

Os vinte signatários de uma carta aberta publicada no Expresso proclamando-se «pela paz contra a criminalização do pensamento» perderam uma excelente oportunidade de contrariar a legítima dúvida de quem os imagina equidistantes entre vítimas e verdugos na trágica guerra da Rússia na Ucrânia. Podendo até especular-se se manteriam tal equidistância em conflitos de outra natureza e noutras esferas.
Não faltará mesmo quem questione se, com posições públicas como esta, não estarão a beneficiar o agressor.
Li com atenção a missiva, assinada por figuras como Boaventura Sousa Santos, Isabel do Carmo, Viriato Soromenho Marques, a advogada Carmo Afonso, o economista João Rodrigues e um brigadeiro-general que há um mês apareceu na televisão a balbuciar isto: «Agora o mau é o Putin… por amor de Deus! (…) Quando o puseram num beco sem saída, o que é que ele fazia a seguir? Tinha de atacar a Ucrânia, obviamente.»
Nos dezassete parágrafos que escreveram não há uma só frase de condenação expressa e explícita a Vladímir Putin, que mandou invadir um país vizinho contrariando todas as suas promessas em contrário e violando princípios básicos da legalidade internacional e da convivência civilizada entre as nações.
Nos dezassete parágrafos que escreveram não há uma só frase de solidariedade concreta ao povo flagelado por esta guerra de agressão que já provocou o maior número de refugiados no continente europeu desde a II Guerra Mundial, com cerca de dez milhões de ucranianos – um quarto da população do país – forçados a abandonar lares e haveres.
Nos dezassete parágrafos que escreveram, nem uma palavra de repúdio pelas atrocidades cometidas pelas forças armadas russas – maior potência nuclear do globo – em solo ucraniano. Nomeadamente a chacina praticada em Mariúpol – cidade-mártir, como bem lhe chama a imprensa internacional – naquilo que constitui óbvio crime de guerra.
![thumbnail_20220402_091021[3].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2022/22275273_waRF6.jpeg)
No meio desta barbárie – concreta, palpável, sangrenta – ei-los afinal preocupados com «a criação de um ambiente tóxico, em muitos casos vinculado e estimulado por meios de comunicação social e por responsáveis do poder político, de hostilização, desacreditação pessoal e intimidação de todos os que não sigam a cartilha de uma opinião que se arvora ao estatuto de pensamento único». Ousando até afirmar que existe uma «deriva totalitária» no espaço comunitário europeu.
O terrífico cenário que descrevem é o que melhor se aplica ao existente na Rússia, onde vigoram medidas repressivas sem precedentes neste século e em que até a simples exibição de uma folha de papel, em silencioso protesto contra a guerra, dá direito a detenção na via pública. Porque também os russos, tal como os ucranianos, estão a ser vítimas das pulsões totalitárias de Putin. Mas este nome é cuidadosamente omitido na referida carta aberta subscrita pelos vinte vultos da academia civil e militar, das artes, das leis, das letras e do jornalismo.
«O poder político sente-se proprietário das formas de pensar» e começa a desenhar-se uma «criminalização do pensamento». Dir-se-ia que estão a escrever sobre a Rússia. Engano: estão a escrever em Portugal sobre Portugal. Um país onde todos os signatários têm acesso permanente ao espaço mediático e alguns até pontificam nele há longos anos.
Falando em jornalismo – e sendo a carta subscrita por seis personalidades que exercem ou já exerceram o jornalismo, incluindo uma romancista duas vezes galardoada com o Grande Prémio de Romance e Novela – apetece questionar por que motivo tanta gente qualificada no ofício da escrita foi capaz de produzir um texto em que se lê a seguinte frase: «Esta é uma situação em que o Tribunal Constitucional deveria reverter de imediato.» E que exibe vírgula entre sujeito e predicado noutro trecho: «Os que pensam contra a corrente, (sic) são obje(c)to de escárnio, desacreditação social e pressões.»
Esta escrita tão canhestra terá sido proporcionada pelo «ambiente público de crescente intolerância, censura e perseguição ao outro» que dizem vislumbrar não na Rússia mas em Portugal?

aberturas onde cada qual mostra o que tem:
elas à frente
eles atrás
Muitas dessas personalidades (como aliás a maior parte dos jornalistas e daqueles que ocupam o espaço mediático) têm em claro desvio à esquerda. Isto é um facto. Agora, o que é mais estranho é gente com um desvio à esquerda defender um ditador conservador e nacionalista. É a velha questão de, quando em dúvida, escolher o lado oposto aos EUA e à NATO.
PS-Dito isto eu sou completamente a favor de que os defensores da Rússia tenham voz no espaço público. Odeio os consensos fabricados, como vimos acontecer com a COVID. E concerteza que também há assassinos a lutar pela Ucrânia. A guerra e a impunidade traz o pior dos seres humanos só de cima (e também o melhor, às vezes). Agora, ver as imagens de Bucha, ouvir os relatos da população, e dizer que é tudo fabricado pelos EUA raia já os limites da indecência.
Isto não é questão de esquerda e direita. É questão de decência ou indecência.
Só.
Eu continuo a pensar que tem tudo a ver com a esquerda (radical, claro está) que elege os EUA e na NATO como ódios de estimação. É um sentimento tão visceral que tolda qualquer racionalidade e desculpa qualquer facínora.
A questão fundamental é que não há desculpa para a invasão. A partir desse momento a Rússia perdeu toda a razão que lhe pudesse assistir. Eu não tenho a certeza que estes massacres sejam ordenados pelo Kremlin. De todo. Mas quando se abre a caixa de Pandora não há forma de a voltar a fechar. E os massacres no leste europeu, como em tantos outros lugares do mundo, mostram isso mesmo.
Susana V,
Permita-me a intimidade: A menina deve estar com a cabecinha cheia de caruncho com essas ideias rançosas de que a culpa é da esquerda. Não menina. A culpa é do diabo russo. A questão ultrapassa todo o conceito de orientação política. E é preciso ser muito insensível da sua parte para ter dúvidas sobre a responsabilidade do Kremlin autênticos carrascos, assassinos e carniceiros da pior espécie.
Pedro Silva
Não lhe atire areia para os olhos: estamos a falar de gente de esquerda que normalmente quer proibir qualquer coisa, a fazer um abaixo-assinado a dizer que não os deixam defender a invasão da Ucrânia sem lhes chamarem nomes. Meu caro: aqui a culpa é da Esquerda.
“ A questão ultrapassa todo o conceito de orientação política”
Os partidos que não repudiam o comportamento da Rússia, ou o criticam envergonhadamente estão à esquerda do espectro político. PCP e BE para ser mais precisa. Muitas destas personalidades pertencem a um destes partidos. Mas é bom de ver que isto não tem a ver com orientação política. É só uma coincidência…
Vou ali tratar o caruncho e já volto…
PS- Os russos são pessoas como nós, não são demónios por muito que nos custe aceitar. Muitos daqueles infelizes são só miúdos. Carne para canhão. Ou acha que se voluntariaram para combater na Ucrânia?
Os miúdos que cometeram as atrocidades que diariamente vemos, não são miúdos. São criminosos de guerra
É um sentimento tão visceral
Não é visceral, é deliberado e racional. O que a Esquerda odeia mais do que tudo é o Ocidente. É aquilo que basicamente os mantém vivos, mas é assim.
Plenamente de acordo. A Ética, a Ética com maiúscula, não tem lado. Já a falta dela, muitas vezes, tem.
Eu não li a carta toda com muita atenção, mas parece-me que em nenhuma parte dela se defende Putin. E parece-me que os EUA também não são mencionados nela.
A carta foi escrita antes das imagens e relatos de Bucha.
Mais de um mês após o início do acto de guerra desencadeado por Putin na Ucrânia, não criticar o tirano russo equivale a não criticar Hitler em Outubro de 1939, com a Polónia envolta em chamas e sepultada em escombros.
Estabelecer equivalência entre a Polónia agredida em 1939 e o invasor nazi advogando ‘paz’ em abstracto entre sujeito violador e vitima violada, é moralmente indigno.
Parece-lhe que estas pessoas vão mudar de opinião por causa de Bucha? Olhe que a mim parece-me que não…
Mas vão mudar de que opinião?
Esta carta foi escrita “contra a criminalização do pensamento”. Acha que estas pessoas vão passar a ser a favor da criminalização do pensamento por causa do que alegadamente aconteceu em Butcha? Eu espero que não!
Eu não li a carta com toda a atenção. Mas, pelo que vejo, ela é, essencialmente, para não dizer mesmo somente, contra as proibições e os cancelemantos do pensamento e da opinião.
É a segunda vez que você aparece aqui a “comentar” uma carta que confessa não ter lido.
Caramba, leia lá a porra da carta e deixe de falar do que ignora.
do que alegadamente aconteceu em Butcha
Gostei do “alegadamente”. A tesezinha de que foram os Ucranianos que simularam um massacre ou, pior, que foram eles que mataram os seu próprio povo para ver se os Americanos entram na guerra. Para quem não sabe, muitos daqueles civis assassinados já estavam em decomposição há várias semanas, quando a cidade ainda estava ocupada pelos Russos. Portanto devemos presumir que segundo a esquerda nacional e os majores-generais, foi o próprio Zelensky que foi lá durante a noite, matar os seu próprio povo, para incriminar os russos. Chegou lá, atou-lhes as mãos atrás das costas, e deu-lhes um tiro na nuca. Às raparigas, tirou-lhes a roupa, violou-as e depois tentou queimar os corpos (o ADN não engana). Não contente com isso, andou pelos quintais da cidade a matar indiscriminadamente os habitantes e a escondê-los em manilhas de esgotos e debaixo de buracos com tábuas.
Este comentador que assume comentar o que não lê insinua uma canalhice: que foram os ucranianos a introduzir centenas de cadáveres numa vila ou cidade que esteve mais de um mês sob controlo russo.
Mais um passo e afirma que foi a Ucrânia a invadir o seu próprio território, causando todo este cortejo de mortes e destruição em massa.
O passo seguinte será propor Putin para Nobel da Paz.
Ainda o haveremos de ver fardado de major-general.
Não percebo como é que este tipo não tem vergonha do que escreve, sinceramente.
o que é mais estranho é gente com um desvio à esquerda defender um ditador conservador e nacionalista.
A mim não me surpreende nada. A esquerda portuguesa tem demonstrado sempre ser nacionalista, dictatorial e está cada vez mais avessa à liberdade.
São proteccionistas, defendem as ditaduras mais terríveis do planeta como a Coreia do Norte e a Venezuela (dois protectorados da Rússia) e gostam de proibir e punir quem não pensa como eles. O que é que faz a Susana pensar que eles são os bons da fita?
V.,
Não me entendeu se lhe passa pela cabeça que eu sugeri que as esquerdas radicais podem, por qualquer ângulo, serem consideradas as boas da fita. Defendem ditaduras terríveis, sem dúvida. Mas consideram-se moralmente superiores. E neste caso, é preciso não ter vestígios de coluna vertebral para defender a Rússia de Putin: um país nacionalista, conservador, religioso, imperialista e homofóbico.
Susana V,
Peço desculpa porque entendi mal de facto. Só tinha lido aquele trecho seu quando respondi — li o resto dos seus comentários depois de enviar o meu. Não tinha percebido a sua posição. Cumpts.
NOJO——–
A.Vieira
É mais do mesmo. (O pormaior da vírgula é uma delícia).
Gente que aparece em todo o lado (imprensa, rádio, tv) rasga as vestes e diz-se alvo de «censura».
Abastardando o termo, e assim fazendo o jogo daqueles que “relativizam” a censura efectiva que foi praticada em Portugal, com cunho oficial, entre 1926 e 1974. E mantendo silêncio cúmplice face ao muro totalitário que se ergue nestes dias na Rússia do ditador Putin – onde a censura impera sem disfarces.
Escritores, jornalistas, juristas e académicos portugueses em total silêncio sobre a repressão concreta, brutal, que neste preciso momento atinge escritores, jornalistas, juristas e académicos russos.
Uma vergonha.
Este comentário de Luís Santos não tem qualquer relação com o texto e bem que poderia ser apagado (ainda para mais na sequência de um comentário meu, raisparta).
Quanto ao conteúdo do texto colectivo, e para além da patusca vírgula: foi muito criticável a medida europeia de barrar as emissões estatais russas. Mas estes intelectuais portugueses – que acampam na imprensa para botarem as suas opiniões, e sabem bem que representam em termos ideológicos muito menos em percentagem de apoio político do que o espaço que têm na imprensa, e que também sabem da quantidade de gente que tem postos estatais e que segue a sua perspectiva efectivamente russófila – têm uma enorme “lata” quanto botam:
“De forma acéfala, decidiu-se censurar todos os meios que vinculassem informações contrárias às decretadas como oficiais, restringindo o acesso ao conhecimento, e a uma informação isenta e plural, tentando dessa forma impedir a criação de qualquer outra opinião alternativa. Isto criou um perigoso precedente sobre o qual tombou um silencio submisso e cúmplice. Esta é uma situação em que o Tribunal Constitucional deveria reverter de imediato.”
É abjecto, é falso – não há qualquer censura, como os dislates do general Cunha e seus camarads na televisõ mostram, como os dislates constantes de Boaventura Sousa Santos também provam, como o absurdo destaque à autora do medíocre “Putas de Prisão” demonstra, como a intocabilidade de figuras altas da administração pública portuguesa seus correligionários comprova – e mostra bem o tipo de gente que escreve e assina isto. Pois o que de facto o que apelam é uma intervenção do Tribunal Constitucional, seja lá em que modos for, para regular a comunicação social. Isto é inadmissível. E é escandaloso que não haja um protesto global diante desta atoarda.
Alguns destes signatários gostariam de ter uma censura “a sério” – musculada, “de barba rija”, como diz um dos generais-papagaios.
Uma censura como a que o ditador Putin instaurou na Rússia, que a cada dia se vai tornando num estado totalitário. Com a benevolência cúmplice de vários colaboracionistas cá da terra.
Esse comentário que mencionaste, de facto, nada tem a ver com este assunto.
Segui a tua sugestão.
Pode apagar o que quiser. Eu tenho dignidade, não comento nada do jpt que é um radical extremista.
Enquanto ao que comentei que vem de uma sequência do comentário do Pedro Correia tem tudo a ver quando se refere a juristas e todos aqueles que subscrevem a carta aberta, A minha crítica é o estado em que se encontra o ensino tendo em conta as notícias de hoje e o que passam para os alunos estes professores universitários que pelos vistos muitos deles deixam a desejar no seu comportamento que influência a sociedade futura.
Luís Santos
A questão que aborda, como reconhece, é deslocada do tema que eu trago aqui.
E o meu colega e amigo JPT está longe, muito longe, de ser um «extremista».
«Radical» até pode ter conotação positiva, tudo depende do que estiver em causa. Eu, por exemplo, sou radicalmente contra ditaduras como a russa e contra tiranos como Putin.
Na minha opinião não está assim tão desenquadrado como isso. Os subscritores da carta aberta estão muito deles ligados ao ensino académico como bem sabe. O Alexandre Guerreiro jurista é defensor de Putin e tem ligações com a faculdade de DIreito.
O jpt peca por excesso como prova a sua lamentação ridícula de lápis azul de um comentário feito por mim simplório e sem pretensões nenhumas.
Luís Santos
Luís Santos é certo que comenta um texto do Pedro Correia mas colocou-o no enfiamento de um comentário meu. É uma minudência, sei bem, mas o conteúdo do seu comentário foi não só descabido (o que por si só não é um lesa-majestade) mas é por demais sensível. E por mais que se possa discordar do conteúdo do texto que o Pedro Correia aqui refere, por mais que se possa criticar os seus signatários, é uma grande injustiça – uma indecência, até – associar o texto e os seus co-signatários ao facto que V. aqui referiu. Eu diria mesmo que é uma indignidade, um radicalismo extremista, para o citar.
Vexa. e uns quantos mais a única ideia, e vaga, que apresenta sobre os actuais acontecimentos fundamenta-se na agressividade que revela contra indivíduos que têm opiniões e fundamentam-nas.
Ainda agora Bucha foi entregue e Vexa. já se encontra embuchado por crimes de guerra sem estarem averiguados. E espera que uma guerra provocada por gente sem cabresto, que tanto defende, não tenha mortos e desalojados, como também é o caso de Mariupol. Grande consciência opinativa revela Vexa.
Faz lembrar Zelensky quando diz que repudia as tropas russas depois que estas entregam algumas povoações. E só agora encontra mortos onde antes devia ter tropa a defender as populações. Não lhe ficava mal a carreira de jornalista.
Outro sabujo do Putin. Sempre de focinho tapado.
Será major-general na reserva?
Hipócritas estes anónimos comunistas, deviam ir para Moscovo limpara as ruas do esterco ……A.Vieira
Ralé – e ralé mentalmente prostituída…
JSP
El País: 4-04/la-matanza-de-bucha-muestra-al-mund o-el-horror-de-la-guerra-de-putin.html
https://elpais.com/internacional/2022-0
The Guardian: ive/2022/apr/03/russia-ukraine-war-lates t-russian-retreat-from-kyiv-reveals-atro cities-against-civilians-say-ukrainians-l ive
https://www.theguardian.com/world/l
Libération: onal/europe/marioupol-ville-martyre-assi egee-par-larmee-russe-depuis-un-mois-202 20331_SA3IXM7ZAVCDLNL4JG4LV6L7MA/
https://www.liberation.fr/internati
Sophia escreveu: «Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.»
Esta gente parece não ver nada, não ouvir nada, não ler coisa nenhuma.
O Expresso até tem o cuidado de subtitular “Liberdade para pensar”
O problema é que isto não é liberdade de pensamento, é precisamente o contrário.
É mesmo o pensamento condicionado por uma ideologia decrépita imbecil e criminosa.
Esta gente tem visibilidade a mais nos OCS.
É chocante este negacionismo dos signatários, que nem uma só vez reconhecem Putin como agressor.
Dezassete parágrafos não lhes chegaram para isso.
São essenciais e sempre presentes no discurso da esquerda dois pilares:
– Na cultura ocidental sempre a desigualdade económica tem poder de desvalorizar todo o seu conjunto de valores morais, sociais e políticos.
– O imperialismo do ocidente sempre é avaliado sem análise comparativa com a organização política e social das sociedades sobre as quais se impôs ou a dos imperialismos com que compete.
No caso do imperialismo russo, deram-no por extinto quando o czar foi assassinado numa cave com a família e os criados.
Desde então ainda não ressuscitou para ser submetido à análise de tão elevados espíritos.
Parafraseando o autor do texto, eu diria que se trata de mais um conjunto de ‘papagaios de putin’.
Há papagaios de que apenas proferem palavreado obsceno.
“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”
Esta carta é para guardar, Sérgio. E mais tarde recordar.
Neste post não se critica aquilo que a carta diz. Critica-se a carta porque se gostaria que ela dissesse (também) outras coisas.
É claro que cada um dos 20 signatários da carta terá muitas outras coisas a dizer sobre muitos outros assuntos. Mas esses outros assuntos não são para aqui chamados. O que interessa é aquilo que une os 20 signatários da carta, que é aquilo que nela está escrito. E é isso que deve ser criticado (negativamente ou favoravelmente). Coisa que este post não faz.
No mundo que eles defendem, Pedro, nós seríamos presos por delito de opinião, enquanto que no nosso eles podem palermices.
Essa é a outra das grandes diferenças entre o mundo aberto e o mundo fechado.
Sem que eles deem por isso, esses palermas estão é a dar razão àquilo que criticam.
Parece-me que aquilo que os autores da carta nela defendem, basicamente, é precisamente a liberdade de expressão. Ou seja, é a liberdade de cada qual ter “delito de opinião” ou dizer “palermices”.
Mas confesso que não li a carta com todo o detalhe.
É o segundo comentário que você aqui faz dizendo não ter lido a tal carta.
Faria bem em ler primeiro e comentar depois.
E evite pôr vírgulas entre o sujeito e o predicado. A menos que queira assentar praça em major-general.
Agora já li a carta toda, com atenção.
E confesso que nada li nela de que discorde. Bem pelo contrário.
Deve ter ficado exausto. Evite fazer mais esforços mentais hoje. Poupe os seus neurónios.
Questiono-me se num caso de violência doméstica estes vultos opinativos exprimiriam a mesma opinião, Paulo. Em defesa da “paz” em abstracto entre quem comete a agressão e quem sofre a agressão.
A paz que eles defendem é a paz dos cemitérios.
É urgente desnazificar a Rússia.
Isto arrepia-me e assusta-me. Faz-me lembrar o Candidato da Manchúria, ou o The Parallax View. Mas não estaremos todos a ver , a ouvir, a sentir o mesmo?
Que distopia mais incendária, caramba!
Ainda ontem, a propósito doutro militar com presença assídua nas pantalhas, me lembrei desse filme, O Enviado da Manchúria. Ligado a lavagens cerebrais.
Talvez o melhor papel do Sinatra no cinema.
O Sr. Tem aí um problema sério com os militares, será que foi um pé chato que o levou a ter ao que parece um odiozinho de estimação com a tropa.
Só com os putinófilos. Por serem herdeiros espirituais de Petain, figura rastejante que sempre desprezei.
Estes intelectuais que se queixam de estarem num país com “derivas totalitárias”, que afirmam não temerem pela limitação da sua liberdade de pensamento, e que alegam estar a sociedade europeia refém do pensamento único… São gente sem verdadeira envergadura, que atingiu certos patamares de “reconhecimento” público porque sempre foram alardeados pelos seus iguais como “tendo muito valor”. Citam-se uns aos outros. Louvam-se uns aos outros. Promovem-se uns aos outros. “Toma lá, dá cá” de favores em editoriasi de imprensa, em programas televisivos, em artigos de opinião.
Intelectuais da treta, com o monopólio da “cultura”… que se aboletaram com tudo o que tem vindo a ser prémio, subsídio e cobertura do Estado, nos últimos 50 anos.. Eles sim, enquilosados num “pensamento único” de “intelectual de Esquerda”. Quantas vezes recusando o reconhecimento e a valorização de outros, que por não se afiliarem ao mesmo campo ideológico são sempre relegados para segundo, terceiro ou ainda mais remoto plano. Como se a “Cultura” fosse o seu quintal privado…
Enfim!!! No fundo, no fundo, gentinha sem vergonha – que vê a farpa em olho alheio, sem enxergarem a trave que os cega…
São os mesmos a quem não ouvimos, nem lemos, uma linha de alerta sobre o açaime posto aos intelectuais e jornalistas da China (com particular atenção ao degradar da liberdade em Hong Kong), da Rússia, da Hungria, da Venezuela…
Se não estivéssemos num país livre, onde todas as opiniões se publicam, as alarvidades que estes senhores assinam nunca seriam divulgadas.
O que me incomoda, e acho particularmente grave, é estes senhores vulgarizarem, apoucarem, com esta sua triste atitude, as verdadeiras limitações impostas nas sociedades com regimes totalitários. É como dizer que um arranhão dói como uma punhalada. Que uma ligeira dor de cabeça é um AVC…
Estão a minimizar o sofrimento dos que verdadeiramente sofrem censura, repressão e violência, por causa do seu pensamento e opinião.
Lamentável!
Maria José, nem uma palavrinha à Arábia Saudita, Irão, Afeganistão, Singapura e outos países com limites brutais à liberdade.
Não posso pôr a lista toda, infelizmente!! São demasiados… Basta os do topo , de acordo com a lista da AI…
“Citam-se uns aos outros. ” Parece-me uma boa ideia para sermos famosos. Vamos fazer o mesmo?
Parabéns Maria José, será difícil alguém comentar com maior acuidade esta carta abjecta, subscrita por, como muito bem diz, intelectuais de pacotilha. Tanto parágrafo vazio, sem uma crítica clara a esta infame agressão para a qual alguns ainda tentam encontrar justificações.
Muito obrigada. Em tempos, tive a veleidade e atrevimento de sonhar poder dar um sério contributo a Cultura deste país. Fui vítima do fechamento do campo, como diria Bourdieu, por estes detentores do “poder intelectual” da Esquerda.
Conheco-os bem. As suas manobras, a sua auto-promocao, as suas forma invias de manipular os parcos recursos públicos da Cultura…
Vê-los fazer de coitadinhos censurados da-me vômitos!!!
Ao anónimo das 12.55: comentário recusado. Não admito injúrias para terceiros, muito menos de gente que insulta sem assinar.
Na podre guerra das narrativas fica toldada a consciência da grande maioria dos intervenientes, ativos e mirones, de que estão a abater cobardemente a sangue frio muitas gritantes verdades.
Parece que a falta de vergonha, a mais baixa, a mais rasteira falta de vergonha, está em alta.
Que tal largá-los no meio de Mariuopol?
Alguns já lá estão. Em comunhão espiritual com os assassinos e genocidas.