
«É uma bênção que a natureza não nos tenha concedido o dom de ler os pensamentos alheios.»
Carmen Posadas, Pequenas Infâmias (1998), p. 125
Ed. Temas e Debates, 5.ª ed, 2002. Colecção Grafias, n. 2. Tradução de José Colaço Barreiros

«É uma bênção que a natureza não nos tenha concedido o dom de ler os pensamentos alheios.»
Carmen Posadas, Pequenas Infâmias (1998), p. 125
Ed. Temas e Debates, 5.ª ed, 2002. Colecção Grafias, n. 2. Tradução de José Colaço Barreiros
Foi o único livro que li de Carmen Posadas, gostei e recomendo 🙂
Não sei se é uma bênção se é uma maldição.
Se tivéssemos o dom de ler os pensamentos alheios se calhar não havia tanta bufaria, nem tanto falso moralismo.
Esta chantagem moral que ultimamente invade o espaço informativo não teria razão de existir se tivéssemos o dom de ler o pensamento alheio.
Pensando bem, se calhar é melhor não ter o dom, não vá o governo ler aquilo que nós pensamos dele.
Lá está — dá para escrever coisas interessantes sem ser por frases lapidares e sentenças de trazer por casa à António Lobo Antunes. Boa.
Não nos deu o dom de ler pensamentos alheios, mas deu-nos o de ler e interpretar comportamentos – o que é uma excelente ferramenta de defesa contra a imoralidade, a hipocrisia e a demagogia. A seguir aos ditadores, os maiores inimigos da liberdade são os mentecaptos.
Jorge Sousa
Pois, eu estava aqui a pensar que não temos o dom de ler os pensamentos alheios porque na verdade os pensamentos alheios não interessam para nada — e a natureza preferiu dar-nos coisas úteis.
Não lemos pensamentos mas podemos ler o resultado das acções das pessoas. Essas sim interessam. E há demasiada gente que prefere não usar esta capacidade. Estava a lembrar-me dos comunistas e da canalha trotskista.
Bem verdade. Se assim não fosse estaríamos a salvo do engano, mas não saberíamos o que é confiar. A vida perderia a graça.
E eu que era capaz de jurar ter acabado de ler… um pensamento… alheio…