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Giacomo Puccini nasceu neste dia, 22 de Dezembro, em 1858, em Lucca, Itália. Pertencia a uma família de músicos, tanto pelo lado do pai como da mãe, organistas e compositores da corte. O seu pai era mestre-de-capela, lugar que muitas vezes passava de pais para filhos.
A família não tinha muito dinheiro e Puccini, que desde cedo tocava orgão em várias igrejas, completava esse magro salário tocando músicas populares, ao piano, em bares e casas de má reputação locais.
Em 1879 foi assistir à representação da «Aida», uma ópera de Verdi. Esta representação afectou-o muito, emocionalmente, e teve um grande impacto nos seus planos de futuro. Decidiu abandonar a ideia de ser compositor da corte como o pai e, em vez disso, enveredar pelo caminho da composição teatral operática.
Depois de acabar os estudos em Lucca foi para o Conservatório de Milão com uma bolsa de estudos mais algum dinheiro de um tio que o ajudava. Porém, o dinheiro era sempre curto para os gastos. Puccini passou esses anos anos de estudante em Milão numa vida boémia. Fez muitas amizades no mundo da música e da literatura. Conheceu Mascagni, outro compositor, com quem partilhava um quarto numa mansarda. Cozinhavam no quarto para poupar dinheiro, mas como isso era proibido, tocavam música em altos berros, para abafar o ruído dos tachos e panelas. Juntavam ali outros amigos boémios do mundo da música e da literatura. E assim nasceu «La Bohème».
«La Bohème» é uma ópera de Puccini passada no ambiente boémio do Quartier Latin, em Paris, entre um grupo de músicos, pintores, filósofos e escritores com pouco ou nenhum dinheiro que vive entre os quartos de mansardas e os cabarés, sempre a fugir dos senhorios e das rendas. A história gira à volta de Rodolfo, poeta parisiense pobre que se apaixona por Mimi, uma costureirinha e do seu amigo Marcello, apaixonado por Musetta, uma cantora.
«La Bohème» é a ópera mais famosa, não só de Puccini, mas de todas as óperas de sempre. É extremamente popular e fácil de ver. No próximo ano o Teatro Nacional de São Carlos traz à cena uma representação da «La Bohème». Para quem nunca teve a experiência da ópera, «La Bohème» é talvez a melhor introdução que pode ter: música muito melodiosa, acção cativante. Tem duas das árias mais famosas de todo o repertório operático, Che gelida manina e Mi chiamano Mimì.

Trecho partitura da ária “Mi chiamano Mimì”, de La Bohème, com autógrafo de Puccini (1902). (Wiki)
(texto também publicado no blog, Azul)

Se quisermos procurar o Puccini da próxima geração, teremos de ir à procura de um miúdo que toque piano num qualquer congresso partidário. Isso sim, seria aprender com a história.
Bom dia Beatriz
Ahah. Bom dia.
na Boémia concentraram-se os ciganos chegados a Europa.
Aznavour também cantava
Sim.
vi a ópera quando estudava química em Roma há 62-3 anos
tive compadres cigano honesto troca-burros no Alentejo
infelizmente com o desaparecimento das feiras perdi o contacto com o afilhado
Estas suas linhas do comentário fazem, por si só, adivinhar uma história de vida recheada de histórias interessantes.
“Cozinhavam no quarto para poupar dinheiro (…) tocavam música, em altos berros, para abafar o barulho”. Bom, será que ninguém sentia os cheiros dos cozinhados?! Ou já havia Covid nessa altura e os vizinhos não tinham olfato? 🤣
Belo post, Beatriz! “La Bohème” é uma das minhas óperas favoritas!
Eu penso que podiam comer nos quartos, mas não cozinhar. Calculo que houvesse muita construção de madeira. Também é uma das que gosto e penso ir vê-la ao São Carlos.
Calculo que houvesse muita construção de madeira.
Pois haveria.
Quando ouvimos falar dos gigantescos incêndios de cidades causados (propositadamente) por bombardeamentos na 2ª Guerra Mundial, temos que saber que esses incêndios ocorriam porque os prédios eram na sua quase totalidade de madeira.
Pois, e calculo que fininhas, de se ouvir tudo de umas casas para outras.
O seu pai era mestre-de-capela, lugar que muitas vezes passava de pais para filhos.
Curiosa prática essa. Faz lembrar as castas indianas. Na Índia, o estatuto laboral também se transmite, através do sistema das castas, de pais para filhos. De facto, muitos grandes músicos indianos orgulham-se de serem de famílias contínuas de músicos que ascendem ao século 16 ou 17.
Sim, e na música há uma forte tendência hereditária, mas talvez também por questões de dinheiro. Os filhos treinavam nas profissões dos pais que faziam de seus mestres e desde cedo ajudavam nas despesas.
Na Índia, o estatuto laboral também se transmite, através do sistema das castas, de pais para filhos.
Curioso… na Função Pública também.
Ahah talvez também seja uma casta…
Sobre castas prefiro a trincadeira, piriquita e aragonês. Entrou bem. Continue com o penteado desalinhado. Também gosto muito o coro das monjas da Ópera de Casanova.
Também gosto de trincadeira, piriquita e aragonês 🙂 E da Ópera de Casanova. Obrigada pelo apreço.
Seu penteado é irresistível. Adoro-o. Eu é que agradeço.
🙂
https://www.youtube.com/watch?v=GPVZZPQA Jpo
Mas eu sou mais Rossini e Verdi.
Ok 🙂 Obrigada pelo link. Vou ouvir.