Locais infectos


Pedro Correia,

Desde Março de 2020, estivemos cerca de seis meses submetidos a “estado de emergência” – algo inédito em Portugal fora de situações de guerra, impondo drásticas restrições aos direitos, liberdades e garantias consagrados no texto constitucional de 1976.

Sempre em nome do combate à pandemia. Desde o tempo em que ninguém podia comparecer “mascarado” à sala de sessões do Parlamento por ordem expressa de Ferro Rodrigues, em que havia municípios a regar as ruas com desinfectante para afugentar o vírus e em que a directora-geral de Saúde, com manifesto receio, abria garrafas de água munida de lenços de papel nas conferência de imprensa em que comparecia a um metro da ministra, estando ambas sem máscara.

 

thumbnail_20200526_192308[1].jpg

 

Houve decisões acertadas, outras erradas e muitas absurdas. Ou simplesmente ridículas.

Para mim, nenhuma tão disparatada como aquela que proibia alguém de sentar-se num mero banco de jardim. O mesmo Governo e as mesmas autarquias que nos impunham o dever coercivo de permanência entre quatro paredes domésticas, indiferentes aos brutais custos em saúde mental de tais medidas, interditavam-nos algo tão inócuo como permanecer uns minutos num banco, isoladamente, em repouso ou contemplação da paisagem. 

Entre as boas notícias que o tímido “desconfinamento” de ontem nos trouxe, destaco esta: Suas Excelências devolveram o exercício da cidadania aos bancos de jardim, deixando de considerá-los infectos, potenciais transmissores de vírus. Aquelas fitinhas que pretendiam selá-los, como se fossem cenários de crime, podem ser rasgadas.

Falta saber se permanecem noutros locais, públicos ou privados, como este que a imagem de baixo documenta. Esperemos por novas mensagens de Suas Excelências para ficarmos esclarecidos.

 

thumbnail_20200817_141443[1].jpg

36 comentários em “Locais infectos”

    1. Olhe que é melhor prevenir não vá o diabo tecê-las, é para evitar essas confusões que os chineses já estão a fazer os testes pelo cu.

    2. Em rigor, a frase original é “o corona não se apanha pela…” e foi dita no programa de humor “Portugalex”, que passa no programa da manhã da Antena 1, há já uns bons meses.

  1. Boa tarde Pedro Correia.
    Exactamente, é igualmente a minha opinião. Houve decisões acertadas, outras erradas e muitas absurdas. Ou simplesmente ridículas.
    Como eu, igualmente, nada de nos calarmos.
    Nada, nem ninguém, me fará abandonar o direito ao pensamento e à palavra.
    A minha respeitosa “chapelada”. Saúde.
    António Cabral

  2. Leopedro, quanto aos urinóis até acho bem.
    Parece que os protestos contra aquele não utilizar surgiu dos doentios habituais espreita pichas.

  3. Regresso ao meu banquinho de jardim que tão bem me tem acompanhado ao longo dos anos desta minha velhice. Antigamente ainda via as moças de saia curta a passar para meu divertimento. Hoje! Sento-me apenas para beber o meu Fortimel.

  4. “Desde o tempo em que ninguém podia comparecer “mascarado” à sala de sessões do Parlamento por ordem expressa de Ferro Rodrigues, em que havia municípios a regar as ruas com desinfectante para afugentar o vírus e em que a directora-geral de Saúde, com manifesto receio, abria garrafas de água munida de lenços de papel nas conferência de imprensa em que comparecia a um metro da ministra, estando ambas sem máscara.”

    Para mim isto diz-me que somos um país da aparência. Não é preciso ter significado basta aparentar tê-lo.

  5. nenhuma tão disparatada como aquela que proibia alguém de sentar-se num mero banco de jardim

    Não é nada disparatado.

    Você senta-se no banco de jardim e pousa nele as suas mãos infetadas, deixando ficar vírus no banco. Mais tarde vem outra pessoa, que pousa as suas mãos no banco e leva com ela o vírus que você lá deixou.

    Portanto, para pessoas medrosas que têm medo de tocar num botão ou numa porta de elevador, um banco de jardim também é algo que deve ser evitado. Montes de pessoas tocam no banco e deixam lá micróbios horríveis, entre os quais o pavoroso coronavírus.

    Eu não faço parte desses medrosos e continuei a sentar-me em bancos de jardim durante toda a epidemia, mas tipos medrosos podem e devem ter medo de bancos de jardim.

    1. Quem tem medo de se sentar num banco de jardim não é obrigado a fazê-lo. Mas daí a interditar todos os bancos de jardim…

  6. Assim tivessem eles cuidado em proteger os contribuintes do BPN e do NB.
    Mas isso são “contas de outro rosário”

  7. Para evitar que haja confusão nos urinóis parece que vai ser obrigatório o uso de fraldas FFP2 que é para o vírus não sair cá para fora e facilitar os testes à Graça Freitas.

      1. Bichas ?
        E dizia o Alberto, também conhecido por Berto Espreita: qual é o problema, somos diferentes das gajas por podermos uns cinco ou seis mijar ao mesmo tempo para um único urinol.

  8. Achei o máximo essa fotografia do urinol. Uma realidade que desconhecia completamente e, confesso, nunca me passaria pela pela cabeça.
    Não há dúvida que estas luminárias pensam em tudo.

  9. Entre as boas notícias que o tímido “desconfinamento” de ontem nos trouxe, destaco esta: Suas Excelências devolveram o exercício da cidadania aos bancos de jardim, deixando de considerá-los infectos, potenciais transmissores de vírus

    Mas isso será seguro?

    A minha mulher foi ontem a um jardim público que esteve encerrado a cadeado até domingo passado e onde faz muito sol à tarde. Ela diz que nem se via a relva do jardim, tal era a densidade de pessoas que estavam deitadas sobre ela. Disse que parecia o metro em hora de ponta.

      1. Vou já rever os meus procedimentos.
        Prometo que a partir de amanhã a minha mulher ficará em casa. Em rigoroso confinamento.

  10. Admito que nunca apreciei muito os bancos de jardim, toda e qualquer pessoa pode lá meter o rabiosque, e não só, esta não foi uma medida que tenha tido imenso impacto na minha vida. Em relação aos urinóis, por motivos óbvios, desconhecia que tinham sido vedados. Aguardo ansiosamente pelo feedback dos utilizadores dos mesmos 😉

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *