Depois do primeiro empate com Chipre (em casa), a primeira derrota contra a Noruega. Cinco pontos perdidos nos primeiros dois jogos de qualificação para o Europeu de 2012, disputados em menos de uma semana. A selecção portuguesa acaba de ser derrotada (0-1) em Oslo, num desafio em que foi ainda mais manifesta a mediocridade da equipa – sem líder técnico, sem comando no terreno, sem consistência táctica, sem força anímica. Uma sombra em relação ao onze que deslumbrou milhões de espectadores em anos recentes, que parecem já muito recuados. E ninguém pensa certamente que se trata de um problema conjuntural: as deficiências são estruturais e podem levar muito tempo a ser corrigidas. A eliminação da nossa selecção sub-21 na qualificação para o Europeu de 2011, dois anos depois de Carlos Queiroz ter sido recebido em ombros com a promessa de “dinamizar” o futebol jovem, demonstra bem que os problemas não se circunscrevem à selecção A.
No jogo de hoje, a leitura de jogo de Agostinho Oliveira – com ou sem palpites de Queiroz, o que aliás é irrelevante – foi péssima. A perder aos 21 minutos, a equipa técnica portuguesa foi incapaz de mexer no onze em tempo útil. Quando o seu jogador-fetiche, Danny, entrou enfim, aos 71 minutos, já o destino do jogo estava traçado. Liedson, que poderia resolver, devia ter entrado logo no início do segundo tempo. E continuo sem entender por que motivo João Moutinho, que é titular do FC Porto, voltou a permanecer no banco (desta vez sem sequer entrar em campo), enquanto jogavam três médios – Tiago, Meireles e Manuel Fernandes – que não disputaram até ao momento um único desafio oficial, nesta temporada, nas equipas onde actuam.
Para além dos péssimos resultados em campo, o balanço confrangedor deste Portugal da era Queiroz, na fase pós-Mundial, traduz-se ainda nos seguintes factos:
– Tínhamos um excelente guarda-redes, considerado um dos melhores que actuaram na África do Sul. Mas Eduardo parece ter-se perdido para a selecção. O frango de antologia que hoje deixou entrar não deixa lugar a dúvidas.
– Tínhamos três jogadores com provas dadas na selecção que decidiram não voltar a vestir a camisola das quinas: Deco, Paulo Ferreira e Simão Sabrosa.
– Tínhamos uma equipa coesa, com notável equilíbrio entre a defesa e o ataque, e passámos a ter um conjunto de jogadores desligados, desinspirados, psicologicamente arrasados.
– Tínhamos um País mobilizado para os desafios da selecção, com ou sem bandeiras nas varandas. Hoje os portugueses estão totalmente divorciados da equipa nacional.
– Tínhamos um conjunto disciplinado que deixou de o ser. Porquê? Cristiano Ronaldo disse muito numa curta frase: “Perguntem ao Queiroz.”
Receio bem, entretanto, que o pior ainda esteja para vir. Para já, ficou-nos o eco dos “olés” entoados hoje pelo público norueguês na fase final do desafio. Nada demonstra com mais clareza a triste figura feita pelos nossos jogadores em Oslo, sinal evidente de que o futebol português está a bater no fundo. Há cinco anos jogávamos melhor.


Está na altura de Queiroz e Madail perceberem onde fica a aporta de saída.
É, Daniel. Jogar em “piloto automático” dá nisto.
Há muitos anos que o Madaíl já o devia ter percebido. Pelo menos desde um famoso mundial lá para os lados da Coreia e do Japão.
Quanto selecção, talvez lhe faça bem ficar de fora de uma grande competição. Pode ser que isso ajude a perceber duas coisas: que muita coisa tem de mudar na federação, e que o mundo não gira em redor da bola.
Também acho, João. Mas pelo que vou ouvindo já por aí, relativamente a nomes para suceder a Queiroz, temo que venham aí tempos ainda piores.
Por acaso não ouvi ainda falar de nomes. Mas suspeito que Manuel José e Humberto Coelho sejam cartas fora do baralho, considerando a Federação…
Já ouvi falar no Peseiro, no Fernando Santos, no Paulo Bento, sei lá…
Se sair o Carlos Queiroz, espero que o próximo treinador de Portugal seja o Erickson !! O Manuel José tem andado por ai a destabilizar a seleção desde o Mundial e espero, mas duvido, que fique a xuxar no dedo…
O Eriksson? Hum… Aquela selecção da Costa do Marfim fez fraca figura no Mundial.
Por acaso não achei. Contra Portugal jogou de forma cautelosa, sabendo que os elos mais fracos estavam na zona defensiva e ainda assim foi mais perigosa que Portugal (fora o remate de longe do Ronaldo ao poste). Contra o Brasil arriscou mais e foi derrotado pela frieza do Brasil de Dunga (que se não tivesse sido uma exibição estranha na segunda parte do jogo contra a Holanda teria ido à final) e por um golo ilegal do Luís Fabiano. Contra a Coreia do Norte teve o azar de jogar depois de os coreanos perceberem que era má ideia jogarem abertos (depois dos 7-0 de Portugal).
Aliás, Eriksson seria um bom seleccionador para Portugal, creio. Fez um bom trabalho com a selecção inglesa e tem um estilo calmo. Só que haverá melhores por aí. Pessoalmente acho que Portugal atingiu o seu pico de qualidade no “reinado” de Humberto Coelho, só que voltar a ele 12 anos depois sem que tenha voltado a treinar talvez seja má ideia.
Seja quem for que vá para seleccionador, espero que leve um dos jogadores da “geração de ouro” para a equipa técnica. Não para treinar, mas pela autoridade no balneário. A maior diferença desta equipa relativamente àquela está na personalidade dos jogadores. Olhe-se para Rui Costa, Figo, Fernando Couto, Jorge Costa, Paulo Sousa, Vítor Baía ou João Pinto. Tudo jogadores com personalidades fortes que foram capitães e referências nas suas equipas. Talvez isso tenha feito a diferença: fosse qual fosse a “porcaria”, sabiam blindar-se a isso.
Também concordo que foi com Humberto Coelho que a selecção atingiu o seu pico (gosto de saber que não sou o único a não colocar Scolari no altar). Claro que na altura a equipa era excepcional.
Pessoalmente, gostaria de ver a selecção orientada por Manuel José. Mas por mim, até podia ir para lá o treinador da equipa lá da minha aldeia; tão ou mais importante do que arranjar um novo seleccionador é arranjar uma nova Federação.
A equipa era excepcional, mas se se quisesse seleccionar uma equipa entre os jogadores de 2000 e os de 2004, creio que haveria mais jogadores de 2004 a entrar (isto comparando os que estiveram nos dois lados, sabendo que o Figo de 2000 era melhor que o de 2004 e o Costinha de 2004 melhor que o de 2000).
Quanto à federação, assino por baixo.
Um comentário sobre Eduardo: a maior parte dos clubes já perceberam que é má ideia contratar jogadores por causa de um mundial. Embora sendo verdade que Eduardo esteve excelente no mundial de futebol, isso não implica claramente que ele seja um magnífico guarda-redes (nem que não o seja). Estes erros tanto podem ser do momento de forma como sintoma da intranquilidade na selecção como provas de uma menor qualidade. Não sabemos. Só podemos dizer o que referi acima:um bom mundial não significa que se seja necessariamente de classe mundial.
Certíssimo, João. O Eduardo parece cada vez mais estar a sofrer o contágio do Roberto, vá-se lá saber porquê.
O departamento de manutenção da Tap…diz ter havido falha humana no descalabro do “piloto automático”
O cara de pau do pseudo-treinador adjunto, teve o desplante de afirmar que a selecção tem futuro!!!!
Voltámos às vitórias morais…
Essa frase dele é desde já candidata a frase do ano.
pelo ambiente que se criou em redor destes dois jogos, verificou-se que estavam quase todos a torcer para que Portugal perdesse, logo…este não é o resultado que interessava a “Portugal” !!!??? tanta gente chateada lol
Como vem sendo costume, não percebi o que você quis dizer.
Tacticamente houve coisas erradas logo na convocatória. Para uma equipa jogar em 4-3-3 com extremos tem que haver um jogador que organize o jogo no meio campo. Não levar o Carlos Martins nem o Ruben Micael foi logo a primeira asneira. Depois, o único jogador com estilo de médio ofensivo organizador é João Moutinho (mesmo que não seja nada de especial é melhor que os outros que estavam convocados), sendo que Tiago organiza bem o jogo, mas de uma posição mais recuada e menos ofensiva. Já Danny é bom, mas é um avançado, não um médio ofensivo (é aliás notório que Queirós o tenha convocado – e bem – mas nunca o tenha colocado a jogar da forma que realmente rende).
Com estas limitações, a melhor hipótese talvez fosse ter jogado com o famigerado 4-4-2, uma vez que na ausência de médios organizadores e de trincos, o melhor é mesmo meter os médios centros disponíveis e tentar usar o rendilhado de passes para ultrapassar a oposição.
Uma observação importante que o Pedro fez tem a ver com o ritmo dos jogadores. Isso viu-se nas tentativas de remate de longe: eram sempre interceptadas pelos noruegueses. O problema era maior porque,s e não me engano, os jogadores que estão no campeonato norueguês estarão a meio da época, pelo que o ritmo será muito maior..
HABEMUS PILOTO…
desde que não automático…
Vou parafrasear o camarada Jerónimo (um sábio!!) – “Subscrevo por baixo”!
Será que houve alguém a susbcrever por cima???
“Subscrevo por baixo” é a resposta proletária do camarada Jerónimo à ofensiva burguesa do “em cima da mesa” que a toda a hora escutamos.
Ontem no FB escrevi isto:
A bola no país do situacionismo militante!
O que dizer da selecção da bola?Olho para o Agostinho Oliveira,que está na federação há 21 anos, e só me lembro daqueles candidatos a chefe que se profissionalizaram em lixar os seus superiores que vão chegando por forma a ir mamando sem ser colocado em causa os chefes do chefe tipo “lambe cricas”:”eu sou fiel ao meu chefe ,mas acima de tudo está a empresa”.
Os jogadores com uma vontade de mandar tudo para a “coisa da mãe do Luís Horta”,mas a pensar nos contratos… As associações distritais, quais “ordens profissionais”,calam-se nesta questão porque o Sr. Dr. não pode perder o seu lugar na UEFA e FIFA, mas marcar AG extraordinária dá muito trabalho e chatice…
Mas lindo é não rescindirem com o Queirós por questões financeiras e depois os custos da não qualificação serem superiores….gestão profissional,dizem os entendidos!
Há coisas fantásticas num país de medíocres na gestão da bola,e não só!…
Os resultados de hoje e de sexta são meros pormenores, insignificantes, para a classe dirigente e politica que se move no pântano(sem aspas), da bola, por acaso sempre os mesmos!!!…Ora candidatos a cargos políticos,europeus,nacionais ou locais; a federações,associações ou clubes recreativos….Sim,já sabemos,ninguém aparece…coitadinhos!…
É um retrato muito cru mas muito autêntico do futebol português nesta era pós-Scolari.
De fonte limpida (não posso revelar a fontenário)
Está na altura de desvendar o verdadeiro segredo do “Caso Doping” ( os “casos” estão na moda):
Carlos Queiroz pretendia única e simplesmente adiar a amostragem, para que não fosse detectadas doses elevadas de alcool e sémen…
Isto daria um excelente Pros& Contras….
– F.Ferreira: ..” Cristiano Ronaldo… diga-me aqui… olho no olho: É verdade, como dizem, que a LevinsKa Biscaka… fez… … como direi… fez ó ó no seu quarto?
A não perder… Carlos Queiroz, como todos os Carlos tem direito a um Pró…
Ora aí está uma sugestão de mérito. Seria mais uma oportunidade de ouro para o serviço público de televisão, à semelhança do que tem acontecido com outros “casos”.
Não perderei essa sessão do Prós & Prós, desde que lá compareça o advogado Marinho & Pinto.
Com a ressalva prévia da ausência de conhecimentos futebolísticos, parece-me que, mais do que o desempenho de uma equipa em dois concretos jogos, estamos perante uma questão de gestão dos problemas e do tempo que denota a maior das mediocridades. Primeiro, um processo disciplinar que, fundamentado ou não (não questiono), se prende afinal com propósitos pouco claros, ou mesmo obscuros diria, que primam pela total ausência de transparência e honestidade. E depois, como se isso não fosse suficiente, a perpetuação do problema com a assunção de que pilotos automáticos levam selecções a bom porto, sem que se aventem e tomem medidas coerentes em tempo oportuno. A meu ver, a actuação fuebolística dos intervenientes principais ontem é, pois, neste palco de 3ª classe (se outra não houver) elemento meramente acessório.
Não percebo patavina de futebol mas aplaudo a fotografia, que foi escolhida a preceito. Ouvi dizer que houve “frangos” no jogo de ontem, ainda por cima…
Foi um ‘ganda’ galo.