Dia de St. Patrick


Maria Dulce Fernandes,

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Hoje comemora-se o dia de S. Patrício, o santo padroeiro da Irlanda e da boa sorte.

Curiosamente o santo não nasceu irlandês nem Patrick. Crêem os historiadores o seu nascimento cerca de 390 dc no País de Gales sob o domínio Romano,  filho de Calpornius, um oficial do exército, dando pelo nome de Maewyn Succat.

Com cerca de 16 anos , foi feito prisioneiro e vendido como escravo na Irlanda, onde no condado de Antrim era pastor e cuidador de porcos e lhe chamavam Paddy.

Como a solidão é o melhor veículo para a introspecção, rápidamente encontrou Deus em si e se tornou senhor de uma fé inabalável.

Em oração surgiu-lhe a visão de um barco, encetando assim a sua fuga para a liberdade.

Ingressou num mosteiro em França, de onde 12 anos mais depois saiu ordenado sacerdote e  mais tarde já bispo e com a bênção papal  regressou ao seu cativeiro irlandês como missionário, com o objectivo de evangelizar o povo celta.

Sem querer impor a fé à força, integrou-a com os costumes locais , acrescentando pequenas coisas e obtendo excelentes resultados para a igreja católica.

Uma das suas pequenas coisas foi o trevo, planta trilobada, verde e abundante que com a trinca  corpo alma e mente explica a Santíssima Trindade , Pai, Filho e Espírito Santo. E como todos os que o ouviram o entenderam, os trevos tornaram-se um símbolo de boa sorte.

Nem sempre foi fácil com  druidas e caciques locais e das celas irlandesas, poucas lhe foram estranhas.

Morreu por volta do ano 490 dc, deixando a fundação da igreja irlandês fortemente estruturada.

Foram-lhe atribuídas uma série de lendas, mitos e milagres  dentre tantos dou como  exemplo o Fogo Mágico.

O fogo mágico

A festa celta Beltaine era um grande festival para celebrar o início do verão e o triunfo sobre os poderes das trevas. Uma fogueira era acesa pelo Rei da Irlanda no topo da Hill of Tara e seu fogo seria então usado para acender todas as outras fogueiras país afora.

Diz a lenda que São Patrício acendeu a fogueira antes de Laoghaire , o rei o atraindo a atenção dos chefes pagãos, os druidas, que relataram que o fogo de São Patrício tinha poderes mágicos porque eles não puderam apagá-lo.

Rei Laoghaire também foi incapaz de extinguir o fogo e aceitou que São Patrício era mais poderoso que ele. Por isso, mesmo não convertido ao Cristianismo, Laoghaire endossou a missão de São Patrício em terras irlandesas.

A cada dia 17 de Março comemora-se não o nascimento, mas a morte de St. Patrick.

Os que sobreviveram à Grande Fome comemoram este dia como feriado. É  o dia do orgulho de ser irlandês,  aliando a fé à superstição como Patrick tão bem fizera

 

Uma publicação em verde é sempre de valor.

Feliz dia de S. Patrício 

24 comentários em “Dia de St. Patrick”

  1. « A Grande fome de 1845–1849 na Irlanda (em irlandês: An Gorta Mór ou A Grande Fome[1]) foi um período de fome, doenças e emigração em massa entre 1845 e uma data variável entre 1849 e 1852,[2] em que a população da Irlanda se reduziu entre 20 e 25 por cento[3] inaugurando o primeiro período de crise da região.[4] A fome provocou a morte a cerca de um milhão de pessoas e forçou mais de um milhão a emigrar da ilha principalmente para os Estados Unidos e o Canadá.[5][6] A causa mais próxima da fome foi uma doença provocada pelo oomiceto Phytophthora infestans, que contaminou em larguíssima escala as batatas[7] em toda a Europa durante a década de 1840. Apesar de a Europa inteira ter sido atingida, um terço de toda a população da Irlanda dependia unicamente de batatas para sobreviver, e o problema foi exacerbado por vários fatores ligados à situação política, social e econômica que ainda são matéria de debate na comunidade acadêmica.[8][ »
    negros tempos nos esperam

    1. O trevo na verdade é mais uma das hábeis colagens ou fusões entre os símbolos e as tradições do calendário celta já existentes na Europa Ocidental (em Portugal houve muitas dessas sobreposições) aquando da chegada da religião cristã. O Cristianismo católico, aliás, define-se nessa medida de fusão e é largamente pagão e de origem popular (coisa que os padres detestam, aliás, é a religião “oportunista” dos votos e dos santinhos — mas a religião pura, mais dura e dogmática, como é o Islão, a que está apenas nos textos sagrados, nunca sobreviveria ao substrato pagão dos povos da Europa). Não é igual ao Cristianismo ortodoxo grego de onde veio porque, depois de séculos de guerras religiosas (guerras de dogmas mas também de cedências, através da tal sobreposição de símbolos e rituais, às tradições pagãs, como a aceitação de ídolos ou de imagens) o Renascimento operou também essa fusão com a cultura pagã greco-romana ocidentalizada que sobrevive quase intacta na Arte europeia.

      Voltando atrás, o trevo vem daqui:
      https://en.wikipedia.org/wiki/Triskelion

    2. De salientar também que a própria estrutura dos templos é um trifólio (tal como a cruz). Há coisas que batem certo logo à partida…

      … ou são lá postas discretamente depois 😉

  2. Dois pequenos reparos.
    Hoje, dia de São Patrício, toda a Irlanda católica e toda a comunidade irlandesa espalhada pelo mundo se veste de verde, não havia necessidade da figura do santo estar de paramento vermelho, talvez a única conhecida. O outro reparo é o santo ter morrido cerca de 460 dc.

    1. Caro anónimo, sabe lá se das mangas para baixo o Santinho não vestir uma cor tão fresca como uma alface? Não sabe pois não? Nem eu.
      Uma coisa que se é que os historiadores não estão de acordo quanto à data da sua morte , que poderá ir até 493 ou mesmo 500, veja lá!

      1. Assim seja.
        Mas, com tantas imagens de São Patrício e até atendendo ao St. Patrick’s Day merecia uma vestido de verde.
        Pois, as datas são sempre ao gosto de quem as quer apresentar como as verdadeiras.

  3. As consequências do imperialismo britânico. E nem é preciso olhar para África ou para a Índia, basta mesmo ver a ilha ao lado.

  4. Está muito bem festejarem este Santinho do trevo verde. Agora usam-se os paramentos de vermelho por cima e as roupas intimas, verdes, por baixo. Assim reluz melhor, até encandear, o fogo que libertam…, funciona como a estrela que guiou, depois, os Reis Magos e os Pastores até ao “Menino”… São rituais antigos que é bom sempre invocarmos . Isto anda tudo ligado…
    Que bom estes textos, no meio desta guerra de matança rotineira…

    1. Está de vermelho porque é Bispo! Também é por isso que tem mitra e báculo!!

      O verde é a cor nacional da Irlanda – mas não da iconologia de S. Patrício!

      1. A cor icónica das imagens de St. Patrick é com paramentos verdes.
        Os paramentos dos bispos são de várias cores e relacionados com os acontecimentos litúrgicos. São: vermelho, verde, roxo, preto, rosa, dourado e azul.
        O vermelho é usado no Domingos de Ramos e na Sexta-feira Santa. O verde em ofícios e missas do Tempo Comum. O roxo usado em Tempo de Advento. O preto em missas pelos mortos. …e não vou chatear mais para não aleijar os slbs

        1. Peço desculpa por contradizer, mas não e uma questão de paramentaria litúrgica.
          Em que o roxo e da Quaresma e Advento, o branco da Páscoa e Natal, o Azul para festas marianas, o Vermelho para Ramos, Sexta da Paixão e festas de mártires, etc.
          O preto não e cor paramentaria, era a veste corrente sacerdotal.
          O vermelho idem, era a cor da veste corrente episcopal. Inclusive papal.
          Desde o Concílio Vaticano II, a veste sacerdotal aligeirar da batina preta para traje idêntico aos leigos, com cabeção.
          A veste episcopal passou a batina preta com solidéu e faixa lilás.
          A veste cardinalícia passou a batina preta com vivos, barrete e faixa vermelha. Cardeal e um título honorífico e não um grau de sacramento da Ordem.
          A veste papal, integralmente branca.
          Os códigos de vestuário quotidiano não são variáveis com os tempos litúrgicos.
          Diferente na iconografia: bispos sempre representados de vermelho (ex: S. Martinho de Dume, S. Geraldo…) Mártires sempre de vermelho (ex: S. Lourenco,…)
          Virgens, sempre de branco (ex: Inês, Cecília, etc.)
          Estes códigos mantiveram-se inalteráveis na História da Arte desde a Idade Média, até ao Sec. XIX, em que a liberdade iconográfica começou a impor-se a partir da valorização da ideia de Arte como expressao individual.
          Mais tinha a dizer… Mas não vale a pena…

          1. E muita gente esquece que religião também e cultura…
            Obrigada pelas suas palavras.

  5. … ” O azul para festas Marianas, o vermelho para Ramos, Sexta-feira da Paixão e Festas de Mártires”…
    As cores necessárias e tão singelas, que bastariam para vestir todo o Clero, seriam: a justiça, a integridade, empatia, respeito e amor pelo próximo, bondade, perdão, condescendência , caridade e paz … – O Mundo seria outro e nem havia quem se atrevesse a pensar em guerras.
    Nem a Rainha de Inglaterra muda tanto de fatiotas e de cores…

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