SURPRESA
Toda a gente concorda na enorme superioridade do Exército Russo, adestrado na longa guerra russo-afegã, de 1979/89, reconstruído pacientemente por Putin ao longo de 20 anos e treinado em agressão na Geórgia (2008) e na Chechénia (1999/2009), além do passeio na Crimeia (2014). Os soldados no activo são mais do quádruplo dos da Ucrânia e as diferenças de equipamento grandes (para detalhes consultar Nuno Rogeiro), como o é o PIB dos dois países (o da Rússia quase 10 vezes maior).
Pois sim. Mas não parece que engolir a Ucrânia esteja a ser o trigo-limpo-farinha-amparo que se imaginava. A diferença vem da determinação do povo ucraniano, antes de mais. E, suspeito, da preparação do Exército, que aparentemente aproveitou os últimos anos para não deixar que lhe crescesse erva debaixo dos pés, além do apoio da OTAN pela porta do cavalo. Há mesmo quem ache que a Rússia está a perder a guerra. Não, não é um desses generais portugueses que vai à tv explicar que aquela é uma ciência exacta, na qual eles têm um doutoramento.
OTAN
O secretário-geral da organização agora passa a vida a fazer declarações, e antes ninguém o conhecia. História: A OTAN foi originalmente feita para impedir a expansão comunista e desde que semelhante ameaça se autoextinguiu, e se dissolveu a organização do outro lado, o Pacto de Varsóvia, a aliança ficou meia sem objecto, para desespero do funcionalismo internacional que sempre enxundia estas agências. E como a defesa em questão era a da Europa, os americanos há muito vinham rosnando que não era pior se este continente não continuasse a assobiar para o lado na hora de pagar. Não foram aliás mais incisivos porque a Guerra Fria acabou mas já no horizonte se vê o novo império rival e a América não quer hostilizar gratuitamente os velhos aliados.
A OTAN ganhou uma nova vida: afinal a pulsão expansionista do comunismo foi substituída pela pulsão restauracionista do espaço da velha URSS, de modo que os países limítrofes precisam de defesa; e ninguém sabe bem se a China vê ou não vê com bons olhos a aventura putinesca, mas não há dúvidas de que lhe interessa avaliar o grau de coesão do Ocidente, para quando, e se, decidir explicar aos irmãos taiwaneses que o Império do Meio inclui a Formosa. Uma aliança renovada bem pode servir para outros propósitos que não o original.
ECONOMIA
A Covid já tinha exposto a maluqueira da globalização desenfreada sem curar de considerações estratégicas, com o perigo de concentrar a produção de bens essenciais no quinto reino do diabo, nomeadamente na China. A guerra veio mostrar que depender excessivamente da Rússia (ou, já agora, seja de quem for) para o fornecimento de energia foi uma europeíce escusada, sobretudo por parte da Alemanha, país que costuma fazer as coisas em grande, incluindo as asneiras. A culpa é da opinião pública, que quer combater a poluição, as alterações climáticas e qualquer tipo de riscos com o expediente de exportar essas inconveniências para terceiros, ficando nós com o consumo, que importamos dessa escumalha dos poluidores países em vias de desenvolvimento. Talvez agora o nuclear, o fracking e a reexploração de poços abandonados tenham a nova vida que uma sociedade refém de militantes piolhosos dos corrupios no alto dos montes e delírios sortidos tem cancelado.
ALEMANHA
Parece que a velha Alemanha resolveu rearmar-se. Ora bem, se eu fosse parisiense talvez encarasse a notícia com alguma circunspecção. Porque a Alemanha tem historicamente uma aborrecida tendência, quando se unifica ou arma, de marchar até Paris. A história repete-se primeiro como tragédia e depois como farsa, disse o outro, mas farsa alemã ainda não vimos. Resta confiar em que os padrões históricos não se repetem até ao infinito – algures no percurso são substituídos por outros.
EXÉRCITO EUROPEU
Alguns europeístas frenéticos, que entre nós são legião, já vão dizendo com gravidade que precisamos de um exército europeu: só a quantidade de lugares de comando, e outros de secretaria, que uma tal estrutura necessitaria, já faz salivar não poucos civis, para não falar dos militares: seria uma oportunidade de ouro para os nossos generais comandarem mais do que 150 homens (e mulheres, ainda que elas, por razões misteriosas, ainda tenham menos apetência do que os mancebos pela carreira das armas). Resta que um exército europeu aniquilaria o resquício de independência que ainda temos. As Forças Armadas são um atributo de soberania: combater as guerras que outros decidem por nós, fora do contexto de alianças com obrigações recíprocas, seria a última das indignidades porque da conjugação de interesses das outras nações, em assuntos vitais, não resulta necessariamente a defesa do nosso. De resto, o que o conflito na Ucrânia demonstra é que o cimento da identidade nacional (que, por estar velho, puído e gasto, às vezes julgamos que já não existe entre nós) ainda é o principal fermento das guerras quando é severamente ofendido. OTAN? Aliança e coordenação de exércitos europeus? Sim e a ver. Exército Federal? T’arrenego, nem que a organização seja alemã, as fardas desenhadas por italianos e as colocações civis decididas pela CRESAP.
AMIGOS
Na minha tribo principal nem toda a gente rema para o mesmo lado. O meu querido amigo Vítor Cunha tem aqui um libelo contra o mainstream antiputinista, que é um excelente resumo. Não vou rebater ponto por ponto, até porque uma parte são factos, como tal não rebatíveis. O Vítor não entende que sentimento nacional é esse que nos faz correr o risco (a nós e a muitos outros que nada têm a ver com o conflito) de uma conflagração nuclear, e acha que Putin teve fortes agravos.
Teve; mas invadiu, não foi invadido. E a consideração de que tem armas nucleares, se fosse um argumento decisivo e suficiente para se lhe tolerarem os abusos que a outros se não permitem, seria uma receita para novos abusos e a proliferação nuclear: Também quero, diriam, por exemplo, japoneses e alemães.
Os Ucranianos, que preferem morrer de pé a viver de joelhos, têm a minha admiração. E os soldados russos, bem como uma parte da população, provavelmente levados por um discurso facilitista e triunfalista que os factos não têm confirmado, a minha comiseração.
PREVISÕES
Não devem ser feitas, mesmo por quem não seja economista. O futuro vai acontecer de uma maneira mas há muitas de o imaginar. No caso, sabe-se apenas o que cada um dos lados deixa saber (e, do lado russo, menos ainda por causa do estúpido e paternalista bloqueio das notícias, como se a opinião pública resulte mais bem informada se supervisionada pelas autoridades). Do que se adivinha, a mão de Putin tinha menos trunfos do que ele e os seus generais julgavam; os ucranianos revelaram-se um osso bem mais duro de roer do que o previsto; o resto do mundo uniu-se mais do que o esperado; A China só não parece uma barata tonta à espera de farejar o melhor caminho para fazer avançar os seus interesses porque a sua opacidade não permite ver o que vais naquelas calculistas cabeças; e a opinião pública mundial, e dentro desta a que conta, que é a dos países que têm armas, e poder, e dinheiro, veria com bons olhos que se entendessem num acordo não completamente satisfatório que permitisse a Zelensky poupar mais desgraças ao seu povo, e a Putin salvar a face.
É o que prevê este ignoto escriba, e para breve. Até porque nem tudo se pode fritar em azeite, o óleo já está pela hora da morte e a gasolina a dois Euros o litro ainda vai porque com o bodo o PS compra mais votos e finge que combate as alterações climáticas, mas a três ainda ponho a hipótese de ir a pé tomar café – se não for racionado.

A Russia poderá liderar o Mundo Livre:
– os povos que não estão interessados em vender as suas riquezas a multinacionais!
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Falar em Putin para desviar as atenções… não obrigado!
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O hipócrita Ocidental possui um largo historial (de séculos) de roubos/saques a povos autóctones…
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Sim:
– nas mais variadas regiões do planeta, sempre que não está instalado um governo ‘amigo’… o hipócrita Ocidental fomenta guerras/revoluções para que… a exploração de riquezas caia nas mãos de multinacionais Ocidentais.
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Mais:
– o hipócrita Ocidental bloqueia a investigação à forma como chegam armas a ‘grupos rebeldes’ que… não possuem fábricas de armamento!
Sim:
– o hipócrita Ocidental está preocupado é em acusar/ silenciar (com a acusação de serem racistas/xenófobos) os Identitários que dizem o óbvio:
– «os países aonde são produzidas as armas utilizadas pelos ‘grupos rebeldes’ é que têm de pagar a ajuda aos refugiados».
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[em conluio com as negociatas da máfia do armamento, o hipócrita Ocidental tem provocado milhares/milhões de vítimas mortais]
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Mais:
– o Ocidente pretende cercar a Russia (um território imenso no planeta, com apenas 140 milhões de habitantes) com países da NATO…
Pois é:
– as multinacionais Ocidentais andam a aguçar o dente às riquezas da Russia.
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Sim sim:
– os europeus-do-sistema falam em guerra, não falam em paz!
De facto, não falam nas óbvias:
—> MENSAGENS DE PAZ QUE O OCIDENTE DEVERIA TER PARA COM O POVO RUSSO.
[e para com todos os povos que não estão interessados em vender as suas riquezas a multinacionais Ocidentais]
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Mensagem de paz 1:
-> O MAIS ELEMENTAR DOS TRATADOS DE PAZ
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Os europeus do Ocidente deveriam ter a mensagem de paz, óbvia, para o povo da Russia:
– “estejam descansados, nós não vamos roubar/saquear as vossas riquezas – tal como fizemos a povos autóctones da América do Norte, Sul, etc – nós vamos assinar o Mais Elementar dos Tratados de Paz”.
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Isto é:
—> um tratado de paz que recuse o MAIS VELHO DISCURSO DE ÓDIO DA HISTÓRIA -> o ódio tiques-dos-impérios: o ódio a povos autóctones dotados da Liberdade de ter o seu espaço e prosperar ao seu ritmo.
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Nota:
O discurso do europeu-do-sistema (o cidadão de Roma europeu) não mudou, continua igual:
–> autóctones Identitários são alvo de ódio… porque… os autóctones Identitários não estão interessados em:
1- negociatas de índole esclavagista: isto é, negociatas que pressupõem a existência de outros como fornecedores de abundância de mão-de-obra servil.
2- negociatas de índole colonialista: isto é, negociatas que pressupõem a substituição populacional de povos autóctones considerados economicamente pouco rentáveis.
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Mensagem de paz 2:
-> A TAXA TOBIN
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Mais: os europeus do Ocidente deveriam ter uma outra mensagem de paz, óbvia, para o povo da Russia (e não só):
– “URGE A IMPLEMENTAÇÃO DA TAXA TOBIN!”
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A implementação da Taxa Tobin vai permitir o desenvolvimento dos mais variados povos
… nomeadamente…
vai permitir que os mais variados povos possam desenvolver as suas mais variadas empresas, consequência:
– vão ser empresas autóctones a explorar as suas riquezas naturais… e não… multinacionais Ocidentais.
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Uma nota:
-> a causa das caravanas de migrantes desesperados não está nos Autóctones Identitários… mas sim… naqueles que bloqueiam a introdução da Taxa Tobin: os europeus-do-sistema.
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P.S.
SEPARATISMO IDENTITÁRIO; sim, óbvio!!!
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A Europa dos boys e girls vendidos a interesses económicos de índole esclavagista/colonialista… versus…
a Europa do Ideal de Liberdade que esteve na origem da nacionalidade.
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Pois sim:
– NA ORIGEM DA NACIONALIDADE ESTEVE O IDEAL DE LIBERDADE IDENTITÁRIO (“ter o seu espaço, prosperar ao seu ritmo”)… não foi… o ódio tiques-dos-impérios do europeu-do-sistema (cidadanismo de Roma).
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SEPARATISMO 50-50:
-> os globalization-lovers, UE-lovers, etc, que fiquem na sua… desde que respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa.
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-» blog http://separatismo–50–50.blogspot.com
Uf.
“- o hipócrita Ocidental bloqueia a investigação à forma como chegam armas a ‘grupos rebeldes’ que… não possuem fábricas de armamento!”
És tão ignorante – por culpa dos jornalistas – que não sabes que as armas dos “grupos rebeldes” vêm da China, do Paquistão, Irão etc etc.. mais de 20 países fabricam AK-47 e RPG-7. ou julgas que compram armas “Gucci” do Ocidente que custam 50x mais?
Bom resumo.
Alguém disse que os gringos ao apoiarem a urss contra Hitler
‘mataram o lobo errado’
os gringos elegem PRs de lixo como:
socialista do new deal
zézinho dorminhoco que se tornou vice-PR
Nazi bom é nazi morto
Indo pelas avaliações predominantes sobre esta guerra, será um glorioso desfecho ver o recolhido Putin a ser depenado num espeto pelo exuberante Zelensky.
Sua resenha está bem estruturada. Porém é necessário completá-la com outos dados.
SURPRESA
Não existe surpresa alguma. Os russos já garantiram o domínio da Crimeia, Mariupol, ampliaram a região do Donbass e Odessa caiu com a conquista de Mykholaiv, isto é, têm garantido o controlo do mar de Azov até ao mar negro.
Toda a região sudeste e nordeste bem como a região oeste até Lviv e Kiev está cercada pelas forças russas. Portanto, são regiões populosas onde, para já, não ocorrerá qualquer bombardeamento em massa. Os russos mantêm o corredor Kiev Lviv aberto, que é por onde os refugiados de Kiev, através de comboio, têm saído para se refugiarem na Polónia.
Significa isto que a propaganda sobre o massacre contra populações civis não passa disso mesmo: propaganda.
As forças ucranianas estão dispersas por áreas populacionais e refugiam-se no meio das populações para evitar a derrota que já ocorreu. Assim, compreende-se no discurso de Zelensky que o seu desespero passa por trazer a nato a intervir. O míssil lançado desde a Rússia até à base militar junto à Polónia foi um indicativo dos russos que atingirão qualquer alvo que se constitua como fonte de abastecimento das tropas ucranianas.
Sobre refugiados: a Rússia já recebeu 300 mil refugiados da Ucrânia e está a garantir comida e medicamentos à população de Mariupol.
ALEMANHA
A única coisa que a Alemanha fez até agora foi anunciar a compra de 12 F35 aos americanos, e sabe que a reconversão dos tornados em sua força aérea é mais longa e dispendiosa que adquirir novos aviões.
ECONOMIA
Os usa agradecem. A nato tornou-se o propósito que eles sempre ambicionaram: ser uma máquina de facturação para a sua indústria bélica.
PREVISÕES
Só se estivermos doidos acreditaremos que os russos consentirão que as sanções que lhe foram impostas não atinjam todo o mundo, se necessário impedindo o sucesso de outras fontes alternativas de abastecimento energético ao ocidente.
CERTEZAS
A paz acabou. O patriarca Kiril no telefonema com o papa Francisco deixou clara a posição russa: “Paz, se esta for uma paz justa”.
Os Ucranianos, que preferem morrer de pé a viver de joelhos
Alguns ucranianos certamente preferem isso.
Mas eu diria que boa parte dos ucranianos se está nas tintas e o que gostaria seria de poder viver a sua vida em paz, sem bombas.
Muitos ucranianos, diria eu, estão-se borrifando para os devaneios nacionalistas de alguns seus compatriotas. Até porque sabem que o seu país tem sido muito mal governado.
nem tudo se pode fritar em azeite, o óleo já está pela hora da morte
Errado, tudo se pode fritar em azeite, aliás é aconselhável fritar em azeite porque é uma gordura que se deteriora menos com a temperatura do que outros óleos, como o de girassol.
Os portugueses deixaram de fritar em azeite a passaram a usar óleo de girassol precisamente por este ter ficado muito mais barato. Dantes, fritavam em azeite.
Se o óleo de girassol ficar muito caro, a solução é fazer menos fritos. Não faz mal nenhum à saúde comer batatas cozidas em vez de fritas.
a consideração de que tem armas nucleares, se fosse um argumento decisivo e suficiente para se lhe tolerarem os abusos que a outros se não permitem, seria uma receita para novos abusos e a proliferação nuclear
Claro que é tal receita. É precisamente por isso que já hoje diversos países têm armas nucleares: para poderem abusar.
Mas não basta ter armas nucleares; é preciso ter meios para as enviar à longa distância de forma precisa, o que é bem difícil.
Muito bom. Excelente raciocínio e texto claro e simples.
Permita-me duas ou três observações:
a resistência ucraniana é feita de coragem e desespero. O “moral” dos exército é quase sempre decisivo. A História mostra que nem sempre o exército maior e mais bem armado vence – sobretudo quando é invasor. creio que os manuais militares afirmam que para ter sucesso numa invasão é necessário que a proporção seja de 5 para 1, em contabilidade de forças. Assim, a resistência ucraniana não é tão supreendente: têm altíssima motivação e o seu território joga a favor deles (só o tipo pantanoso deos terrenos obriga as colunas de veículos pesados a circular panas nas vias/estradas. Um fator e tanto a ter em conta!, nas deslocações terrestres de armamento pesado, tropas e abastecimentos).
A OTAN não enfraqueceu só por aparente falta de objetivo, por queda da URSS. Também conta muito o pseudo-pacifismo das opiniões públicas europeias, sempre a clamar contra o desperdício que são as despesas militares… Agora, é o momento de recuperar a operacionalidade dos exércitos europeus, porque muita gente abriu os olhinhos. eu sou pacifista, mas não sou ingénua – e estar preparado para se defender é um grande meio de dissuadir quem quer atacar.
Quanto á Economia, não posso deixar de alertá-lo para o facto de a emergência climática não ser uma invenção. E não me atrai nada a ideia da energia nuclear, cujos riscos se mantêm consideráveis. Temos é de acelerar o investimento em energias renováveis, e a investigação em meios alternativos. E já agora, consumir menos! (Vá a pé tomar café, só lhe faz bem á saúde… )
Quanto a exército europeu, concordo inteiramente consigo – Deus nos livre! Que cada um tenha o seu, e na hora da necessidade juntemo-nos e coordenemo-nos (até porque afinal aquela coisa do rearmamento da Alemanha também não me agrada, e não estou em Paris!)
As suas previswões são muitov razoáveis – e devem acertar. Mas qualquer acordo que venha será sempre melhor para nós Ocidentais do que se a Ucrânia se tivesse rendido incondicionalmente. Honra seja feita aos ucranianos, que estão a pagar com sangue, suor e lágrimas o direito à democracia e à liberdade!!
Mais uma vez, parabéns pelo texto!
Muito bom. Excelente raciocínio e texto claro e simples.
Permita-me duas ou três observações:
a resistência ucraniana é feita de coragem e desespero. O “moral” dos exército é quase sempre decisivo. A História mostra que nem sempre o exército maior e mais bem armado vence – sobretudo quando é invasor. creio que os manuais militares afirmam que para ter sucesso numa invasão é necessário que a proporção seja de 5 para 1, em contabilidade de forças. Assim, a resistência ucraniana não é tão supreendente: têm altíssima motivação e o seu território joga a favor deles (só o tipo pantanoso dos terrenos obriga as colunas de veículos pesados a circular apenas nas vias/estradas. Um fator e tanto a ter em conta!, nas deslocações terrestres de armamento pesado, tropas e abastecimentos).
A OTAN não enfraqueceu só por aparente falta de objetivo, por queda da URSS. Também conta muito o pseudo-pacifismo das opiniões públicas europeias, sempre a clamar contra o desperdício que são as despesas militares… Agora, é o momento de recuperar a operacionalidade dos exércitos europeus, porque muita gente abriu os olhinhos. Eu sou pacifista, mas não sou ingénua – e estar preparado para se defender é um grande meio de dissuadir quem quer atacar.
Quanto á Economia, não posso deixar de alertá-lo para o facto de a emergência climática não ser uma invenção. E não me atrai nada a ideia da energia nuclear, cujos riscos se mantêm consideráveis. Temos é de acelerar o investimento em energias renováveis, e a investigação em meios alternativos. E já agora, consumir menos! (Vá a pé tomar café, só lhe faz bem á saúde… )
Quanto a exército europeu, concordo inteiramente consigo – Deus nos livre! Que cada um tenha o seu, e na hora da necessidade juntemo-nos e coordenemo-nos (até porque afinal aquela coisa do rearmamento da Alemanha também não me agrada, e não estou em Paris!)
As suas previsões são muito razoáveis – e devem acertar. Mas qualquer acordo que venha será sempre melhor para nós Ocidentais do que se a Ucrânia se tivesse rendido incondicionalmente. Honra seja feita aos ucranianos, que estão a pagar com sangue, suor e lágrimas o direito à democracia e à liberdade!!
Mais uma vez, parabéns pelo texto!
Sabemos como os vencedores trataram a Alemanha depois da primeira Grande Guerra. Viu-se o resultado. E também sabemos como a trataram depois da Segunda (plano Marshall etc.) e viu-se outro resultado. Por vezes parece-me que depois da derrota da União Soviética está-se a tratá-la como se tratou a Alemanha no fim da primeira Grande Guerra. Esperemos que o resultado seja muito diferente. Mas ás vezes parece-me que vamos por um caminho idêntico. Humilhar os vencidos não é aconselhável.
Estarei enganado?
Eu não lhe chamaria uma derrota da URSS. O que se passou foi que os dirigentes soviéticos aperceberam-se que podiam ter uma vida bem mais luxuosa como burgueses capitalistas do que como dirigentes “socialistas”, pelo que decidiram deitar abaixo a URSS e privatizar tudo ao preço da uva mijona, o que resultou na criação dos oligarcas russos, na altura representados pelo alcóolico Boris Yeltsin. Já o oligarca russo Vladimir Putin também beneficiou da queda da URSS, mas sabe que para se manter no poder tem que se meter em guerras, à semelhança que o oligarca americano George W. Bush quando era presidente.
Bom dia
Excelente abordagem e enquadramento historico.
Obrigado pela partilha.
Feliz dia
Maria
«A guerra veio mostrar que depender excessivamente da Rússia (ou, já agora, seja de quem for) para o fornecimento de energia foi uma europeíce escusada, sobretudo por parte da Alemanha».
Deixa-me chamar-te a atenção para o seguinte:
Estar a falar sobre a relação Alemanha/Rússia sob a perspectiva portuguesa é leviano. Não só a localização geográfica modifica o ponto de vista (para mim, a fronteira portuguesa está sensivelmente à mesma distância da fronteira russa), como há séculos de História intrincada entre a Alemanha, a Rússia, a Polónia, a Bielorrúsia e alguns outros países do bloco soviético, causando, entre outras coisas, grandes movimentos demográficos. Calcula-se que actualmente vivam na Alemanha mais de dois milhões de pessoas que têm o russo como língua-mãe, ou o falem fluentemente por virem de países pertencentes à União Soviética. Entre estas pessoas, há descendentes de alemães que viviam em territórios que, a dado momento, passaram a ser russos ou soviéticos. Desaprenderam o alemão dos seus antepassados, mas esta ligação torna-lhes mais fácil obterem autorização para viverem na Alemanha e até para adquirirem a nacionalidade. Os últimos casos de territórios que mudaram de “patrão” aconteceram a seguir à II Guerra Mundial. O meu próprio sogro alemão era oriundo da Prússia Oriental, uma região à volta da cidade de Königsberg (ou Kalininegrado), que foi dividida entre a Polónia e a Rússia – ou seja, um enclave russo em plena Polónia, que faz fronteira com a Lituânia e perto da fronteira da Bielorrússia (e o Putin com certeza que o tem debaixo de olho). Enfim, também há muitos alemães que falam russo, principalmente, os cidadãos da antiga RDA, que aprendiam russo na escola como língua obrigatória, como nós aprendemos o inglês (e antigamente o francês).
Tudo isto para dizer que a ligação entre a Alemanha e a Rússia é complicadíssima. Antes de 2014, os alemães até viam Putin como um amigo (que aliás viveu vários anos na Alemanha, como sabes). O chanceler Gerhard Schröder (de 1998 a 2005) estreitou essa amizade e, depois de abandonar a política, ligou-se à Gazprom. É natural que a Alemanha veja (ou visse) a Rússia como uma excelente parceira de negócios. E também se pode dizer que se sentia na obrigação de servir de ligação entre esse país e a UE. A dependência da energia está (não só, mas também) ligada à tentativa de quebrar barreiras entre a Rússia e a UE. Bem sabemos que Putin vive num luxo exorbitante, mas o seu país tem grande dificuldades financeiras.
Esta dependência prova agora ser exagerada. Mas reduzi-la a uma “sociedade refém de militantes piolhosos”, é simplificar demais. Não procuremos explicações simples para problemas complicados! Isso é coisa lá dos “venturinhas”.
Cristina, essa referência à “sociedade refém de militantes piolhosos dos corrupios no alto dos montes” era mais a pensar nos ecologistas domésticos, e mesmo assim comporta um exagero retórico, visto que admito que alguns, provavelmente, tomem banho. No mais, e sem pretender negar a complexidade do assunto, e a facilidade de fazer raciocínios ex post facto, escrevo de forma deliberadamente sumária, captando o essencial apenas, e mesmo esse apenas sob a minha discutível perspectiva. Obrigado pelo teu comentário.