Eleições já.


Luís Menezes Leitão,

Também já tinha pensado nesta possibilidade. A atitude negocial de António Costa neste momento parece ser a de quem quer eleições já, o que faz todo o sentido. As sondagens dão-no próximo da maioria absoluta, o Bloco está ferido de morte e o PCP não passa da cepa torta onde sempre esteve. Já o PSD desistiu de fazer oposição e o CDS é pequeno demais para o incomodar. Antecipar eleições para agora é por isso o ideal, ainda mais quando estão a surgir no horizonte sinais de crise económica, o que leva a pensar que daqui a um ano a situação possa já não estar tão favorável para o governo.

O cenário parece ser assim a não aceitação das exigências comunistas e bloquistas no orçamento, colocando os parceiros da geringonça na alternativa de engolirem esse sapo ou irem para eleições, as quais só o PS deseja. No estado em que esses partidos estão, o mais provável é que acabem por engolir o sapo, ou até mesmo um elefante se ele surgir no orçamento.

Mas, se por acaso algum destes partidos rejeitar o orçamento, é manifesto que o PSD não pode substituí-los no apoio ao PS, votando favoravelmente o orçamento. Por muito más que sejam as actuais condições políticas para disputar eleições, o PSD não se pode transformar numa muleta do PS, o que seria mortífero para o partido, deixando este de ser encarado como alternativa e ficando a ser frito em lume brando durante um ano num limbo em que não seria governo nem oposição. Se António Costa fizer esse jogo de poker e o PCP e o BE pagarem para ver, o PSD não tem outra possibilidade senão fazer o mesmo. Apostar no confusionismo político é que não.

12 comentários em “Eleições já.”

  1. «o PSD não se pode transformar numa muleta do PS, o que seria mortífero para o partido, deixando este de ser encarado como alternativa e ficando a ser frito em lume brando (…) num limbo em que não seria governo nem oposição»

    Mas não era isso o preconizado antes de o Costa ter inventado esta solução geringonceira impensável?

    Não queriam, no especto político da Direita, que o PS fizesse esse papel em relação ao governo minoritário PSD/CDS?

    Qualquer das duas situações são insuportáveis pelo partido muleta.
    Embora esta solução encontrada seja também má: nada muda de essencial e temos tanto para reformar.

    Mas o governo anterior também não o fez: veja-se a indigente reforma autárquica do Relvas.
    (Manuel Silva)

    1. a indigente reforma autárquica do Relvas

      Muito bem dito.

      Quando o essencial era mexer nos concelhos – que na maior parte do país são demasiadamente pequenos para conseguirem fazer qualquer coisa que meta engenharia – Relvas foi mexer nas freguesias.

      1. E mesmo aí, o Relvas mexeu incompetentemente.
        Quanto aos concelhos, que sentido tem haver concelhos contíguos, cada um com 2 ou 3 mil munícipes, na era da informação automática e dos meios tecnológicos de deslocação, transporte e execução de tarefas físicas?
        O concelho da Barquinha tem 49,53 Km2 e 7322 habitantes e o do Entroncamento tem 13,73 Km2 e 20 206 habitantes. Anteriormente pertenceu à Barquinha. Qual a racionalidade disto.
        O distrito de Viana do Castelo tem 10 município e o de Viseu tem 24.
        Mas, para mim, com régua e esquadro, a coisa nunca irá lá. Apenas por decisão dos próprios através de incentivos financeiros: se o orçamento do futuro concelho tiver uma majoração de, por exemplo, 50% em relação à soma dos orçamentos dos concelhos que lhe deram origem, haverá adesão, e, a pouco e pouco, a dinâmica fará o resto.

  2. O caso Robles abriu uma janela de oportunidade para a antecipação de eleições que o Rui Rio, com as usa declarações e postura, está a transformar num portão.
    Costa neste momento até estará a pensar em o próprio PS votar contra……
    Se por absurdo o PSD fosse muleta do PS e aprovasse o orçamento, o próprio PS não lhe perdoaria a “traição”, e Costa, seus “muchachos” tratariam de o humilhar diariamente.

  3. Se esses joguinhos partidários me interessassem minimamente, discordaria da análise,por demasiado básica e óbvia.
    Se Rio prosseguir na sua postura de defesa do interesse nacional à custa do interesse partidário, bastar-lhe-á marcar uma ou outra diferença relevante face ao PS, para poder conseguir um grande resultado eleitoral.
    A ver vamos.
    João de Brito

  4. António Costa está metido em um molho de brócolos, sem nutrientes. A ala do PS à Costa pretendeu cavalgar as ondas da Catarina e das Mortáguas, pensando que estas eram o futurismo e a verdadeira revelação.
    Sabendo todos que debaixo do Sol nada de novo existe, pode-se, em sentido figurado, dizer que percorrer os novos caminhos para Katmandu voltou a demonstrar que de lá se sai com uma mão cheia de nada.

    A geringonça somente disputou o voto corporativo, o da função pública e do sector do estado, e aumentou as brechas sociais, ainda que as procurasse tapar com fita-cola, com uns aumentozinhos aos pobrezinhos, pra fazer crer que estavam no caminho da prosperidade, Porém tais aumentos são comidos pela dívida e pelo serviço e juros desta e também pela inflacção. Mas também transferem custos e penas para os maus serviços no sector da saúde, dos transportes e tantos mais.
    Em matéria económica manteve-se a tradição: dando asas ao sector especulativo e permitir ainda mais a concentração do capital e a dependência ao sector financeiro para sobrevivência das famílias.

    Os pobres, os excluídos e os proscritos transformaram-se em versos cantados em assembleias e na Assembleia. Tudo muito bem ritmado para encantar corações, julgando que assim se confortam estômagos.
    Estes factos revelam que a técnica, o consumo e o materialismo não são capazes de sufocar as fontes profundas do Homem; e que transpor para a política momentos zen só serve para revelar falsas experiências extra-sensoriais.
    Portanto, o momento é de alucinação política que só colhe audiência em círculos que se julgam a vanguarda do conhecimento e do progresso. Procuram-se fórmulas à meetoo, introduzem-se semânticas feministas, passam-se géneros, desestruturam-se valores familiares, faz-se da morte e do aborto um acto de liberdade, mas a vida, esta, tirando a dos animais e arvorezinhas, é incómoda. Incómoda na medida em que quando se lida com alguém que sabe, e que sabe que sabe, transforma-se em elemento inconveniente aos guardas do templo.

    Enche-se a política e as assembleias de gurus com fórmulas e como forma de substituição dos valores cristãos em que a sociedade ocidental, e também algumas a oriente, se sedimentou. Tem-se medo da liberdade do cristianismo, que é capaz de distinguir o que se pode e o que é conveniente. Mas tudo isto porque os cristãos em regra também preferem comer as carnes imoladas.

    Concluindo, o PS não terá os resultados que hoje se propagam. O PCP deve votar contra o orçamento e o CDS e Pedro Santana Lopes emergirão significativamente.
    O BE está no canto do cisne, e os seus congéneres do PS acabarão a fazendo-lhes companhia.

  5. Não concordo com esta análise, o PS nunca conseguirá maioria nenhuma, quanto mais absoluta, o PS perdeu as ultimas eleições e voltará a perder as próximas para o PSD, sobretudo agora que Rui Rio já viu onde estão os cucos todos.
    O PR e os Portugueses não perdoariam ao PS uma atitude de menino mimado que quer a roca só para si.
    O Bloco não está tão frágil quanto isso, a sua base de apoio (esquerda caviar) está mais interessada em ideologias que no país e isso é suficiente para se aguentar.
    O PCP manterá a sua falange de apoio (pequena é certo) mas suficientemente forte para equilibrar a equação e tendo uma vantagem muito grande sobre o BE, a intransigente defesa do interesse nacional e o não compactuar com negociatas.
    A deriva liberal do CDS só o prejudica, o seu eleitorado (mais antigo) não se revê nessa deriva.
    O PSD actual continuará a abrir-se á sociedade, apresentado propostas sérias que reflectem o interesse nacional.
    O PS quer o poder pelo poder porque sabe que aí pode ir controlando tudo, como aliás se tem visto nos últimos anos, apesar de todas as escandaleiras associadas á sua governação, desde o nível local ao nível nacional.
    Os novos partidos que possam surgir irão roubar eleitorado á falange “liberal” do PSD mas também ao PS.
    O orçamento do próximo ano irá passar, provavelmente com a abstenção do PSD porque isso neste momento de indefinição a nível europeu e mundial é a única atitude ajuizada a tomar.

    WW

  6. Porquê eleições?
    Se o Dr. Costa se demonstrar incapaz de aprovar um orçamento no Parlamento que de facto lhe conferiu a única ínvia legitimidade politíca para governar – afinal ele perdeu quando foi a votos..- o PR poderia convidar o líder do partido mais votado ou chamar um senador, e.g. o Dr. Marques Mendes ou Dr. Francisco Assis, para formar governo de salvação até ao fim da legislatura, sibilando ao Dr. Costa e ao Dr. César para estarem a altura das responsabilidades… Pelo menos, tínhamos marinada e o BE, sei lá com uma abstenção, ajudava a atar uns patins á xuxalada pós-socretina, citando o Sr. Ulrich, diria “Costa, aguenta, aguenta…”

    Jorg
    Jorg

  7. Costa manobra, baralha, dá jogo, entra na joga, baralha de novo e volta a biscar, a vida dele é jogar.
    Ainda ninguém pensou no efeito surpresa em jogada de antecipação apresentando desde já uma moção de censura?
    Isso obrigaria os furões de olho arregalado a ficar ou saltar da toca, deixando á mostra o que andam a esconder debaixo das fraldas, ficando então claro se os remoques contra o governo são apenas foguetório de artificio.
    Ninguém se iluda, com eleições ou sem elas o mestre malabarista já arrasta consigo novo golpe dentro de larga manga.

  8. A burocracia na União Europa, esquerdófila, já mal apoia os desvaríos financeiros de A. Costa. Por lá, mal ou bem, vira-se à direita.
    O próprio BCE já anunciou o fechar da torneira que tem alimentado este eleitorado de esquerda, o funcionalismo, por cá. Afinal já não resta colateral de monta que mereça atenção.

    A tentação de provocar eleições existe. De preferência antes de A. Costa ser obrigado a uma cena demolidora, num dueto suicida à “Teixeira dos Santos”. Já não restam truques contabilisticos capazes de…

    Rui Rio/PSD, decididamente não quer repetir a cena de ser outro apaga-fogos qual Passos Coelho II.

    PS- No Reino Unido durante sucessivas eleições a cena era: Trabalhistas a destruir a riqueza nacional e Conservadores a recuperarem economia e finanças. Depois apareceu a Dama de Ferro… Madame Cristas bem que poderia engrossar a voz. Talvez até resulte.

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