Estratégia eleitoral: o sim e o não


jmmcc,

José Sócrates não é apenas um político profissional. Aqui entre nós, nem sequer poderia sê-lo, se tivesse feito Politologia na convenientemente extinta Universidade Independente. Adiante. O certo é que ele conseguiu reunir as tropas socialistas em plena campanha. Soares-pai, Soares-filho, Manuel Alegre – todos se têm unido e dado a cara pela vitória eleitoral, mesmo quem era suposto ficar a ver. Tal como governou como quis e soube com a sua maioria absoluta, gerou em torno de si as condições para sair vitorioso. Se não o conseguir, é por demérito próprio, mas não é por falta de esforço.                        

Manuela Ferreira Leite não é uma política profissional. Não é sequer amadora: não é política e pronto. Por ela e pelos seus lugares-tenentes conseguiu destroçar as tropas e mantê-las à distância em plena campanha. Até agora, a única aparição dos que vivem fora do círculo foi claramente cirúrgica: Marcelo Rebelo de Sousa apareceu em Coimbra porque nunca resiste a desenhar cenários, mas não deixa de ser o ex-líder social-democrata que não aqueceu a cadeira e nunca foi a eleições. Se não atingirem a vitória, podem todos eles limpar as mãos à parede com a estratégia divisionista que escolheram.                   

37 comentários em “Estratégia eleitoral: o sim e o não”

      1. O problema dos fins das penas é tão velho como o Homem.
        Desde sempre e para sempre o Homem se questionará para que servem as penas…

  1. Muito bem visto , quer se goste ou não… é um facto.
    Gostei do desenho gráfico e as cores não poderiam ser melhores, digo, outras:))

        1. Deve ter pesadelos com os passistas e com toda a geração “rasca”.
          Curiosamente a geração “rasca” é que é “rasca” mas é geração que vai pagar as reformas de muitos. Vai pagar a reforma a tantos que depois “vai-se ver à rasca”.

      1. Má onda. Ou, dito de outra forma, baixo nível. Desnecessário …

        O comentário que vinha fazer, e que me trouxe até aqui ao fundo (fundo da caixa de comentários, fundo por via deste seu comentário, muito “soarista” aliás) perde um bocado o sentido (para quê comentar quem está neste registo?). Mas, ainda assim: “e se atingirem a vitória o João Carvalho que fará com as suas mãos? (nas teclas, entenda-se)”

        1. Essa do «soarista» saiu-lhe mal. É o risco de quem se põe a adivinhar. Um risco que eu sempre soube correr: se o PSD ganhar, deito mãos à obra e venho aqui reconhecer o facto. Ou pensa que me caem os parentes na lama?

          A verdade é que, se o PSD ganhar (o que parece cada vez menos provável, mas não impossível), nada do que escrevi no ‘post’ (até escrevi, veja bem, «se não atingirem a vitória», leu?) deixa de ser verdade. Se isso acontecer, não será por mérito do PSD, mas por demérito do PS.

          Quanto ao «registo» sobre as «donas-de-casa» não se abespinhe. É uma metáfora sobre quem era suposto saber de política e, afinal, ser uma negação. O baixo nível foi seu, porque me cheira que V. não quis perceber de propósito.

    1. V. também se sentiu tentado pelo mais fácil? Leu e achou que este ´post´é em defesa de alguém? Podia ser (seria legítimo), mas olhe que é a minha modesta crítica a ambos. Tal e qual. Aprenda a ler ou ainda acaba como o JPT que anda aí a dar tiros no escuro.

  2. E ainda: não é só aqui que se encontra. Esta arrogância geracional (de modas, de vestuãrio e gesticulação), de pretensão pequeno-burguesa, de má-criação (a qual nada tem a ver com expressão da ira), que permite a imputação de “dona de casa” a uma política (sempre em tom pejorativo), porque não cumpre o conjuntural correcto. (faz lembrar a campanha da gente de esquerda contra o “filho do gasolineiro de Boliqueime”). E, claro, neste caso de agora mesclado com um óbvio machismo bacoco, e até ordinário.
    É mesmo uma pretensão pobre ao elitismo, nada mais que arrivismo. De gente da copa. Que dela não sai.

    1. Dois detalhes, que acrescento ao que já lhe respondi acima.

      1. Sou pouco dado a modas e isso da «gente de esquerda» é um estereótipo que nunca fez o meu género. Como todos os que aqui costumam visitar-nos já entenderam.

      2. Ninguém me dá chás, porque tive a sorte de tomar muito desde o berço.

      Posto isto, venha com outra grosseria gratuita e já sabe o caminho que o espera. Entendido? Acho extraordinário que andando eu a escrever com toda a correcção que me é reconhecida, me apareça V. a dar sentenças que me deixam sem pachorra para o aturar.

      1. Para quem lê recorrentemente este blog é óbvio que não se trata de um local típico de “gente de esquerda”. Que a arrogância de classe que se expressa no epíteto que V. utiliza é muito típica do palavrear de alguma dessa “gente de esquerda” basta ir lendo ao longo dos anos.
        Chá não tomei desde o berço, aí somos diferentes.
        Grosseria gratuita? Chamar dona-de-casa às figuras públicas é típico da boa-educação (o tal “chá desde o berço”), considerar isso um arrivismo pseudo-elitista é grosseiro. Olhe, vou ali dar tiros no escuro noutro sítio (o tal caminho que V. diz eu ter tomado) qu’isto a gente vai sempre aprendendo, em particular o que é “fino” e o que não é.

      2. “tive a sorte de tomar muito desde o berço”.

        Olhe que não se nota nada.

        “toda a correcção que me é reconhecida”.

        Por quem?

    2. Caro JPT:

      O epíteto de “dona de casa” que o João Carvalho usou pode não ser o mais feliz, aplicado a Manuela Ferreira Leite (porque ela é, de facto, uma profissional com provas dadas) mas a metáfora é óbvia e refere-se apenas à ausência de destreza política de MFL. Nesse ponto concordo inteiramente com ele, e parece-me que não haverá muito quem discorde. A agressividade, o preconceito político e a má educação estão no seu comentário, e não do post.

      Além disso, muito ne espanta que acuse alguém de machista quem avalia candidatas pelo físico, como é o seu caso no post que passo a citar: “porventura votaria no MEP (o Bloco do Centro?), seduzido que fui por um panfleto esverdeado que recebi de uma jovem rapariga decentemente bonita – com ar de quem não vinha de um qualquer seminário de insurreição cívica”. Falta-lhe autoridade para tanto moralismo, não acha?

      1. 1. preconceito político? qual será? Chamar dona-de-casa a uma politica é apenas uma “metáfora óbvia” que porventura “pode não ser a mais feliz” mas é totalmente aceitável. O desagrado com isso e a sua catalogação sociológica é agressividade e má-educação. Como bem sabemos a interpretação é uma decisão, e cada um de nós decide como quer (e ainda bem que assim é)
        2. o mesmo direi da sua imputação ao meu machismo (do qual não serei isento). Se entendeu a ironia do bloco do centro com uma rapariga decentemente bonita face â utilização específica das beldades femininas por parte do Bloco de Esquerda só há duas hipóteses: a mais provável, a que me faltou tecla para a expressar; a também possível, que decidiu dar-me uma canelada.
        Mas tenho que a aceitar, é uma decisão soberana. “Pode não ser a mais feliz” como acima refere…

      2. desnecessário será dizer que não avaliei nenhuma candidata pelo físico, mas nisso concordaremos, terá sido apenas um seu natural ao correr das teclas

        1. A interpretação é uma decisão, como muito bem diz. Mas depende dos dados que nos dão para poder fazê-la, caso não tenhamos dotes mediúnicos para adivinhar o que lá não está. Não se sobrestime: se era isso que queria dizer, faltou-lhe tecla, sim. E mesmo depois da explicação, o machismo não é alheio à sua ironia, pelo que mantenho a minha avaliação.
          Mas o que apelidei de “agressividade e má-educação” foi a forma desabrida do seu comentário (e não o conteúdo, que revela uma opinião tão legítima como a minha ou a do João Carvalho), feito num tom escusadamente violento e ofensivo. E sem autoridade para isso, ainda por cima. Telhados de vidro, sabe?

          1. Ana Vidal

            Sem querer eternizar este nosso pouco simpático bate-tecla (pelo menos para mim),

            registo e aceito as suas afirmações e implicações:
            a) que sobrevalorizo os meus dotes irónicos (o que me dói, confesso); b) que sou machista (o que me desfaz um pouco a auto-imagem); c) que tenho telhados de vidro (o que acho óbvio e, até, universal: mas que não me impede, nem a ninguém, o juizo crítico, o que seria uma leitura demasiado literal do episódio bíblico do “atire a primeira pedra”; d) que aqui não cheguei com preconceito político (vá lá, vá lá…)

            Para além do estritamente relacionado comigo registo que para si a imputação de “dona de casa” a MFL por parte do seu co-bloguista João Carvalho é uma mera “metáfora óbvia” e que imputar essa formulação a uma mentalidade de “lacaio” é uma “agressividade mal-educada” (ou, para citar João Carvalho, uma “grosseria gratuita”). Neste caso não consigo concordar nem aceitar, e até me espanta a sua distinção. Porventura devido a defeito meu, dos acima elencados ou outro qualquer. Porventura porque chamar dona de casa é apenas uma agressividade mal-educada / grosseria gratuita. Proveniente de um preconceito, político e, mais que tudo, sociológico. Vácuo de sentido, político, sociológico, por mais óbvio que o “senso comum” metafórico pareça ser.

            Mas enfim, como ambos concordamos, são as nossas decisões interpretativas.

            Cumprimentos

          2. Ironias à parte – vejo que continua a cultivar o estilo, agora em forma de auto-flagelação – também acho que está tudo dito.
            Respondo-lhe só para ficar eu com a última palavra (vá lá, vá lá…) e de caminho, com o reconhecimento deste seu gesto de cavalheirismo, ajudo-o a recuperar a sua auto-imagem desfeita.

            Cumprimentos

          3. Atitude própria de quem se sente com (e tem…) a faca e o queijo na mão.
            Lamentável e definidor.

          4. Não tenho a certeza de tê-la percebido bem, lamento… importa-se de explicar-me outra vez, como se eu fosse muuuuuito burra?

  3. Esta campanha eleitoral, como já aqui referi (e cada dia que passa vem confirmando), arrisca-se a ser um caso de estudo: como desperdiçar tantos trunfos em tão pouco tempo, sem conseguir capitalizar um descontentamento generalizado? Para já é óbvio que a euforia de Junho foi ao ar. Por manifesta incapacidade própria e de alguns conselheiros que rondam quem dá a cara. Só mesmo os mais fanáticos ainda resistem a ver o que já se tornou óbvio para quase todos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *