ainda não era hipocondríado…
Este sentimento também deve ser considerado na imagem geral.
um síndroma?
não!
uma síndroma ou uma síndrome.
Mas também, depois do que lhe ouvi ontem na tv, nada me surpeende…
Surpreende…
No melhor pano cai a nódoa, como diria o Aforista.
Somos um país de hipocondríacos!
Fisicamente falando, talvez exista ainda uma meia dúzia de portugueses saudáveis. Mas de cabeça não me parece que seja possível, a não ser aqueles que não vêm, não ouvem e não falam. Ou seja, os que já não eram muito saudáveis antes desta hecatombe dos últimos anos…
Bem-vinda, Helena.
Grande diagnóstico. Também o País está doentíssimo. Parabéns à Helena Matos.
Cá para mim, a confissão da doença deve-se sobretudo ao fatalismo nacional: não vá o Diabo tecê-las, receamos admitir que somos saudáveis. O único optimista convicto está no governo, não consta que esteja doente e gosta de fazer exercício para televisão ver.
Em breve estaremos bons: o pão já não tem sal e Ginginha do Rossio agora é saudável.
Da Saúde de um Povo:
a) Se no Estado, o Governo cultivasse e fizesse cultivar a máxima antiga «corpo são em mente sâ».
b) Implementando rotinas e hábitos de saúde física e mental, onde?
c) Para começar, na escola primária ou básica.
Continuando pela vida fora.
d) Onde estão os frutos dos pavilhões desportivos e piscinas ás centenas espalhados pelas autarquias?
e) Falta grave no ensino público: uma organização desportiva, nos moldes da antiga Mocidade Portuguesa.
Com o novo regime, acabou a MP, criou-se o Instituto da Juventude.
Um IJ para alguns ‘boys’ ou ‘girlas’ poderem brincar.
f) Em contrapartida, em vez do gosto pelo ar livre, uma população embrutecida, a circular pelos centros comerciais.
A bem do Regime.
Pus-me a pensar muito a sério nesta questão, e disse para mim:
1-O lobby da indústria farmaceutica é deveras enorme, gigante.
2-A fragilidade humana nas mais diversas vertentes e no nosso tipo de sociedade, é enorme, gigante.
3-O n.º 1 através de terceiros, aproveita-se do n.º 2 e “fabrica” doentes, daí termo estatiscamente o n.º de doentes maior que o n.º de habitantes em Portugal.
10 milhões de portugueses sofrem de déficite aguda provocada pela exposição prolongada à socratite e a outras substâncias nocivas da família da mentirite e da regabofite. Alguns dos doentes são assintomáticos e outros estão ainda em período de incubação. Mas, mais tardar em 2011, será declarada a epidemia. O único princípio activo eficaz no tratamento é o efe-eme-i, mas tem graves efeitos secundários. O medicamento original é produzido no estrangeiro e não é comparticipado. O destino dos portugueses está nas mãos do Senhor Incrível, digo, do Senhor Inflexível, que é o responsável pelo laboratório que está a tentar produzir um genérico nacional. Todavia, a comunidade científica lusa está algo descrente do sucesso desta operação. O Senhor Incrível, digo, o Senhor Inflexível e a sua equipa, que conta, entre outros, com Ana Jorge, mais conhecida por Mulher (da despesa infinitamente) Elástica, já gastaram milhões em investigação, sem qualquer sucesso. De acordo com certos rumores, o Laboratório estará mais empenhado no desenvolvimento de uma “Máquina de Esfolar Coelhos em poucos Passos”, mas também não é Seguro (não, Tó Zé, ainda ninguém te chamou) que esta funcione. Tudo isto quando fontes bem informadas referem, inclusivamente, que o Senhor Incrível, digo, Senhor Inflexível, terá sofrido uma exposição intensa à socratite que lhe provocou danos irreversíveis.
Este comentário é de antologia.
Uma delícia.
Há mesmo muitíssimos portugueses doentes. E, cuidado que com a saúde não se brinca, nem a brincar cara Helena. Num milésimo de segundo tudo se esfuma.
Há agora para aí uma doença a afectar uns quantos(infelizmente mais que o desejável): a “psicose delirante”. Parece que tem a ver com o facto de não poderem serem responsabilizados pelo que fazem, porque não se apercebem do que fazem!dá-lhes assim a modos que umas “brancas” temporárias, em que perdem a noção da realidade e quando a recuperam, não se lembram do que fizeram!