Foi em Setembro de 1911. Trazias na boca promessas de sonho.


letraspequenas,

 

“(…) Guerra Junqueiro, que vem óptimo da Suíça:

(…) As constituintes não foram o que eu sonhava mas fizeram muitíssimo. E a propósito devo dizer-lhe que um jornal de Berna, que o secretário da legação portuguesa me enviou, publica a tradução dos primeiros trinta e dois artigos da Constituição portuguesa, encimados por esta honrosa declaração: “A Constituição portuguesa devia ser o código político de todas as nações da Europa.” Em seguida coteja-a com vários artigos da Constituição suíça, achando alguns da portuguesa superiores. (…)”

 

Raul Brandão, Memórias

Volume I, Tomo II

Relógio d’Água

8 comentários em “Foi em Setembro de 1911. Trazias na boca promessas de sonho.”

      1. Também gosto do Brandão, embora às vezes caia um pouco na “prosa de efeito”.
        Com as Memórias é preciso muito, mas muito cuidado: não é fiável.

        1. Do que até agora li, é um relato quase diário dos ambientes e suas gentes nso alvores da República, e não me parece que distorça ou torça. Julgo-o até bastante empenhado em não produzir juízos de valor, quer para um lado, quer para o outro. Uma espécie de Delito de Opinião em uníssono e sem comentadores 🙂
          Porque diz que não é de fiar?

          1. Desculpe, só agora – data da publicação daqui a momentos – vi o seu comentário.
            O Raul Brandão é faccioso e dá como certas, coisas que não foram assim, para além de qualquer incerteza.
            Fui alertado para isso na altura em que li, e deram-me exemplos de dois ou três casos – que não tenho presentes agora.
            Lembro de ter eu encontrado uma: refere que o Marquês de Fronteira tinha assinado a petição a Napoleão para que este concedesse uma cosntituição a Portugal. E assinou, de facto. Mas Brandão, esquece-se de acrescentar que o Marquês tinha 6/7 anos na altura e que o fez por indicação do seu tio, o Conde da Ega. – pormenores não despiciendo.

          2. Nada a desculpar, rty. Obrigada é por se dar ao trabalho. Pena, sabermos desses ‘soluços’ na obra. Quem conta um conto põe sempre de si e a omissão também é costumeira na História.
            Um abraço grato e boa semana!

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