Deve ser tempo de dizer basta


Sérgio de Almeida Correia,

A culpa é de Carlos Costa. Também pode ter sido de Vítor Bento. Ou do Banco Central Europeu. Talvez dos bombeiros…; minha é que não foi. Ponto. Fui eu quem esteve à cabeceira da equipa do INEM. A controlar o soro e o cartão de ponto.

Enfim, depois de tudo o que aconteceu no BPN/SLN e na respectiva Comissão de Inquérito, e das criticas que aí foram feitas à supervisão do Banco de Portugal (em 2008, no auge do “socratismo”, eu chamei-lhe “supervisão congolesa”), em especial por Nuno Melo (CDS/PP) e João Semedo (BE), não houve hipótese de modificar nada.

Estamos em 2015 e vê-se que durante sete anos, sete anos, porra, não foi um nem dois, ficou tudo na mesma. Os vícios são os mesmo de sempre. As explicações idem. O padrão é sempre o mesmo. 

E depois vem a gente que há décadas vegeta e mantém esta choldra em ponto-morto dizer que eu tenho asco. Tenho sim, tenho asco, muito asco. Tenho asco a quem politicamente é estruturalmente indecente. A gente politicamente desonesta. A gente que se alimenta do padrão para sobreviver e singrar. A gente que é ética e moralmente desestruturada (na minha perspectiva, é claro). À direita, à esquerda, em cima e em baixo.

(Quando me cansar de escrevê-lo, de dizê-lo, limitar-me-ei a articular com os maxilares doridos os movimentos que produziriam essas palavras. Como Marceau faria com o movimento, com o gesto. Ou como Herberto com as palavras. Em silêncio e às escuras para não incomodar os ouvidos e os olhos sensíveis da canalha)

0 comentários em “Deve ser tempo de dizer basta”

  1. Um postulado:—-Quem tem a responsabilidade da gestão de um banco nunca é responsável pelo estoiro dele.
    Axioma e mais :—Ao estoirar de um banco correr atrás do governador,do presidente do conselho e do presidente da república gritando—-Aqui del rei! Agarra ladrão!
    Estas declarações não necessitam de demonstração.

  2. Tens tanta razão, Sérgio. Mas já reparaste? Dizer que isto não se trata de um problema da esquerda ou da direita não é popular. As pessoas preferem o pensamento de trincheira, talvez para não perderem de todo o ânimo.

    1. Tem toda a razão, não se trata de um problema da esquerda ou da direita, é apenas um caso de policia.
      Quanto ao resto, o que é que se pode fazer para evitar que estas coisas aconteçam? há quem defenda que se os bancos fossem do estado estas coisas não seriam possiveis. Mas como eu não tenho por enquanto memória curta, garanto-lhe que isso não é verdade.

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