
É urgente desnazificar a Rússia, grande ponto de referência do extremismo populista europeu e principal fonte de financiamento dos grupúsculos de extrema-direita que tentam minar as democracias liberais do Ocidente.
Na Rússia, como se sabe, vigora o pensamento único. E quem subscreve abaixo-assinados denunciando isto, mal consegue transmitir a mensagem: toda a imprensa crítica foi silenciada, as próprias redes sociais são patrulhadas pela polícia do pensamento à cata permanente de delitos de opinião.
Se alguém exibe uma folha de papel em branco na rua, segue para os calabouços policiais. Arriscando 15 anos de prisão.
Por cá, fazendo de conta que nada disto existe, umas luminárias que se pavoneiam há anos nos jornais, nas televisões e nas rádios queixam-se de haver «pensamento único» não na Russia, mas em Portugal.
Extraordinário.
Essas luminárias engoliram todas as aldrabices de Putin. A patranha de que houve um «golpe de Estado» na praça Maidan em 2014. A série de mentiras acerca da suposta chacina de cidadãos russófilos no Donbass. O embuste do combate a «forças nazis» na nação vizinha quando o Kremlin recorre a mercenários supremacistas brancos como o Grupo Wagner. A jura de que a fronteira com a Ucrânia não seria trespassada. A garantia solene de que a preparação iminente da invasão, em grosseira violação do direito internacional, mais não era do que um «exercício militar» conjunto com a Bielorrússia, tornada estado-fantoche pelo Pinochet lá do sítio.
As tais luminárias, com acesso permanente aos órgãos de informação onde algumas pontificam há décadas, queixam-se do «ambiente tóxico» que dizem sentir à sua volta apenas por terem descoberto, escandalizadas, que a grande maioria dos portugueses recusa acompanhá-las na equiparação entre um estado agressor, a Rússia, e uma nação agredida, a Ucrânia.
Ao contrário dos subscritores de uma carta aberta publicada sem restrições no Expresso e com ecos em toda a parte, a maioria da opinião pública, entre nós, não andou a propalar antes de 24 de Fevereiro que a invasão da Ucrânia era mera invenção dos EUA e pura fantasia da NATO.
Ao contrário deles, e de outros, que se prestam ao triste papel de propagandistas do Kremlin, a opinião pública em Portugal, tal como no conjunto da Europa, recusa estabelecer infames equidistâncias entre carrasco e vítima.
Ao contrário deles, rejeitamos que paz possa ser sinónimo de rendição total à chantagem nuclear e à aniquilação de um povo que teima em ser descolonizado, soberano e livre.

Pelo que me toca tive 6 anos banido de poder comentar no twitter, apenas podia ler com a minha conta, pedi várias vezes para rever e sempre continuei banido dos comentários, foi preciso um musk tomar conta para em 1 hora ter a conta desbloqueada, … o putin é execrável mas o outro campo é igual.
O “outro campo”, como já devia ter reparado, é o nosso.
Experimente passear em Moscovo com uma folha de papel em branco na mão para perceber a diferença.
Quanto às luminárias, confesso a minha ignorância.
Será só mesmo velhice, ou são mesmo estúpidos e não demos conta todos estes anos?
Vou pela última
Os tais que urram contra o “pensamento único” e a falta de pluralismo nos órgãos de informação portugueses, sem sussurrarem uma criticazinha contra o totalitarismo imperialista e neocolonial russo, têm lugar cativo há semanas, meses ou até longos anos nas tribunas mediáticas.
Vejo as tais luminárias branquear de tal modo as atrocidades cometidas por Putin nestes 77 dias de agressão à Ucrânia que me questiono se algumas delas não fariam o mesmo em relação à Polónia e à Finlândia espezinhadas por Hitler e Estaline bastando trocar o ano, 1939 em vez de 2022.
Não quero armar-me ao pingarelho, mas topei-os desde o primeiro dia e fartei-me de o dizer aqui.
Assim foi.
namorada brasileira de Rás-Putine recomendaria
« ocè ó trepa ó sai de cima »
Putin tem muitos filhos espirituais. Até à beira-Tejo e à beira-Douro. (E à beira-Mondego, claro.)
Em democracia as pessoas são livres de pensar e mais, são livres de dizer sem medo de repercussões, de férias em Gulags de 5 estrelas, por exemplo. Os portugueses não sabem o bem que têm.
Os extremistas de esquerda que debitam alarvidades nos media portugueses, estão no seu direito. Quem lhes dá carta branca, quem os convida expressamente para “explicar os acontecimentos” e assim violentar a opinião pública é que deveria ser responsabilizado por estar a tentar transformar a informação numa palhaçada orwelliana que nada tem a ver com a realidade.
Numa sociedade como a portuguesa, em que os direitos, liberdades e garantias são respeitados, há até liberdade para uma das tais luminárias, o major-general Raul Cunha, aparecer com frequência na televisão a proclamar barbaridades como esta, horas após o início da agressão russa à Ucrânia:
«Quando o puseram num beco sem saída, o que é que ele [Putin] fazia a seguir? Tinha de atacar a Ucrânia, obviamente.»
E para continuar a aparecer nos ecrãs, louvando a «libertação de Mariúpol», cidade da Ucrânia arrasada pelos fuzis russos.
Como um general Millán-Astray gritando «Viva la muerte!»
Como um alucinado que em 1937 louvasse a «libertação» de Guernica bombardeada, que em 1940 louvasse a «libertação» de Coventry arrasada, que em 1945 celebrasse a «libertação» de Dresden reduzida a escombros.
Mas não há mais ninguém que possa comentar com isenção, só estas ridículas ” patentes” que debitam a cassete? É que vendo e ouvindo sempre os mesmos dislates, o povo que é sereno mas crédulo, está constantemente a sofrer uma lavagem ao cérebro digna de um filme distópico de série B.
Julgo que estes majores-generais putinófilos preenchem a quota dos nostálgicos do Pacto de Varsóvia. O que não deixa de ser curioso, pois alguns deles são ex-NATO.
“Ao contrário deles, rejeitamos que paz possa ser sinónimo de rendição total à chantagem nuclear e à aniquilação de um povo que teima em ser descolonizado, soberano e livre.”
Não se entusiasme. convém não esquecer que é aos ucranianos que compete decidir, não aos generais de sofá do lado de cá.
Não se preocupe. Os ucranianos estão a decidir, todos os dias. Vencendo a guerra. Vergando Putin.
Daí a tal parada militar em Moscovo, na segunda-feira, ter parecido quase uma cerimónia fúnebre.
Foi interessante a reportagem de ontem na SIC sobre os trolls russos que invadem as redes sociais para as intoxicarem com desinformação, fomentando fricções, fraturas e visões maniqueístas, Pedro.
É malta que está a ganhar a vida e fazem aquilo dez ou mais horas por dia e que é sustentada indirectamente pelo estado russo através de um ou mais oligarcas.
Acho que também já fomos aqui visitados por esses palermas, que descarregam repetidamente comentários, mesmo quando já foram avisados que não serão publicados. Mesmo sem serem publicados aquilo deve marcar no lá no taxímetro deles e enquanto fazem Ctrl+C e Ctrl+V estão é a pensar numa semaninha na Quarteira. Eles no fundo só querem é governar a vida.
Não vi, Paulo. Ainda bem que sugeres: vou ver.
Alguns desses trolls militantes andam também por aqui. Começo a suspeitar que são pagos à linha.
Eu confesso que tenho muita dificuldade para compreender certas pessoas. Parecem não compreender que o simples facto de podermos/poderem dar uma opinião ainda que contrária a outrem, não significa automaticamente assinar uma sentença de morte ou assegurar uma viagem para um Gulag qualquer. Este simples facto, passo a expressão, é o que nos coloca nos antípodas de regimes como o Kremlin. Não compreender isto é realmente difícil de aceitar.
Eu compreendo muito bem os ucranianos. Cada vez melhor. Querem viver num espaço que seja livre, como esta União Europeia democrática em que nós, portugueses, também vivemos.
Daí todos fugirem para este lado, não fogem para a Rússia nem para o Irão nem para a China.
Quase seis milhões. O maior êxodo humano registado no continente europeu desde a II Guerra Mundial. Além de cerca de quatro milhões de desalojados internos.
Também isto é crime contra a humanidade.
Mais que compreender até, neste momento nutro de uma profunda admiração pelos ucranianos.
Tem toda a razão no que diz. Assim como, a recente vontade de vários países pertencerem à NATO. Também há quem não compreenda, enfim é triste.
Hoje é um dia histórico. Finlândia e Suécia, na prática, deixam de ser Estados neutros ao assinarem acordos de defesa mútua com o Reino Unido. Passo intermédio antes de se concretizar o processo de adesão à NATO. Na Finlândia esta adesão conta agora com 76% de apoio popular, algo impensável antes da invasão da Ucrânia pelos russos.
Putin, que se dizia “cercado pela NATO”, tem agora mais dois membros da Aliança Atlântica como vizinhos.
Há que ter compreensão, ou de ter em conta o cartaz alemão “Hitler Libertador” em língua ucraniana, e tropa ucraniana alinhando com os nazis atacando comunistas, polacos e judeus.
Aquela do Estaline tinha sido em 1939, depois levou com milhões de mortos.
Agora uns dizem desnazificar o Donbass dos nazis do batalhão Azov, outros desnazificar os nazis do batalhão Wagner.
Prioridade máxima: desnazificar o Kremlin.
Importa ter em conta que comentar pode não significar exprimir uma opinião.
Se quiser explicar ou antecipar as acções do Putin, tenho que me colocar nos pressupostos e na lógica da besta.
O que se passa de mais grave é haver pouca exposição do que é o ambiente político e social russo.
A reportagem dos Trolls de ontem foi notável e emblemática.
Sobre ela haveria que suscitar-se o comentário dos órfãos soviéticos e outros que tais.
É o KGB em versão público-privada digital!
Tenho de ver essa reportagem. Até porque aturo aqui trolls putinescos todos os dias.
Já fui censurada muitas vezes aqui no Delito de Opinião por ter dado uma simples opinião, as vezes penso que a liberdade de expressão é um direito dos homens e das mulheres inibidos ao medo do contraditório.
Catarina Almeida
Como é que já foi “censurada” se nunca aqui apareceu antes e a sua “assinatura” é totalmente desconhecida aqui?
Todos os dias, desde sempre, há contraditório e debate e discussão acalorada neste blogue. Não estamos em Moscovo nem no comité central do PCP.
Censura é na TASS, e na Sputnik, e na RT.
Censuram como respiram. Faz parte do ADN dessa escumalha.
Sou uma mulher tosca. Gosto de libertar o espirito com palavrões acerca de Putin e este delito de opinião parece ser muito pudico e meiguinho para este regime de comentadores seguidores que ululam glórias aos soviéticos
Catarina Almeida
Pode escrever palavrões à vontade.
Aliás já escreveu um. Putin.