
Agora todas as semanas segue mais um “expurgo”, “protector” das “sensibilidades”, “racializadas” ou quejandas. O mais recente é com os livros de Agatha Christie, toca a retirar-lhes termos que possam ofender alguns trastes – é a instrução dada pela sua editora, atenta aos temíveis efeitos actuais das agressões cometidas pelos pressupostos de época de Miss Marple, Hercule Poirot e restantes personagens daquele pequeno emaranhado pós-vitoriano, tão pequeno-doméstico de facto.
Tendemos a confundir estas trapalhadas – o outro dia foi notícia que uns rústicos americanos, lá de uma aldeia de fundamentalistas cristãos, despediram a directora de escola porque havia mostrado uma obra-prima renascentista aos petizes, ofendendo-lhes as progenituras devido ao pequeno pirilau aposto por Michelangelo ao “David”. Gente do mesmo universo que volta e meia é notícia por querer impor o ensino do criacionismo nas suas escolas locais – efeitos directos da peculiar administração escolar dos EUA e consequências do molde de secularismo (comunitarismo) desbragado que vigora naquele país. E que por cá os esquerdistas querem assumir – a maioria dos quais sem mesmo perceber que é disso que falam, tamanha a indigência intelectual que os caracteriza.
Mas estas “depurações” literárias que se vão acumulando têm outra dimensão… Não provêm de minorias social e geograficamente excêntricas. Vêm embrulhadas no capital “cultural”/“académico” dos proponentes e defensores e estão a penetrar nas administrações dos grupos económicos editoriais. Tornam-se “elite”, “norma”. E há imbecis à nossa volta que os defendem…

A questão da estatua do M . ANGELO com os tintins de fora é uma cortina de fumo. A woke idiologie, pronoums e dragsqueen lecture hours talvez tenham sido a causa da indignação dos pais. Mas como os midia já escolheram o wokismo…..
É, no regime do Irão também lhe devem chamar isso. Mas já que estamos numa de correcções, “mídia” não existe em Portugal.
Entendem ser democracia o dar voz e assentimento a uma ralé ignorante, arvorada em intelectual, para quem cultura é ignorar culturas e instituir dogmas.
Cambada!
JgMendes, vendo bem as coisas tem razão, grande cambada estes puristas ignorantes das igrejas evangélicas a proliferar também por cá.
Dei-me, à porta do meu prédio, com uns “sabe que o mundo vai acabar, veja esta guerra agora”.
E eu vez de um ’tá bem, tá bem’ respondi ‘sabem o que aconteceu a seguir à guerra dos cem anos?’. Guerra dos cem anos? responderam admirados. Pois, e passados anos veio outra que durou trinta anos e muitas mais guerras aconteceram e o mundo não acabou, passem bem, disse-lhes.
E lá seguiram, deixando-me na dúvida se não sabiam ou se seria pecado, sequer, ouvir falar do assunto, que até podiam responder ‘deus deu uma chance’ mas não bateria certo com a certeza agora anunciada.
O Michelangelo preocupou-se mais com o corpinho do David e nem sequer está “apessoado” demais, e, grande escala, até tem as proporções dos anjinhos nos altares.
Isso da escatologia é tramado, que isto nunca mais acaba…
o pequeno pirilau aposto por Michelangelo ao “David”
Não deve ser assim tão pequeno. Michelangelo era um naturalista, esculpia as formas do homem tal como elas são, e portanto deve ter feito um pirilau de tamanho muito real. Ora, acontece que o pirilau dos homens é, de facto, especialmente grande em relação ao tamanho do corpo. Todos os outros primatas têm pirilaus mais pequenos em proporção aos tamanhos dos seus corpos. Portanto, eu teria escrito “o grande pirilau aposto por Michelangelo ao “David””.
Quer-me parecer que nunca viu a escultura ao vivo. Ou se calhar nem em fotografia…
Ao vivo nunca vi. Em fotografia sim. Está na internet.
E, como eu escrevi, tem um pirilau perfeitamente realista, à escala do de um homem de carne e osso. Ou seja, bastante grande. (O pirilau de um homem é maior do que o de um gorila!)
Ana CB como decerto compreenderá eximi-me a debater formatos e dimensões dos falos com o comentador balio (não fosse algum visitante reduzir-me a… falocrata). Mas…
Sim, comentador balio, também li, in illo (e bem recuado) tempore “O Macaco Nu” e sua provocatória introdução… Acontece que os gregos – que os renascentistas assumiam como modelos éticos e nisso estéticos (seja lá isto o que for) – nayse alongavam nas representações figurativas das partes pudendas masculinas, nisso querendo deixar entender nos assim representados um elevado pendor “espiritual” (“pré-cristão” é certo…), com menor afã carnal. Dito isto sabemos nós (ou decidimos saber) que o tamanho não será determinante. E também por isso o não tão abonado assim David se impôs face ao membrudo Golias.
li, in illo (e bem recuado) tempore “O Macaco Nu” e sua provocatória introdução
Li esse livro há tanto tempo que já não me recordo quase nada dele. Em particular, não me recordo da introdução.
Mas a descrição do tamanho dos pénis em diferentes primatas está feita num livro bem mais recente de Jared Diamond. (Infelizmente, não me recordo de qual o livro desse autor em que isso está.) A conclusão geral é que, de entre todas as espécies de primatas (que são relativamente poucos), o homem se distingue, claramente, por ter um pénis (o macho) e umas mamas (a fêmea) especialmente grandes. Muito, muito grandes, mesmo, em comparação com outros primatas.
Quanto ao David de Michelangelo, lembro-me de ter lido na História da Arte publicada há uns decénios pela Gulbenkian que ele é tão realista que até tem o testículo esquerdo mais descaído do que o direito, tal como os homens têm. Michelangelo teve o cuidado de reproduzir esse pormenor pouco referido da anatomia masculina – os testículos não são simétricos. Ora, se Michelangelo não descurou esse pormenor, muito menos descuraria a reprodução realista do tamanho do pénis. Ou seja: grande.
Pronto, não vou continuar a debater os falos da estatuária e outros…
Estou farta disto tudo. Ontem ” descompus” um piqueno que se crê perseguido… se fizer o trabalho dele como os outros e as outras funcionárias, não terá qualquer reparo. “Diferença” não é desculpa , e afinal, diferença é mesmo o quê?
Pois, não há mesmo paciência…
até ver a imbecilidade não paga impostos
Não é imbecilidade, é o Poder e os seus rituais.
Se a estupidez pagasse impostos, havia muita gente que já não tinha espaço para pôr carimbo. – a velha expressão, pré-reforma da Função Pública
Imbecis e criminosos. Percebo que os direitos de autor tenham um limite temporal, mas devia haver leis que protegessem as obras de serem adulteradas por quem não as criou.
Quanto aos pudores estúpidos dos americanos, nem vale a pena dizer nada.
“Os que queimam livros acabam queimando homens”
Heinrich Heine, poeta alemão (1797-1856)
Na mouche… Neste caso convirá ver os ancestrais ideológicos destes “pós-“marxistas para se confirmar essa apetência
Por este andar, lá chegaremos mais cedo do que julgamos.
A história do David até dou de barato: é uma obra-prima absoluta da civilização ocidental, e um bronco ou um grupo de broncos não vão alterar isso.
Mas quanto aos livros a história é diferente. É fácil dizer, e eu digo-o também, que está tudo maluco, mas isto é uma coisa séria; a história diz-nos que sempre que se censuram livros (e esta reescrita é isso, ponto final), ou queimam (aconteceu, no Canadá creio) as coisas ou estão mal ou vão ficar muito mal.
O que poderá ser útil agora é outra coisa, é tentar perceber, nomeadamente: Quem é esta gente? De onde surgiu? Porque tem tanta influência?
Por outro lado, e para terminar, considerando que o ocidente, em termos populacionais representa praí 5% da população mundial, será que estamos perante uma reedição dos célebres debates sobre o sexo dos anjos em Bizâncio com os otomanos a baterem à porta?
Cumprimentos
A questão bizantina (sobre os pirilaus dos anjos) é mesmo a que está em cima da mesa nos nossos dias…
Ainda não perceberam que isto é um mecanismo de criação de poder?
Como é que no recreio da escola se cria poder e se formam grupos?
O Neo-Marxismo-Caricatural controla as Universidades e o Jornalismo, por isso não têm nada que estar admirados. Foram vocês “moderados e centristas” sempre cheios de tolerância para os extremismos de esquerda -os puros- que criaram isto.
Confíteor Deo omnipoténti, et vobis, fratres: quia peccávi nimis cogitatióne, verbo, ópere et omissióne.
Mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa.
Ídeo precor beatam Maríam semper Vírginem, omnes Ángelos et Sanctos, et vos, fratres, oráre pro me ad Dóminum Deum nostrum.
Adiante que vai começar o Requiem.
Recebei-os aos Bem-Aventurados.
“…. e estão a penetrar nas administrações dos grupos económicos editoriais. Tornam-se “elite”, “norma”. E há imbecis à nossa volta que os defendem…”
Tem toda a razão, e nem precisou daquelas de 750 paus, a questão é saber se os accionistas são eles próprios os imbecis.
Não são. São avençados ou funcionários assalariados.
Aqui ao lado , estas “aberrações” (perfeitamente estruturadas ) que nos vêm do universo académico anglo-saxónico ,já conseguiram dois ministérios…e ministras respectivas : Irene Montero, a.k.a. La Cajera, e Ilona Belarra…
JSP
Ou seja, de Espanha nem bom vento nem bom… pensamento, como é bem sabido.