O governo grego perdeu porque, na vigésima quinta hora e após cinco meses e meio de um comportamento que, fosse o Syriza de direita, teria levado as mentes bem-pensantes do planeta a despejar sobre ele uma chuva de acusações impregnadas de desprezo e salpicadas de impropérios, renegou todas as promessas que jurara cumprir. O governo alemão perdeu porque não somente foi mais uma vez coagido a manter no euro quem recusa comprometer-se com as regras deste, num processo que tenderá a arrastar a economia alemã para uma lógica terceiro-mundista, como tem de arcar com a imagem de polícia mau. Hollande ganhou porque saiu das negociações como o polícia bom e, mesmo forçado a aceitar o dano colateral (menor) de obrigar Syriza e Grécia a meter o socialismo na gaveta (até ver), atingiu o seu objectivo de conservar o destino da Alemanha preso ao da França. Quanto à União Europeia e, em particular, à Zona Euro, aparentemente ganhou (oxalá), provavelmente perdeu.
Em quatro frases
escafandro,

E onde estão os povos (as pessoas) neste post?
Eu diria que os povos da Zona Euro perderam todos. Mais que todos perderá o povo grego, que vai viver muitos mais anos de cruel recessão económica. E os outros povos também perderam, porque o problema continua por resolver (regressará ainda com mais força daqui a poucos anos) e porque a estagnação generalizada continuará.
As pessoas podem agradecer ao Syriza a degradação das condições de vida na Grécia e o aparecimento de fracturas na UE, que dificilmente terão consequências positivas. Mas pelo menos clarificou-se um ponto: a esquerda que deseje uma política de moeda fraca sabe hoje que tem de assumir a saída do euro – antes de se apresentar a eleições.
Estamos ou não numa democracia? Agora é o Syriza que tem a culpa dos erros da Grécia? Sabe perfeitamente que a dívida é impagável e que a Troika esteve lá e o que conseguiu foi o mesmo que cá, aumentar a dívida. Meu caro, o euro e a UE, vão acabar porque não há políticos com carisma, em contrapartida há tecnocratas, muito maus em todos os aspectos. Está é a realidade
Já garantia Jorge Sampaio: “Há vida para além do orçamento.” Um político é infinitamente melhor do que um tecnocrata.
O euro é lixado porque limita o populismo dos políticos. Não por acaso, recebe mais ataques de quem depende dele. Aliás, caro Anónimo: você seria favorável não apenas a perdoar a dívida da Madeira como a financiar o prosseguimento das políticas que levaram a ela?
Eu perdoaria a dívida à Madeira e o José, diga como paga o impagável? Para que servem os perdões? Se as dívidas são impagáveis é porque não há maneira de as pagar, logo, têm de haver perdões e castigos fortes aos políticos que as fizeram. Não há outra hipótese, quer queira ou não, é a realidade. Caso contrário vamos recuar setenta anos atrás e vai muito mau. As pessoas são humanas e não há paciência, e paciência esgota-se…
Desde quando a dívida é impagável?
Para si é pagável? Meu caro, deve ter estado em hibernação, para fazer essa pergunta.
Veja o que diz o FMI e fica esclarecido sobre a dívida.
Sim. Culpados
O Syriza foi eleito porque prometeu o que o PASOK e Nova Democracia fizeram no início da década: Endividar-se. Se quiser a tradução: dar dinheiro grátis.
Regras!… Que regras? As regras não são as mesmas para todos e porque esperam para denunciar as falsas regras. Onde estão as regras para a Holanda, Itália… Os alemães andaram sempre a rasgar regras e tudo lhes foi perdoado. Chega de falsidades e mentiras e diga-se tudo sem deixar escapar nada.
Meter a Holanda e a Itália no mesmo saco parece-me estranho. Fiquemos por Alemanha, Holanda, Portugal e Grécia: eo/2015/01/weodata/weorept.aspx?sy=2001&ey=2016&scsm=1&ssd=1&sort=country&ds=.&br=1&c=138%2C182%2C134%2C174&s=GGR_NGDP%2CGGX_NGDP%2CGGXCNL_NGDP%2CGG SB_NPGDP%2CBCA_NGDPD&grp=0&a=&pr1.x=62&pr1.y=12
http://www.imf.org/external/pubs/ft/w
Parecem-lhe situações similares? Parece-lhe que a frequência das infracções e a urgência colocada nas correcções é idêntica? Já para não falar de quão absurdo do ponto de vista do funcionamento da Economia é ter países mais pobres com níveis de despesa pública bastante superior.
Foi o próprio presidente do Eurogrupo que afirmou que a dívida da Holanda, seu país natal, era maior que a da Grécia e quando estoirasse seria um problema. Porque não rebenta e ninguém fala nessa dívida?
Uma coisa é cortar-se uma estrada secundária, outra é cortar-se uma via principal. A economia grega diz muito mais aos gregos que aos Europeus num todo, já a dos Países Baixos a coisa pia de outra forma. Os gregos acham que é um problema europeu, descartando-se de culpas, os Paises Baixos, acham que é um problema seu que pode trazer muitos problemas aos outros. Percebe a diferença? Numa outra nota, não vale a pena tentar picar alguns países importantes do Euro com regras, pois se o fizer muito eles vão cumprir, mas a Europa vai ressentir-se desse cumprimento. É que estes cumprem, e quando cumprem também deixam de gastar noutros mercados…
E não vê nada de errado nessa lógica que enunciou?
Quais os países europeus que pagam juros a 20%? Vale a pena porque os outros são bem politizados, para os castigarem namora certa.
Ganhou a falta de responsabilidade e o conceito dito de esquerda que alguem vai pagar, mesmo que pelo holandinho e primos Tsipras em versão mais agarotada; colateral ganha temporariamente o sacrificado povo grego.
Perde o povo da UE, porque a irresponsabilidade e conversa da treta acabam por passar como um “avanço”; a prazo perdem também os gregos, que se era para vencer o faz de conta, ganhariam mais se saíssem mesmo do euro.