Nicolau Santos, na SIC Notícias(21 de Fevereiro de 2015)
0 comentários em “Grécia antiga (41)”
Caro Pedro,
a propósito de ultimamente muita gente se ter visto grega, outras há, no contexto politico do «ver-se grego», que foram autênticos «felões».
«Será raro, desatualizado e será arcaico, mas eu gosto de “felão”. Parece coisa de foral medievo, de crónica de Fernão Lopes, de cantiga de maldizer. E é. Em tempos antigos, era insulto rijo e bravo, capaz de desencadear ódios ou de provocar duelos. O “felão é o traidor, o que não respeita a palavra dada e o compromisso assumido”. Por vezes também designava o cobarde. Coisa séria em qualquer caso. Alguns autores antigos pensam que provém do latim “follis”, que dá fole em português. O felão era assim o “vaidoso, o inchado” (como se soprado por um fole), o autoconvencido que, no final, não era digno de crédito, como todos os cagões. Com o tempo o “felão” desvaneceu-se. É pena. Enche bem a boca e faz boas rimas. Mas nem tudo está perdido para este insulto. No Brasil felão é nome.»
in: CARVALHO, Sérgio Luís de, 1959 – Dicionário de insultos : a estranha origem e a bizarra história dos insultos portugueses. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2014. p. 90
Coitado do senhor, alguém tem de dizer-lhe que não anda bem e que em Lisboa não faltam bons médicos que o podem ajudar. Temos também de lhe dar um desconto pelo excesso de trabalho que tem tido e, por último, ao facto de ainda não ter ido de férias este ano.
Apoio a criação dum prémio especial para frases “especiais”, para recordar ao serão, uns meses depois. Aqui o “seu” Nicolau era um bom candidato ao prémio; como bem tem sido lembrado algumas de certeza que até ele sente vergonha; ou então sou eu o má língua em tom benevolente.
Caro Pedro,
a propósito de ultimamente muita gente se ter visto grega, outras há, no contexto politico do «ver-se grego», que foram autênticos «felões».
«Será raro, desatualizado e será arcaico, mas eu gosto de “felão”. Parece coisa de foral medievo, de crónica de Fernão Lopes, de cantiga de maldizer. E é. Em tempos antigos, era insulto rijo e bravo, capaz de desencadear ódios ou de provocar duelos. O “felão é o traidor, o que não respeita a palavra dada e o compromisso assumido”. Por vezes também designava o cobarde. Coisa séria em qualquer caso.
Alguns autores antigos pensam que provém do latim “follis”, que dá fole em português. O felão era assim o “vaidoso, o inchado” (como se soprado por um fole), o autoconvencido que, no final, não era digno de crédito, como todos os cagões.
Com o tempo o “felão” desvaneceu-se. É pena. Enche bem a boca e faz boas rimas. Mas nem tudo está perdido para este insulto. No Brasil felão é nome.»
in: CARVALHO, Sérgio Luís de, 1959 – Dicionário de insultos : a estranha origem e a bizarra história dos insultos portugueses. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2014. p. 90
Obrigado pela nota de erudição, António. É sempre bom aprendermos alguma coisa uns com os outros. Os blogues também servem para isto.
Coitado do senhor, alguém tem de dizer-lhe que não anda bem e que em Lisboa não faltam bons médicos que o podem ajudar. Temos também de lhe dar um desconto pelo excesso de trabalho que tem tido e, por último, ao facto de ainda não ter ido de férias este ano.
A SIC e o Expresso estão nacionalizados?
Já noticiaram que na Alemanha vão todos andar sem gravata e alguns de mota.
Apoio a criação dum prémio especial para frases “especiais”, para recordar ao serão, uns meses depois. Aqui o “seu” Nicolau era um bom candidato ao prémio; como bem tem sido lembrado algumas de certeza que até ele sente vergonha; ou então sou eu o má língua em tom benevolente.
Boa ideia.
Os alemães ficaram apavorados ao verem que os gregos queriam tudo tudo tudo menos saírem do Euro. E o caso não é para menos.