
Foto: Tiago Petinga/Lusa
Ia escrever sobre o tema, mas afinal o texto já estava escrito. Aqui, pelo Eduardo Louro.
Incluindo a frase de remate, que desvenda bem esta tola sociedade consumista em que nos tornámos: ao toque de qualquer sineta alarmista, largos milhares atropelam-se para conseguir um lugar na bicha, precisem ou não precisem.
«Já estive ontem na fila e atestei, mas como ontem ainda acabei por gastar uns 20 euros, hoje venho atestar outra vez…»
A esta gente, que atesta o depósito depois de o ter já atestado, recomendo uma semana de férias no “paraíso” venezuelano. Onde tudo falta, excepto ao recluso do Palácio de Miraflores, e as filas são gigantescas, quase sempre para nada obter. Porque nada há lá para consumir, a começar pela água e pela luz.

https://amp.theguardian.com/world/2 002/apr/21/usa.venezuela
Washington’s involvement in the turbulent events that briefly removed left-wing leader Hugo Chavez from power last weekend resurrects fears about US ambitions in the hemisphere.
E eis Carlos Perez o “democrata” que os EUA apoiaram, mesmo quando as suas tropas massacraram centenas de civis:
O “Caracaço” (em espanhol, Caracazo) foi uma explosão social espontânea, de grandes proporções, ocorrida em Caracas, na Venezuela, no dia 27 de fevereiro de 1989, em repúdio ao pacote de medidas econômicas imposto pelo governo de Carlos Andrés Pérez (CAP). Assim denominado por ter tido a capital, Caracas, como epicentro, o “Caracaço” foi o mais notório entre outros acontecimentos semelhantes que tiveram lugar em vários outros estados do país.
Os militares foram chamados para restabelecer a ordem, seguindo-se um massacre de grandes proporções.
https://youtu.be/jzLvacdAN30
Chavez foi um produto das reformas neoliberais promovidas pelo FMI/BM, da miséria e corrupção de governos amigos dos americanos….e o apoio popular a Maduro igual
Você ancorou em 1989, o ano da queda do Muro de Berlim.
Não quer recuar mais um bocadinho antes de desembarcar enfim no século XXI e encarar a realidade presente?
Pedro para percebermos o Presente devemos conhecer o Passado
Então há que recuar a Bolívar e ao frustrado sonho de uma república pan-americana de fala castelhana. E, porque não, retroceder ao tempo pré-colombiano.
Pedro, recomendo:
https://youtu.be/cWk4VVym0IM
Boa Páscoa
Sim, conheço essa vulgata ideológica da Guerra Fria que atribui aos EUA todos os males do planeta.
Chávez asfixiou a liberdade e tornou a economia venezuelana 96% dependente do petróleo?
A culpa é dos gringos.
Maduro fez cair o produto venezuelano a recordes históricos na América Latina, apesar de o país ter as maiores reservas de petróleo do hemisfério ocidental, enquanto prendia, exilava, torturava e matava opositores políticos?
A culpa é dos ianques.
Não resiste a dois segundos de verificação de factos. Até porque os famigerados norte-americanos continuam a ser os maiores importadores do petróleo venezuelano, cuja produção sob a tirania de Maduro caiu para metade.
Uns malandros, os imperialistas americanos.
Viva a União Soviética e o camarada Putin.
Socialismo ou morte.
Héé calma, não é preciso recorrer à caricatura de traço grossíssimo. Há um livrinho muito informativo do Galeano ‘As veias abertas da América Latina’. E os próprios gringos são suficientemente multifacetados, sofisticados, até civilizados, para nos fornecerem eles próprios vasta documentação. É ver no site do National Security Archive, abrigado pela George Washington University. Têm lá muito que explorar.
https://nsarchive.gwu.edu/
Prefiro ler o que diz em 2019 a Amnistia Internacional: ews/2019/02/venezuela-autoridades-deben-d etener-ataques-armados-contra-la-poblaci on/
«In the context of the arrival of international aid, and in response to multiple complaints of the use of force and attacks on demonstrators with firearms – including AK-type rifles – in Santa Elena de Uairén, Bolívar state, and in other areas of Venezuela, which have resulted in at least two deaths and 22 people wounded, Erika Guevara-Rosas, Americas director at Amnesty International, said: “Armed attacks against the population constitute serious human rights violations and crimes under international law.”»
https://www.amnesty.org/en/latest/n
E o que dizem os Médicos Sem Fronteiras: uela/venezuela-la-crisis-economica-y-pol itica-dificulta-acceso-la-atencion-medic a
«La hiperinflación que se produce en el país y la falta de inversión en el sistema de salud dificultan la atención de calidad. También vemos profesionales médicos, incluso de nuestros propios equipos, que deciden abandonar el país.
Esto ha llevado a un aumento en los casos de enfermedades que anteriormente estaban bajo control, como la malaria; y brotes de enfermedades prevenibles como la difteria y el sarampión. En la década de 1960, Venezuela fue un pionero en la erradicación de la malaria, y todavía tiene el conocimiento y las instituciones para hacerlo.»
https://www.msf.es/actualidad/venez
E o que dizem os Repórteres Sem Fronteiras: ise-politique-censuree-au-venezuela
«Arrestations, confiscations de matériel, violences des forces de l’ordre à l’encontre des journalistes lors des manifestations, coupure internet, voire interdiction pure et simple d’émissions… Alors que le Venezuela s’enfonce dans la crise politique, la censure des médias non gouvernementaux devient de plus en plus flagrante et inquiétante. RSF dénonce un climat de travail désastreux pour les journalistes.»
https://rsf.org/fr/actualites/la-cr
Leia então os relatórios da AI sobre Guantanamo:
https://www.amnesty.org/en/latest/n ews/2019/01/usa-17-years-later-guantanam o-prison-remains-a-threat-to-human-right s/
Leia os relatórios da Amnistia Internacional sobre a Venezuela. ews/2019/02/10-things-you-need-to-know-a bout-venezuelas-human-rights-crisis/
Um país inteiro amordaçado, três milhões de venezuelanos em fuga para as nações vizinhas, a outrora mais próspera república sul-americana transformada no mais miserável país do continente.
https://www.amnesty.org/en/latest/n
E deixe de queimar pauzinhos de incenso ao camarada Maduro e aos esbirros da PIDE venezuelana.
Fica-lhe mal.
Pedro não estou do lado de Maduro, estou do lado do povo venezuelano, que deve decidir soberanamente. Mas tambèm procuro a verdade sobre os processos que culminaram na Venezuela de hoje
Tem muito que ler sobre a forma de destruir um país. A dupla Chávez-Maduro destruiu a Venezuela em 20 anos.
Sugestões de leitura:
https://www.economist.com/finance-and-e conomics/2017/04/06/how-chavez-and-madur o-have-impoverished-venezuela
https://www.independent.co.uk/news/long _reads/how-venezuela-went-from-the-riche st-economy-in-south-america-to-the-brink-o f-financial-ruin-a7740616.html
https://www.aljazeera.com/news/2019/0 2/brought-venezuela-economy-ruin-1902011 52238535.html
“Mas tambèm procuro a verdade sobre os processos que culminaram na Venezuela de hoje”
Haha, procuras tudo o que desvie a atenção do Poder sobre as Pessoas que o Marxismo se arroga de ter .
Procuras esconder o enorme poder que Chavez e Maduro tiveram e têm – podemos começar nas receitas do petróleo – porque a cultura Marxista não aceita contra poderes.
lucklucky
É verdade Miguel. Lembra-se das Escola das Américas?
https://youtu.be/x3DrBsOwrDQ
Eu sei lá quem tem razão. Julgo que o Ocidente deixou de ser, desde a Guerra do Iraque, o Farol Civilizacional….somos de facto uns hipócritas
Haha.
E de repende a luta contra um Ditador é má. Será por ser “Árabe” – e só esta definição já tem muito que se lhe diga…sabendo o que alguns grafittis em Bagdad diziam dos àrabes…
Não, a razão é que o Iraque de Saddam que tinha a maior parte das suas armas compradas aos Soviéticos, Chineses, Franceses e até Brasileiros dizia mal da América.
É a unica razão porque é protegido, por isso quem é hipócrita…?
Que raio é esse “somos” ? não me diga que é a côr da pele…
Eu certamente tenho mais coisas em comum com um “capitalista liberal” Japonês, Indiano ou Africano que com o Pedro Vorph que é precisamente como Marxista, anti-Civilização Ocidental.
lucklucky
Pedro, não defendo, nem tenho posição…aliás cada vez percebo menos de tudo.
Boa Páscoa, meu caro. É sempre um prazer “discutir” consigo.
Igualmente, Pedro. Tenho, por aqui, aprendido muito.
Ouvi dizer que o BE e o PCP estão (em “bloco”) em Caya de Agua a passar as férias da Páscoa.
Enviem fotos quero muito apreciar. Quem sabe ainda marco umas férias para essas bandas!
Garantia de “férias radicais”. Na capital mais perigosa do planeta, onde a taxa de homicídios por punir é brutal.
Pedro, outra. Sabia que o Reino Unido/USA financiou os Khmers Vermelhos:
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Allegat ions_of_United_States_support_for_the_Kh mer_Rouge
https://www.google.com/amp/s/amp.thegua rdian.com/world/2000/jan/09/cambodia
Sabia que os USA sabiam e apoiaram o massacre de milhares de indonésios comunistas:
https://www.google.com/amp/s/amp.theatl antic.com/amp/article/543534/
What United States Did in Indonesia
A trove of recently released documents confirms that Washington’s role in the country’s 1965 massacre was part of a bigger Cold War strategy.
Tem tudo a ver, o Camboja de 1979 com a Venezuela de 2019.
E toda a gente sabe que os Khmers Vermelhos não eram assassinos comunistas, filhotes ideológicos do camarada Mao: era perigosos neoliberais financiados pelo senhor Rockefeller.
O financiamento não se relacionava com a ideologia. A CIA, os Chineses e o MI6 não queriam um Camboja nas mãos dos vietnamitas
O financiamento e extensa ajuda dos EUA à URSS na Segunda Grande Guerra também não se devia à Ideologia, porque é que não se lembrou desse caso?
É muito mais conhecido e bem mais importante em todos os aspectos, desde a quantidade à qualidade da ajuda do Ocidente Vs sucessivos episódios de assassínios em massa do regime Comunista Soviético que aliás em mais uma repitição da História não como farsa, assassinou milhão de membros Comunistas numa orgia de poder sobre as pessoas comparável ao reinado de terror da revolução em França…
lucklucky
Recomendo, se me permite este documentário:
https://youtu.be/R53AEQb7JG0
E eu recomendo-lhe outra sugestão de leitura: i-Ristretti/venezuela-torture-e-morte-ne lle-carceri-speciali-di-maduro
http://www.ristretti.org/Le-Notizie-d
Os presos políticos venezuelanos passam “férias” permanentes nos calabouços de Ramo Verde, tristemente célebres pelas medidas repressivas ali exercidas sobre os detidos pela sinistra Sebin, a PIDE do ditador Maduro.
O Pedro Correia sempre pronto para fazer valer a sua ideologia, ideologia essa que deixa o país no caos em 2 dias , sem gasolina nas estações de serviço.
O neoliberalismo que vive no meio de folhas de excell levado ao extremo como se pode comprovar amiúde seja no “estado” ou em empresas privadas onde o supérfluo é rei e o básico / essencial visto como luxo.
WW
Ideologia têm vocês, os fanáticos radicais.
E são escravos dela.
Todos os venezuelanos – começando por quase toda a elite do regime – trocariam já, se pudessem, o miserável quotidiano em que vivem pelo “neoliberalismo” europeu.
Quanto às gasolineiras, como deduzo que você despertou só agora, informo-o que esse problema já foi resolvido.
Aqueles que circulam com o depósito atestado, podem atestá-lo as vezes que quiserem – por mais absurdo que isso seja.
Se vivessem na Venezuela de Maduro, que você parece idolatrar, não tinham gasolina. Nem medicamentos. Nem comida. Nem luz. Nem água. Nem internet para escrever prosa anti-liberal.
O anónimo tem razão quando diz que a greve lançou o país num caos ao fim de dois dias E é muito curioso que aparentemente a tenha sentido como um movimento hostil ao poder, como uma “ideologia” que não é a sua (que é a de “esquerda”) e contra os trabalhadores em luta pelos seus interesses.
E muito respeitosamente, acho um pouco manco e redutor que a mencione a propósito de episódios que são, apesar de tudo, periféricos em relação ao seu significado. Acho extraordinário que apenas a “esquerda” tenha intuído esta ameaça…
Em primeiro lugar, o “anónimo” não é anónimo.
Em segundo, quem trouxe a “ideologia” à baila foi o não-anónimo.
Em terceiro, não houve “caos” algum. Houve um alarmismo potenciado pelas redes sociais, típico dos dias actuais: cada um que dispara uma mensagem acentua o alarmismo da mensagem precedente, para ser mais lido e comentado por sua vez.
Houve, sim, o exercício do direito constitucional à greve. Verificado o incumprimento de normas legais que regulam esse direito, foi decretada a requisição civil dos grevistas para manutenção dos serviços mínimos – sem a qual, aí sim, se registaria o “caos” que vocês invocam.
Menos de 48 horas depois, o conflito estava solucionado com um acordo entre as partes – que são do sector privado – com o Governo a funcionar como mediador, como lhe compete, tratando-se de um sector estratégico da economia nacional.
Descontado o alarmismo potenciado pelo factor que mencionei atrás, todos puderam ir às suas vidas, gozando de uns tranquilos dias de feriados religiosos. Incluindo os mais fervorosos laicistas da nossa praça. Incluindo todos aqueles que, tendo o depósito do carro cheio, decidiram passar absurdas horas em filas junto de bombas de gasolina para atestarem o que já estava atestado.
Em quarto lugar, se vocês chamam “caos” ao que aqui ocorreu, dando um uso desproporcionado à palavra face ao sucedido, como definiriam aquilo que se passa todos os dias, há vários anos, num país como a Venezuela?
Em quinto e último, votos de boa Páscoa.
1) As linhas que lhe dirigi remetem para um comentário encimado pela palavra “Anónimo”;
2) Dessas linhas não sei o que possa tê-lo induzido a acreditar que pertenço a qualquer espécie de coletivo que o autorize a tratar-me por “vocês”;
3) Mantenho que a “esquerda” e simpatizantes da atual “solução” governativa hostilizaram e sentiram esta greve como uma ameaça muito séria;
4) Concordo que em dois dias lançou o país no caos e acredito que teria derrubado o governo em cinco ou seis;
5) Não fui para uma fila porque isso não seria solução se a greve se viesse a prolongar;
6) O que se passou revela a mais absoluta incompetência do governo;
7) A sua reação ao meu comentário assemelha-se bastante à de um porta-voz do PS.
Escrevi algumas coisas acerca desta greve. Se sentir alguma curiosidade pode passar os olhos sobre o último desses textos.
https://passaparedes.blogspot.com/2019/0 4/do-poder-dos-sindicatos-e-do-camarada_ 23.html
Uma santa páscoa para si.
Permito-me uma amistosa sugestão: reserve a palavra “caos” para situações que realmente a mereçam. Como indiquei, basta olharmos o exemplo venezuelano para percebermos isso. Se em Lisboa há “caos”, que palavra devemos inventar para classificar o quotidiano em Caracas?
A discrepância permanente entre as palavras escolhidas para esgrimir argumentos e a sua correspondência com a realidade é um dos traços mais absurdos destes tempos que vivemos.
Solucionar em menos de 48 horas uma greve no sector privado que prometia paralisar o País “revela a mais absoluta incompetência do Governo”, de acordo com a sua tese. Voltamos à falta de correspondência entre frases insufladas de superlativos categóricos (“a mais absoluta incompetência”) e factos.
Não sou porta-voz de ninguém nem atesto depósitos já atestados.
Visitarei com interesse o seu blogue.
Reitero os meus votos de boa Páscoa, agradecendo as palavras finais que me dirige.