
Entramos hoje no 14.º estado de emergência imposto nos últimos 13 meses – com drástica restrição de vários direitos constitucionais e o prolongamento do “dever geral de recolhimento” que nos força a reclusão domiciliária, excepto para trabalhar. Este Presidente da República, este Parlamento, este Governo encaram o cidadão português como mero homo faber – excepto os desempregados, cuja cifra real já ultrapassa meio milhão.
Neste quadro, o homo ludens é severamente reprimido. Excepto se for estrangeiro ou não residente habitual em território português: para esses não há dever de recolhimento. Pelo contrário, têm direito à livre circulação em território nacional, como admitiu a secretária de Estado do Turismo, sem sequer reparar que lesava outro princípio básico do nosso texto constitucional: o direito à igualdade.
Autoriza-se liberalmente a uns o que se nega severamente a outros. Que o diga o cidadão de Torres Novas multado pela PSP por estar a comer uma sanduíche no interior do seu automóvel: este “gesto transgressor” custou-lhe 200 euros. Que o diga o jovem da Lousã multado pela GNR por ter comprado gomas numa máquina de venda automática: esta “violação da lei” levou o guarda, em manifesto excesso de zelo, a a privá-lo também de 200 euros. O doce ficou-lhe amargo.
Notórios abusos da autoridade, que noutros tempos suscitariam severas críticas públicas. Hoje, porém, a opinião colectiva parece anestesiada. São incontáveis as pessoas que até justificam e aplaudem estes abusos enquanto espiam colegas e vizinhos, assegurando que usam máscara em qualquer circunstância na via pública (algo que nenhuma lei prevê), saem excessivamente à rua (como se fosse crime de lesa-Estado) e mantêm “distâncias de segurança” (que alguns imaginam ser no mínimo de dez metros).
Tudo num quadro de saúde mental que se deteriora a olhos vistos. Só não vê quem não quer. Gostaria que os nossos telediários debitassem menos estatísticas oficiais sobre a pandemia e dedicassem mais espaço ao alarmante incremento das situações de ansiedade, depressão e pulsões suicidas na população portuguesa – tema que está muito longe de merecer a atenção que merece, tanto das entidades oficiais como dos órgãos de informação.
O desemprego, a cascata de dívidas, as falências em série, a brutal quebra de rendimentos, a solidão forçada, as expectativas traídas, a ausência de perspectivas de futuro – tudo isto potencia um quadro de empobrecimento geral, também na dimensão psicológica. Num país onde comprar gomas ou mastigar um bocado de pão se tornaram actos ilícitos.
Não alimentem ilusões: só pode acabar mal.

Disseram-me que a GNR desmentiu essas duas notícias (a das gomas e a da sandes no carro) mas ainda não tive oportunidade de ir à procura dessa informação. Na verdade, estou cansado destas notícias, vacinas a toda a hora, doenças, gente a queixar-se disto e daquilo, a supremacia do sindicalismos e da parlamentarice mais imbecil de que há memória. No actual panorama de notícias, até as notícias da bola parecem uma coisa relativamente esperta.
O mundo deixou de ter piada.
“O mundo deixou de ter piada.”
Pois eu acho exactamente o contrário e pelas mesmas razões que aponta. Gosto de tudo que o cansa. Ainda bem que o mundo contém gente muito diversa e de variadas opiniões e gostos.
Quem não gosta deste mundo tem uma solução fácil. Quem gosta é que não tem solução pois não consegue maneira de viver para sempre. Eu estou irremediavelmente lixado: um dia deixo este mundo. A contragosto.
Ainda bem que o mundo contém gente muito diversa e de variadas opiniões e gostos.
Pois. Eu no 10º ano também pensava assim. Mas depois descobri que 99% dessa variedade detesta a variedade — e que no fundo gostavam era que fosse tudo como um deus raivoso escreveu com a poeira há 3 mil anos nas costas de um camelo.
“… um dia deixo este mundo. A contragosto.”
Parece-me precipitada a afirmação final, digamos que logo se verá.
E depois pode sempre resolver a questão da forma que simpáticamente propõe aos outros.
Prognósticos só no fim do jogo, que num avião a caír a pique não há um único ateu.
Tenho saudades de comer um Big Mac no carro.
Adélia Fraga
Cada vez dão mais razão aos negacionistas. Com o alastrar da miséria, com o aumento das doenças não covid, e com estas proibições ridículas, só reforçam mesmo a teoria de que isto não tem nada a ver com saúde.
Como é que alguém de bom senso e com dois dedos de testa, pode acreditar que os países afectados pela pandemia possam desconfinar todos ao mesmo tempo, desvalorizando as condições atmosféricas e os sistemas de saúde de cada país?
Como explicar, com estes números, estas medidas repressivas na Páscoa, se a Alemanha em pleno pico da terceira vaga, não tem restrições nenhumas, aliás, foi obrigada a retirar as restrições.
Está uma história muito mal contada, para não falar das vacinas, e do aumento de casos covid e de infecções após a toma das mesmas.
O tempo encarregar-se-á de refazer a história, e só nessa altura iremos perceber como é que se conseguiu manter um embuste à escala global durante dois anos.
Nota-se a necessidade de controlar, proibir.
Não sei os graus das causas para tal:
1 -acto reflectido,
2 – um acto de mimetismo de ir com a narrativa que os jornais, por outras palavras ir com a aparente maioria,
3- pulsão existente em muitas pessoas que precisava de condições propícias para se activar.
Há um aspecto muito grave de comportamento pela autoridades, parecem ter mais zelo em perseguir pequenas coisas de cidadãos do que actos de violência e crimes. Não e passa só em Portugal.
É conhecida a prepotência dos pequenos ditadores!!
Para alguns não vai acabar mal. Costa e Marcelo terão de se enfrentar e não pode acabar bem para ambos, mas para os eropeístas radicais, talvez mesmo para os federalistas, acho que vai acabar bem.
Estamos na fase em que toda a gente se queixa do confinamento. A última vez que estivemos assim foi em novembro passado. Depois aliviou-se o confinamento no Natal e toda a gente se queixou barulhentamente que foi criminoso e levou a muitas mortes.