Uma vez e outra e outra vejo repetida a estafada expressão “ética republicana”. Que nunca me pareceu fazer sentido.
Ética é um conceito absoluto, não relativo. E os parâmetros éticos – como o mandamento “Não matarás” ou o imperativo categórico, de Kant – estão acima de regimes políticos, conjunturais por natureza.
Há sistemas políticos excelentes e péssimos. Mas não existe boa ou má ética. Neste contexto, é sempre oportuno recorrer à dicotomia estabelecida por David Runciman, com a sua questão já clássica: preferíamos viver na monárquica Dinamarca ou na republicana Síria?
A pergunta tem muito de retórico pois a resposta de cada um está conhecida de antemão. E ajuda a confirmar esta evidência, para mim inequívoca: ética é um daqueles substantivos que não necessitam de ser adjectivados. Quando lhe juntamos um qualificativo já estamos a desgraduá-lo.

Bom dia Pedro Correia
Há por aí muitos que pela ética batem muito no peito, sobretudo por essa tal ética republicana. As mais das vezes esquecem uma vertente da vida que, para mim, é decisiva e que creio certa, em que a ética deve comandar a política, esta comandar o direito, e este comandar a economia. Mas, como sempre, admito poder estar a ver mal as coisas.
Saúde.
António Cabral
Os da ética “republicana” esquecem que países como a Síria, a Turquia, a Rússia, a China e a Coreia do Norte, por exemplo, são repúblicas.
Diz-se ” ética republicana ” não por uma questão de ética mas por uma questão de estética.
Isso já é uma questão diferente. Mas também controversa, claro.
Claro que é uma questão diferente, isto é uma questão de ” estética minha ” , uma cacofonice por assim dizer.
É como o género humano, que alguns confundem com o Manuel Germano.
O Mário de Carvalho é que fala muito nele, e também não desgosto do tipo de escrita.
Eu gosto muito. Li há pouco tempo um livro dele que recomendo: “Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde”.
Parecia grande, mas afinal até me soube a pouco.
Esse ainda não li, mas já tenho um motivo para ir à FNAC.
É muito bom. Ele imagina Lisboa no tempo do Império romano. Já na altura era uma cidade difícil de governar.
A escrita é excelente. Não tem uma palavra desperdiçada. Considero MdC um dos maiores artífices da nossa escrita.
Isso então não faz o menor sentido. Monarquia é muito mais bonito.
Lá isso é verdade, a Monarquia é muito mais bonita com aquelas bandeirinhas e os seus brazõezinhos, tem estética sim senhor, é pena é não ser ética.
Ao contrário de vocês eu sou incapaz de me pronunciar em abstracto. Prefiro sempre o concreto.
Ou seja: preferia ser súbdito britânico do que “cidadão” turco ou bielorrusso. E prefiro cinquenta repúblicas à monarquia saudita.
Gostava de saber porque é que a monarquia (em abstracto) não é ética. Será um conceito datado (referido a uma época) ou geral?
Fiquei curioso.
Não é nem deixa de ser. Desde logo porque não existe Monarquia em abstracto. Existem monarquias.
Faz pouco ou nenhum sentido meter Dinamarca e Arábia Saudita no mesmo saco. Haver uma solução dinástica não chega sequer a ser elemento diferenciador de repúblicas onde as normas dinásticas também prevalecem.
Veja–se a “monarquia comunista”, pseudo-republicana, da Coreia do Norte, onde o poder tem passado de pai para filho e de filho para neto: é assim desde 1945.
Ou a Síria, onde Assad filho sucedeu a Assad pai: há mais de meio século que esta família governa esse país.
Já para não falar de Cuba, onde a dinastia Castro imperou entre 1959 e 2021. Só agora parece ter chegado ao fim.
Porque o conceito de ética nos diz que o homem não pode atingir a riqueza ou satisfazer as suas necessidades à custa dos outros.
Nem ética é um conceito nem monarquia tem nada a ver nem com enriquecimento nem com satisfação de necessidades. nsamento-da-semana-12214065?thread=98475 825#t98475825
Uns crescem ao castigo, o Carlos Sousa tresmalha-se!
De resto não é de agora. Com a devida vénia a Isabel Paulos, transcrevo o que lhe endereçou em 12.1.2021 e que integralmente subscrevo:
“Por respeito à paciência do autor do postal e de quem lê as caixas de comentários não vou continuar um diálogo sem nexo.”
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/pe
” Será um conceito datado ( referido a a época) ou geral?
Fiquei curioso.”
Mas que grande confusão. Então quem falou em conceito foi você não fui eu. Eu apenas me limitei a responder.
Já vi que o seu trauma é antigo, mas quando fizer observações a um comentário meu, não o faça com segundas intenções, não é ético.
Ética é um conceito absoluto, não relativo.
O meu filho que anda no 11º ano aprende que há a ética de Kant e a ética de Mills (não sei se aprende ainda outras éticas, se é que as há). Ou seja, há éticas diferentes. Não são absolutas, são relativas. E têm adjetivos: “ética kantiana”, por exemplo.
Se o Pedro Correia fizesse o atual 11º ano, aprenderia muito, e veria que o ensino atual é muitíssimo mais complicado e muitíssimo menos facilitista do que no nosso tempo.
Como se para Kant ou Mills, por exemplo, “não matar” fosse questão que pudesse dividi-los. Uma espécie opção “à la carte”, pós-moderna.
Ética não é um conceito. Ética é uma disciplina da filosofia e encerra diversos conceitos sobre bons e maus procedimentos, vícios e virtudes, justiça, etc., etc..
É uma aplicação ao indivíduo e ao seu procedimento de uma moral , sendo esta um conjunto normativo baseado nas tradições, prácticas e cultura de um grupo. Ou seja, da moral (grupo) deduz-se a ética (procedimentos).
Por isso haverá que classificá-la por referência à moral de que deriva e às circunstâncias em que se aplica. Assim ética republicana será o conjunto de conceitos que se aplicam ao serviço público, como bioética será aos procedimentos biológicos, etc., (a Wikipedia inglesa apresenta um elencamento desenvolvido).
Pode igualmente chamar-se à ética, filosofia moral e aí é um ramo da axiologia, sendo essa classificação que pode parecer adjectivada. Assim ética Kantiana, será numa determinada sociedade e época. o conjunto de conceitos deduzidos a partir da filosofia de Kant. Mas, de facto, mesmo sendo a filosofia a mesma, serão diferentes as éticas de diferentes sociedades. Ou seja, para que seja possível um diálogo tem que se esclarecer previamente qual a moral que se aceita e de que sociedade e tempo se está a falar.
Afastando a palavra moral – que muitos não conseguem dissociar da ligação religiosa – proponho uma axiologia de três príncipios: Verdade, Justiça e Liberdade. Hierarquizados nesta ordem eu posso deduzir uma ética que, evidentemente, será diferente se os princípios forem outros ou mesmo se só a ordem for alterada.
Dois exemplos:
– Num mesmo tempo há mais de meio século, no grupo social em que me incluía, as meninas podiam sair em grupo mas tinham de estar em casa à meia-noite. Ou seja, a regra era que o pecado não ocorria até aí mas depois tornava-se inevitável. Já na aldeia em que passava férias, as meninas podiam sair com os namorados e até pernoitar fora em ocasiões de festas de vilas vizinhas e até afastadas, mas tinha de ser sempre o mesmo namorado. Se aparecessem grávidas, as famílias juntavam-se para lhes fazer uma casa e estava a andar.
– Há também muito tempo o gen. Craveiro Lopes fez uma visita de Estado a Espanha, onde lhe ofereceram duas espadas de Toledo, uma ao gen. FHCL, presidente da República Portuguesa, outra ao mesmo gen. FHCL, general honorário do exército espanhol. Craveiro Lopes, que na minha opinião era nhurro, entregou ambas as espadas ao tesouro da presidência (o que deu um trabalhão ao embaixador em Madrid para explicar que não era desprezo nem ofensa).
Anos depois, Mário Soares então PR era convidado para as inaugurações de exposições em galerias de arte. Claro que atraía os bajuladores do costume que, para se exibirem, abriam os cordões à bolsa e compravam. No final, o dono da galeria obsequiava MS com um quadro que ele não entregava ao tesouro da presidência.
Diria que a moral não mudara tanto como isso mas de facto os costumes, de certa forma a cultura da sociedade, tinham mudado e a ética já não era a mesma.
«Mas não existe boa ou má ética.» (…) «ética é um daqueles substantivos que não necessitam de ser adjectivados. Quando lhe juntamos um qualificativo já estamos a desgraduá-lo.»
Portanto para o Pedro Correia, não se adjective a ética.
Mas o jornalismo, já pode ser adjectivado, já existe o bom e o mau. Como se o jornalismo não estivesse sujeito a um código deontológico. Como se não aderindo a esse código na sua totalidade, uma peça fosse mau jornalismo, em vez de não-jornalismo…
Você julga perceber muito do código deontológico dos jornalistas. Mas não faz a menor ideia do que seja.
Se soubesse, começava por identificar-se com nome e apelido em vez desse “poizé”.
Ao meu argumento, não respondeu. Apenas tenta invalidá-lo (e à minha compreensão do que seja ou deixe de ser o código deontológico) por eu não me identificar, como se o facto de lá estar o meu nome, ou um qualquer pseudónimo, tornasse um argumento mais ou menos válido.
Aliás, costuma ser frequente os postadores aqui fazerem isso, sobretudo quando se sentem postos em causa pelo comentário.
Não ponho o nome, fique sabendo, porque considero que além de não acrescentar nada ao que escrevo, uso de pseudónimos como este (entre outros) precisamente por acrescentarem algo, nem que seja, um indicativo do tom do que vem escrito. De resto, nada nem ninguém na internet pode garantir a ninguém quem escreve por trás seja de que nome for. O que, por si só, rebenta com a questiúncula que aqui no blog têm com os anónimos… Mas já estamos a discutir um ponto lateral, uma vez que o Pedro Correia (ou quem quer que escreva com esse nome, que até eu podia usar) “chutou para canto”.
Quer explicar-me porque razão é que, do facto de eu não me identificar com nome e apelido, se pode depreender logicamente que eu não faço a menor ideia do que seja o código deontológico dos jornalistas?! Pelo menos aí já talvez estivesse a debater o meu argumento em vez de estar só a rebater a minha pessoa…
Ou pode sempre voltar atrás na conversa e responder ao que de facto escrevi: que é precisamente pelo argumento que o Pedro (usei a sua maiúscula em vez de lhe chamar pedro, pois não pretendo “desgraduá-lo”. Viu?) usou neste artigo que eu comentei num outro artigo seu que o mesmo devia valer para (defender) o jornalismo como um valor não graduável…
Caramba, que frases tão retorcidas. Nem você percebe onde quer chegar com essas curvas e contracurvas que não chegam a lugar algum.
E permanece anónimo. Grau de credibilidade, zero. Deontologia, nem faz a menor ideia do que possa ser.
Não, claro. Só sabe o que é deontologia quem assina com nome, como Pedro… Raciocínio e credibilidade é consigo… Curvas e contracurvas, é responder ao que eu originalmente disse como sendo inválido porque eu não meti o meu nome… Está certo, Senhor Professor, se a ficha não tem nome, tudo o que lá vem escrito é errado e descabido. Elementar…
O que o Pedro e alguns colegas seus aqui do tasco parecem não entender, é que na internet só os IPs nos identificam, os nomes são o que são. Eu também posso criar uma conta chamada Pedro Correia e meter-lhe uma foto de um leão ou doutro bicho qualquer, ou até mesmo a sua, e permaneço anónimo… Portanto credibilidade, na internet, todos temos toda e nenhuma…
Mas lá está, não foi o anonimato que eu vim aqui discutir… Se quiser responder ao meu comentário original naquilo que era a sua substância, faça favor. Para esse peditório de atirar para o lado e ilegitimar opiniões por serem “anónimas”, mas sempre com um ad hominem jeitosinho numa de suscitar respostas para depois vir fazer a posta mensal dos mais comentados serem muito comentados, já dei mais que o suficiente…
Acrescento apenas que noto que, do alto do seu nome e apelido, e toda a credibilidade acrescida que estes lhe dão, o Pedro é que sabe o que eu sei de deontologia sem sequer saber quem eu sou…
Tanto blablablá sem dizer nada.
Há pessoas que passam o dia nisto. É uma maneira como qualquer outra de combater a solidão.
Tenha um bom dia, seja você quem for.
A ética diz-se republicana porque, ao do contrário da monarquia, todos os Homens (e restantes géneros) nascem iguais. Não houvesse Nobreza na República e até poderia ser verdade.
Muito antes de haver repúblicas já esse princípio de que todos os homens nascem iguais havia sido proclamado.
E em várias repúblicas contemporâneas isso não existe nem nunca existiu. Em quase todo o continente africano, por exemplo. E em países como a China, a Turquia, a Rússia, a Síria ou a Coreia do Norte.
De onde emana a ética? Fomos nós que a inventámos? Há quantos milhares de anos? Ou foi-nos revelada? Quando? Por quem?
Um dos meus princípios éticos diz-me que jamais emitirei opinião sob anonimato.
Algo muito diferente do que você pratica.
Tem alguma razão mas a sua resposta é fraca. Fugiu à questão, eu dei o flanco e você aproveitou para evitar uma questão embaraçosa.
Jamais!
É mesmo de uma ética conservadora, tipo regime totalitário.
Pedro Correia o ditador de opinião!
Um anónimo a dialogar com ele próprio. Como se fossem dois.
Que cena enternecedora. Digna do Bambi ou da Branca de Neve.
Acredito que a esmagadora maioria dos que o dizem e que o lêem interpretem “republicana” como referido à representação do Estado, na práctica como oposto a Monárquica. Só que é um erro. República aqui é a tradução de “res publica”, literalmente a “coisa pública”, abrangendo assim os políticos incluindo autarcas. O sentido mais correcto seria ética de serviço público.
Concordo. Mas isso é demasiada areia para a camioneta de alguns frequentadores desta caixa de comentários.
Tipica gabarolice do espelho…
A desvalorização do entendimento dos outros
E o meu eu superior..
Sinceramente Pedro Correia
António Laureano
Isso quer dizer o quê?
práctica? Então…
A ética de servir o povo, ao contrário de se servirem. O oposto das classes nobiliárquicas. E dos (actuais) partidos.
Há “classes nobiliárquicas” também em republica. Desde logo nas “repúblicas” dinásticas, como a Síria, o Chade, a Coreia do Norte. E tantas outras.
Cuba livrou-se agora de uma. A Dinastia Castro largou enfim o poder, 62 anos depois.
Não é necessário ir a esses destinos exóticos para encontrar exemplos dinásticos. Nem é preciso saltar para Badajoz, quanto mais…
Cuba, destino exótico?
Destino exótico, para mim, é a Patagónia. Ou a Nova Guiné.
A praia da rata no Estoril
Há quem prefira a Picheleira.
ética é um daqueles substantivos que não necessitam de ser adjectivados
Há muitos adjetivos para a ética, como se pode ver na wikipedia (https://en.wikipedia.org/wiki/Ethics). Há ética kantiana, consequencialista, pragmática, anarquista, pós-moderna, etc. A ética necessita, claramente, de ser adjetivada.
Conversa da treta. Faz-me lembrar aqueles debates caricatos da extrema-esquerda em Portugal, nos anos a seguir ao 25 de Abril, sobre o “verdadeiro” marxismo, o bacteriologicamente puro, e sobre a “verdadeira” revolução, a que estava imune a qualquer “desvio”.
Leninista, estalinista, maoísta, trotsquista e mais istas. A partir do momento em que os adjectivos entravam em cena, já nada daquilo podia ser levado a sério.
Aí tem mais matéria para novas consultas na Wikipédia.
Se é para adjectivar não percamos mais tempo: a ética republicana é uma ética de merda.
Chamar “republicana” à ética, para mim, é como se estivéssemos a equipará-la à GNR.
A Guarda Republicana.
Mas admito que para alguns não exista diferença entre uma coisa e outra.
Como aliás se percebe nesta mesma caixa de comentários.
Gostei. Nem as Repúblicas, nem as Monarquias -muito menos os homens- são todas iguais. Asnónimo.
Respúblicas versus Mosnarquias.
Aposto um testículo (de um dos outros comentadores) em como o Lavoura prefere a Síria!
Muitos deles provavelmente já são monotomates! tirar-lhes o único que resta é demasiadamente cruel!
Se me permitem um conselho, não brinquem com coisas tão sérias.
Res-publica- o governo da “coisa pública”. Ver Lorenzetti, Palácio Ducal de Siena : “O bom e o mau governo da Cidade”
Mas os jacobinos alteraram tudo e até chamam “a ética republicana e laica”