Grécia antiga (1)


Pedro Correia,

«O fundamentalismo doutrinário neo-liberal odeia Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis. Odeia-os porque eles vieram estilhaçar o consenso instalado. Odeia-os porque lançaram a dúvida nos espíritos. Odeia-os porque mostraram que não existe só a TINA (There Is No Alternative). Odeia-os porque não usam gravata. Odeia-os porque não se submetem ao diktak que esmaga a Europa. Odeia-os porque colocaram o Parlamento Europeu, a Comissão e os Estados membros em pé de igualdade como seus interlocutores. Odeia-os porque não foram a correr a Berlim prestar vassalagem a Angela Merkel. Odeia-os porque puseram a ridículo os que assim que ascenderam ao poder fizeram isso, como François Hollande ou Passos Coelho. Odeia-os porque disseram cara a cara a Wolfgang Schauble que não concordam com ele. Odeia-os porque não estão a negociar de mão estendida. Odeia-os porque estão a honrar o essencial do programa com que venceram as eleições. Odeia-os porque já perceberam que a Europa vai ter de ceder.»

Nicolau Santos, no Expresso (7 de Fevereiro de 2015)

0 comentários em “Grécia antiga (1)”

    1. eheheh, tal e qual, eu já começara a ler o texto e algo me dizia para imaginar o escriba.
      Não se pode achar nada fora do politicamente correcto. E sem laço apertado é uma coisa…
      O que eu abomino mesmo é gente estúpida e que persiste na estupidez. Não odeio, pois tirar-me-ia sopros de vida, mas desprezo completamente os imbecis iluminados. Com laço ou sem gravata, porque não distingo por aí e nem ideias patetas merecem atenção. Afinal, vendedores de feira há desde tempos imemoriais. Ninguém os odeia e tanto se cai no conto de um vigário Baptista como se escorrega na insana banha de cobra. E pur se muove

  1. Pessoalmente, odeio mais intensamente palhaços de lacinho que homens sem gravata.(E que o Senhor me perdoe).

  2. Alexis Tsipras volta a reunir os seus ministros e poderá falar ao país ao fim do dia. Ontem, o vice-presidente do parlamento pediu referendo “imediato”. Hoje ministro do Interior diz que não haverá consulta ao eleitorado. Referendo ou eleições antecipadas paralisariam a actividade legislativa, acelerando um cenário de bancarrota.

    “Não vamos ter eleições nem referendo, mas um compromisso honorável”, afirmou esta manhã o ministro grego do Interior.

    Nikos Voutsis falava no parlamento pouco depois de ter sido anunciado que o primeiro-ministro Alexis Tsipras voltará esta tarde a reunir o conselho de ministros para dar seguimento à reunião extraordinária de ontem, que terá durado cinco horas.

    Quatro meses depois de ter vencido as eleições antecipadas na Grécia, o governo liderado pelo Syriza estará a ponderar voltar a consultar o eleitorado. As negociações com a troika não avançam, a economia voltou à recessão, os cofres estão vazios e o governo estará a tomar consciência de que as promessas feitas aos gregos, de que acabaria com a austeridade e dispensaria novos empréstimos externos, não têm aderência à realidade.

    (Negócios, 13/05/2015)

  3. O Nicolau faz-me lembrar aquela anedota em que se avisa na rádio que há um condutor em contra-mão numa ponte, no qual um dos condutores ouve e exclama: “um condutor o caraças, são todos!”.
    Ou como na tropa, quando alguém trocava o passo, “este deve pensar que é o único que está bem”.

    Eles, os outros, países e soberanos, esses é que são parvos, devíamos todos afinar pelo pensamento Grego, que como se sabe está a resultar em pleno. A Grécia, esse paraíso da corrupção, do imobilismo, sem industria, alta fuga aos impostos é que sabe. É por eles que nos devemos guiar, esse supremo exemplo do rigor. Arrumar a casa é para totós, nós precisamos é de continuar a despejar mais dinheiro.

    A Grécia quer fazer parte de um clube onde não aceita a maioria nem as suas posições (em liguagem Nicolau – que não deve ler a imprensa estrangeira nem a posição de outros países – significa “vassalagem à Merkel”), não aceita as regras, não aceita a negociação (mas diz que quer negociar) exige mas não quer cumprir, exige a outros países que se sacrifiquem por ela mas odeia quando o pedem para o fazer.

    Por mim, estando a esgotar-se a verborreia, aposto na queda do Governo, nomeação de um Governo de “união ou salvação nacional” que cumpra os tratados a que se submeteu, tal como todos os outros, e esperar que os credores, investidores, cidadãos europeus nacionais e estrangeiros acreditem na reforma.

  4. Quer se goste ou não, o Nicolau está certíssimo. É pena é que nem todos vejam a realidade tal como ela é.

          1. No fundo estamos nós, ou por acaso já pagámos alguma coisa da dívida? Onde vamos buscar dinheiro para pagar o que devemos? Incrível que a nossa solidariedade esteja tão baixa que julguemos os gregos os pratinhos feios e nós como se fossemos exemplo para alguém, somos o cisnes brancos, vaidosos e pomposos sem termos onde cairmos mortos.

          2. Acha que é “solidariedade baixa” Portugal ter contribuído com 1,1 milhões de euros (dinheiro nosso, dos contribuintes portugueses) para um país que martelou as contas públicas, mentiu às instituições comunitárias sobre o défice real, gastou durante décadas dinheiro que não tinha para pagar 15 meses de salários anuais aos funcionários públicos e reformas antecipadas por inteiro a largas dezenas de “profissões de risco” (incluindo saxofonistas e cabeleireiras) e ainda hoje detém o triste recorde de campeão europeu de fuga aos impostos?

            http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2663435

          3. Tal como nós que desbaratámos, mentimos e andamos por cá, como se fossemos os melhores!… Se alguém tem culpa foram os que fizeram tais aberrações, então que paguem esses e não o povo que não teve culpa nenhuma de terem maus governantes que nunca estiveram à altura de governar um país. No dia, em que todos nós formos solidários uns com os outros, talvez aí, o mundo possa ser melhor se assim não for, não passaremos de mais uns, de quem o mundo nada pode esperar.

          4. Vamos lá escrever pela enésima vez o que está em causa.

            Depois da intervenção, a dívida Grega aumentou não só em percentagem do PIB como em valor absoluto.

            Em 2009 a dívida representava 115% do PIB, em 2014 esse valor sobe para 175%.

            Mais, durante este dito período de “salvação” a Grécia perdeu 25% do seu PIB (uma módica quantia que só se verifica em tempo de guerra). Atingiu uma taxa de desemprego de 30%, sendo que mais de 60% nas camadas jovens.

            Significa isto que a política de “salvação” conduziu a Grécia para uma situação de default.
            A única coisa que necessita ser feito é reconhecer o default, porque a Grécia está tecnicamente nesta situação.
            Não vejo como negativo o default Grego. Aliás, foi através dos defaults que a Islândia, a Rússia, a América Latina, com o Equador e a Argentina como exemplos, que se revelaram histórias de sucesso.

            As amas Passos/Portas andam a querer adormecer-nos, mas essa conversa só serve para adormecer boi.
            DE cada vez que as negociações do Eurogrupo com a Grécia azedavam, lá vinha a Maria Luís dizer que iam pedir para pagar ao FMI. Noutra situação anunciava parte do pagamento da dívida. Mas andam a fazer pagamentos de dívida com outras dívidas para poderem dar a entender que Portugal é um caso de sucesso E isto é uma grandiosa MENTIRA.
            Eu sei que os seus mentores alemães e franceses apreciam estes gestos de subserviência, mas não enganam quem tem olhos abertos.

            A campanha contra a Grécia faz lembrar a mais infame das perseguições que ocorreu e que foi denominada de “caça às bruxas”.

            Eu gostaria que me demonstrassem como foi que a actual governação Grega conseguiu fazer acontecer todos esses números e situações em 100 dias.

            Depois de um período de cosmética de contas em que participaram as grandes instituições internacionais, onde as instituições financeiras europeias também se movem, surpreende-me que aquilo que foi um benefício desses mesmos credores, isto é, a entrada da Grécia para a CEE, se transforme numa tragédia grega e só a eles imputável a autoria e performance.

            Deixei o repto.

          5. Só velhos casmurros e surdos têm a mania de que repetir sempre a mesma treta adianta alguma coisa.

          6. Adianta. Para que os casmurros, surdos e velhos, que têm vários disfarces através de nicks, possam soltar sua frustração perante a verdade.
            Como têm ficado mal através dos diálogos, estes últimos, escudam-se em tais nicks para não se sentirem pequeninos. O ego chateia.

  5. Este “cara”, com a bronca do técnico superior da ONU, lá fora nunca mais escreveria num jornal de referência e assentava o traseiro numa TV…

    Reparem na cara e no trejeito dele quando fala: parece que está sentado na sanita!

  6. Arrepiante este texto. Quase uma ode ao ódio, pela cadência, pelo entusiasmo em crescendo. Menos, Nicolau, muito menos …

  7. Caro Pedro,
    presumo que o seu ‘post’ seja de admiração pelo que é dito no texto. Se assim é, deixe-me perguntar: é descrita alguma mentira?
    Como muito bem saberá, na Grécia Antiga, mais propriamente em Atenas, houve um politico que publicou leis tão duras, que, segundo a população essas leis «tinham sido escritas com sangue e não com tinta».
    Pois parece que, atendendo ao calendário eleitoral, muito boa gente isso deseja: ver ainda mais a draconização da Grécia, ver o sofrimento da população deste país!
    Lamento imenso que assim seja e que aqui se faça eco desse sentimento!

      1. Caro Pedro,
        permita-me uma errata ao comentário que efectuei:
        – onde está:
        «presumo que o seu ‘post’ seja de admiração pelo que é dito no texto»
        – deveria estar:
        presumo que o seu ‘post’ não seja de admiração pelo que é dito no texto.

        Muito obrigado

  8. Parece que o assunto se transformou num solteiros contra casados de qualquer aldeia.
    Já não interessa a ninguém analisar porque é que o programa da troika, que ia resolver os problemas da Grécia, falhou estrondosamente. E se falhou porque razão se insiste na receita.
    Interessa é que os nossos ganhem porque o futebol é mesmo assim.

    1. Falhou, porque a Grécia não cumpriu com um único compromisso. Até para entrarem na CEE mentiram!

        1. Portanto estamos a lidar com uma culpa Nacional, um pecado original grego.

          É indiferente que quem agora foi eleito quisesse reformar verdadeiramente o país, que tenha dito repetidamente que não era obrigando o país a engolir mais dívida (o programa da troika). Lembro que os resgates e troikas já vão com 5 anos. Onde está o sucesso redentor? Para que serviu o “ajustamento” brutal? Para que se sacrificou 25% de PIB? Eram 26 o número mágico? 30? Onde é que a troika se preocupou verdadeiramente em reformar a Grécia, com a sua máquina fiscal disfuncional? E se preocupou, onde está o resultado?

          Lá como cá, há que avaliar as políticas aplicadas.
          Na Alemanha houve quem o fizesse, curiosamente.

          http://www.boeckler.de/imk_5264.htm?produkt=HBS-006069&chunk=1&jahr=&pk_campaign=IMK%20Policy%20Brief

          Mas como de costume, é tapar os ouvidos e gritar “blah blah blah”

        2. As verdades como essa doem. Assim como espernearam à beça com as reportagens de José Rodrigues dos Santos, em se referiam as poucas-vergonhas a que lá pela Grécia não existe a coragem de se pôr cobro. E, muito antes dessas relativamente recentes reportagens, recordo-me de outra (salvo erro na SIC) onde se explicava o insano trabalho dos funcionários públicos gregos que, chegada a hora do almoço, desandavam generalizadamente dos serviços e ninguém mais lhes punha a vista em cima…

  9. É notável como logo aqui nos comentários se diferenciam os que lutaram pela vida (e portanto acham que os outros também podem fazer por isso) dos que sempre viveram encostados a um “orçamento” qualquer, habitualmente suportado pelos impostos dos primeiros que citei.

    Daí que achem normal que todos os europeus que pagam impostos resolvam os problemas que os gregos criaram, INCLUÍNDO os contribuíntes dos SETE países do euro que têem PIB per capita inferior ao dos gregos AINDA HOJE.

    E depois isto é solteiro e casados…
    É mais os que pagam e os que mamam!

  10. “Odeia-os porque estão a honrar o essencial do programa com que venceram as eleições.”

    Tal & qual, estão com o maior êxito a cumprir tudinho o que prometeram (e podiam prometer). Porque, como bem se sabe, os gregos não pediram para entrar na UE nem para aderir ao Euro nem assinaram o Tratado Orçamental, estavam completamente livres de compromissos e para arranjar quem lhes emprestasse bastava um estalar de dedos. Além disso, passaram a chamar instituições aos membros da troika, o que mostra uma enorme insubmissão. Assim como colocar turistas, donas de casa e estudantes a delatar quem fuja ao devido pagamento de impostos, obrigação que qualquer grego rico cumpre religiosamente.

  11. A partir do momento em que permitiram casos como o BPN, BCP, o do Rendeiro, o do Salgado, parece-me que o próximo será o Montepio, que permitiram e permitem governantes e autarcas corruptos até ao tutano, não reconheço aos portugueses legitimidade para criticarem o que quer que seja aos políticos gregos.

  12. Sempre julguei que a tua ambição fosse que Portugal se apresentasse nesses foruns (perdoe-se-me o plural) representado por uns senhores dandys de lacinho… Agora por homens sem gravata, só para mostrar que não vassalam, é que nunca imaginei… Confere lá essas tuas preferências…

  13. Já aqui tenho perguntado, e a pergunta também tem cabimento dirigida ao bapetista Santos. Se Maria Luís tivesse sido substituída nas “negociações” e permanecesse titular da pasta, que vomitariam os nicolaus da Silva?

  14. Exmo. sr. Santos, isso de comparar François Hollande com Passos Coelho demonstra, no mínimo, uma grande lacuna da sua parte na obrigatória leitura dos judiciosos artigos do Sr. Dr. Mário Fundição Soares. Ora tome lá nota:

    “A Direita Europeia, ultra-conservadora, neoliberal e populista, não esperava a derrota eleitoral de Sarkozy. Tudo fez para diminuir Hollande, apresentado como um político sem carisma, mole, hesitante, sem ideias claras. Enganou-se redondamente. Hollande ganhou o duelo que teve com Sarkozy, na televisão francesa, mostrou uma preparação económica inesperada, um bom conhecimento da tragédia que vive a União Europeia e do que é preciso fazer para sair dela. Ou seja: criar um novo paradigma de desenvolvimento. O que os dirigentes europeus, institucionais ou nacionais, por preconceitos ideológicos, nunca quiseram ver nem, muito menos, fazer. São responsáveis por isso.

    Contudo, a vitória de François Hollande, o entusiasmo popular que provocou, não só em França mas por toda a Europa, o desafio que fez à chanceler Merkel, que o convidou, no dia seguinte às eleições, para um encontro em Berlim, criou um vento de mudança que poderá vir a abrir – espero – uma nova fase do projeto europeu, dado o beco sem saída em que se encontram Estados tão importantes a nível europeu, como: a Itália, a Espanha, o Reino Unido, a nova França, obviamente, e a própria Alemanha, que está a mudar significativamente. Não tenhamos dúvidas. Porquê? Porque os sociais-democratas alemães aperceberam-se da necessidade de mudança, bem como os Verdes e o partido “pirata”, uma nova organização cívica que surgiu mais ou menos à Esquerda, subitamente, com um novo dinamismo e energia. A chanceler Merkel averbou, de resto, no último domingo, na Renânia do Norte- -Vestefália uma nova derrota pesadíssima, no seguimento das várias que tem vindo sempre a ter.

    (…)

    Ora, François Hollande, como bom socialista e com uma formação académica e política excecionais, antes e depois do seu discurso de vitória, declarou, sem papas na língua, que com a austeridade não se vai a lado nenhum, como se tem visto na Grécia e por todo o lado, incluindo Portugal. É, pois, urgente mudar de paradigma, para pôr termo à crise, como tenho vindo a dizer ao longo destas crónicas, restabelecendo a confiança das pessoas, dos Estados e das instituições europeias, na medida do possível, pondo os mercados na ordem, acabando com os “paraísos fiscais” – como já foi prometido pelo Governo português, mas não cumprido – e restabelecendo o Estado social solidário e o estado de bem-estar para todos. Sem isso, espera-nos a degradação do projeto europeu, a democracia, em começo de crise, claudica, como já se vem sentindo, e os europeus, perdida a solidariedade e confrontados com velhos e novos conflitos – e talvez guerras – não auguram nada de bom… O desemprego é, de resto, mau conselheiro, começa pela revolta e acaba pela violência…”

  15. Tudo aponta para mais um desilusão de Nicolau… depois é fácil rever o texto, é só substituir sempre duas ou três palavras por outras que mostrem a realidade atual…

  16. Tudo o que o Nicolau disse é o mais verdadeiro possível. Que hajam aqui, comentários pouco humanos, em relação aos gregos, também é bem real. Se nós, enquanto cidadãos, dum país cheio de dívidas e muito parecido com a Grécia, temos reacções de mal dizer, em relação a um partido que tenta tudo por tudo, cumprir o que prometeu e trazer algum bem estar aos gregos reagimos assim!…… Algo vai muito mal neste país, onde o humanismo deu lugar ao nada.

  17. Caro Sr António F

    Desculpe a ignorância: Acaso esse politico que escreveu com sangue( ai credo) não se chamava Sócrates?

    Saudações Tpsirianas

  18. Nos tempos em que o sr. Bagão foi ministro das finanças lá posto pelo CDS, e antes de ter-se convertido àquilo em que agora se tornou, lembro-me PERFEITAMENTE de ele denunciar as sem-vergonhices praticadas pelos gregos, que tinham chegado ao ponto de conseguir desorçamentar e varrer para debaixo do tapete as despesas militares!!!

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