Enganada


Teresa Ribeiro,

Com os votos do PS e do PSD, os partidos com quem sou obrigada a dormir vai para mais de trinta anos, foi aprovada, na quarta-feira, a nova lei de financiamento dos partidos políticos. Tratava-se de uma reforma que urgia. De cada vez que se falava em combate à corrupção e necessidade de transparência na nossa democracia este tema vinha sempre à baila. Lembram-se? Havia que pôr cobro aos financiamentos feitos pela porta do cavalo, perigoso foco de contaminação, que a antiga lei não prevenia. Havia que mudar.

Mas quarta-feira eles acabaram a votar um diploma que não fecha essa torneira. Beneficiando de uma agenda mediática demasiado intoxicada com as medidas de austeridade, o FMI, e etc, os tipos com quem eu vivo há mais de trinta anos conseguiram o que queriam. Numa fase em que tanto se fala na necessidade de aproveitar a crise para mudar, eles mostraram qual é o seu espírito de mudança.

Como é que as mulheres sabem sempre quando são enganadas? Porque estão sempre atentas aos detalhes. E a importância, como se sabe, está nos detalhes.

7 comentários em “Enganada”

  1. Típico, Teresa. No barulho das luzes passam estas “coisinhas sem importância” pelas malhas da atenção do pagode. Olha, não vivas mais com esses tipos que te enganaram. Vinga-te: divorcia-te deles e casa-te contigo própria no Largo do Rato, naquela casa cor-de-rosa que agora se aluga para casamentos e baptizados. E depois vai passar a lua-de-mel na S. Caetano à Lapa, aquele jeitoso turismo rural que andam a preparar por lá.

  2. “Havia que pôr cobro aos financiamentos feitos pela porta do cavalo”

    “um diploma que não fecha essa torneira”

    Não vejo o que esteja na notícia lincada que indicie que os partidos vão poder ser financiados pela porta do cavalo.

    O que está nessa notícia refere-se a financiamentos feitos às claras (declarados ao Tribunal Constitucional).

    1. Leu a notícia que linkei até ao fim, Luís Lavoura? “Os candidatos em listas eleitorais vão estar autorizados a fazer donativos aos seus partidos, quando, até agora, só os eleitos poderiam fazê-lo. António José Seguro mostrou-se crítico em relação a esta matéria porque, segundo explicou, só nas autárquicas há mais de 40 mil candidatos e, desta forma, há um potencial acrescido de financiamento não público dos partidos”.
      Acresce que uma norma, recuperada da lei que Cavaco vetou em 2009 estabelece que “colaborações de militantes, simpatizantes e apoiantes não são consideradas nem como receitas nem como despesas de campanha”, o que permite imputar despesas a terceiros, branqueando tudo em relação a despesas de campanha. Este último ponto não referi no post, porque não consegui fazer link para o Expresso que esta semana desenvolve a notícia.

      1. Li sim a notícia até ao fim, Teresa, e não vejo em que é que um donativo de um militante, como tal descrito em contas devidamente apresentadas ao Tribunal Constitucional, possa ser considerado um financiamento “pela porta do cavalo”.

        Ademais, acho normalíssimo e, de facto, louvável, que os candidatos de um qualquer partido dêem a esse partido dinheiro que o ajude a promover a sua candidatura. Mas que raio… se um candidato independente (por exemplo, a Helena Roseta ou a Manuela Magno) pode gastar o seu dinheiro a promover a sua condidatura, por que raio é que um candidato nas listas de um partido não há-de também poder gastar o seu dinheiro a promover a lista do seu partido?

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