“(…) Guerra Junqueiro, que vem óptimo da Suíça:
(…) As constituintes não foram o que eu sonhava mas fizeram muitíssimo. E a propósito devo dizer-lhe que um jornal de Berna, que o secretário da legação portuguesa me enviou, publica a tradução dos primeiros trinta e dois artigos da Constituição portuguesa, encimados por esta honrosa declaração: “A Constituição portuguesa devia ser o código político de todas as nações da Europa.” Em seguida coteja-a com vários artigos da Constituição suíça, achando alguns da portuguesa superiores. (…)”
Raul Brandão, Memórias
Volume I, Tomo II
Relógio d’Água


´Sempre o mesmo provincianismo!
É a vida cá do burgo, rty.
Uma obra imprescindível. E muito mais actual do que possamos pensar.
O hoje no ontem, o ontem no hoje. É 🙂 Muito interessante e RB é um escritor e peras. Obrigada.
Também gosto do Brandão, embora às vezes caia um pouco na “prosa de efeito”.
Com as Memórias é preciso muito, mas muito cuidado: não é fiável.
Do que até agora li, é um relato quase diário dos ambientes e suas gentes nso alvores da República, e não me parece que distorça ou torça. Julgo-o até bastante empenhado em não produzir juízos de valor, quer para um lado, quer para o outro. Uma espécie de Delito de Opinião em uníssono e sem comentadores 🙂
Porque diz que não é de fiar?
Desculpe, só agora – data da publicação daqui a momentos – vi o seu comentário.
O Raul Brandão é faccioso e dá como certas, coisas que não foram assim, para além de qualquer incerteza.
Fui alertado para isso na altura em que li, e deram-me exemplos de dois ou três casos – que não tenho presentes agora.
Lembro de ter eu encontrado uma: refere que o Marquês de Fronteira tinha assinado a petição a Napoleão para que este concedesse uma cosntituição a Portugal. E assinou, de facto. Mas Brandão, esquece-se de acrescentar que o Marquês tinha 6/7 anos na altura e que o fez por indicação do seu tio, o Conde da Ega. – pormenores não despiciendo.
Nada a desculpar, rty. Obrigada é por se dar ao trabalho. Pena, sabermos desses ‘soluços’ na obra. Quem conta um conto põe sempre de si e a omissão também é costumeira na História.
Um abraço grato e boa semana!