Estátuas dos nossos reis (apêndice 2)


Pedro Correia,

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O levantamento que fui fazendo ao longo de quase oito meses no DELITO DE OPINIÃO permitiu-me concluir isto: há seis capitais de distrito sem qualquer monumento evocativo de um monarca português. O que não deixa de ser estranho, dada a estreita ligação de várias destas cidades a reis durante mais de sete séculos da nossa História. 

Sem surpresa, Lisboa é a cidade que mais se destaca nestas evocações em forma de estátua ou busto. Com representações de quase todos os monarcas, excepto D. Miguel, D. Maria II e os dois reis consortes (Pedro III e Fernando II), que não consegui vislumbrar. As mais célebres são as de D. José, dominando em estátua equestre o majestoso Terreiro do Paço, D. Pedro IV, no alto da coluna que se agiganta no centro do Rossio, e D. João I, imortalizado também sobre uma montada real, na Praça da Figueira.

Segue-se Castelo Branco, onde estão representados todos os nossos reis até D. José – incluindo o cardeal D. Henrique e os três Filipes, em ponto pequeno. No jardim do paço episcopal, o ponto mais emblemático da cidade.

Coimbra – que foi durante o primeiro século capital do Reino de Portugal, até ao reinado de D. Afonso III – é também, de algum modo sem surpresa, outra cidade com grande representação escultórica de monarcas. São cinco: D. Dinis, D. Pedro I, D. João III, D. Pedro II e D. José. 

Segue-se o Porto, com quatro: D. Afonso Henriques, D. João VI, D. Pedro IV e D. Pedro V. Destaque para as estátuas equestres de D. João VI, no Castelo do Queijo, e do seu filho que viria a ser igualmente imperador do Brasil, na imponente Praça da Liberdade.

Com três estátuas, destaca-se Leiria (D. Afonso Henriques, D. Afonso III e D. Dinis). Com duas, contabilizei Santarém (D. Afonso Henriques e D. António, prior do Crato), Viseu (D. Afonso Henriques e D. Duarte) e Angra do Heroísmo (bustos de D. António e D. Pedro IV). 

Finalmente, há representações em estátua ou busto de monarcas nas seguintes capitais distritais ou regionais: Braga (D. Pedro V), Faro (D. Afonso III), Funchal (D. Manuel I), Guarda (D. Sancho I), Portalegre (D. João III), Ponta Delgada (D. Carlos) e Viana do Castelo (D. Afonso III).

Não detectei a existência de monumentos alusivos a qualquer dos nossos reis em Aveiro, Beja, Bragança, Évora, Setúbal e Vila Real. Lapso meu? Se assim for, peço desde já aos leitores que me corrijam. Confesso alguma estranheza por ver cidades importantes assim desligadas de personalidades que marcaram a História de Portugal.

0 comentários em “Estátuas dos nossos reis (apêndice 2)”

  1. Confesso alguma estranheza por ver cidades importantes assim desligadas de personalidades

    Aveiro é tradicionalmente uma cidade muito republicana, tendo sido o berço do grande tribuno José Estêvão. Não me admira nada que não haja nela estátuas de reis.

    1. Não sei o que é uma “cidade muito republicana”.
      Sei, sim, que uma das figuras icónicas de Aveiro é a princesa Joana, irmã de D. João II, popularmente denominada “Santa Joana Princesa”.
      Não consta que fosse republicana.

      1. Na verdade até é uma das mais monárquicas com a resistência heróica dos Lencastres (duques de Aveiro) à casa dinástica mais manhosa que Portugal alguma vez teve: os Braganças. Que abandonaram o povo na sua ignorância e acabaram por estragar tudo, arrogantes, sifilíticos e basicamente estúpidos.

    1. Évora, por exemplo, foi uma cidade onde sistematicamente se instalava a corte portuguesa – em mais do que uma dinastia.
      Um dos edifícios mais célebres da cidade é conhecido, inclusive, por Paço Real.

  2. Nem sei que dizer, Pedro Castelo Branco em segundo lugar, no que quer que seja, é realmente inédito.
    Gostei de saber, já que tenho uma costela beirã e vivo cá há uns anos (quase tantos como os que vivi em Lisboa).
    O Pedro disse que o DO ia entrar na República, não foi?
    Entremos, pois!
    ⚘
    Maria

    P.S. os navegadores portugueses também dariam uma bela série, penso eu de que…

    1. Já pensei nos navegadores e também nos escritores, Maria. Mas estes últimos já são tantos que desisti.
      A próxima série – mini-série – será a dos presidentes. Muito mais curta, claro, do que a dos reis.

  3. E Guimarães, com 3 com esculturas do Rei Conquistador ?
    A 1ª, a mais conhecida, junto ao Castelo, com uma réplica em Lisboa abusivamente oferecida pela cidade do Porto (pena não ser equestre); a 2ª à entrada do Estádio do Vitória também imponente e a 3ª do Cutileiro no centro histórico.

  4. De facto, também não conheço em Setúbal nenhuma estátua ou busto de um rei português. No entanto a presidente da câmara esmerou-se em dar o nome Álvaro cunhal a uma via de entrada em Setúbal e com desenhos do dito, ou seja está tudo dito.

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