Há coisas que nem no primeiro de Abril têm piada


João Sousa,

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(na capa de hoje do Expresso)

26 comentários em “Há coisas que nem no primeiro de Abril têm piada”

  1. Tem razão mas note que se acha piada ou não consoante o nosso posicionamento ideológico. Quem é de direita não acha piada às mesmas coisas que quem é de esquerda. Ainda ontem foi patente na Circulatura do Quadrado: Lobo Xavier defendeu o Presidente da República, os de esquerda defenderam Costa. Portanto o achar-se piada no resultado da questão Sócrates vai depender muito da posição ideológica.

    1. Não necessariamente. Conheço alguns socialistas votantes que consideram Sócrates indiscutivelmente culpado de tudo o que lhe é imputado e adorariam vê-lo amarrado ao pelourinho. O grau de engajamento político, e não a ideologia, é que penso uniformizar a reacção de determinados grupos. E é por isso que a Circulatura (gabo-lhe o estômago por conseguir ver aquilo) não me parece o melhor exemplo a dar: ninguém ali é descomprometido e nada do que dizem foge à cartilha da respectiva facção.

      1. “O grau de engajamento político, e não a ideologia, é que penso uniformizar….” Concordo. No fundo era isso que eu queria dizer mas exprimi-me mal.
        “nada do que dizem foge à cartilha da respectiva facção.”
        Sim, mas interessa-me muito saber como é que cada um defende a a sua cartilha. Não seria de esperar (detesto o “expectável”) que Ana Catarina desancasse no PS, etc.

  2. Era piada do primeiro de Abril se a capa do Expresso dissesse que o Sócrates ia ser julgado por corrupção.

    1. O mesmo Expresso dizia, em editorial de há anos, que todos deviam ouvir Artur Baptista da Silva… e não o fez no primeiro de Abril. Para o Expresso, o dia das mentiras parece ser como o Natal – quando um homem quiser.

  3. Esquerda ou direita, sendo partidos democráticos, deviam concordar quanto à corrupção: é um mal a extirpar. Começando nos partidos políticos.

    1. Infelizmente, acho que isto já não vai lá. Para resolver o problema da corrupção, tinha que se fazer ao país o que se faz aos computadores quando estão muito infectados com malware: limpar tudo e instalar de novo.

      1. “….quando estão muito infectados com malware: limpar tudo e instalar de novo.”
        Manifesto exagero. O que chamamos corrupção, ou crime, existirá sempre, nunca nos tornaremos todos santinhos com auréolas à volta da cabeça.
        Não é só em Portugal, frequentemente nos países mais avançados as roubalheiras (ou acções repressivas sobre outros como guerras e assassinatos) têm muito maior vulto foi que por cá.
        Há quem pense que a História da humanidade está toda errada e que todas as recordações do passado devem ser destruídas. “limpar tudo e instalar de novo” é o que pensam os que andam a destruir estátuas e a rever livros onde se fala de coisas de quer não gostam.
        Para manter a analogia informática: é fazer um “reset” da humanidade. Voltar ao princípio e não comer a maçã.

        1. Concordo, ou não fosse eu um pessimista sociológico, que haverá sempre a possibilidade de corrupção: sempre houve e haverá, na sociedade, elementos com falhas de carácter.

          Usei a expressão “limpar tudo” no sentido de ser necessário renovar todo o icebergue do regime – e não apenas a ponta visível: de nada serve retirar Sócrates da política se o eleitorado não tem problemas em eleger muitos dos que conviveram com ele. Pouco se avançará enquanto os utentes do poder e o eleitorado mantiverem esta filosofia do “sim, ele pode ser um canalha mas é o nosso canalha”. Pretender o combate à corrupção (pequena e grande) é impossível enquanto se continuar a permitir aos actores do poder equivalerem a ética republicana ao simples cumprimento da legalidade.

    1. “O homem é apenas culpado de ter amigos magnânimos.”
      Claro. Até o Juiz Carlos Alexandre deu a entender que gostava de ter um amigo que lhe depositasse grandes quantias na sua conta. Eu gostava.

  4. Isto, então, na capa de uma folha semi-oficial do poder de turno. Considerar a hipótese de se estar a preparar o “mercado” – o eleitor – para uma decisão já tomada não será, quero crer, ceder demasiado a teorias da conspiração.

    Embora, conhecido o mercado (e recorde-se que a culpa de tudo e mais alguma coisa ainda é, e afirmada muito reiterada e pacificamente pelo poder de turno e seus acólitos, sem um estremecimento minimamente digno do eleitor, do Passos Coelho; o eleitor, assim, concordará presumível e largamente com isso), não me pareça que haja por aí muito a temer por parte da família socialista. Nada que um serão de domingo nas emissoras de televisão generalistas, ou de cada dia da semana, nos canais ditos de informação, não serene rapidamente.

    1. Em 2011, mesmo depois de uma bancarrota e com tudo o que já se sabia mais aquilo que se suspeitava sobre Sócrates, ele teve quase 1/3 dos votos do eleitorado. Não há nada a temer por esse lado.

      1. Precisamente. Além de que, no pior cenário (de meramente ociosa invocação) há sempre a possibilidade de aliança com quem historicamente os tomou como, pelo menos, traidores da causa. É daquelas coisas que, está visto, só custa à primeira vez.

  5. Mais um excelente feito da genealogia portuguesa: afinal a mãe do Sócrates era filha do Tio Patinhas.

  6. Seja ou não verdade, confirme-se ou não infelizmente continuará sempre a ser uma boa cortina de fumo para outros predadores.
    Note-se que, a alegadamente a ex-pessoa mais poderosa de Portugal jogava com todos os naipes…
    Em politica o que parece é e temos o ex nº 2 promovido a nº 1 e todos sabemos como lá chegou.

    WW

  7. É pena é a capa do Expresso não mencionar também a quinta da coelha, ou as acções manhosas em inglês, ou os submarinos, ou as contas manhosas do Passos Coelho na Tecnoforma.
    Tenho de reconhecer que se fossem publicar estas mentiras todas, o Expresso hoje era feito só de capas.

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