
Churchill com Isabel II em 1955
Fez na Sexta-Feira Santa um mês que, como tantos de nós, entrei em reclusão doméstica voluntária. Como tantos de nós, cidadãos comuns, que nos antecipámos à tardia decisão do Governo de encerrar creches e escolas, restringir ao mínimo os contactos sociais e suspender as deslocações diárias entre casa e trabalho, sem necessitarmos de ver os movimentos tolhidos pela declaração do estado de emergência.
Ainda o Presidente da República e o primeiro-ministro distribuíam beijinhos e abracinhos numa sessão pública no Porto que nunca deveria ter ocorrido, para assinalar o centenário do Teatro de São João, e já milhares de portugueses agiam com a noção exacta dos riscos do novo coronavírus, classificado a 11 de Março como pandemia mundial pela OMS.
Relembro já com nostalgia aquela aparente normalidade que precedeu a clausura. No dia 6, congreguei o meu clã leonino num jantar de blogue. Dois dias depois, um domingo, visitei o estádio José Alvalade pela última vez, testemunhando ao vivo a primeira (e única) vitória do novo treinador, Rúben Amorim. Ao fim da tarde de 9 de Março, fui ao cinema: sala despida, como tantas vezes acontece. A partir daí, isolamento.
Saio só para meia hora diária de passeio higiénico e para renovar ocasionalmente a despensa, sempre em doses moderadas. Perplexo ao ver tanta gente empurrando carrinhos de supermercado a transbordar de compras ou a atulhar bagageiras com garrafões de água mineral. Questiono-me aliás qual será a necessidade de adquirir tanta água engarrafada quando temos felizmente acesso a água canalizada de inegável qualidade, ao contrário do que sucede em mais de metade das nações do globo.
Mudei hábitos quotidianos, à semelhança do que aconteceu com tantos de nós. Usar sempre a escada em vez do elevador, por exemplo. Ou limpar o telemóvel com um pano húmido ao chegar a casa e utilizá-lo só em casos de absoluta necessidade quando estou na rua. Outros, que mantenho há muito, começam agora a ser adoptados pelos vizinhos, como confirmo ao passar nos vários patamares do prédio: sapatos à porta de casa, nunca entrar com o calçado da rua. Sorrio ao lembrar-me que os meus vizinhos chineses, em Macau, já procediam assim no início da década de 90.
Sorrio menos ao lembrar-me de declarações insensatas de responsáveis políticos. Do Presidente da República, por exemplo, que naquele seu estilo muito próprio opinava a 25 de Fevereiro: «Fechar fronteiras é impossível. Se alguns países acham que é possível fechar fronteiras, o que estão a fazer é controlar algumas pessoas nas fronteiras.» Ou do primeiro-ministro, que a 11 de Março, já com muitas escolas privadas e diversas universidades encerradas de moto próprio, ainda hesitava: «Sabemos bem que encerrar uma escola tem um efeito muito perturbador na vida das famílias. Só podemos e só devemos fazer na margem que for o estritamente necessário.» Transmitindo um sinal errado a uma sociedade que já andava no passo certo.
Infelizmente passámos desta lassidão oficial para o campo oposto – a do excesso de zelo. Vejo agora membros das corporações policiais a interpelar cidadãos solitários que caminham em alamedas, jardins ou praias, respeitando a distância sanitária sem perturbar seja quem for. Dizem-me que por esse país fora há agentes da autoridade e até funcionários autárquicos de megafone em riste a mandar para casa pessoas que cumprem o indispensável período quotidiano de exercício físico diário, que é também um tónus psicológico. Como alertou o professor Daniel Sampaio, o isolamento social, associado ao receio de contrair Covid-19, terá efeitos graves na saúde mental dos portugueses.
A exibição desta musculatura autoritária é inaceitável. Tal como as medidas de drástico confinamento colectivo decretadas à la carte por sucessivos autarcas à revelia do poder central ou as imagens de um drone berrando «Fiquem em casa» sobre um passeio marítimo sem ninguém a circular. E nem vale a pena mencionar os patéticos palpites dos tudólogos que se apressam hoje a dizer que as medidas restritivas em vigor só deverão ser levantadas no dia em que os contágios se reduzirem a zero. Alguns, não há muito, achavam tudo isto um manifesto exagero: tornaram-se mais papistas do que o Papa.
Esta gente que a falar ou a decretar passa do oito para o oitenta com uma leviandade de bradar aos céus não tem noção do país em que vive nem do comprovado civismo de um povo que, em situações de calamidade, já demonstrou maior maturidade e sentido do dever cívico do que muitos decisores políticos ou incontáveis “líderes de opinião”. De um povo que tem respeitado com serenidade as drásticas reduções ou suspensões de direitos (direito de reunião, direito de manifestação, direito à greve, direito à resistência) e liberdades (liberdade de circulação, liberdade de emigração, liberdade religiosa). Mesmo angustiado com o dia de amanhã e com o mês seguinte. Mesmo ignorando se haverá trabalho quando a pandemia amainar.
Nestas ocasiões, para relativizarmos os problemas, convém revisitar quem passou por muito pior e as lições de vida que soube incutir-nos. Alguém como Churchill, que chegou a ser o político mais solitário do planeta em defesa da liberdade perante o avanço da artilharia totalitária. «Um optimista vê uma oportunidade em toda a calamidade, um pessimista vê uma calamidade em toda a oportunidade», dizia este admirável resistente.
Tentemos aprender com ele.

O OLX (e não só) está cheio de optimistas…
A questão dos passeios solitários é interessante. Em alguns locais a distância é mantida por obra e graça não do Espírito Santo mas da baixa densidade populacional, já noutros, é porque a larga maioria fica em casa. Se cada um sair para o seu passeio higiénico, em determinadas zonas mais populadas, criam-se os tais ajuntamentos. Se todos os runners mantiverem a sua rotina, dificilmente não se cria um pelotão.
Concordo que se agiu tarde, e por isso mesmo as acções tiveram de ser mais exigentes. Gostaria que não tivesse havido carnaval, que a polícia de choque fosse dispersar as coronaparties à bastonada, que os eventos desportivos (por muito que custe) tivessem sido realizados à porta fechada, e que houvesse um efectivo controle das fronteiras.
Entretanto, e sem nada a ver, dei por mim a rever uns episódios da Guerra dos Tronos. Enquanto espero que o senhor acabe de escrevinhar, para que possa dar início à leitura da saga, pus-me a pensar na mudança de paradigma da série nas últimas temporadas, claramente mais viradas para se adaptarem ao gosto do público. Se algo a série nos ensinou, é que as acções têm consequências. Se fazes algo de estúpido ou irresponsável, o mais certo é perderes a cabeça (literalmente), não te valendo se és bravo, honrado ou herói de toda a história. A partir de certa altura, os personagens podiam tomar as mais imbecis decisões, que nada lhes acontecia. Eram salvos por uma qualquer intervenção divina, as suas falhas esquecidas (quer por aliados quer por inimigos), a vida continuava o percurso escrito. Qualquer semelhança entre isto e a vida política e social de hoje será mera coincidência.
“Se todos os runners mantiverem a sua rotina, dificilmente não se cria um pelotão.”
Vamos a horas que não costumávamos ir. Escolhem-se horas e percursos não habituais (fácil através do Strava – não selecionar heatmaps- Garmin, etc).
Eu quando vou correr e vejo outro “runner” existe, entre nós, uma certa camaradagem, trocando, cada um, de passeio. O mesmo não posso dizer de quem anda na rua a passear a passarinha. Às vezes apetece-me andar com um bastão de defesa para manter a distância de segurança.
Outra coisa estúpida é estarem proibidas as actividades na natureza. Garanto-lhe que estou 1000 x mais seguro a 1500m de altitude no Gerês que na rua, nos, tais, permitidos passeios higiénicos. No final do mês acabo com esta palhaçada.
«Outra coisa estúpida é estarem proibidas as actividades na natureza. Garanto-lhe que estou 1000 x mais seguro a 1500m de altitude no Gerês »
A minha solidariedade, amigo. Aqui sofremos do mesmo e o tempo tem estado óptimo para caminhadas.
Borrageiro e Rocalva?
Se todos os runners mantiverem a sua rotina, dificilmente não se cria um pelotão.
Se isso fosse verdade, então nos dias normais estar-se-ia sempre a ver pelotões de corredores e/ou de pessoas a passear.
Na verdade, isso não é assim. Nos dias normais é raro ver grandes ajuntamentos de pessoas a fazer exercício ao ar livre. Há exceções (como no paredão de Cascais aos fins de semana), mas são raras.
Lavoura, a zona entre Alcântara e Jamor era (e será) muito povoada entre as 18 e 20.
Não havendo deslocação automóvel é natural que as pessoas corram em zonas mais próximas de casa, o que nas cidades dificulta a escolha de percursos.
Aqui na Santa Terrinha há 2 ou 3 locais privilegiados porque têm passeios ou ciclovias longos, e são planos. Estando perto de zonas habitacionais bem povoadas, estão sempre preenchidos.
Os locais tipo matas e parques já foram fechados, exactamente porque iam para lá fazer exercício. Os horários continuam a ser reduzidos, ou a manhã, ou o pós laboral. Não é que a malta possa fazer escalas durante a tarde.
Pois há quem veja numa calamidade uma oportunidade. Cheguei agora da farmácia, onde me pediram 15€ por 250ml de álcool, o mesmo por gel, e 1,40€ por cada máscara descartável. Dirão os liberais que é o mercado, e que assim quem precisa tem. Talvez. Eu chamo-lhe outra coisa. A última vez que comprei um frasco de álcool custou 0,27€. A 15€ não dá. Nem álcool, nem máscaras, nem gel.
O “mercado”, a continuar assim, acaba nacionalizado por culpa própria. Porque é simplesmente impossível obrigar ao uso de máscara a estes preços, ou usar gel desinfetante. Ou, qualquer dia, o sabão azul e branco ao preço de sabonete Chanel. Se não estiver já.
Tens muita sorte, pá. Na Venezuela, onde não há liberais e o Estado manda em tudo, os hospitais não têm água nem electricidade. Imagina-te lá. É um bom exercício mental.
Considero-me um liberal, mas sem regulação isto era um fartar vilanagem.
O pessoal aproveita qualquer aberta para roubar. Sim, duplicar o preço de um produto porque sim (mesmo considerando que possam ter mais custos), ou porque é Santo António, ou porque há covid, ou porque chegam turistas, é andar no gamanço.
Boa tarde,Pedro Correia.
Leio a sua crónica e revejo-me exactamente nela, até nos comportamentos próprios que descreve.
Estive a trabalhar no aeroporto até 19 de Março, altura em que, por indicação da saúde ocupacional, vim para casa, já sou grupo de risco, 65 anos este ano,lá mais para a frente, além duma outra coisa mais “pontuda”, um carcinoma duma supra-renal, há muitos anos, com químio depois, situação resolvida mas não vamos arriscar.
E cá estou, com a minha mulher, as saudades dos filhos, um em Londres há 6 anos, outra em Bruxelas desde o Verão passado, os dois bem,felizmente. Muita leitura – ainda bem – disponível e para pôr em dia, alguma – pouca – televisão, o computador para estas “visitas” e haja paciência…para tudo.
Grande abraço e desejos de saúde
Fernando Antolin
As melhoras, Fernando.
Muito obrigado, saúde
Grato pela sua visita, caro Fernando. Registo sem surpresa a sintonia, uma vez mais.
Votos de boa saúde. E que o bom humor nunca nos abandone.
Saí anónimo.
Pedro Correia, já me vi mais longe da Venezuela. Por cá os hospitais têm água e luz, talvez estejam a dever a conta. Não sei. Sei que na escola da minha filha só houve sabão uma semana antes de fechar.
Talvez você possa tomar banho em álcool a 60€ o litro, não sei. Eu não. Talvez, se ninguém conseguir comprar álcool e máscaras, o preço baixe naturalmente – é um equilíbrio de procura e oferta. Até lá anda-se desprotegido, e um mercado que deixa morrer os clientes também não é grande coisa. E olhe que eu percebo a lógica por detrás da cura da hepatite – o medicamento é caro e cura, a alternativa é mais cara e não cura.
Eu dou-lhe um exercício mental: raptam o seu filho, pedem-lhe tudo o que tem em troca de o libertarem – você tem opção, é justo?
Se me obrigarem a usar máscaras e não as puder pagar, serei o quê, multado? Preso?
Eu sei que não posso saír à rua despido, mas até aqui não me obrigaram a comprar calças Burberry.
Em país nenhum do mundo é obrigatório andar na rua com máscaras cirúrgicas descartáveis.
Pois ainda bem, que a estes preços não poderia cumprir essa obrigação. Também não poderei proteger outros se estiver infectado, e assintomático.
Reagi daquela forma por estar anónimo. Não sabia que era você e anónimos são mais que as mães…
Aqui suscita uma questão muito pertinente.
A mim parece-me óbvio que qualquer obrigação, por parte do Estado, de fazer os cidadãos andar de máscara protectora exige que seja o Estado a dispensá-las gratuitamente. Isto corresponde ao que já foi anunciado em Espanha e ao que o Presidente Macron deu a entender no discurso desta noite aos franceses.
Uma máscara destas tem duração máxima de quatro horas. Quem andar 12 horas fora de casa precisará de três máscaras por dia, no mínimo. Em cinco dias laborais, são 15 – só numa semana.
É fazer as contas, como dizia o outro.
Diferente é a questão do gel alcoólico: só compra quem quer. Já estou como na questão da água engarrafada: há boa alternativa, muito mais barata.
Neste caso a alternativa é água da torneira e sabão.
Fora de casa não é prático andar com o lavatório.
Repare no ritual que é uma ida ao supermercado. Quem pegou no carro de compras antes de mim? Alguém terá mexido ou tossido para cima das coisas que escolho? Os funcionários da reposição podem estar infectados. Quem mexeu no terminal multibanco antes de mim? Contacto com imensas superfícies de plástico, um dos fómites onde o vírus é mais persistente. Tento não tocar no rosto até arrumar as compras, entro no carro e desinfecto as mãos, o cartão multibanco e o frasco de desinfectante, e só depois fecho a porta. O interior do carro tem que ser seguro. Chegado a casa retiro as compras e desinfecto os puxadores do carro. Só a partir daí é que trabalho com água e sabão e outros produtos de limpeza. Não gasto muito desinfectante, mas gasto. Tento não levar para casa vírus. Gasto água e sabão, sim, e só espero que não façam a mesma especulação com o sabão.
Se a minha filha voltar às aulas presenciais, entra num viveiro potencial de vírus. Quem se sentou antes? Quem se senta depois? Quantos mexeram nos puxadores das portas? Na boca, nariz, olhos, e no tampo da mesa? Mais uma vez, o material é plástico ou metal. Não acredito que desinfectem toda uma sala de aula entre turmas, vai precisar de desinfectante, que a escola deveria providenciar.
Aliás, há anos, no surto de gripe A havia dispensadores de desinfectante por todo o lado, eram ubíquos, havia até tapetes embebidos em desinfectante. Nunca houve falta. O que está a acontecer agora? Não temos mais gente. E falta tudo isso.
António, chama a isso viver? Já reparou na barafunda dos rituais diários? No pânico minado das suas palavras?
Eu dava em doido se seguisse diariamente essas suas medidas. Aliás, antes o vírus covid que o vírus do Medo, que nos torna a vida miserável e imerecida de ser vivida.
Não há dignidade, quando deixamos o medo mandar.
Chamo, sim, chamo a isto viver. Não há barafunda, não há pânico, há ordem, método, não é muito diferente da proteção normal, diária, no local de trabalho – capacete, luvas, máscara, botas, procedimentos básicos de segurança. Se eu quiser andar no trabalho armado em herói arrisco ser esmagado, electrocutado, asfixiar. Aliás, nem posso, mesmo que quisesse. Além do mais não se trata apenas da minha segurança, mas da de todos. Há quem pense nos outros, sabe?
Rituais são tão simples como colocar o cinto de segurança no carro, ou lavar as mãos depois de sujá-las.
Se você é inconsciente e irresponsável é um problema seu, desde que não coloque a saúde dos outros em risco. E palpita-me que coloca.
Quanto à minha vida ser miserável e imerecida de ser vivida, essa é tão má, mas tão má, que nem sei classificá-lo. Eu é que decido se mereço viver, não você – era também só o que me faltava.
Não perca o sentido das proporções, e tome tento no que escreve. Não se dá um tiro na cabeça a um tipo que partiu uns ossos e tem de passar 6 meses deitado – você se calhar dava, porque isso não é vida. E não é, mas faz parte dela, tal como este vírus agora.
Meu caro, não me referia a si, nem a alguém. Não me venha dar lições, pois estou em casa há mais de um mês recebendo 1/4 do meu vencimento. Por lei até poderia estar a trabalhar mas, considero haver risco considerável de ser infectado e infectar outros mais vulneráveis.
Mas o António descrevia uma simples ida ao supermercado. Não imagino o que acontecerá se tiver que ir a um Centro de Saúde. Desinfectar sacos, portas de carros, cadeiras…. Fico pelo básico, pelo prático, pelo que consigo manter durante um tempo considerável conservando o juízo. Isto não é o Ébola, nem o SARS (o primeiro) .
Caro Vorph se por lei poderia estar a trabalhar, penso que o deveria fazer embora compreenda a sua posição.
Eu tenho de continuar a trabalhar (por imperativo moral também) e tenho em casa familiares que pertencem a um grupo de risco, estando eu próprio dentro de um desses grupos.
Aliás penso que quem pudesse trabalhar in sito o deveria fazer sempre pois existem muitas profissões / trabalhos essenciais para a estrutura socio-económica de uma nação não colapsar.
Quem está na linha da frente não deverá nunca ser esquecido mas sem rectaguarda essa linha da frente cairia num ápice.
WW
” E palpita-me que coloca.”
Bardamerda
A minha estratégia :
Ficar em casa só saindo para passear o cão, mantendo sempre uma distância segura dos outros transeuntes (pelo menos 2m). Desporto só em casa (benditos kettlebells) , excepto as duas vezes por semana que saio para correr, sendo bastante simples evitar os transeuntes. Compras raramente faço. Uso luvas descartáveis, tendo ainda uma viseira. Lavo frequentemente as mãos e não contacto com ninguém inserido num grupo de risco (daí decidir não trabalhar, pois embora tenha equipamento de protecção individual o risco não é nulo, uma vez que o meu trabalho obriga-me a um contacto muito próximo e demorado com as pessoas)
Não se esqueça que muitas das substâncias activas contidas em desinfectantes permanecem sobre as superfícies depois de secas (alguns compostos químicos perduram horas, ou largos minutos, sobre as superfícies onde são aplicados – clorhexidina/48h – pode comprar na farmácia, ex: Diaseptyl- não havendo necessidade de estar continuamente a limpar, desinfectar, etc.)
Quanto ao meu comentário é uma opinião pessoal, não sendo uma crítica interpessoal.
“Se você é inconsciente e irresponsável é um problema seu, desde que não coloque a saúde dos outros em risco. E palpita-me que coloca.”
Quanto a esta enormidade, só com um pano encharcado nas suas trombas.
Seja uma crítica geral ou não ao meu modo de lidar com isto, dizer que eu ou quem age como eu não merece viver, simplesmente é furar a escala. Isso não se diz.
Chiça, uma vida pode não merecer ser vivida usando uma escala filosófica e não biólogica. Não estou a dizer que se matem os que pensam como o António,a maioria, ou os que pensam como eu, a minoria (aquela “coisa” do Voltaire está muito bem pensada). Mas tenho muito medo de um dia me agarrar à vida por medo. A partir desse instante morri.
Por ventura medo será a palavra correcta mas seguramente existe (e existia) mais medo em outras situações só que não eram tão mediáticas nos dias que corriam antes da pandemia.
Deixo um link esclarecedor para quem ainda tivesse dúvidas dos caminhos seguidos até agora e creio que esta pandemia será um catalisador para esses caminhos.
https://www.youtube.com/watch?v=k5OAjnve yJo
WW
Obrigado, ww
De 8 para 80. Como o anúncio de que as escolas em vez de fecharem 15 dias mais cedo para a Páscoa, ficam fechadas 6 meses, de março a setembro.
Certo que nalguns destes períodos elas já estariam fechadas. Mas a solução dos pais eram ATLs, colónias de férias e… os avós. Dão por encerrado o ano lectivo presencial para depois abrirem ATLs e colónias de férias? Não faz sentido repensar o calendário escolar deste e/ou do próximo ano? O que se fez agora foi manter o calendário a todo o custo, mandando toda a gente para casa.
Uma pessoa que passa 3 meses em tele-trabalho, a ajudar os filhos com a tele-escola, vai pedir ao empregador para ir de férias em julho/agosto porque não tem alternativa para os filhos?
De 8 para 80. Como o anúncio de que as escolas em vez de fecharem 15 dias mais cedo para a Páscoa, ficam fechadas 6 meses, de março a setembro.
Certo que nalguns destes períodos elas já estariam fechadas. Mas a solução dos pais eram ATLs, colónias de férias e… os avós.
Exatamente, de 8 para 80.
Mesmo que não se seja da minha opinião, de que não faz qualquer sentido fechar as escolas, uma vez que as crianças não adoecem com o covid, é totalmente disparatado aquilo que o govrno decidiu fazer – manter as escolas fechadas até ao verão.
Sendo que a epidemia está em decadência e os hospitais não estão sobrelotados, as escolas deveriam reabrir em maio.
O que faria todo o sentido proibir, isso sim, seria o contacto de quaisquer crianças com quaisquer idosos – em particular, o contacto das crianças com os seus avós. Na Suíça isso foi proibido, e em Portugal também o deveria ter sido.
“A epidemia está em decadência.”
Quem é que lhe contou isto? Já foi descoberta a vacina?
É cacha mundial. Nenhum jornal em quadrante algum do globo fez manchete com esta notícia.
Claro que a epidemia está em decadência. Não é preciso a vacina para uma epidemia decair, tal como não há vacina para o ébola, porém já muitas epidemias de ébola decaíram. Tal como o SARS em 2010 (salvo erro) também decaiu sem necessidade de vacina nenhuma. Tal como na Europa houve no passado inúmeras epidemias de peste negra, que decaíram todas sem que jamais houvesse uma vacina.
As epidemias são assim: perdem naturalmente a força.
Já montes de jornais notaram que a atual epidemia já perdeu a força, em Itália, em Espanha, na França, e em Portugal – onde atualmente a epidemia cresce a uma pobre taxa de 3% ao dia, quando no passado cresceu a 30% ao dia.
Está à vista de todos.
A epidemia está efectivamente em declínio. E estaria em declínio sem esta estupidez de confinamento: i-prof-claims-simple-stats-show-virus-pl ays-itself-out-after-70-days/?utm_source=T he+Daily+Edition&utm_campaign=daily-edition-2020-04-14&utm_medium=email
https://www.timesofisrael.com/top-israel
Pois. É o que eu disse no meu comentário anterior: já houve inúmeras epidemias no passado, e todas elas decaíram sem ação humana relevante, por motivos misteriosos mas nem por isso menos eficazes.
Esta epidemia está a ser como as outras: decresce passado umas dezenas de dias, em grande parte independentemente da (re)ação humana.
É como as epidemias de gripe: todos os anos aparecem – umas vezes mais cedo, outras mais tarde, umas vezes mais virulentas, outras menos -, mas todas elas acabam por desaparecer tal como apareceram, sem qualquer ação humana relevante nesse sentido.
Note-se que Ben Israel afirma que não sabe porque é que acontece, mas observa, sem sombra de dúvida, que acontece.
Não sabemos tudo e temos que aceitar a nossa ignorância. Não podemos tudo e temos que aceitar a nossa impotência. Não sabemos porque é que a epidemia aparece, nem porque desaparece. Não podemos evitar que ela apareça, nem podemos evitar que ela desapareça.
Obrigado pela partilha deste seu texto.
Relembro que já depois de se saber o que se passava a “Oriente”, e na Europa, deixou-se andar, a bem da edilidade
https://www.noticiasmaia.com/maia-receb e-competicao-de-ginastica-acrobatica-com-1 300-atletas/
Pois…
Essa de não andar de elevador é uma excelente e pouca conhecida estratégia. Um bem haja para si e para os seus
Não percebo porque é que não se há de andar de elevador.
Eu ando todos os dias e não vejo qualquer problema nisso.
Também é verdade que ligo muito pouco à suposta necessidade de não nos contaminarmos mutuamente.
1)Eu ando todos os dias e não vejo qualquer problema nisso.
2)Também é verdade que ligo muito pouco à suposta necessidade de não nos contaminarmos mutuamente.
1+2=3)Não percebo porque é que não se há de andar de elevador.
E permite, como corolário, explicar por que razão não havia necessidade de fechar as escolas.
Eles não adoecem, então qual é o problema? 
Não vê problema nisso porque o problema é microscópico —entre 60 a 140 nano-não-sei-quês para ser mais preciso. Se o vírus fosse do tamanho de um porco-espinho garanto-lhe que não entrava no elevador.
Adenda :
Contudo a do elevador não consigo cumprir. O cão não consegue subir até ao 8° piso. Já é o cabo dos trabalhos para o fazer sair de casa
Já morei num 29.º andar. Daria muito menos jeito agora.
Eu subo sempre por escada, até por uma questão de forma física. Mas como vivo num 2º andar, não é lá grande treino.
João, experimente subir pela fachada do prédio. Aposto que queima para cima de 700 calorias
Ahahah
Churchil pensava melhor e era mentalmente mais ágil que a maioria de nós, por isso e pela firmeza das suas convicções, podemos dizer que foi decisivo a salvar a Europa do totalitarismo.
Este isolamento tem alguns lados positivos além dos pretendidos – ainda que nem sempre consigamos vê-los. Ontem, domingo de Páscoa, acabei por concluir que foi a primeira vez que saboreei o meu cabrito assado; é que, suprema maravilha, estava ainda quente. Não é pensamento de que Churchil se lembrasse. Mas cada um no seu nível:)
Eu gosto muito de cabrito, mas também de borrego. Ontem foi dia de comer borrego.
Eu disse cabrito? Mas é que era borrego. Não sou apreciadora de uma ou outra carne; mas é que estava mesmo bom. Ou seria do hábito de comê-lo quase frio que soube melhor:).
Comê-lo quase frio é que não me parece bem. Mais vale metê-lo no micro-ondas.
Pedro, nunca acabe com o Delito de Opinião.
Fique descansado, meu caro.
“E nem vale a pena mencionar os patéticos palpites dos tudólogos que se apressam hoje a dizer…. ” De facto, segundo Marques Mendes neste Verão e no próximo (em2021) ainda teremos de andar mais ou menos assim. Também me espantam os numerosos médicos que vão à TV dar palpites sobre o desenvolvimento da epidemia. Um médico saberá de medicina, mas de estatística tenho muitas dúvidas. Uma coisa é a medicina, outra coisa são os modelos matemáticos. Estes são baseados na Teoria das Probabilidades que é um assunto complicado. E que dão probabilidades, não certezas absolutas. Quer Marques Mendes quer os detentores de diplomas de medicina causam grande impacto na opinião pública (muitos acreditam piamente) pelo que deveriam ter mais cuidado com o que dizem. Deviam ter cuidado eles ou de preferência quem so chama à TV.
Um médico saberá de medicina, mas de estatística tenho muitas dúvidas. Uma coisa é a medicina, outra coisa são os modelos matemáticos.
Já agora, a boa epidemiologia não é medicina, mas também não é matemática nem estatística. A boa epidemiologia, tal como todas as boas ciências, é uma ciência baseada na experiência, e não em abstrações matemáticas.
Para saber como uma epidemia evolui, devemos antes do mais examinar de que forma evoluíram epidemias anteriores – e não seguir modelos matemáticos, estatísticos, probabilísticos, ou seja o que fôr que somente saia da nossa cabeça e não da experiência.
“é uma ciência baseada na experiência, e não em abstrações matemáticas.”
“seja o que fôr que somente saia da nossa cabeça e não da experiência.”
Com isto suponho que está a gozar e não a falar a sério. Desculpe, não vale a pena responder mas gostava de lhe fazer duas perguntas: tem alguma ideia do que é a Matemática e de com o se constrói? tem alguma ideia do que é o que chama abstracções matemáticas?
Penso que o que diz saiu da sua cabeça e não da experiência.
Joana, o Luís é mais de bosões
E os modelos matemáticos, estatísticos e probabilísticos são construídos como?
O Lavoura deve estar a confundir com aqueles números que os políticos disparam, esses é que são baseados na cabecinha deles e nada mais.
Eu acho que tanto a reação da população como, mais tarde, a reação das autoridades a esta crise foram (e estão a ser) totalmente histéricas e irrazoáveis.
O vírus não tem mais perigo do que o da gripe, que sazonalmente nos visita. Ou seja: para crianças e adultos saudáveis o perigo é nulo, o perigo só existe para pessoas muito idosas ou já previamente debilitadas.
É claro que o vírus mata, mas isso também o da gripe faz, todos os anos.
Criou-se entre a população uma histeria, totalmente não fundamentada, de que o vírus seria um terível assassino, quiçá como o da varíola ou o do ébola, que matam mais de 20% dos infetados. Este vírus não mata nada disso, e para a imensa maioria das pessoas – sobretudo para as crianças – cura-se sem grande dificuldade; muitos nem sentem quaisquer sintomas.
Agora está metade da população de Portugal, e do mundo, à nora sem saber como ganhar o seu sustento, agora e no futuro. Na prática, pouquíssima ente morreré do vírus, mas muita, muita gente morrerá da reação ao vírus – morrerá de fome, ou de outras doenças que o sistema de saúde nãp tratará.
É uma calamidade totalmente feita pela estupidez humana.
Decida-se de uma vez por todas, Luís Lavoura, a ver se podemos dormir descansados, ou continuarmos com os pesadelos.
Lá em cima afirma peremptoriamente que as crianças são imunes ao vírus, aqui diz ainda com convicção maior que as crianças curam-se sem grandes dificuldades. Em que ficamos, afinal.
E já agora, em que contexto explica as crianças que devido ao vírus já morreram, morrem e infelizmente ainda morrerão.
Lavoura, saia dessa negação. Isto não é uma gripezinha, parece o Bolsonaro, caramba!
Nunca notei uma gripe sazonal esgotar as capacidades dos sistemas de saúde a nível global.
Eu não disse que o covid-19 fosse uma gripezinha. Disse que “O vírus não tem mais perigo do que o da gripe”, isto é, que não mata mais do que a gripe; e isto é verdade – todos os anos, em Portugal e no resto da Europa, a gripe mata muitíssimo mais do que o covid-19 está a matar.
Será talvez verdade que para os serviços de saúde o covid-19 é pior do que a gripe, mas isso é porque a recuperação dos doentes é mais lenta. De resto, todos os anos os serviços de saúde ficam à nora na época do pico da gripe.
Agora, para a população em geral, a gripe é muito mais mortífera do que a atual epidemia.
Errado. Taxa de mortalidade é de 0.5-1% para a gripe sazonal e 3%para o COVID-19
Não, não é.
Para lá da taxa de mortalidade variar consoante o país, pelas mais diversas razões, ainda não foi possível chegar a um número. Tudo são previsões.
Factualmente, considerando os casos formalmente reportados (Johns Hopkins Center for Systems Science and Engineering Coronavirus COVID-19 global cases.) e o número de mortes, dá 6%.
Em abstracto, considerando que muitos tiveram contacto com o vírus mas nunca testaram positivo, esse número diminui.
O mesmo se aplica ao vírus Influenza.
Ninguém sabe qual é a taxa de mortalidade do covid-19, dado que não se sabe quantas pessoas foram por ele infetadas. A taxa de 3% é válida supondo que só foram infetadas as pessoas que foram detetadas como tal. Mas há fundadas suspeitas de que haja muitíssimo mais pessoas que foram infetadas pelo vírus mas que não foram testadas dado que não manifestaram sintomas significativos.
Não se sabendo nem quantas pessoas tiveram contacto com o covid-19, nem quantas pessoas tiveram contacto com o vírus da gripe, é muito mais objetivo contar somente os mortos pelas duas causas. E, aí, não há qualquer espécie de dúvidas: a gripe mata muitíssimo mais pessoas (creio que umas 10 vezes mais) do que o covid-19.
Meu caro este vírus nasceu, na Europa, em Fevereiro. O Influenza já anda aí há muittttoooo tempo. No final falamos
“Na prática, pouquíssima ente morreré do vírus, mas muita, muita gente morrerá da reação ao vírus – morrerá de fome, ou de outras doenças que o sistema de saúde nãp tratará.”
Ou seja… para proteger da limpeza etária (no caso do vírus andar por aí), iremos ter uma limpeza social.
É um género de prós e contras.
Eu não sou velho, mas também não estou em risco de morrer à fome. Posso ainda assim votar?
Vou começar pelo fim. Churchill que me perdoe, mas tenho que introduzir uma pequena correcção na citação, que ficaria assim: “Os optimistas e os oportunistas vêem uma oportunidade em toda a calamidade”.
E há muitos oportunistas que vêem nesta calamidade uma oportunidade para praticarem preços especulativos, para ganharem o protagonismo que nunca tiveram, para aparecerem como heróis salvadores da sua própria carreira política.
De resto, Portugal deve ser o país onde mais rapidamente se passa de bestial a besta e de besta a bestial. Passar do 8 ao 80, insere-se nessa lógica altamente volátil e volúvel, em que se navega à vista, sem bússola, sem sextante e sem visão, porque há muito se perdeu o mapa e o norte.
Tal como a OMS (aquela organização que não admite Taiwan no seu seio, nem mesmo como observador, que se lhe refere como “Taipei e arredores, China”, que o vice-primeiro ministro japonês já designou como “organização chinesa de saúde”) afirmava, segundo um “estudo” chinês, não existir prova científica da transmissão do vírus entre humanos, também se pode afirmar que não existe prova científica de que os políticos não sejam estúpidos.
Não causa estranheza, por isso, que a nossa querida ministra da saúde tenha afirmado hoje:
“De acordo com o princípio básico da precaução em saúde pública, e face à ausência de efeitos adversos associados ao uso de máscara, pode ser considerada a sua utilização por qualquer pessoa em espaços interiores, fechados e com um elevado número e pessoas”, talvez a reboque do Centro Europeu de Controlo de Doenças, que diz algo diferente: “pessoas assintomáticas devem usar máscara”.
(fonte https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/co vid-19-dgs-faz-o-ponto-da-situacao-acomp anhe-aqui-am-direto-a-conferencia-de-imp rensa ).
Tal como já venho a escrever desde há 3 – 4 semanas, em comentarios a vários posts neste blogue, o uso de máscara deveria ser obrigatório em todos os espaços fechados, públicos ou acessíveis ao público. Contribuições fundamentadas na evidência dos números, na opinião de vários especialistas, em artigos científicos e no bom-senso, um bem deveras escasso, infelizmente não transacionável.
Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ap render-como-nao-se-faz-11450367#comentar ios .
Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/la vouradas-da-semana-11428650#comentarios .
Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/di ario-do-coronavirus-6-11460969#comentari os .
Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/di ario-do-coronavirus-7-11473538#comentari os .
Aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-g esto-e-tudo-11478173#comentarios
Comparem os números de casos diagnosticados e de óbitos por milhão de habitantes do Japão, de Taiwan, da Coreia do Sul e de Macau, onde o uso de máscaras é generalizado e, nalguns casos, obrigatório, com os números europeus e tirem conclusões (podem fazê-lo aqui https://www.worldometers.info/coronaviru s/ ).
Existem, certamente, outros factores que contribuem para os números exíguos apresentados por aqueles países asiáticos (sei que Macau não é bem um país). Não o nego, antes pelo contrário. Mas o denominador comum é o uso generalizado de máscaras e isso é inegável.
A terminar, acrescentaria que o CDC americano recomenda o uso de qualquer bareira que cubra a boca e o nariz, caso não existam máscaras disponíveis. Podemos pensar, entre outras coisas, em lenços, cachecóis, “máscaras” caseiras, etc.
Elvimonte, vocemessê é um génio escondido. Oxalá o esfreguem a tempo.
Contacte – os amanhã. Hoje já fecharam
https://www.hopkinsmedicine.org/som/
“génio escondido”? Já me chamaram coisas bem piores. Encaixo essa sem desconforto.
Agora sem ironia. Vossa mercê (versão anterior de vocemessê) inquiriu algures o que fazia eu, profissionalmente. Não lhe dei resposta directa a essa questão, preferindo a forma velada. Em respostas que lhe dei posteriormente a outras questões que me dirigiu nesse mesmo post, encontra indícios daquilo que faço e das áreas onde me costumo mover.
Referências à John Hopkins estão assim completamente fora daquilo que sou, se bem que haja áreas que se intersectam.
OK. Génio não é. Oráculo?
Então e os seus comentários sobre a hidroxicloroquina? E o que acha da Ivermectina?
Sobre a cloroquina já lhe respondi abaixo. Quanto à ivermectina, de que foi o primeiro a chamar-me a atenção, apenas procurei o artigo científico que tinha dado origem à notícia:
“The FDA-approved Drug Ivermectin inhibits the replication of SARS-CoV-2 in vitro”
https://www.sciencedirect.com/science/ar ticle/pii/S0166354220302011
Li-o (em diagonal) e concluí que o mecanismo de inibição é diferente do da cloroquina, o que reputo de importante. Quando os mecanismos de actuação são diferentes, a redundância é sempre boa, a menos que existam incompatibilidades – princípio genérico com extensa gama de aplicações.
Quem é que é o oráculo?
Chegou o momento de lhe agradecer o contributo esclarecido e documentado que tem trazido há várias semanas aqui ao DELITO, a propósito desta questão que a todos preocupa.
Grato pelas suas palavras. Reconheço, no entanto, que outros o teriam feito melhor do que eu.
Mas não era com dados normalizados 😉
Mas que máscaras?
In conclusion, both surgical and cotton masks seem to be ineffective in preventing the dissemination of SARS–CoV-2 from the coughs of patients with COVID-19 to the environment and external mask surface.
https://annals.org/aim/fullarticle/2764 367/effectiveness-surgical-cotton-masks-b locking-sars-cov-2-controlled-comparison
“Face masks should not be worn by healthy individuals to protect themselves from acquiring respiratory infection because there is no evidence to suggest that face masks worn by healthy individuals are effective in preventing people from becoming ill.”
https://jamanetwork.com/journals/jama/f ullarticle/2762694
“pode ser considerada a sua utilização por qualquer pessoa em espaços interiores, fechados e com um elevado número e pessoas”, é diferente de “pessoas assintomáticas devem usar máscara”.
Pelo que tenho visto, quotidianamente, o mau uso das máscaras poderá contribuir para um escalar dos casos, porque as máscaras concentram, elas mesmas, partículas em suspensão. O uso de máscara pode funcionar em países cujos nacionais estão habituados a obedecer às autoridades. Nós, felizmente ou infelizmente, não somos assim.
O OMS chinesa? O maior contribuinte são os EUA. Quanto ao não reconhecimento de Taiwan, é política, baixa, ligada a interesses económicos. Taiwan também não faz parte dos Estados membros da ONU
“Neither surgical nor cotton masks effectively filtered SARS–CoV-2 during coughs by infected patients. Prior evidence that surgical masks effectively filtered influenza virus (1) informed recommendations that patients with confirmed or suspected COVID-19 should wear face masks to prevent transmission (2). However, the size and concentrations of SARS–CoV-2 in aerosols generated during coughing are unknown.”
https://annals.org/aim/fullarticle/27643 67/effectiveness-surgical-cotton-masks-b locking-sars-cov-2-controlled-comparison
Enfatizo a última frase: ” However, the size and concentrations of SARS–CoV-2 in aerosols generated during coughing are unknown.”
Acrescento que estudo não comtempla a não utilização de máscaras, comparando apenas a eficiência de vários tipos de máscaras. Não tem em conta a natureza do escoamento bi-fásico, nomeadamente a extensa gama de diâmetros de partículas na fase líquida, o seu alcance e a sua dispersão quando não se usa máscara.
“Face masks should not be worn by healthy individuals to protect themselves from acquiring respiratory infection because there is no evidence to suggest that face masks worn by healthy individuals are effective in preventing people from becoming ill. Face masks should be reserved for those who need them because masks can be in short supply during periods of widespread respiratory infection.”
https://jamanetwork.com/journals/jama/fu llarticle/2762694
Desde logo, trata-se de um artigo de 4 de Março deste ano, do qual destaco a frase subsequente à sua citação: “Face masks should be reserved for those who need them because masks can be in short supply during periods of widespread respiratory infection.”
Destaco também um dos pressupostos do artigo: “Face masks are used more commonly for respiratory viruses that spread via droplets, which travel short distances and are transmitted by cough or sneeze.” Este pressuposto, à luz de conhecimento mais recente, está completamente ultrapassado. Veja-se o artigo também publicado no JAMA mais recentemente e a que já fiz referência: “Turbulent Gas Clouds Respiratory Pathogen Emissions: Potencial Implications for Reducing Transmission of COVID-19”.
https://jamanetwork.com/journals/jama/fu llarticle/2763852
Contudo, concordo plenamente com o princípio básico enunciado: “Face masks should not be worn by healthy individuals to protect themselves (…).”
Aquilo que tenho vindo a escrever é que o uso de máscara deveria ser obrigatório em todos os espaços fechados, públicos ou acessíveis ao público, para evitar o mais possível a disseminação do vírus a partir das fontes primárias de infecção – as pessoas infectadas.
Notícias de hoje, cujos links pode encontrar abaixo, respectivamente:
“COVID-19: Máscaras sociais podem ser de algodão ou poliéster, esclarece Infarmed”
“Mais de 200 empresas nacionais estão dispostas a produzir máscaras sociais “made in Portugal””
https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-s aude/artigos/covid-19-mascaras-sociais-p odem-ser-de-algodao-ou-poliester-infarme d
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/m ais-de-200-empresas-nacionais-ja-mostrar am-vontade-de-produzir-mascaras-sociais-m ade-in-portugal-575569
O CDC americano, de forma muito pragmática, recomenda o uso de qualquer bareira que cubra a boca e o nariz, caso não existam máscaras disponíveis. Lá, os números disponíveis apontam para cerca de 50% de casos assintomáticos.
Concordo que as máscaras sejam usadas em ambientes públicos fechados e onde não seja possível um controlo da distância sanitária entre os indivíduos (lojas, transportes públicos, etc) e em ambientes onde a carga viral ambiental seja potencialmente alta (hospitais etc).
Na rua parece – me descabido
É também esta a minha opinião.
Claro que é também a sua opinião. Somos homens sensatos.
Sempre defendi que o seu uso deveria ser obrigatório em todos os espaços fechados, públicos ou acessíveis ao público.
Concordo plenamente.
Quando escrevi “Concordo plenamente.”, referia-me ao seu último parágrafo: “Na rua parece – me descabido”.
O “controlo da distância sanitária entre os indivíduos” é algo difuso, tendo em conta a quantidade de variáveis intervenientes: densidade de ocupação média do espaço, velocidade relativa média de infectados e não-infectados, o seu posicionamento relativo (atrás, à frente, ao lado), a diferença de temperatura existente entre os jactos emitidos (ao expirar, falar, tossir, espirrar) e a temperatura ambiente, a humidade relativa ambiente, o campo de velocidades médias do escoamento ambiente, a sua intensidade de turbulência, a quantidade de movimento dos jactos e as características da sua fase líquida.
Elvimonte, este seu último comentário serve-lhe apenas para fazer crer que não concorda comigo em absoluto
https://poligrafo.sapo.pt/fact-chec k/a-hidroxicloroquina-e-um-farmaco-milag roso-no-tratamento-da-covid-19
Não sou da área, saberá disto muito melhor do que eu. Listo abaixo os artigos científicos em que me fundamento.
“Zn2+ Inhibits Coronavirus and Arterivirus RNA Polymerase Activity In Vitro and Zinc Ionophores Block the Replication of These Viruses in Cell Culture”
https://journals.plos.org/plospathogens/a rticle?id=10.1371/journal.ppat.1001176
Note-se que se trata de um artigo de 2010.
“Chloroquine Is a Zinc Ionophore”
https://journals.plos.org/plosone/articl e?id=10.1371/journal.pone.0109180
Este é um artigo de 2014.
“Physicians work out treatment guidelines for coronavirus”
http://www.koreabiomed.com/news/articleV iew.html?idxno=7428
Artigo de 13 de Fevereiro deste ano.
Copiar aquilo que tem dado bons resultados, na prática clínica de outros países, sustentados em estudos científicos, embora in vitro, parece-me ser a perspectiva útil.
A exibição desta musculatura autoritária é inaceitável. Tal como as medidas de drástico confinamento colectivo decretadas à la carte por sucessivos autarcas à revelia do poder central
Se não me engano muito, (quase) todos os autarcas que atuam dessa forma são do PSD.
Temos por exemplo Salvador Malheiro, que tudo fez para impôr o cerco ao seu concelho Ovar; o autarca de Castro Daire, que queria fazer o mesmo no concelho dele; os autarcas de todos os concelhos de São Miguel, que retalharam a ilha aos bocados quando a taxa de contaminação nela até é bem pequena; e os autarcas de Oeiras e Cascais, que proibiram os cidadãos de passear nos paredões e de aceder às praias dos seus concelhos.
Parece que o partido do Pedro Correia é o mais amigo daquilo que o Pedro Correia critica.
Não sou nem nunca fui do PSD.
Não sei nem quero saber qual é a filiação partidária dos autarcas que têm decretado “cordões sanitários” nos respectivos concelhos.
Ligar esses “cordões sanitários” a partidos políticos é uma imbecilidade própria de quem não tem melhor coisa para fazer do que passar os dias a comentar em blogues alheios.
Comungo da perplexidade quanto à necessidade de consumir água engarrafada no nosso País, salvo talvez no Algarve, por ser muito alcalina. Passei há muitos anos à água canalizada, ao deixar de poder beber água de uma mina/nascente.
Haja alguém que me compreenda. Nestas vagas de açambarcamentos, a dos garrafões de água é que menos entendo.
Chego a ver pessoas a levar 25 litros de água mineral para casa de cada vez.
Li algures que o número de desempregados aumenta em mais de 4000 por dia. Li algures que o confinamento total não é solução, pois não permite a criação de imunidade de grupo. Li algures que existem grupos de risco bem definidos e que deveriam ser estes o foco das atenções. Não vi nada no nosso “jornalismo” que se aproximasse sequer de uma tentativa de confrontar os nossos “queridos líderes ” com estas questões. É por isso que digo que a comunicação social portuguesa em geral está vendida a alguém. E os noticiários abrem com o número de detenções de cidadãos que apenas querem seguir com as suas vidas…
João Lopes
Interessante contributo, o seu.
Confessa ter “lido algures” muita coisa, sem nunca especificar onde. Mas como a seguir desanca na comunicação social, por estar “vendida a alguém”, deduzo que terá lido nas entranhas de algum peixe. Ou então recebeu a mensagem por sinais de fumo, sabe-se lá.
Como eu não pude (nem quis) aderir à moda do confinamento, uma vez que tenho de trabalhar se quiser viver, não consigo anotar de forma eficaz as fontes aonde vou lendo algumas coisas. De qualquer maneira, essa das entranhas de peixe parece-me ser algo de mal cheiroso. Ainda assim prefiro os sinais de fumo.
Agora diga-me frontalmente: acha que a comunicação social tem feito muito mais que criar histeria e ungir “os grandes líderes”?
Imunidade de grupo? Já há chineses re-infectados. Li ou vi algures.
Sim. É a segunda vaga já a começar.
Sim mas não é infecções em gente que esteve escondida a ver o Netflix como nós — é infecções em gente que já esteve infectada.
Pois. Estás a focar um aspecto crucial associado a esta doença. A breve imunidade adquirida contra este vírus. É um vírus, como te disse, com um “design” soberbo.
Se isso for verdade e confirmado só com vacinação. Esquece imunidade de grupo numa imunidade adquirida que dura, se durar, menos de 6 meses. Em Dezembro com o Influenza vai ser o caos.
Sim. Não percebo muito do assunto, mas se a vacina para a gripe normal também tem uma duração reduzida… das duas uma, ou se arranja maneira de o vírus desaparecer por falta de cadeias de transmissão — ou então vai andar por aí durante dezenas de anos até sermos todos feitos de plástico.
Sim, mas a imunidade para a gripe é de 6 meses. E a existência de vacina faz toda a diferença
PAra além de coincidir no calendário também coincido nas memórias – e só posso agradecer que sejas mais organizado do que eu, e que mantenhas (e divulgues) as fontes para podermos recordar com citações as patacoadas que os nossos magnificos governantes foram dizendo e fazendo com a borrasca já dentro de casa
Patacoadas – aí está um termo muito português e muito apropriado à situação em curso. A merecer livro já com título.
O Vírus das Patacoadas.
Só quero saber se, quando o mundo voltar à mesma treta de sempre, os que disseram que o mundo mudou vão dar a mão à palmatória e dizer: “Olha, não percebo um caracol desta merda, desisto, vou prá província plantar batatas que é isso que eu afinal sei fazer, sei lá, se calhar nem isso.”
Eus e for p´ra província, “tipo”, Trás os Montes, vou plantar “ganza”.
É capaz de dar! Não sei é se dá para exportar porque aquela malta ali é meia maluca.
Hoje lá tive de sair de popó por volta da hora do almoço.
Não faltava gente em caminhadas e corridas.
Ainda tive a sorte de ver um desaguisado entre um ciclista e dois walkers (não confundir com os da série) que ocupavam a sua via de circulação (deviam ter combinado previamente a rota a seguir).
Felizmente há os patos que seguem essa coisa do confinamento, fica mais espaço para quem precisa.
A propósito de patos: nunca vi tantos por aí, na cidade. Patos mesmo, não dos outros.
Excelente texto. Diz quase tudo com admirável serenidade.
Grato pelas suas palavras.
E por falar noutra coisa…
Para preparar o futuro sem termos que “navegar à vista”, muito gostava de saber quais os resultados de testes de anti-corpos numa população estatisticamente representativa da população portuguesa. Nem que se tratasse de testes preliminares, a serem alargados no futuro.
Será que as nossas queridas responsáveis da área já começaram a pensar nisto? Ainda não? How dare you?
Excelente questão.