Da «libertação» à depressão


Pedro Correia,

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A 20 de Julho, numa espiral de propaganda já a pensar nas autárquicas de 26 de Setembro, o Governo começou a anunciar um suposto “dia da libertação total” da covid-19, logo ecoado pela imprensa afim. 

A 29 de Julho, o primeiro-ministro especificava: seriam introduzidas «três fases para a próxima fase de libertação da sociedade e da economia, de modo progressivo e gradual». A escolha das palavras não era inocente.

Nesse dia jornais como o Expresso imprimiram aquilo que António Costa mais queria ler: «Libertação total marcada para Outubro.»

 

Parece ter sido há uma eternidade.

Que «libertação», afinal?

Ontem, na sua enésima conferência de imprensa a propósito do coronavírus, António Costa anunciou um novo pacote de severas medidas restritivas. Num certo sentido, foi mais longe que nunca. Agora vai ao ponto de recomendar-nos que usemos máscaras dentro de casa e partilhemos a ceia natalícia devidamente distanciados, com as janelas todas abertas. E deixa o aviso: «Que ninguém deixe de fazer pelo menos um daqueles autotestes antes da consoada e do almoço de Natal.»

 

Hei-de rever no dicionário o conceito de «libertação». 

Quase apostava que nada tem a ver com este clima de depressão em que voltamos a mergulhar.

24 comentários em “Da «libertação» à depressão”

  1. Pois foi nessa mesma data de “libertação” que eu aqui deixei o alerta para a estupidez que aí vinha. Os cientistas, matemáticos e outros tantos especialistas estão a engolir as mortes que vêm proporcionando desnecessariamente.
    Quer Costa quer Marcelo são culpados disto.
    O Bom senso teria ditado o encerramento das escolas, creches e universidades – com excepção para aulas práticas – e teria mantido a telescola e o teletrabalho até ao início do Verão. Discotecas e teatros encerrados, mas subsidiados. Espectáculos só através de transmissões por meios digitais, e o futebol com limites de entradas. Bares só com serviço de exterior. Os serviços públicos e privados manteriam funcionários presenciais em regime rotativo, salvaguardadas as questões higiénicas.

  2. Acorrentados por Costa às descaradas desde o dia em que subverteu o resultados das eleições, com o aprisionamento de muletas arrebanhadas à pressa do seu pelourinho de execuções, com o único intuito de resgatar o próprio cadáver politico já suspenso para descer às profundezas.

    1. É a segunda vez que me aparece trocado o nome de comentador, talvez derivado a erro meu que vou tentar esclarecer. Sou o Marques Aarão

  3. e prepare-se para confinar em janeiro com uma taxa de mortalidade covid (de acordo com os números veiculados pela imprensa) abaixo de 0.5%

  4. Não pode haver libertação para quem não quer liberdade. O problema não está nos governos que proíbem, está no povo que aplaude.
    Não há nada que justifique continuar com esta palhaçada.

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      <i><Não pode haver libertação para quem não quer liberdade</i>

      Excelente.

      Merry Christmas!

  5. Surpreendente

    Infelizmente o único poder não só serve de caixa de ressonância para o que agora se chama se soundbyte, como ainda se escusa à análise crítica. Os políticos dizem o que o povo quer ouvir, e o povo ouve o que quer.
    A vacinação nunca seria uma solução à imagem do que acontece com outras doenças como a polio ou sarampo, não existe conhecimento científico consolidado acerca da abrangência resposta ou da duração da mesma, nem como se iria adaptar às prováveis mutações.
    No meio de 2 anos de desconhecimento, o único facto que parece comprovado é o de que teremos de viver em harmonia com o bicharoco, até a tal ciência, que junto com a tecnologia foram elevados ao expoente de Deuses omnipotentes, possa dar resposta cabal. Em vez de se andar a discutir vacinações em massa, que são logisticamente impossíveis de manter, deviam os decisores, e populações, debater mudanças do nosso modo de vida. Talvez a máscara tenha vindo para ficar, talvez a vacinação se reserve a certos grupos específicos, talvez as viagens tenham de ser restringidas e controladas, talvez não se possam manter eventos apinhados de gente. Mais vale colocar as cartas na mesa e largar os tabus do que andarmos em constante fingimento de que vai ficar tudo bem, e neste sobe e desce entre confinamentos e regressos à normalidade.

  6. A ouvir a intervenção do virologista Pedro Simas no contracorrente da rádio Observador. Confirma tudo o que eu tenho dito acerca das medidas de prevenção contra a covid. E eu não tenho formação em saúde. Tenho formação científica e sobretudo, um mínimo de bom senso, que é o que falta a muita gente.

    1. A Susana afirma que tem um mínimo de bom senso. Mas veja o que escreveu V. um pouco mais acima: “O Bom senso teria ditado o encerramento das escolas, creches e universidades – com excepção para aulas práticas – e teria mantido a telescola e o teletrabalho até ao início do Verão.” É este o bom senso da Susana? Suspeito que não!

      1. Tenho um doutoramento em Bom Senso, mas de uma escola diferente da do Vento. É o chamado Bom Senso Baseado em Dados. Também estudei física e matemática.

  7. Com tantas restrições eu até tenho medo de fazer o jantar de Natal.
    Será que eu posso comer o bacalhau com todos sem ser com a janela aberta?

    1. Pode fazer o jantar de Natal, desde que se assegure que o bacalhau, as batatas e as couves têm o certificado digital, testaram negativo nas últimas 24 horas e respeitam a distância de segurança entre si.
      😉

  8. António Costa anunciou um novo pacote de severas medidas restritivas

    Não são severas.

    Obriga-se ao teletrabalho mas, na prática, há montes de empresas e funcionários que não estão em teletrabalho. Na prática, o teletrabalho é pouco mais que uma recomendação.

    Recomenda-se o uso de máscara mas, na prática, montes de pessoas em montes de situações não usam máscara. Eu, por exemplo, praticamente nunca uso.

    As únicas medidas severas anunciadas ontem foram para os bares e discotecas. De resto, as medidas são bem ligeiras. Felizmente.

  9. Eles estão é a testar como é que as pessoas reagem ao cancelamento do Natal, para mais tarde acabarem com isso com a desculpa “em 2021 nem se importaram muito”. Passaremos a celebrar só o Ramadão que é para não ofender ninguém.

    E o Bloco apoia porque o Cristianismo ao fim e ao cabo só produz gente branca e malvada.

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