
As elites ocidentais beneficiaram durante as últimas três décadas da prosperidade gerada pela chamada ordem liberal, que triunfou após a queda do Muro de Berlim, em 1989. Muitos países enriqueceram imenso, mas as desigualdades internas aumentaram em cada um deles. A questão da distribuição desigual dos benefícios da globalização tem sido muito discutida (por exemplo, aqui, onde se fala da derrota da classe média). Os EUA mostram números impressionantes. A riqueza cresceu de forma espectacular, mas a metade mais pobre da população empobreceu em termos reais: a média de 21 mil dólares em 1989 baixou para 16 mil em 2016. Os 10% do topo amealhavam 67% da riqueza total em 1989, mas essa fatia crescera em 2016 para 77% do bolo americano, que entretanto se tornara muito maior. Formaram-se fortunas que, em proporção, rivalizam com os Crassus e Herodes da antiguidade.
Vemos os gráficos sobre a distribuição da riqueza e é difícil acreditar, embora estes sejam cruciais para explicar o fenómeno Trump. Os homens de Davos controlaram o planeta, mas a mudança da ordem global provocada pela guerra da Ucrânia e a rivalidade comercial com a China afectou de forma directa os numerosos interesses destas elites. Os dois conflitos perturbaram o sistema financeiro e mudaram o comércio internacional, há uma vaga de reindustrialização na Europa e nos Estados Unidos. O sistema está a fragmentar-se em dois blocos e cada nação terá de escolher o seu lado. A partir daqui, torna-se difícil travar o passo da mudança. O comércio global vai recuar, a energia e as matérias-primas serão mais caras.
Países de África, América Latina ou Médio Oriente parecem pouco dispostos a seguir as regras anteriormente impostas pelos interesses das grandes fortunas euro-americanas. Isto é visível no regime de sanções financeiras, que não prejudica apenas a Rússia, mas quase toda a gente. Muito do que ouvimos dos dirigentes ocidentais corresponde a um lamento atrás do outro, como quem diz que seria bom que se pudesse voltar para o antigamente.
Torna-se também mais compreensível a insistência numa guerra que, no mínimo, deixa a Ucrânia destruída, e que, no pior dos cenários, nos pode conduzir a um holocausto nuclear. Basta um erro, uma má interpretação do resultado de uma batalha, basta que alguém perca o sangue-frio, e teremos ogivas nucleares em voo. Se houver sobreviventes, a guerra nuclear funcionará como um grande mecanismo de igualdade, o rico igualzinho ao pobre.
Não sabemos bem o que vai acontecer, se teremos escalada ou processo de paz. Os sinais são contraditórios. Ninguém diz com clareza o que pretende, embora do lado ocidental uma das intenções seja certamente a preservação de um sistema económico que durante trinta anos trouxe muita prosperidade, mas sobretudo aos milionários. Essa ordem global beneficiou desproporcionadamente uma classe que não pode nem quer abdicar do privilégio.
imagem Night Café, IA

« La mayoría de gente no está contenta con su vida porque están atados por el miedo. El miedo al fracaso, el miedo al cambio, el miedo al ridículo o el miedo a lo nuevo. Sueñan con mejores relaciones, mejores casas y una vida intensa. Pero nunca lo conseguirán porque se antepone el miedo. Son
prisioneros de su zona de comodidad. Tienen su colección de excusas para no actuar, pero en el fondo siempre es por miedo. El miedo es su peor enemigo
David Valois
> El miedo es su peor enemigo
Pelo contrário, é o melhor amigo, a avaliar pelas quantidades ingeridas – fornecidas gratuita e abundantemente pela chamada comunicação social.
A surpresa é que ainda não esteja 90% da população a medicamentos anti-psicóticos, mas para lá caminhamos …
Mais um post de Luís Naves com uma opinião a brilhar neste Delito.
“…Isto é visível no regime de sanções financeiras, que não prejudica apenas a Rússia…”
Veja-se as grandes manifestações na Eslovénia com milhares de pessoas.
Chama-se a isso esforço de guerra. Basta saber de que lado se quer estar.
É natural que apareçam os cobardes, mas depois de Fev 2022 não há conciliação possível.
O aumento da desigualdade, será o pior do que o autor do postal chama a “ordem liberal” o que, só por si, é já um ataque ao liberalismo e às ideias liberais.
Hoje, com a crise da energia e a tentativa de controlo utilizando o CO2 e o discurso verde, já deveria ser claro para todos, incluindo o articulista, que a prosperidade da Europa se deve mais à rivalidade entre os EUA e a Rússia do que à “ordem liberal”. De facto EUA e Rússia nunca poderão ser cooperantes e estão condenados a serem competidores, podendo evoluir para adversários, inimigos e, no limite, beligerantes. Esta constatação foi demonstrada e publicada nos anos 20 por um perito em geopolítica e geoestratégia e enforma as altas chefias militares e muitos senadores. Sem essa cultura, muito duvido que tivesse existido um “Plano Marshall” e certamente não teria sido possível ver os EUA a sustentar através da NATO a esmagadora maioria das forças armadas europeias, sendo Portugal um caso extremo. Mas o mais importante é que a política americana, incluindo intervenções armadas sem outro motivo real e, por isso, com pretextos fúteis,, se deveu a quererem manter o preço do petróleo baixo como forma de conter a Rússia.
Seria bom que todos tivessem consciência de que as políticas sociais europeias, usadas como argumento de superioridade moral e como base de críticas ao próprios EUA, nunca teriam sido possíveis sem esse preço baixo da energia. E que todos tenham consciência que TODOS os governos europeus sempre souberam que estavam a beneficiar de um preço artificialmente baixo do petróleo, sem que isso afectasse os seus pruridos sociais, esquerdistas e moralistas. Isso tornou-se patente quando, devido a vários erros americanos culminados pela administração Kennedy, com relevo para a sua secretária de Estado Hillary Clinton que iniciou o conflito na Síria, o Estado Islâmico ocupou Mossul, o maior centro petrolífero do Iraque. Durante cerca de um ano, esse petróleo do EI era transportado por camiões tanque até à fronteira da Turquia, daí embarcado em navios tanque de um magnata turco para Israel, onde recebia novos documentos de origem e era reexportado para toda a Europa que o adquiria a preço inferior ao mercado. E que ninguém sequer sonhe, que os serviços de informação europeus, ou seja os governos, não sabiam o que se estava a comprar. Acrescento que a longa estrada de Mossul à Turquia passava no sopé de montanhas dominadas pelos curdos, armados e aliados dos americanos mas que nunca interferiram nesse tráfico, que só terminou, salvo erro, em 2016 quando a Rússia, ausente desde 1991, regressou ao Médio Oriente, onde a sua primeira acção de relevo foi um ataque aéreo a uma coluna dessas camiões tanque, destruindo a totalidade de 16.
Por último desejo reafirmar que o aumento da desigualdade – que, para quem sabe alguma coisa de economia, é fortemente negativo para o mercado liberal ou defendido pelo liberalismo – é o pior que resultou do mundo monopolar, aliado ou quase dominado pelas ideias globalistas e de supressão das nacionalidades. Mas sendo o pior e realmente muito mau, não é tão mau como o ocorrido em praticamente todos os países que se eximiram a esse mundo dominado pelos EUA, fossem eles a Rússia, a China, ou Cuba e Venezuela, para citar alguns exemplos. De facto, em todos esses países, mesmo nos que apresentaram crescimento económico, a liberdade foi ou continuou suprimida, as minorias foram ou continuaram oprimidas e o fosso entre os mais pobre e as classes dirigentes, não é menor.
“…isso tornou-se patente quando, devido a vários erros americanos culminados pela administração Kennedy, com relevo para a sua secretária de Estado Hillary Clinton que iniciou o conflito na Síria, o Estado Islâmico ocupou…”
administração Kennedy sua secretária de Estado Hillary Clinton ? ?? estarei eu confuso
Foi um erro estúpido. Era bem administração Obama.
> De facto EUA e Rússia nunca poderão ser cooperantes e estão condenados a serem competidores
Meh. Já vi tipos inteligentes, como o Gore Vidal, apontar que a Rússia seria o melhor aliado que os EUA podiam ter.
Se fosse provado cabalmente que o governo dos EUA está minado pela China, não me surpreenderia demasiado. Nada do que fizeram nos últimos 30 anos a prejudicou.
(Retórica vazia não conta.)
Desde Nixon e durante muito tempo, a China foi vista como potencial aliado ou, melhor, como potencial inimigo da Rússia. Por isso tem razão no que diz sem necessidade da administração americana “estar minada”.
Essa visão estratégica foi invertida por Trump que classificou a China como a maior ameaça e, daí, a sua aproximação à Rússia. Contudo Trump não passou da retórica com Putín, ao contrário de Biden que em Genebra reconheceu a Rússia como uma potência regional (por definição uma potência regional define os alinhamentos na sua zona de influência) o que eu acredito que tenha fortalecido a convicção de Putín de que o Ocidente não reagiria à invasão da Ucrânia.
Aliás o erro de Putín é típico dos ditadores que apenas consideram relevantes os governantes e, quanto a estes, tinha razão. As pessoas esquecem-se facilmente mas as reacções negativas à invasão prolongaram-se por 36 a 48 horas antes dos governos europeus e norte-americano se aperceberem de que lado soprava o vento e começarem a alinhar-se com as opiniões públicas.
Até agora Biden tem conseguido o pleno. Alienou a Índia e ofendeu o Japão, quando ignorou o QUAD (Índia, Japão, Austrália e EUA) e implementou o AUKUS (Austrália, Reino Unido e EUA) ou seja, uma aliança de brancos, cristãos e de língua inglesa. Alienou a Arábia Saudita e levantou parcialmente as sanções ao Irão conseguindo que ambos se entendessem sob o patrocínio da China num acordo “contra natura” cuja base é o anti-ocidentalismo. Embora aí sem grande culpa mas permitiu que a Rússia caísse nos braços de Pequim, ou seja, falhou no que foi a política americana por nem mais de meio século.
Desde Hitler que o mundo nunca esteve tão perigoso. No Médio Oriente, o acordo Irão Arábia Saudita vai atirar de pantanas o acordo Abraão (a jóia da coroa da administração Trump) e Israel vai ficar mais exposto, aliás com ajuda própria do governo de extrema-direita. É evidente que se Israel for atacado os EUA vão intervir.
No mar do Sul da China, sem o apoio da Índia, se o Japão reagir mal e, por arrastamento Coreia do Sul, Os EUA ficarão diminuídos em face de uma China que tem já a maior marinha naval de guerra (embora, felizmente, neste caso maior não signifique melhor). De qualquer forma, considerando a distância das linhas de abastecimento, os EUA sem aliados locais, ficam em clara desvantagem.
O que mais me irrita é que, de facto, Trump é uma pessoa detestável e Biden até é simpático e bem educado. Só que protagoniza a pior administração americana que me lembre e, se por acaso tiver uma pataleta, será ainda pior com uma Kamala que, ao preconceito esquerdista, alia uma ignorância abissal em política externa.
Não me estrague o dia!
E o penalty que ficou por marcar a favor do Benfica?
Rico como Creso (Croesus) e não como Crassus – Crasso. Não é que este não fosse rico, mas o do “ditado” é o outro. Crasso foi o erro, digo eu, sem ofensa.
Tem toda a razão e agradeço o comentário, embora não estivesse a citar qualquer ditado, limitei-me a referir dois ricos da antiguidade. O ponto é que alguns ricos de hoje têm meios para ir à Lua.