DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Sofia Couto: «Há actores que brilham por estes dias. Ryan Gosling é um deles. Chamou-me a atenção em Half Nelson, e no Blue Valentine levou-me, com a extraordinária Michelle Williams, às lágrimas. Em Drive, filme que vi ontem, Gosling é um altruísta invulgar – a real hero, como o título de uma das canções da banda sonora –, embora na perspectiva de outra personagem ele seja apenas um homem que faz uma coisa estúpida: protege uma mulher casada, em vez de dormir com ela.»

 

Ivone Mendes da Silva: «O silêncio não tem só uma cara. Tem duas ou mais. Não é o deus Jano a olhar do fundo de mármore do templo o passado e o futuro. O silêncio olha em redor, poliédrico, e há quem lhe fuja do alcance e quem nele mergulhe, ah, finalmente. Depois, há aquele silêncio matizado pela oratória de Bach. Ali o Natal inteiro a impor-se dentro do carro, ao menos beleza, que o para o jingle bells plástico já não havia paciência.»

 

João Carvalho: «Nas piores horas do dia, o melhor transporte é o que circula contra os outros…»

 

José António Abreu: «É só de vez em quando. Muito de vez em quando. Não mais de três ou quatro vezes por dia. Cinco, no máximo. Pronto, de modo a abranger aqueles dias já não exactamente típicos, que sejam seis. É só quando olho para cima, e nem sempre. O quê? A vontade que me surge de comprar uma caixa de chumbos, pegar na velha pressão de ar que o meu pai me ofereceu quando eu era miúdo e ninguém usa há décadas, e sair por ai atingindo Pais Natais agarrados a fachadas de prédios. Não procuraria atingi-los nas zonas vitais. Não, nada disso. Tentaria posicionar-me de lado e acertar-lhes nos dedos das mãos, de modo a fazê-los cair.»

 

Rui Rocha: «O PCP, o partido que entendeu dirigir condolências ao povo da Coreia do Norte e ao Partido dos Trabalhadores norte-coreano pela morte do ditador trucidário Kim Jong-il, votou hoje contra um voto de pesar pela morte de Vaclav Havel, ex-presidente da República Checa e herói da luta pela liberdade do seu povo. Uma vergonha e um sinal inequívoco de que o PCP não compreendeu nada, não evoluiu nada e não tem nada para dar ao regime democrático.»

 

Eu: «Tantas teorias já li até hoje sobre jornalismo. E nenhuma delas consegue deslustrar a mais clássica de todas: o jornalista deve escrever de forma clara, concisa e compreensível sobre acontecimentos a que assistiu ou que foram presenciados por testemunhas idóneas. Tudo o resto são variações a esta regra de bronze da profissão que tem sido exemplarmente aplicada por várias gerações de jornalistas.»

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