Fora da caixa (22)


Pedro Correia,

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«Poucos deram tanto a Portugal, à liberdade e à democracia.»

António Costa, ontem, sobre Freitas do Amaral 

 

A campanha eleitoral terminou ao princípio da tarde de ontem. Precisamente quando foi conhecida a triste notícia do falecimento de Freitas do Amaral, o último fundador civil do nosso regime democrático – resta o general Ramalho Eanes, ilustre sobrevivente desta estirpe já com lugar na História.

Este infeliz acontecimento relegou para segundo plano tudo quanto vinha a ser discutido no espaço mediático, o que muito jeito dá a António Costa – confirmando que o secretário-geral socialista é o político com mais sorte em Portugal. A campanha corria-lhe razoavelmente mal: Costa está longe de ser brilhante nas caravanas de propaganda eleitoral, para as quais tem pouco jeito e quase nenhuma paciência. A nova dimensão dada ao lamentável caso de Tancos, centrada na acusação deduzida pelo Ministério Público ao ex-titular da pasta da Defesa Azeredo Lopes, fragilizou o primeiro-ministro numa das dimensões que mais cultiva: a sua faceta de homem de Estado.

O desaparecimento de Freitas, senador da democracia, e as cerimónias fúnebres que lhe serão devidas hoje e amanhã, dia de reflexão eleitoral, encerram simbolicamente um capítulo da nossa vida colectiva. E põem fim prematuro a uma campanha que se revelou mais incómoda para o PS do que alguns responsáveis socialistas previam.

Recordo-me da dramática recta final das legislativas de 1999, marcada pelo súbito falecimento de Amália Rodrigues, que gerou comoção nacional. Foi a 6 de Outubro, vai fazer 20 anos depois de amanhã – quatro dias antes de os portugueses irem então a votos.

Também a campanha terminou nesse dia. E dela saiu uma vitória pírrica do PS: António Guterres ficou a um escasso lugar da maioria absoluta e acabou por nunca recuperar desse trauma. Nascia uma legislatura condenada ao fracasso desde o vagido inicial.

Embora com protagonistas diversos, a História tem tendência a repetir-se.

5 comentários em “Fora da caixa (22)”

  1. a História tem tendência a repetir-se

    Exatamente: no próximo domingo o PS pode voltar a obter uma vitória pírrica, tal como em 1999, com maioria não absoluta e sem ninguém com quem se coligar para formar um governo estável.

  2. Espero que a História se repita e que o manhoso-mor vá á sua vidinha…..

    Os verdadeiros portugueses estão fartos do circo moamed ….

    A.Vieira

  3. O Pedro Correia bem reza (ao seu modo), mas é inevitável que o Estadista Costa vença com larga margem.
    A dúvida é qual a concubina com que partilha o quarto.
    Temos a CDU, fiável e com um sentido de responsabilidade que vem com a idade. É uma amante experiente, não faz espalhafato, mas na altura certa sabe o que fazer para satisfazer o parceiro.
    O BE é aquela jovem fogosa, cheia de ideais. Fala muito, mas quando é preciso pagar as contas baixa a bola, porque não tem a independência que apregoa. É chata porque, como a maioria dos jovens inconscientes, é algo incómoda e inapropriada.
    Por fim, o PAN. Faz o que o parceiro quer, em troca tem que se aturar dormir com o cão aos pés da cama, com o gato debaixo dos lençóis e levar o pririquito ao veterinário a cada mês.

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